Leandro Santiago, 13-03-2009 13:23:
Outras críticas que ouvi (provavelmente foi da oposição :-)) é de que o
OO ainda tem partes que são muito antigas e que ninguém mexe (do
StarOffice das décadas de 80 e 90), sendo portanto um problema de
arquitetura. Eu mesmo tenho aqui em casa uma revista INFO de 1999 onde
há uma matéria sobre um "concorrente grátis" do MS Office, que
funcionava em Windows Mac e Linux!. E olhando pelas imagens vejo que o
OO de hoje é muito parecido com o StarOffice daquela época (embora a
versão 2.x tenha significado uma grande melhora em relação ao 1.x.
Não é da oposição.
Basicamente, parte do código é realmente muito antiga e um pouco
desorganizada.
Todas as versões 1.x conservaram tudo do StarOffice, com pequenas
modificações. Para a 2.0, mudaram bastante coisa, foi um trabalho imenso.
Mas de lá pra cá, nada foi feito para mudar isso.
Infelizmente a Sun não investe nisso, pois implicaria uns meses sem
desenvolvimento de novas funcionalidades, considerando a quantidade
atual de desenvolvedores (ou seja, uns 6 meses sem nada novo, só com
mudanças para desenvolvedores).
Fazer isso incrementalmente, devido ao tamanho do problema da
arquitetura, é quase impossível. É um retrabalho muito grande ter que
refazer quase tudo no OOo e refazer de novo pra cada alteração que façam
enquanto faz o trabalho paralelo.
Por outro lado vejo projetos como o Koffice, onde os desenvolvedores
resolveram reescrever todo o sistema, mas ainda não obtiveram êxito,
pois o Koffice 2.0 já é beta 8 mas ainda não está completo ou mesmo
funcional como o OpenOffice (talvez faça como o KDE4, que só está
ficando bom agora, depois de mais de um ano de lançamento). Nem sei se o
projeto obterá o sucesso que pretende, mas foi uma mudança significativa
em relação à versão anterior.
Pois é, é mais ou menos a mesma situação.
A diferença é que o OOo é muito mais utilizado em ambientes
coorporativos e por usuários que podem trocar ao menor sinal de falha.
Na minha opinião, o KDE fez o melhor que eles poderiam fazer. Foi muito
ousado, ainda não está completo (falta o phonon, o amarok novo, o
digikam novo, um player decente baseado no phonon, o koffice novo,
etc.), mas facilitaram muito o desenvolvimento futuro do sistema.
O koffice também investiu muitíssimo em novas funcionalidades neste meio
tempo.
Vejo que há muito incentivo no mundo inteiro em torno do OpenOffice
(principalmente dos governos, que tem investido no OpenOffice como forma
de reduzir custos), o que me faz pensar que *agora* é a hora do
OpenOffice. Mas ele ainda não é amado por todos (hauahau), o que me faz
pensar se seria o momento de os desenvolvedores repensarem todo o
OpenOffice e quem sabe até em reescrevê-lo utilizando tecnologias mais
atuais (como por exemplo uma toolkit como Qt, multiplataforma e
Opensource). Não sei se há pessoal suficiente e que queiram trabalhar em
equipe (isso sem contar a Sun, que é a que mantém o projeto mas não
parece ser muito chegada à ajuda externa) ou se haveria real intenção na
formação de uma "força tarefa" para trabalhar intensivamente em torno de
um OpenOffice 4.0.
Volta e meia surgem questões do tipo. Usar XUL (a tecnologia da Mozilla)
para a internace é algo desejado há muitos anos.
Agora o QT com licensa LGPL surgiu como alternativa para a interface.
Sabe qual o problema?
Justamente o que você achou ser intriga da oposição.
Uma quantidade razoável de funcionalidades do BrOo está vinculada
diretamente no código ao módulo responsável pelo visual.
Ou seja, primeiro é necessário uma reescrita nessa parte antes que
possam pensar em usar GTK ou QT para a interface (não os widgets)
Gostaria de ouvir - ou de ler :-) - a opinião dos presentes com relação
às críticas ao OpenOffice/BrOffice, e questinar se a ajuda dos governos
- ao menos no Brasil, pois aqui mesmo no Paraná o governador fica se
gabando de o estado ser um grande produtor e usuário de software livre)
existe mesmo na hora de fazer a coisa funcionar, ou se o incentito não é
assim tão grande.
A ajuda não é muito expressiva.
Se o governo aqui pagasse 4 desenvolvedores em tempo integral para o
BrOo seria uma contribuição imensa. Os custos são muito poucos em
comparação com os benefícios.
Se outros governos e empresas fizessem o mesmo, seria uma maravilha.
As empresas poderiam considerar (a nível de doação voluntária)
contribuir com 10% do que foi economizado com licensas de M$ Office
(descontando o treinamento) para o projeto, de forma a incentivar um
produto melhor para ela mesma no futuro.
Com esse período de crise, as ações da Sun estão quase no chão. Se por
um lado ela afirma não parar de investir no OOo (o StarOffice é um
produto rentável para ela), ela está cada vez com menos condições de
manter o projeto praticamente sozinha.
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