Eu acho que só não entendeu o que o Eugênio disse quem não quis. É ridículo
dizer que ele é que está sendo preconceituoso ou que quis, com o comentário,
exigir que se colocasse dentadura no Nelson Sargento ou vestir todos com
black tie.
Pelos comentários, parece até que a Globo é uma santa imaculada que não tem
nenhuma intenção com os destaques que escolhe. Exemplo: em vez de focar os
dentes, que tal a mão batucando?
E não é o Eugênio que está dizendo que a roda era exótica, pelamordedeus.
Estava dizendo que a Globo considera assim, e concordo com ele.
O que está em questão, na minha opinião, não é o comportamento do Eugênio
diante das reações absurdas que ele presenciou, mas o fato de que os
veículos de mídia incentivam (e, pelo que o video mostra, isso é de longa
data) os preconceitos que essas pessoas mantém. Daí a dizer que o
preconceituoso é ele, é uma inversão incrível, que só se explica como uma
tentativa de desqualificar a discussão. Eu acho que a TV faz isso sim,
continua fazendo. E isso para mim é uma escolha nada inocente, mas
profundamente política. Mas isso é outra discussão.
Cabe questionar: o que vocês acham que é um "estereótipo"? Eu entendo como
uma seleção de conteúdos, que retira da realidade algo que ela de fato tem,
mas remove toda a complexidade, as sutilezas e até as contradições, para
fazer parecer que o real é "apenas" aquilo que se mostra. É nisso que está o
problema. Não se trata de negar que os sambistas sejam negros, pobres ou o
que seja, mas de realçar imagens que confirmam certos preconceitos
("macumbeiro", "feio", etc.) em lugar de outras que poderiam ajudar a
matizá-los.
Claro que numa lista de discussão de samba e choro, é pelo menos
subentendido que ninguém partilha desse tipo de preconceito. Mas não podemos
fingir que ele não existe...

Marcos Virgílio


Em 13 de setembro de 2010 12:30, Eduardo S. Martins
<[email protected]>escreveu:

> Eugênio, sábado eu fui no aniversário da Mãe Neide no terreiro de Candomblé
> que ela mantém na periferia de Ribeirão Preto, reduto de gente pobre,
> simples e na sua maioria negros. São detentores de uma arte rara, o samba de
> roda, inclusive, preste atenção, do samba de roda ancestral cantado ainda em
> yorubá e não em português. Foi uma noite inesquecível. Fiquei pensando aqui
> que se o Fantástico fosse lá filmar e fazer um clipe, a mulher da sua amiga
> era capaz de morrer de infarto....rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs.....
> abraço,
> Edu
>
> PS: Esse papo me lembra o que um médico me disse semana passada, ele está
> aborrecido com o governo porque "...tem muito pobre no supermercado
> comprando frango....", há, há, há, olha, não é piada, é sério, a classe
> média lacerdista segue sendo a coisa mais estúpida deste país.
>
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