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Prezado Jacques:
Estou de acordo com sua posição.
De fato, a "coisa julgada" é
sacralizada como bem intangível e criação imaculada do
direito, justificando o arremesso às profundezas do inferno daqueles que
apontam situações absurdamente injustas, decorrentes de
decisões judiciais imutáveis. A lesão a bens superiores
é então simplesmente ignorada.
Milhões de reais são retirados de finalidades
mais nobres, gerando o enriquecimento ilícito de alguns.
Atos que, em situação normal, implicariam
manifesta improbidade - senão insanidade - encontram amparo
invencível: a coisa julgada.
A tarefa de superá-la através de
exceções - quando viola bem superior - é que me parece
impossível, abstraindo-se eventuais instrumentos processuais que devem
ser utilizados, como o faz a Procuradoria Geral do Estado.
Daí porque revelei irritação com o
processo - ora em sentido lato - de formação de tais
indenizações.
Depois de nascida e crescida, a serpente sabe se defender e
esconder - a casca de seu ovo é porém mole, e Bergmann já
filmou o nascedouro de males posteriormente irresistíveis, desenraizados
a muito custo.
No atual momento, com certeza, várias futuras
indenizações milionárias estão incubadas, prontas
para gerar o formidável precatório de amanhã.
É nesse momento que o Estado peca, e peca contra
si mesmo.
Age atabalhoadamente e não logra obstar no
início muitas situações. Quantos pedidos de
indenização, por mais variadas causas, não poderiam ter
sido resolvidos administrativamente, evitando a cominação de juros
e mais juros, correção monetária que supera a
variação da arrecadação, custas e honorários
?
A tônica, porém, é negar por negar,
porque, naquele momento, não há ameaça concreta (sabe-se
lá quem será o sucessor ...)
No curso dos processos, continua o descaso: não
há contadores, não há dinheiro para pagar assistentes
técnicos, etc.
As condições de trabalho fornecidas aos
advogados públicos são pífias, principalmente para aqueles lotados no contencioso, eis que, sabe-se lá
porque, quase todas as carreiras da advocacia pública reservam o ar
condicionado, cafezinhos e staff desenvolvido àqueles que, de gabinetes,
pouco podem fazer para evitar a imposição e pagamento de
milhões.
A situação se repete "ad nauseam", em
quase todas as procuradorias.
Devemos ser sinceros, qualidade que apenas auxilia no
auto-conhecimento: algumas das críticas procedem; poucas, quando
pessoalmente focalizadas. Algumas, quando dirigidas à
Instituição.
Daí porque, ao lado da defesa intransigente - mas
lúcida - do atual procedimento da PGE, é necessário
aproveitar o ensejo para acentuar os porquês da advocacia pública,
a imprescindibilidade de sua participação, etc. etc., temas
já muito debatidos, cuidando para que as
interpretações da sociedade não se invertam.
No que toca à OAB, mais uma vez externo minha
opinião: há clara miscigenação no
destinatário dos amargos comentários divulgados, o que nos
impõe seletividade e discernimento de julgamento. A crítica -
justificável ou não - a atos de governo misturou-se com ataques
imerecidos a advogados públicos.
O temor é que, mais uma vez, a corda rompa do lado mais
fraco: acordos políticos, credores satisfeitos, advogados apaziguados,
procuradores sacrificados, culpados por uns e outros (vide DER e escândalo
do lixo em São Paulo), já que, como estamos cansados de saber,
funcionários públicos são vagabundos mesmo.
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