Estimados Colegas Amilcar Brunazo Filho e Oswaldo Maneschy,
 
As vossas colocações foram tão brilhantes que me intuiram as seguintes conclusões:
  1. Sem sombra de dúvidas, a utilização do reconhecimento dactiloscópico digital do eleitor glosará, em definitivo, a votação feita por terceiros, desde que se impeça que os mesários liberem a votação de outra forma;
  2. A plausível possibilidade de que sejam mantidas a mesma ordem do reconhecimento dactiloscópico digital e das votações na Venezuela, como também ocorre no Brasil, constitui realmente uma espada de Dâmocles sobre os eleitores e, por conseguinte, deve ser prontamente evitada;  e,
  3. A única forma que viabilizaria o reconhecimento dactiloscópico digital sem vinculá-lo aos votos dos eleitores, seriam as seguintes imposições:
    • Evitar que as informações sejam mantidas no mesmo instrumento de armazenamento de dados, como ocorre no Brasil;  e,
    • Fazer-se o ordenamento dos eleitores, após o reconhecimento digital, por sorteio com aquelas pedrinhas utilizadas nos jogos domésticos do "bingo", sendo primeiro sorteado o número de eleitores que participarão do ordenamento, de 5 a 10 e, em seguida, fazendo que estes eleitores retirem, de um recipiente fechado, a pedrinha que definirá o número de sua ordenação para a digitação de seus votos nas urnas eletrônicas,  inviabilizando totalmente a identificação pelo menos específica dos eleitores e seus respectivos votos.
Torna-se evidente que tal medida não exlui a possibilidade dos candidatos verificarem que na seção de um determinado eleitor, não houvera sequer 1 (um) voto a seu favor, mas, esta possibilidade, jamais será eliminada.
 
Com a palavra, nosso professor e matemático Walter Del Pichia.
 
POR UMA URNA ELETRÔNICA REALMENTE SEGURA, subscrevo-me
 
Atenciosamente,
 
Leamartine Pinheiro de Souza
21 2558-9814 - [EMAIL PROTECTED]
Rua Conde de Baependi 78, Ap 1310
Flamengo, Rio de Janeiro, RJ
22231-140
 
 
 
 
----- Original Message -----
From: "Amilcar Brunazo Filho" <[EMAIL PROTECTED]>
To: <[email protected]>; "CIVILIS - Sociedade em Defesa da Cidadania" <[EMAIL PROTECTED]>
Sent: Sunday, December 04, 2005 9:42 AM
Subject: [VotoEletronico] Eleição na Venezuela - identificação dos votos

