2008/11/19 Carlos B. Schwab <[EMAIL PROTECTED]>

> É, ainda discute-se preço e eu concordo plenamente que existam outros
> pontos mais importantes a discutir-se, como a adoção de padrões abertos no
> serviço público, por exemplo, mas, sempre existe um mas, existem alguns
> princípios, estabelecidos em lei, que conduzem ao debate dos preços.
>
> Todo gestor público deve primar pelo pricípio da economicidade e eficiência
> na gestão da coisa pública, e isso conduz diretamente ao debate do ítem
> custo nas aquisições do serviço público, enfim, ao preço das coisas
> adquiridas. Lembrem-se que o dinheiro ali gasto é o mesmo dos impostos que
> nós pagamos.
>
> Apesar de conter algumas incorreções quanto à citação de do termo "software
> livre" confundir MSOffice e BROffice com sistemas operacionais e ser
> praticamente sem efeito, já que aquisições de software no serviço público
> não costumam ser decididas nas sedes regionais, a iniciativa ainda assim é
> interessante, louvável e válida.
>
> Onde encontrar:
>
> http://www.prpb.mpf.gov.br/index.htm?secao=recomendacoes
>
> A recomendação é apresentada no link abaixo refere-se ao Banco do Brasil,
> mas possui o mesmo teor para 42 órgãos federais no estado da Paraíba.
>
> http://www.prpb.mpf.gov.br/atos/recomendacao/Recomendacao_BrOffice.pdf
> Carlos B. Schwab
>
>        Pelotas, RS


Olá Carlos, comunidade.

Concordo plenamente com o que você falou Carlos, por isso comecei o meu
e-mail dizendo que é louvável o papel do MPF, entretanto o texto da
recomendação é extremamente flexível. Somente uma coisa que percebi (e olha
que sou da área de engenharia, nada entendo de direito e leis):

"Na recomendação, o MPF argumenta que, se os órgãos públicos entenderem
razoável, realizem a substituição dos programas pagos pelos gratuitos, em
atenção aos princípios da economicidade e eficiência que devem ser adotados
na administração pública. "Alguns órgãos e entidades públicas federais têm
preferido onerar as suas receitas, pagando dispendiosas licenças aos
proprietários de programas como o MS Office, quando se encontram disponíveis
na rede mundial de computadores programas gratuitos denominados de softwares
livres, tão eficientes quanto os pagos", considera o órgão ministerial"

Olha. Como somente o MSOffice abre adequadamente os documentos no formato
.doc e .docx, é razoável se supor que, neste caso, não existe softwares
livres disponíveis na rede de computadores tão eficientes quanto os pagos.
Se eu sou um cara dentro de um instituição qualquer e, querendo justificar a
compra, tá mão, uma vez que mais de 90% dos documentos já gerados estão
neste formato e outro tanto dos documentos recebidos de fora da instituição
também estão.  E foi por isso que disse que antes do preço, deveríamos
discutir o formato. E olha que não usei nada mais técnico do MSOffice (que
tem um monte de funcionalidades) que não são replicadas ou mesmo replicáveis
em outros softwares para justificar a compra!

Se a adminstração pública fosse pautada em formatos abertos (realmente
abertos) e, no meu entendimento, baseando-se no princípio da publicidade da
coisa pública, deveria ser aberto o formato dos arquivos produzidos no setor
público, o jogo seria virtualmente diferente: não haveria justificativa
possível para o MSOffice (pelo menos não em unicidade) e a administração
teria que se render a um processo mais coerente : ou uso software livre ou
proprietário que desse suporte (eventualmente o próprio MSOffice, se este
implementasse o suporte). Note que, neste ponto, aí sim valeria a pena
discutir o preço: o que vale mais, pagar pela solução MSOffice (abrindo ODF)
ou usar o BrOffice? Eventualmente aí sim poderíamos concluir que a melhor
ferramenta seria o MSOffice e valeria a pena a compra. Poderíamos chegar a
conclusão que as muitas funcionalidades escondidas do MSOffice não
interessam e que o BrOffice é suficiente. Aí é outra discussão.

Por enquanto para mim esta recomendação é "conversa para boi dormir". Não
vai fazer os que tomam a decisão de compra nem ao menos pensar em
alternativas (simplesmente porque, na prática, não se tem alternativas).

André Cavalcante
Porto Alegre, RS.
Ubuntu User number # 24370


PS.: Essa de dizer que o BrOffice abre .doc é besteira: vale a estatística:
se ele abrir sem erro 50% é pouco. Se abrir 90% é razoável, daria para se
pensar, mas se ele não abre justamente aquele que tem os dados consolidados
do ultimo ano, esquece.

Responder a