Boletim Informativo do Blog Fraude Urnas EletrônicasAmigos do grupo,

Está carta, enviada à ONU em 2002, mostra para onde caminha a democracia 
brasileira.



Sds,

     Luciano Melo




      Boletim Informativo Fraude Urnas Eletrônicas   
      Deputado João Herrmann fez denuncia à ONU acerca do risco de fraude e de 
manipulação do processo eleitoral brasileiro 

      Posted: 16 Apr 2009 08:00 AM PDT

       Na reportagem Morre o deputado João Herrmann Neto publicada dia 14 de 
abril de 2009, comentamos sobre a carta redigida pelo parlamentar, entregue em 
2002 ao Residente Representativo da ONU Dr. Valter Franco, pedindo o envio de 
observadores estrangeiros ao Brasil para acompanhar as eleições presidenciais 
daquele ano.

      No artigo de hoje, transcreveremos o inteiro teor da missiva, retirado do 
site Informe Sergipe. 

        “Na primeira noite 
        Eles se aproximam 
        E colhem uma flor 
        Do nosso jardim 
        E não dizemos nada. 
        Na segunda noite 
        Já não se escondem: 
        Pisam as flores, 
        Matam nosso cão 
        E não dizemos nada. 
        Até que um dia 
        O mais frágil deles 
        Entra sozinho em nossa casa, 
        Rouba-nos a lua e, 
        Conhecendo nosso medo, 
        Arranca-nos a voz da garganta 
        E porque não dissemos nada, 
        Já não podemos dizer nada.” (V. Maiakowski)


      Sr. Walter Franco (Representante da ONU no Brasil),

      Na condição de brasileiro, democrata e internacionalista, como deputado 
federal, líder da bancada de meu partido na Câmara dos Deputados, e de 
observador da ONU em processos eleitorais nos mais diversos países do mundo, 
lamento ver-me obrigado a dirigir-me à Organização das Nações Unidas nos termos 
em que o faço. Atitude que não tomaria, não estivesse o processo democrático em 
meu país correndo grave risco.

      Venho buscar guarida para a democracia, como tantas vezes a buscamos – e 
encontramos – na Justiça de meu país, durante o regime autoritário que 
enfrentamos de 1964 a 1985. Com pesar, constato que hoje ela já não me traz 
mais segurança. Entretanto, ainda tenho esperança de que não se torne o 
cadafalso da democracia, que conquistamos ao preço de muitas vidas e sofrimento.

      A lisura do processo eleitoral brasileiro, pela primeira vez desde as 
eleições a bico-de-pena, sistema viciado pela fraude que provocou a revolução 
de 1930 e o advento do voto secreto, jamais esteve tão ameaçada.

      O candidato oficial, senador José Serra, patrocinado pela máquina 
estatal, comanda um “estado paralelo” integrado por forças policiais, serviços 
de espionagem e por campanhas verdadeiramente científicas de destruição da 
imagem e da biografia de seus adversários. 

      A justiça eleitoral, presidida por um íntimo amigo seu, integrada, 
lamentavelmente, por uma maioria de juízes sob os quais a sociedade hoje lança 
seus olhares de desconfiança mais atentos, tem – para desgosto e vergonha dos 
democratas de meu país – julgado com dois pesos e duas medidas. Jamais os 
brasileiros assistiram isso. Sinto confessar: nem na ditadura militar que nos 
governou.

      Não custa lembrar que, naquele tempo duro de repressão e arbítrio, 
tentamos, de todas as maneiras, levar ao conhecimento da humanidade as 
desgraças que o nosso povo enfrentava. Muitos davam de ombros e explicavam a 
nossa ação como a de uma esquerda simplesmente derrotada, valendo-se apenas do 
direito de espernear. Foi preciso que surgissem alguns cadáveres, saídos dos 
subterrâneos do arbítrio para que nossa posição fosse entendida. Os cadáveres 
do atentado que se pretende fazer contra a nossa democracia, neste momento, já 
foram desenterrados.