> Querido Maneschy,
>
> Eu sei que a motivação para a atitude de alguns partidos venezuelanos de abandonar a eleição é de cunho político e, por isto, escrevi (na minha mensagem anterior):
>
> "Certamente há motivação política que leva a oposição a boicotar a eleição, mas o argumento que utilizam é inafastável."
>
> O que eu quis abordar naquela mensagem é que a crítica que eles estavam utilizando, de que o sistema que colhe a impressão digital dos eleitores pemitiria eventual identificação do voto, tem base técnica.
>
> Sistemas Eleitorais Informatizados tem que prover duas garantias de forma inquestionável para o eleitor e partidos concorrentes: 1) garantir a justa aputação dos votos; e 2) garantir a inviolabilidade do voto.
>
> Estas garantias têm que ser cristalinas, claras e de fácil compreensão pelo eleitor mediano.
>
> O Sistema Brasileiro não garante nem uma e nem outra. Fica tudo na confiança de que os operadores do sistema são honestos como está escrito no relatório da SBC:
>
> "... na hipótese de que alguém tivesse colocado algo (um programa de computador) suspeito, a probabilidade de um terceiro descobrir isto durante nossas sessões no TSE é quase zero. A segurança e corretude dos programas usados na urna baseia-se em confiar na boa fé dos técnicos do TSE."
>
> O Sistema Venezuelano garante a justa apuração pois fornece meios de auditoria da apuração eletrônica pela recontagem do voto impresso conferido pelo eleitor. Mas não garantia de forma cristalina a inviolabilidade dos votos pois iria ser recolhida a impressão digital do eleitor nas máquina "captahuellas" no momento da votação.
>
> Para contornar a crítica e demonstrar de forma irrefutável que não pretendia identificar os votos, o CNE decidiu suspender o uso destas máquinas. Agora, tudo bem. Derrubou-se o argumento dos partidos que levantavam a possibilidade de identificação do voto.
>
> Com esta decisão, sistema venezuelano proverá as duas garantias necessárias de forma bem mais clara e compreensível para o eleitor comum.
>
>
> Amilcar
>
> maneschy escreveu:
> > Grande Amilcar, a questão na Venezuela é política. Chávez é o favorito e a
> > oposição de direita, alinhada com o Departamento de Estado e o governo dos
> > EUA, está procurando chifre em cabeça de cavalo. Se as máquinas tiveram
> > desempenho irrepreensível na eleição passada, fiscalizadas pela Fundação
> > Carter, por que funcionariam desonestamente agora?
> >
> > A direita venezuelana, na falta de votos, investe contras as urnas
> > eletrônicas de lá que, ao contrário das brasileiras, são auditáveis. São
> > conferíveis. Que isto nos sirva de lição: por que as nossas urnas não sâo?
> >
> > E só nós, um exército de brancaleones, unicamente a partir de argumentos
> > técnicos, questionamos a lisura das eleições brasileiras? É claro, como
> > Brizola também fazia - ele comprovadamente roubado nas eleições de 1982 por
> > uma fraude de totalização.
> >
> > Aqui as urnas roubam descaradamente, não emitem comprovantes que permitam
> > auditá-las, os partidos não podem conferir os resultados de maneira alguma e
> > a grande mídia, os partidos que controlam o congresso e o próprio TSE
> > garantem que ela é 100% segura. Conversa para boi dormir. Nós somos os únicos
> > bois atentos na boiada.
> >
> > E com isso as vidinhas são tocadas, tirando votos de quem os tinha, como
> > Brizola, que não chegou a presidencia da República por causa dessas máquinas
> > ladronas; e elegendo figuras menores que não tem votos - como Eduardo Azeredo
> > & afins. É a "República" da Panákia, do Walter, perfeita.
> >
> > Me liguei na eleição da Venezuela onem, por conta de mensagem que recebi, e
> > já disponibilizei no saite do PDT, assinada pelo Embaixador da Venezuela no
> > Brasil. Vale a pena ler.
> >
> > O que está acontendo na Venezuela é que a direita de lá - golpista como a de
> > cá, não tem cafice para ganhar no voto do Cháves e por isso não aceita a
> > lisura das eleições. Este é o busilis da questão. O povo está com Chávez,
> > antia EUA, anti-neoliberalismo, bolivariano, etc - e a direita tá lascada. No
> > voto não leva.
> >
> > Muito parecida com a direita daqui com uma diferença básica e fundamental:
> > aqui ela rouba eleição há muitos anos. Na minha opinião, desde 1982 quando a
> > pegaram com a boca na botija, no caso Proconsult. Ela aprendeu com a lição,
> > passou "a fazer direito" como Golbery disse que era preciso fazer e Elio
> > Gáspari registrou no seu livro e hoje, tranquila, rouba e elege os seus
> > sempre que necessário.
> >
> > É por isso que vemos tanta nulidades no congresso, tantas nulidades no
> > Executivo. A maquineta "100% segura" do TSE  elege azeredos e sérgios cabrais
> > a rodo, há tempos, falseando a verdade eleitoral. É a jabuticaba eleitoral,
> > como você mesmo Amilcar, tomando emprestada a frase do Marcio Moreira Alves.
> >
> > Uma Panákia perfeita.
> >
> > Maneschy
> >
> > Vale a pena ler o alerta do Embaixador venezuelano no Brasil;
> >
> > EMBAIXADA DA REPÚBLICA BOLIVARIANA DA VENEZUELA
> > NA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
> >
> > COMUNICADO
> >
> > Em atenção às eleições que organiza o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da
> > Venezuela para escolher parlamentares à Assembléia Nacional, ao Parlamento
> > Andino e ao Parlamento Latino-americano, a celebrar-se no próximo domingo 4
> > de dezembro, a Embaixada da República Bolivariana da Venezuela no Brasil
> > quer esclarecer alguns aspectos vinculados à decisão de quatro (4) partidos
> > políticos venezuelanos (Acción Democrática, COPEI, Primero Justicia e
> > Proyecto Venezuela) de retirar-se da luta eleitoral e promover a abstenção,
> > em uma atitude que viola o seu compromisso a participar, expresso reiteradas
> > vezes.
> >
> > A tal respeito esta Embaixada, seguindo informações oficiais obtidas do
> > mesmo CNE, concorda com que a decisão de se retirar do processo eleitoral
> > parlamentar de maneira alguma esteve motivada por considerações técnicas,
