Olá novamente Braune,
Em 25 de março de 2014 13:52, Braune Bastos <[email protected]> escreveu:
André, você está partindo da uma visão ideólogica de livre mercado que deve
ter lido em algum livro de autoajuda. O que eu disse é que os serviços em
questão só não são piores porque existe algum tipo de regulação com base na
lei. A mesma lei normatiza a existência de "bons restaurantes", que
deveriam ser fiscalizados pela Vigilância Sanitária;
(que não faz o seu serviço, diga-se de passagem)
O que permite existirem bons restaurantes é simplesmente uma lei econômica:
a lei de oferta e demanda.
Há demanda para bons restaurantes, isto é, gente que quer pagar para comer
fora de casa. E há gente
que abre um negócio de vender comida fora de casa. Simples assim. Se eu não
gostar do restaurante ou
a comida me fizer mal, busco outro. Porque dá certo? porque realmente tenho
diversas opções.
Após algum tempo, o próprio mercado filtrou os restaurantes ruins.
Ainda há restaurantes ruins? Sim, há. Mas, sem dúvida tenho a opção de não
usar um mal restaurante.
e os computadores que
você pode escolher são vendidos a prestação nas Casas Bahia porque as
empresas que os montam têm incentivos legais para produzir artigos de
informática no Brasil.
Não somente das Casas Bahia. Há uma infinidade de lojas que vende bens de
informática e inclusive computadores importados. Também posso comprar pela
internet. Novamente, o que escrevi é sobre opções. Nesses dois mercados
temos opções.
Você acusa o Marco Civil de restringir liberdades e chamou outro colega
aqui de "totalitário", mas quem eu vi desvirtuar informações para sustentar
seu ponto de vista foi você.
Sim, o Marco Civil, no momento que exige que os provedores não possam fazer
arranjos em virtude do tipo de tráfego que vai em suas redes, está
limitando a liberdade: está limitando a minha escolha de pagar mais para eu
ter a Netflix com prioridade em minha casa, um serviço que eu uso bastante
porque gosto de ver filmes em minha tv. Também estará limitando a sua
liberdade de pagar mais para usar outro serviço qualquer. Só não estará
limitando a liberdade do governo em invadir a nossa privacidade (um dos
artigos trata exatamente da guarda de informações, por parte dos
provedores, e com acesso pelo governo, de dados relativos às minhas
conexões).
Saia do armário e diga que você é um defensor
da desregulação econômica (nem cogito usar o "palavrão" neoliberal").
Pelo jeito cê precisa estudar um pouco de filosofia política: neoliberal é
dito daqueles que se dizem liberais, mas defendem o novo (daí o neo no
nome), mas este novo é extremamente antigo (foi colocado em prática pelo
Musoline na Itália na década de 30) e se trata exatamente do que você está
defendendo atualmente: que o mercado seja controlado pelo governo.
Eu sou um libertário, ou, para alguns, um liberal clássico: eu defendo o
livre mercado, mas o livre mercado mesmo, sem o governo ficar dando
dinheiro dos impostos (meu dinheiro), nem concessões, nem nada dessas
presepadas para suas empresas favoritas.
Pra
mim, governo não é essencialmente bom ou mau.
Não, o governo é essencialmente mau. Ele nasceu quando alguns, sob a
desculpa de proteção, adonaram-se do poder de decidir o que é melhor ou
pior para o restante da população de um determinado território,e passaram a
"cobrar" por essa segurança e pelas decisões (os impostos). Qualquer
semelhança com a máfia não é mera coincidência. No passado o governo era
justificado pelo fato de o soberano ser um "deus vivo" (faraós), depois
pelo sangue nobre ("reis") e hoje porque foi eleito pela maioria ("o
presidente").
Não tenho a mesma visão
positiva do "mercado", porque nunca vi empresa nenhuma priorizar o cliente
sobre o seu lucro.
Se não priorizar o cliente, não vende, se não vende, não tem lucro. Quem é
empreendedor sabe disso. O objetivo é a venda e para vender, tem que vender
o que o cliente quer. Se a padaria da esquina não presta, vou a uma outra
mais a frente. Se aquela não vende, com o tempo, fecha. Só é diferente
justamente nos mercados onde o governo se mete e passa a faze concessões,
financiamentos etc. etc. etc.
Por fim, tenho vergonha de ver um brasileiro reclamar que a saúde é
"totalmente socializada pelo SUS", que tem suas falhas mas presta grande
serviço a boa parte da população.
Uai, e não é? Por um acaso alguém, individualmente, paga alguma coisa para
ter acesso à saúde no Brasil? Não, então a saúde é socializada, isto é,
paga pelo conjunto da sociedade. Essa de que tem falhas já é uma
constatação sua - eu não entrei nesse mérito.
E dizer que só a Petrobrás produz
petróleo no Brasil é mais uma prova da sua ignorância.
Não precisa acreditar em mim não, clica aí na globo (que é "amiga do rei")
(matéria do ano passado):
http://oglobo.globo.com/economia/consumo-producao-de-petroleo-no-brasil-subiram-dez-vezes-mais-que-refino-em-dez-anos-9498308.
: "Adriano Pires aponta que qualquer tentativa de abertura de novas
refinarias por investidores privados seria também prejudicada pela política
de preços, que torna desvantajosas as margens de lucro desta atividade. — O
Brasil tem 16 refinarias, todas estatais. Os Estados Unidos têm 144, quase
todas privadas. Pela lei 9.478/97, qualquer empresa pode solicitar a
abertura de uma refinaria. Mas porque vai fazer isso se a margem é
negativa?"
O problema é que a gente vai para o lado emocional muito fácil e é aí que o
PT entra e se torna o rei. Mas, na real, a coisa é mais séria do que se
pensa.
Abraços.