      Urnas falsas, previamente programadas e já com votos para o candidato 
oficialista computados, foram encontradas na periferia da capital da República, 
o que mereceu destaque, inclusive, da imprensa internacional, e uma inédita 
representação ao Tribunal Regional Eleitoral firmada por todos os partidos de 
oposição no Distrito Federal.

      A sociedade brasileira, mesmo que lentamente, atenta para o fato de 
sermos a única rande democracia em todo o mundo que “resolveu” utilizar urnas 
eletrônicas em seus pleitos eleitorais. Sistema esse que não oferece 
possibilidade de recontagem voto a voto. 

      Ora, se hoje os celebrados “hacker`s” adentram sistemas virtuais 
sofisticados e teoricamente inexpugnáveis, como os da NASA e do próprio 
Pentágono, qual a segurança que nós, brasileiros, podemos ter em tal sistema se 
urnas já são encontradas “grávidas” na periferia pobre de Brasília?

      No início deste ano, em pronunciamento histórico na tribuna do Senado 
Federal, o ex-presidente José Sarney, meu adversário político, mas sabidamente 
um democrata, não só vaticinou o processo eleitoral viciado que agora se 
revela, como responsabilizou o então ministro da Saúde, o hoje candidato José 
Serra, pela destruição da candidatura presidencial de sua filha, a 
ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney. 

      Na oportunidade, o ex-presidente lembrou os dossiês ameaçadores, os 
grampos telefônicos, a vigilância compulsiva da vida pessoal e dos passos de 
todos os adversários, que se transformaram na especialidade de Serra. 

      Esse modus operandi tornou-se tão conhecido que hoje, no meio político e 
no seio da sociedade, disseminou-se o receio de atender uma simples ligação 
telefônica e estar sendo bisbilhotado. 

      Um dos jornais mais conceituados de meu país, a Folha de São Paulo, em 
artigo de seu editor, Otavio Frias Filho, publicado há pouco tempo, chamou a 
atenção para o “apetite” de José Serra pelo poder. Os que, como eu, o conhecem 
de longa data, sabem que ele é um homem capaz de qualquer coisa pelo poder. 
Nosso saudoso ex-presidente Tancredo Neves, instado a nomeá-lo ministro, 
respondeu que não colocaria pessoas autoritárias em seu governo.

      Não podemos nós, democratas que defendemos a democracia no Peru ou no 
Timor Leste, em Kosovo ou na Venezuela, que lutamos pela liberdade em todos os 
continentes, estar alheios à conspurcação do sistema eleitoral democrático no 
Brasil, com a entronização de um projeto político aético, concebido por uma 
máquina político-partidária movida pela corrupção do Estado, ante a 
complacência e a omissão do senhor presidente Fernando Henrique Cardoso?

      Denuncio, pois, à Organização das Nações Unidas, a qual tenho servido, 
quando chamado pelos quatro cantos do mundo, que se busca a entronização em meu 
país de um regime político semelhante ao que vigiu por décadas no México, sob a 
batuta do PRI e de um estado corrupto e violento, referendado por “eleições” 
fraudadas, a que Mario Vargas Llosa chamou “ditadura perfeita”.

      Denuncio que o jogo democrático em meu pais está comprometido por um 
sistema onde o capital financeiro, parte da justiça eleitoral, a maioria da 
grande imprensa, a poderosa máquina estatal e alguns partidos políticos, 
notadamente o PSDB, se aliaram na tentativa de levar ao poder um homem com 
claros traços ditatoriais.

      Denuncio que se prepara uma grande fraude eleitoral a partir do sistema 
eletrônico de votação.

      Denuncio que a democracia em meu país corre risco.

      Não cabe admitir, como querem os áulicos palacianos, que estejamos, ao 
buscar a guarida da ONU, agredindo a soberania nacional. Esta, entristece-me 
afirmar com clareza e concretude, porque é de conhecimento de toda a Nação 
brasileira, foi lançada, há muito, ao pântano dos negócios escusos, das 
privatizações descabidas, porque danosas ao patrimônio público, da sujeição 
absoluta aos ditames do capital internacional, notadamente o especulativo, em 
detrimento dos interesses da sociedade. 

