Não Gustavo, não estou culpando o MK. Veja que eu disse que o MK traz
muitas facilidades e vejo-o resolvendo o problema de muita gente. Tenho
MK em duas bases. Inclusive aqui em S. J. dos Campos onde tenho minha
base operacional. E, o MK faz o diabo para mim.

Eu disse da facilidade que temos, como você também disse, em estabelecer
uma sessão BGP. Extremamente fácil, realmente. Mas, atrás dessa
facilidade escondem as armadilhas. O BGP não é somente estabelecer uma
sessão de peering. É preciso estabelecer as políticas de roteamento, que
incluem filtros, sessões com o Cymru, cudados com os anúncios, etc.
Parte de tais políticas são fáceis. Outras são difíceis. Um exercício
muito útil para entender a parte complicada das políticas de roteamento
é o uso do IRR. Nesse caso, o IRR como representação da política e
desenho consistente da rede. Um aspecto que ajuda a entender uma rede,
que por menor que seja tem políticas complexas. Por exemplo, a
compreensão de que a rota default não deve ser anunciada. Ou, mais
simples ainda, que 192.167.3.3 ou seja lá, 3.3.3.2 são IPs públicos!

A facilidade do MK obscurece a complexidade da política de roteamento. A
culpa, provavelmente é da formação do técnico e da falta de humildade em
reconhecer que na nossa área (infraestrutura da Internet), por mais que
você saiba sempre tem alguém que sabe um pouco mais sobre determinados
tópicos. A quantidade de informação que lidamos e os cuidados que
devemos tomar excedem a capacidade de um ser humano normal.

Por outro lado um consultor responsável não aceita R$100,00 que um
cliente pode pagar, exatamente face as responsabilidades inerentes.
Assim como ele não aceitaria R$1.000,00 se o tempo dele está
completamente tomado.

A questão que o Ozelo abordou sobre o que devemos filtrar ou, em outras
palavras até onde devemos ser flexíveis com os descuido de terceiros é
uma boa questão. Não estamos habituados a usar as RBLs para bloquear
spammers? Inclusive fazemos isso sem muitas preocupações com os falsos
positivos (como ocorre na técnica de greylisting). Que se danem os
falsos positivos, é uma afirmação irresponsável? Bom, na minha opinião
deveríamos ter algo parecido com as RBLs, para ASes e blocos IPs
indevidamente configurados/anunciados(?).

Se nós não publicamos, com fazem aqueles que trabalham em divulgação do
Weekly Routing Table Report, The Cidr Report, BGP Update Report e
outros, teremos sempre problemas na nossa Internet. E que mal tem de
fazermos uma referência ao seu ASN se ele está com um problema de
natureza qualquer que pode ser devido a um pequeno descuido? Bom para
você. Não entramos nesse caso no mérito de se está havendo
desconhecimento, irresponsabilidade ou seja lá o que for, de sua parte.
Estamos somente dando a contribuição: o AS tal está com problemas! Todos
nós ganhamos nesse caso.

Se meu ASN é publicado no Weekly Routing Table Report por alguma falha,
posso até ficar envergonhado na primeira vez, mas terei de reconhecer
que não é essa a intenção dos caras que estão trabalhando duro nisso. A
intenção é tornar a Internet mais segura e fornecer para todos (ou para
quem desejar) informações de utilidades apropriadas. O meu erro é, pela
natureza de nosso trabalho, um exemplo para todos! Errar, inclusive é a
melhor forma que temos de aprender ... (não insistentemente, claro).

Aqui entra mas não responde, a abordagem do Herbert na mensagem 711. O
critério ético não é uma definição individual, no nosso caso. É uma
apropriação do senso comum. E quem estabelece o senso comum são os
debates, a nossa aprendizagem e, consequentemente, nossa maturidade,
quando usadas em prol de uma comunidade.

Um aspecto importante é reconhecer que estamos em um debate e o que eu
digo ou o que cada um de nós diz, não mais são do que contribuições para
a formação do senso comum.

Se não tivesse algo errado não estaríamos discutindo. Nossa intenção é
mapear o que está errado. Ética é um juízo de valor que fazemos a partir
do senso comum e, não a partir do bom senso, simplesmente.

[]s, Julião


Em 16/08/2010 10:40, Gustavo Santos escreveu:
> Julião,
> 
>  Concordo com a sua preocupação, já que uma configuração errada e
> desrespeito as melhores praticas para manutenção do BGP podem acarretar
> problemas globais, como os casos do sequestro do prefixo do youtube por
> exemplo por algumas horas. Mas não sei se foi só impressão minha, mas do
> jeito que foi colocado, a culpa é a facilidade que por exemplo o MK(
> Mikrotik) por ter uma interface mais amigavel faz com que qualquer pessoa
> com o minimo de instrução suba uma sessão BGP.
> 
>  Acredito na minha opnião que o culpado não é o Mikrotik. Mas sim as
> próprias empresas que necessitam de um AS e prefixos próprios mas que fazem
> economia na contratação de pessoas, o que desestimula o interesse dos
> técnicos em realmente aprender e entender como funciona as regras. Quantos
> de vocês consultores já ouviram de possíveis clientes que o custo da
> implementação e consultoria estava caro? Que eles só poderiam dar  R$100,00
> para a configuração dentre outros absurdos?
> 
>  Entrei na questão da defesa do MK pois soou como as discussões que vejo na
> lista NANOG em que Qualquer coisa que não seja Cisco ou Juniper são para
> amadores. Mas nós sabemos que o problema na maioria das vezes é o custo de
> um roteador Cisco / Juniper que roteie mais de 100mbits que custam rios de
> dinheiro.
> 
>  Tenho mais medo de um NT que configurou uma sessão bgp em um quagga por
> exemplo já que um troubleshooting é mais complexo e qualquer erro nos
> filtros pode ser "fatal". Como já tive oportunidade de ver um multihomed
> anunciando o a tabela bgp completa de uma operadora para outra.
> 
>  Enfim, apoio a iniciativa para que pelo menos os donos e técnicos se
> familiarizem mais e tenham mais responsabilidade quando se trata deste
> assunto.
> 
> 
>  Mas acredito que a discussão seja 100% valida para concientizar
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