Gustavo Chaves escreveu:
On Mon, 24 Sep 2007 14:41:29 -0300, Pedro Ciríaco <[EMAIL PROTECTED]> said:
> mas, se não me engano, eles não podem cobrar se utilizar nem que
> seja um trecho do OOo.
O OOo é licenciado pela GNU LGPL desde a versão 2.0
(http://www.openoffice.org/FAQs/faq-licensing.html).
Nenhuma licença livre proíbe a cobrança monetária pelo uso do software
em si e nem por produtos derivados. O que ocorre é que algumas delas,
como a GNU LGPL, implementam um dispositivo chamado copyleft
(http://en.wikipedia.org/wiki/Copyleft), que impede que as
modificações feitas no produto sejam distribuídas sob licenças mais
restritivas que a original. Isso significa, normalmente, que as
modificações devam ser distribuídas sob a mesma licença livre
original.
A questão do preço ou da gratuidade não é fixada na licença. O fato
de quase todo o software livre ser disponível gratuitamente é uma
conseqüência direta da Lei da Oferta e da Procura, i.e., a mais básica
lei da economia. Imagine que a IBM quisesse cobrar pela licença de
uso da sua versão modificada do OOo. Quando ela conseguisse vender
sua primeira licença para o primeiro cliente, este teria todo o
direito, de acordo com a GNU LGPL, de redistribuir o mesmo produto
para quem quisesse e cobrando o preço que bem entendesse. Como a IBM
não teria poder para restringir a distribuição, a sua versão do OOo
acabaria cedo ou tarde sendo disponibilizada gratuitamente por alguém
e a IBM perderia seu poder de barganha.
Portanto, o software livre é normalmente grátis não porque a licença
que o rege assim o imponha mas por não se poder restringir sua
distribuição.
> É a tal da licença que contamina não é? Parece que chamam assim.
Infelizmente é assim que se costumam chamar as licenças livres que
implementam o copyleft. É o tal "efeito viral". Mas "contaminar" é
um termo carregado de conotações negativas e que faríamos melhor em
abolir.
Afinal, algo que "contamina" só pode ser ruim, não é?
Há alguns anos, em outra lista, o professor Arnaldo Mandel, da USP,
postou o seguinte comentário que eu considero perfeito:
Olá a todos.
Estou há tempos lendo a lista, mas fiquei quieto até agora. Saio
ganhando, já que li opiniões e idéias interessantes.
Uma coisa que me deixa um pouco perplexo é o fato de vários
participantes, claros adeptos de SL, que compreendem a GPL, aceitem a
terminologia microsoftiana e chamem a GPL de "vírus".
A GPL não é um vírus: ela é uma VACINA.
Sua função é impedir que um software livre seja contaminado por
software proprietário.
Nessa metáfora do vírus existe um bem sucedido truque de marketing,
trocando os papéis do que é "saudável" e o que é "doente". É bom não
cair nessa.
am
Portanto, da próxima vez que alguém lhe perguntar sobre o tal "efeito
viral" da GNU GPL ou de qualquer outra licença livre com copyleft,
explique calmamente que na verdade estas licenças são uma vacina que o
autor do software livre inoculou no seu produto pra evitar que ele
seja contaminado por software proprietário.
Gustavo.
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Perfeito o comentário
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