> > posto que o CNE, a pedido destes próprios partidos políticos, ajustou
> > diversas colocações de ordem técnica, incluindo a retirada de máquinas
> > captahuellas.
> >
> > Consideramos que diante desta evidência a decisão obedece a uma fase do
> > plano desestabilizador que vieram desdobrando estas organizações políticas,
> > com a intenção de deslegitimar as instituições democráticas e, em
> > particular, a desconhecer o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e de uma vez
> > isolar o governo do presidente Hugo Chávez perante a comunidade
> > internacional.
> >
> > A decisão destes partidos políticos está vinculada à postura
> > intervencionista do governo dos Estados Unidos da América, quem se empenha
> > em deslegitimar a democracia venezuelana e todos os processos eleitorais que
> > dentro desta se realizam. Esta postura pretende desqualificar também às
> > Missões de Observação Eleitoral da Organização de Estados Americanos (OEA) e
> > da União Européia (UE) que se encontram na Venezuela como observadores do
> > processo.
> >
> > Para ilustrar isto vale a pena transcrever a opinião expressa pelo porta-voz
> > do Departamento de Estado Norte-americano, Sean McCormack, no dia 30 de
> > novembro: “Os venezuelanos, como todos os povos, têm direito a eleições
> > livres e limpas. Estamos preocupados porque este direito está cada vez mais
> > em perigo e continuaremos apoiando os esforços do povo venezuelano para
> > obter processos eleitorais transparentes e proteger seus direitos civis e
> > políticos”.
> >
> > É necessário assinalar, tal como o refletem os Comunicados publicados pela
> > Organização dos Estados Americanos, a amplitude demonstrada pelo CNE como
> > árbitro do processo eleitoral venezuelano, ao efetuar diversas reuniões com
> > os partidos de oposição para conhecer e receber suas observações. A maioria
> > dos requerimentos da oposição foi atendida, inclusive o retiro das máquinas
> > captahuellas. Com esta última decisão o CNE quis expressar uma vez mais sua
> > vontade de garantir a transparência do processo eleitoral.
> >
> > Segundo informação do mesmo CNE, durante uma reunião realizada no dia 01 de
> > dezembro de 2005 com a Missão da OEA, seu chefe, o senhor Rubén Perina,
> > manifestou que o processo organizativo eleitoral estava transcorrendo com
> > transparência, pelo qual reiterava a decisão da OEA de participar como
> > observadores até a total realização das eleições parlamentares de 04 de
> > dezembro de 2005.
> >
> > Todas estas razões nos levam a considerar a decisão destes quatro (4)
> > partidos opositores ao governo da República Bolivariana da Venezuela como um
> > atentado à integridade democrática de nosso povo e nosso país e a pôr em
> > alerta a todos nossos companheiros e amigos para que nos acompanhem e
> > apóiem, com amplas manifestações públicas, o processo eleitoral parlamentar
> > venezuelano do próximo domingo, 04 de dezembro.
> >
> > A democracia é o bem inalienável do povo, quem exerce uma ampla consciência
> > política sobre ela. Não permitamos que nos roubem esta fortuna, sou pena de
> > seguir como vassalos da ignorância e o descrédito de nossa identidade.
> >
> > Julio García Montoya
> > Embaixador
> >
> > Brasília, 3 de dezembro de 2005
> >
> >
> >
> >
> >
> > On Sat, 03 Dec 2005 23:16:08 -0200, Amilcar Brunazo Filho wrote
> >
> >>Olá,
> >>
> >>Tem chegado notícias esparsas e pouco detalhadas de que partidos de
> >>oposição na Venezuela estão abandonando as eleições para o Congresso
> >>argumentando a falta de confiabilidade do sistema eleitoral
> >>eletrônico lá adotado.
> >>
> >>Esta informação pode ficar um pouco confusa para nós do Fórum do
> >>Voto-E que sabemos que as urnas-E utilizadas na Venezuela emitem o
> >>voto impresso conferido pelo eleitor e, desta forma, permitem a
> >>conferência da apuração eletrônica dos votos.
> >>
> >>Se lá é possivel conferir a apuração eletrônica, então porque os
> >>opositores estão denunciando a falta de confiabilidade do sistema?
> >>
> >>O que se está denunciando não é a falta de auditabilidade da
> >>apuração e sim a possibilidade de identificação do voto de cada
> >>eleitor porque lá também se colhe a impressão digital dos eleitores
> >>no momento da votação.
> >>
> >>Não sei de detalhes da implementação mas parece que as máquinas de
> >>identificar são separadas e desconectadas das máquinas de votar mas,
> >>mesmo assim, existe a possibilidade de que as duas máquinas guardem
> >>a ordem (dos eleitores numa e dos votos na outra) e possibilitem a
> >>identificação do voto. Por mais que se fale que as duas máquinas são
> >>honestas, a confiança num sistema de identificação/votação assim
> >>depende da confiança em terceiros que administram o sistema. Além
> >>disso, para que o eleitor seja intimidado basta que ele compreenda
> >>que a identificação do seu voto é tecnicamente possível mesmo que
> >>esta identificação não esteja implementada.
> >>
> >>Certamente há motivação política que leva a oposição a boicotar a
> >>eleição, mas o argumento que utilizam é inafastável.
> >>
> >>Para contornar o problema o CNE (o TSE de lá) decidiu suspender o
> >>uso das máquinas de captura de impressões digitais. Vejam notícias
> >>em: 
http://www.cne.gov.ve/noticiaDetallada.php?id=3580 
> >
> >
http://www.unionradio.com.ve/Noticias/Noticia.aspx?noticiaid=152995
> >
> >>Toda esta confusão na Venezuela é mais um motivo para que se
> >>suspenda o processo de recadastramento eleitoral que o TSE pretende
> >>desenvolver justamente para que a impressão digital do eleitor seja
> >>capturada no momento da sua votação COM O AGRAVANTE QUE AQUI AS
> >>MÁQUINAS DE VOTAR E DE IDENTIFICAR ESTARÃO CONECTADAS.
> >>
> >>[ ]s
> >>  Amilcar Brunazo Filho
> >> 
www.votoseguro.org
> >>
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> autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao
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