*Ia mandar o link da musica, piada obvia, mas el googlador ensandecido achou
cousa - e louza - mejor.

beso, querida miminha e lhe vejo hoje?

Orf



Paulo César de Araújo:
Eu não sou cachorro não
*
Record

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Em EU NÃO SOU CACHORRO, NÃO, o historiador carioca Paulo César de Araújo
redime os cantores chamados de cafonas — ou bregas —, que no período entre
1968 e 1978 estavam no topo do mercado fonográfico nacional. O autor mostra
como Odair José, Agnaldo Timóteo, Nelson Ned e Benito Di Paula, odiados por
supostamente colaborar com a ditadura, foram tão ou mais perseguidos pelo
regime militar que cantores de esquerda.

Artistas considerados bregas sempre apareceram no topo da lista de mais
vendidos. Veiculados nas rádios, freqüentavam os programas de auditório, mas
não receberam o devido respeito e espaço em livros e teses, pois
freqüentemente eram associados à ditadura militar. O historiador carioca
Paulo César de Araújo preenche essa lacuna na historiografia da música
popular brasileira e mostra como as figuras mais demonizadas por aderirem à
cultura oficial durante os anos de chumbo, na verdade, foram tão ou mais
perseguidas pelo regime quanto os artistas de esquerda. »A produção musical
brega (ou cafona) faz parte da realidade cultural brasileira, tanto quanto o
tropicalismo e a bossa nova e merece ser analisada«, argumenta o autor.

EU NÃO SOU CACHORRO, NÃO aborda três aspectos do papel de resistência
desempenhado por esses artistas. Em primeiro lugar, Paulo César de Araújo
analisa como muitas das letras trazem a denúncia ao autoritarismo e à
segregação social. A música O divórcio, de Luiz Ayrão, por exemplo, – que, a
princípio, se chamava Treze anos –pode ser lida tanto como um desabafo de um
homem infeliz quanto como um basta ao regime militar. O autor compara a
produção musical dentro do contexto histórico, dando especial atenção ao
AI5. Paulo lembra, também, que a maioria desses cantores vivenciou o
trabalho infantil: Nelson Ned e Agnaldo Timóteo foram engraxates. Paulo
Sérgio, alfaiate.

O livro traz, ainda, diversas curiosidades do universo musical cafona. São
histórias que só agora chegam a público. Como a vez em que Odair José teve a
música A primeira noite – que fala da primeira experiência sexual de um
garoto – censurada e, para escapar ao veto, apenas trocou o título. Noite de
desejos passou incólome pelas autoridades. Aliás, Odair José era campeão de
vetos da censura federal. Sua música Pare de tomar a pílula foi proibida de
ser executada nas rádios brasileiras e em toda a América latina. Mas ele não
foi o único. Fernando Mendes teve seu Tributo a Carlinhos (o menino
Carlinhos desapareceu sem deixar traços na década de 1960, num caso policial
célebre e não resolvido até hoje) proibido já que poderia ser interpretado
como referência aos presos políticos.

Máximas de Waldik Soriano – A mulher é como a música. A música serve para
limpar a alma, a mulher para limpar a casa –   também estão presentes em EU
NÃO SOU CACHORRO, NÃO. Assim como situações que beiram a tragicomicidade:
Nelson Ned passava por baixo da roleta de ônibus por não ter dinheiro para
pagar a passagem. »Isso não era difícil para mim«, brinca o cantor. Essas
histórias resgatam artistas que, entre as décadas de 1968 e 1978, se
destacaram no cenário artístico nacional. »Embora esquecida, nossa música
popular cafona permanece guardada em estruturas de comunicação informais«,
explica Paulo César.

Atire a primeira pedra quem nunca cantarolou uma letra de música popular
cafona. Apesar de gosto duvidoso, as melodias fazem parte do patrimônio
afetivo de milhares de brasileiros. Músicas como Eu não sou cachorro, não,
Pare de tomar a pílula e Cadeira de rodas fazem parte do repertório de um
Brasil dos excluídos, um país mergulhado na ditadura militar e sacudido
tanto por marchas moralistas de apoio à família, à propriedade e à Igreja
quanto pela guerrilha urbana.

(informação da editora)

*Paulo César de Araújo*, baiano de Vitória da Conquista, é jornalista,
historiador e mestre em Memória Social. Trabalha como professor de História
no ensino fundamental e médio da rede pública do Estado do Rio de Janeiro.





2008/8/1 Yasmine <[EMAIL PROTECTED]>

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> É...*
>
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>  p.s: tô repassando
>  
>

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