Olá, Luis:

2013/1/3 Luis Rosa <[email protected]>:
> Porém, dado *N* e a regra de derivação que
> chamamos de 'prova condicional', *p *É *Lp *é um teorema de K

Não, *p *É *Lp * NÃO é um teorema de K.  A razão é simples: a sua
'prova condicional', que pressuporia a validade do metateorema da
dedução, NÃO vale de forma irrestrita nestes sistemas modais.  (Na sua
demonstração usual por indução sobre as derivações, o metateorema da
dedução sobrevive à regra de modus ponens, mas não à regra da
necessitação.)

Observe que a regra *N*:
  *⊢* *α*  → *⊢* *L**α*
é uma espécie de regra _global_, que diz que *L**α* é um teorema
(fórmula demonstrada a partir de um conjunto vazio de premissas)
sempre que *α* for um teorema.  Esta regra não vale na forma _local_
que segue:
  *α* *⊢* *L**α*

Em contraste, a regra de modus ponens é em um certo sentido _mais
forte_, pois vale não apenas _globalmente_, na forma:
  (*⊢* *α1* e *⊢* *α1**É**α2*)  → *⊢* *α2*
mas também _localmente_, na forma:
  A, *α1*, *α1**É**α2* *⊢* *α2*
onde A é um conjunto arbitrário de fórmulas.

Um GRANDE e persistente problema da literatura modal 'standard' é
justamente o de não deixar bem clara a diferença entre os níveis local
e global de consequência, e não dar muita atenção à _incompletude
estrutural_ típica das lógicas modais.  Pior, a fixação
'filosófica'/'algébrica' em sistemas hilbertianos/axiomáticos costuma
dificultar justamente a compreensão da diferença entre axiomas e
regras, e da diferença entre teoremas e a noção mais geral de
consequência.

* * *

Um parêntese.  Regras de inferência de uma lógica L1 de ordem n podem
frequentemente ser expressas como axiomas de uma lógica L2 de ordem m,
com m>n, quando esta última é usada como linguagem de especificação da
primeira.  Um axioma lógico de L1 pode assim ser entendido como um
átomo (estruturado) de L2, e uma regra de inferência lógica de L1 pode
ser entendida como um axioma de L2.  (A _implementação_ de uma
lógica-objeto, digamos, de primeira ordem, através de um framework
lógico de ordem superior (como *Isabelle*, por exemplo) faz uso
exatamente desta estratégia.)

Joao Marcos

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