      Tenho, com a responsabilidade de 30 anos de vida publica à serviço de meu 
povo e da democracia, a exata noção da gravidade deste alerta, desta denúncia, 
deste chamamento que faço ao fórum onde se congregam as Nações de todo o mundo.

      Lembro o descompromisso do governo de Fernando Henrique Cardoso para com 
a liberdade em diversas oportunidades. 

      Lembro de seu empenho contra os governos democráticos de toda a América 
Latina, além dos governos da França e da Espanha, em levar a OEA, através de 
pressões ao seu presidente, Senhor César Gaviria, em aceitar o resultado da 
“re-reeleição” do tirano Alberto Fujimori, do Peru, bancando, sozinho, a maior 
fraude eleitoral da historia de nosso continente...

      Lembro de sua solidariedade ao mesmo regime fujimorista, quando gestionou 
junto à presidenta Mireya Moscoso, do Panamá, pelo asilo político para o 
facinoroso Vladimiro Montesinos, cérebro da corrupção, do narcotráfico e da 
tortura na década de Fujimori, hoje cumprindo pena de prisão perpétua em uma 
cela de segurança máxima na Base Naval de Callao, ao lado de Abmael Guzman, o 
terrorista do Sendero Luminoso...

      Lembro de sua relação siamesa com o governo corrupto de Carlos Menem, seu 
dileto amigo, a quem ajudou em sua reeleição e foi por ele ajudado na sua, até 
com a manifestação pública do então mandatário argentino nas vésperas das 
eleições de 1998, quando Fernando Henrique conseguiu, a um alto custo, o seu 
segundo mandato...

      Lembro de seu apoio ao regime decadente de Fernando De La Rua, quando o 
povo entupia a Plaza de Mayo para derrubar um governo que já caia de podre. 
Lembro que o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Sebastião do Rego Barros, 
um dos melhores diplomatas brasileiros, foi desautorizado e humilhado quando, 
um dia antes da queda, declarou à imprensa brasileira que não restava outro 
caminho ao presidente argentino senão a renúncia...

      Está formado o caldo de cultura para a entronização de uma “democracia” 
sem povo nem voto. Está se preparando uma “ditadura perfeita”, sob a capa de 
eleições que serão fraudadas, num processo eleitoral viciado e vicioso.

      Não se iluda a Organização das Nações Unidas: o Brasil experimenta os 
estertores de um governo seriamente avariado pelas denúncias não apuradas de 
corrupção administrativa em seu seio. Desmoralizado por privatizações a preço 
vil, direcionadas para interesses de grupos empresariais nem sempre decentes, e 
que agora, poucos anos após serem feitas, redundam em expressivos fracassos 
para os consumidores de seus serviços e para a própria economia nacional.

      O futuro deste país, na inexorabilidade do processo histórico, mostrará o 
fracasso do governo de Fernando Henrique Cardoso nos planos econômico, social e 
ético. 

      Alerto, pois, através do ilustre representante da ONU em meu país, para o 
grave risco de corrosão de nossa estabilidade democrática, por meio de um 
processo eleitoral que se anuncia eivado de suspeitas procedentes e 
irregularidades comprovadas. 

      Julgo, a meu critério e de ponderáveis setores da opinião pública 
nacional, que a Organização das Nações Unidas deve, no mínimo, avaliar a 
conveniência de sua presença ostensiva no decorrer do processo eleitoral 
brasileiro. 

      Respeitosamente,

      João Herrmann Neto (Líder do PPS na Câmara dos Deputados)

      Saiba mais sobre o assunto:
        a.. Voto em trânsito 
        b.. União de forças: por uma legislação mais eficaz 
        c.. Processo eleitoral e segurança das urnas eletrônicas: Legislativo X 
Justiça Eleitoral 
        d.. Materialização do voto 
        e.. Morre o deputado João Herrmann Neto 
      Technorati Marcas: João Herrmann Neto,urnas eletrônicas,fraude 
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