Querido Maneschy,

Eu sei que a motivação para a atitude de alguns partidos venezuelanos de 
abandonar a eleição é de cunho político e, por isto, escrevi (na minha mensagem 
anterior):

"Certamente há motivação política que leva a oposição a boicotar a eleição, mas o 
argumento que utilizam é inafastável."

O que eu quis abordar naquela mensagem é que a crítica que eles estavam 
utilizando, de que o sistema que colhe a impressão digital dos eleitores 
pemitiria eventual identificação do voto, tem base técnica.

Sistemas Eleitorais Informatizados tem que prover duas garantias de forma 
inquestionável para o eleitor e partidos concorrentes: 1) garantir a justa 
aputação dos votos; e 2) garantir a inviolabilidade do voto.

Estas garantias têm que ser cristalinas, claras e de fácil compreensão pelo 
eleitor mediano.

O Sistema Brasileiro não garante nem uma e nem outra. Fica tudo na confiança de 
que os operadores do sistema são honestos como está escrito no relatório da SBC:

"... na hipótese de que alguém tivesse colocado algo (um programa de computador) 
suspeito, a probabilidade de um terceiro descobrir isto durante nossas sessões no TSE é 
quase zero. A segurança e corretude dos programas usados na urna baseia-se em confiar na 
boa fé dos técnicos do TSE."

O Sistema Venezuelano garante a justa apuração pois fornece meios de auditoria da apuração eletrônica pela recontagem do voto impresso conferido pelo eleitor. Mas não garantia de forma cristalina a inviolabilidade dos votos pois iria ser recolhida a impressão digital do eleitor nas máquina "captahuellas" no momento da votação.
Para contornar a crítica e demonstrar de forma irrefutável que não pretendia 
identificar os votos, o CNE decidiu suspender o uso destas máquinas. Agora, 
tudo bem. Derrubou-se o argumento dos partidos que levantavam a possibilidade 
de identificação do voto.

Com esta decisão, sistema venezuelano proverá as duas garantias necessárias de 
forma bem mais clara e compreensível para o eleitor comum.


Amilcar

maneschy escreveu:
Grande Amilcar, a questão na Venezuela é política. Chávez é o favorito e a oposição de direita, alinhada com o Departamento de Estado e o governo dos EUA, está procurando chifre em cabeça de cavalo. Se as máquinas tiveram desempenho irrepreensível na eleição passada, fiscalizadas pela Fundação Carter, por que funcionariam desonestamente agora?

A direita venezuelana, na falta de votos, investe contras as urnas eletrônicas de lá que, ao contrário das brasileiras, são auditáveis. São conferíveis. Que isto nos sirva de lição: por que as nossas urnas não sâo?

E só nós, um exército de brancaleones, unicamente a partir de argumentos técnicos, questionamos a lisura das eleições brasileiras? É claro, como Brizola também fazia - ele comprovadamente roubado nas eleições de 1982 por uma fraude de totalização. Aqui as urnas roubam descaradamente, não emitem comprovantes que permitam auditá-las, os partidos não podem conferir os resultados de maneira alguma e a grande mídia, os partidos que controlam o congresso e o próprio TSE garantem que ela é 100% segura. Conversa para boi dormir. Nós somos os únicos bois atentos na boiada.

E com isso as vidinhas são tocadas, tirando votos de quem os tinha, como Brizola, que não chegou a presidencia da República por causa dessas máquinas ladronas; e elegendo figuras menores que não tem votos - como Eduardo Azeredo & afins. É a "República" da Panákia, do Walter, perfeita.

Me liguei na eleição da Venezuela onem, por conta de mensagem que recebi, e já disponibilizei no saite do PDT, assinada pelo Embaixador da Venezuela no Brasil. Vale a pena ler.

O que está acontendo na Venezuela é que a direita de lá - golpista como a de cá, não tem cafice para ganhar no voto do Cháves e por isso não aceita a lisura das eleições. Este é o busilis da questão. O povo está com Chávez, antia EUA, anti-neoliberalismo, bolivariano, etc - e a direita tá lascada. No voto não leva.

Muito parecida com a direita daqui com uma diferença básica e fundamental: aqui ela rouba eleição há muitos anos. Na minha opinião, desde 1982 quando a pegaram com a boca na botija, no caso Proconsult. Ela aprendeu com a lição, passou "a fazer direito" como Golbery disse que era preciso fazer e Elio Gáspari registrou no seu livro e hoje, tranquila, rouba e elege os seus sempre que necessário.

É por isso que vemos tanta nulidades no congresso, tantas nulidades no Executivo. A maquineta "100% segura" do TSE elege azeredos e sérgios cabrais a rodo, há tempos, falseando a verdade eleitoral. É a jabuticaba eleitoral, como você mesmo Amilcar, tomando emprestada a frase do Marcio Moreira Alves.

Uma Panákia perfeita.

Maneschy

Vale a pena ler o alerta do Embaixador venezuelano no Brasil;

EMBAIXADA DA REPÚBLICA BOLIVARIANA DA VENEZUELA NA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL COMUNICADO Em atenção às eleições que organiza o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela para escolher parlamentares à Assembléia Nacional, ao Parlamento Andino e ao Parlamento Latino-americano, a celebrar-se no próximo domingo 4 de dezembro, a Embaixada da República Bolivariana da Venezuela no Brasil quer esclarecer alguns aspectos vinculados à decisão de quatro (4) partidos políticos venezuelanos (Acción Democrática, COPEI, Primero Justicia e Proyecto Venezuela) de retirar-se da luta eleitoral e promover a abstenção, em uma atitude que viola o seu compromisso a participar, expresso reiteradas vezes. A tal respeito esta Embaixada, seguindo informações oficiais obtidas do mesmo CNE, concorda com que a decisão de se retirar do processo eleitoral parlamentar de maneira alguma esteve motivada por considerações técnicas, posto que o CNE, a pedido destes próprios partidos políticos, ajustou diversas colocações de ordem técnica, incluindo a retirada de máquinas captahuellas. Consideramos que diante desta evidência a decisão obedece a uma fase do plano desestabilizador que vieram desdobrando estas organizações políticas, com a intenção de deslegitimar as instituições democráticas e, em particular, a desconhecer o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e de uma vez isolar o governo do presidente Hugo Chávez perante a comunidade internacional. A decisão destes partidos políticos está vinculada à postura intervencionista do governo dos Estados Unidos da América, quem se empenha em deslegitimar a democracia venezuelana e todos os processos eleitorais que dentro desta se realizam. Esta postura pretende desqualificar também às Missões de Observação Eleitoral da Organização de Estados Americanos (OEA) e da União Européia (UE) que se encontram na Venezuela como observadores do processo. Para ilustrar isto vale a pena transcrever a opinião expressa pelo porta-voz do Departamento de Estado Norte-americano, Sean McCormack, no dia 30 de novembro: “Os venezuelanos, como todos os povos, têm direito a eleições livres e limpas. Estamos preocupados porque este direito está cada vez mais em perigo e continuaremos apoiando os esforços do povo venezuelano para obter processos eleitorais transparentes e proteger seus direitos civis e políticos”. É necessário assinalar, tal como o refletem os Comunicados publicados pela Organização dos Estados Americanos, a amplitude demonstrada pelo CNE como árbitro do processo eleitoral venezuelano, ao efetuar diversas reuniões com os partidos de oposição para conhecer e receber suas observações. A maioria dos requerimentos da oposição foi atendida, inclusive o retiro das máquinas captahuellas. Com esta última decisão o CNE quis expressar uma vez mais sua vontade de garantir a transparência do processo eleitoral. Segundo informação do mesmo CNE, durante uma reunião realizada no dia 01 de dezembro de 2005 com a Missão da OEA, seu chefe, o senhor Rubén Perina, manifestou que o processo organizativo eleitoral estava transcorrendo com transparência, pelo qual reiterava a decisão da OEA de participar como observadores até a total realização das eleições parlamentares de 04 de dezembro de 2005. Todas estas razões nos levam a considerar a decisão destes quatro (4) partidos opositores ao governo da República Bolivariana da Venezuela como um atentado à integridade democrática de nosso povo e nosso país e a pôr em alerta a todos nossos companheiros e amigos para que nos acompanhem e apóiem, com amplas manifestações públicas, o processo eleitoral parlamentar venezuelano do próximo domingo, 04 de dezembro. A democracia é o bem inalienável do povo, quem exerce uma ampla consciência política sobre ela. Não permitamos que nos roubem esta fortuna, sou pena de seguir como vassalos da ignorância e o descrédito de nossa identidade. Julio García Montoya Embaixador
Brasília, 3 de dezembro de 2005





On Sat, 03 Dec 2005 23:16:08 -0200, Amilcar Brunazo Filho wrote

Olá,

Tem chegado notícias esparsas e pouco detalhadas de que partidos de oposição na Venezuela estão abandonando as eleições para o Congresso argumentando a falta de confiabilidade do sistema eleitoral eletrônico lá adotado.

Esta informação pode ficar um pouco confusa para nós do Fórum do Voto-E que sabemos que as urnas-E utilizadas na Venezuela emitem o voto impresso conferido pelo eleitor e, desta forma, permitem a conferência da apuração eletrônica dos votos.

Se lá é possivel conferir a apuração eletrônica, então porque os opositores estão denunciando a falta de confiabilidade do sistema?

O que se está denunciando não é a falta de auditabilidade da apuração e sim a possibilidade de identificação do voto de cada eleitor porque lá também se colhe a impressão digital dos eleitores no momento da votação.

Não sei de detalhes da implementação mas parece que as máquinas de identificar são separadas e desconectadas das máquinas de votar mas, mesmo assim, existe a possibilidade de que as duas máquinas guardem a ordem (dos eleitores numa e dos votos na outra) e possibilitem a identificação do voto. Por mais que se fale que as duas máquinas são honestas, a confiança num sistema de identificação/votação assim depende da confiança em terceiros que administram o sistema. Além disso, para que o eleitor seja intimidado basta que ele compreenda que a identificação do seu voto é tecnicamente possível mesmo que esta identificação não esteja implementada.

Certamente há motivação política que leva a oposição a boicotar a eleição, mas o argumento que utilizam é inafastável.

Para contornar o problema o CNE (o TSE de lá) decidiu suspender o uso das máquinas de captura de impressões digitais. Vejam notícias em: http://www.cne.gov.ve/noticiaDetallada.php?id=3580

http://www.unionradio.com.ve/Noticias/Noticia.aspx?noticiaid=152995

Toda esta confusão na Venezuela é mais um motivo para que se suspenda o processo de recadastramento eleitoral que o TSE pretende desenvolver justamente para que a impressão digital do eleitor seja capturada no momento da sua votação COM O AGRAVANTE QUE AQUI AS MÁQUINAS DE VOTAR E DE IDENTIFICAR ESTARÃO CONECTADAS.

[ ]s
 Amilcar Brunazo Filho
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