Muito obrigado, João Marcos!

Me é um grande alívio saber que aquilo de que desconfiava está certo: a
prova condicional (que pressupõe o metateorema da dedução) não vale de modo
irrestrito em tais sistemas modais. De fato, a literatura em questão não
aponta a diferença entre os níveis global e local de consequência. Tens
algum paper para indicar sobre esse assunto em especial?


2013/1/3 Joao Marcos <[email protected]>

> Olá, Luis:
>
> 2013/1/3 Luis Rosa <[email protected]>:
> > Porém, dado *N* e a regra de derivação que
> > chamamos de 'prova condicional', *p *É *Lp *é um teorema de K
>
> Não, *p *É *Lp * NÃO é um teorema de K.  A razão é simples: a sua
> 'prova condicional', que pressuporia a validade do metateorema da
> dedução, NÃO vale de forma irrestrita nestes sistemas modais.  (Na sua
> demonstração usual por indução sobre as derivações, o metateorema da
> dedução sobrevive à regra de modus ponens, mas não à regra da
> necessitação.)
>
> Observe que a regra *N*:
>   *⊢* *α*  → *⊢* *L**α*
> é uma espécie de regra _global_, que diz que *L**α* é um teorema
> (fórmula demonstrada a partir de um conjunto vazio de premissas)
> sempre que *α* for um teorema.  Esta regra não vale na forma _local_
> que segue:
>   *α* *⊢* *L**α*
>
> Em contraste, a regra de modus ponens é em um certo sentido _mais
> forte_, pois vale não apenas _globalmente_, na forma:
>   (*⊢* *α1* e *⊢* *α1**É**α2*)  → *⊢* *α2*
> mas também _localmente_, na forma:
>   A, *α1*, *α1**É**α2* *⊢* *α2*
> onde A é um conjunto arbitrário de fórmulas.
>
> Um GRANDE e persistente problema da literatura modal 'standard' é
> justamente o de não deixar bem clara a diferença entre os níveis local
> e global de consequência, e não dar muita atenção à _incompletude
> estrutural_ típica das lógicas modais.  Pior, a fixação
> 'filosófica'/'algébrica' em sistemas hilbertianos/axiomáticos costuma
> dificultar justamente a compreensão da diferença entre axiomas e
> regras, e da diferença entre teoremas e a noção mais geral de
> consequência.
>
> * * *
>
> Um parêntese.  Regras de inferência de uma lógica L1 de ordem n podem
> frequentemente ser expressas como axiomas de uma lógica L2 de ordem m,
> com m>n, quando esta última é usada como linguagem de especificação da
> primeira.  Um axioma lógico de L1 pode assim ser entendido como um
> átomo (estruturado) de L2, e uma regra de inferência lógica de L1 pode
> ser entendida como um axioma de L2.  (A _implementação_ de uma
> lógica-objeto, digamos, de primeira ordem, através de um framework
> lógico de ordem superior (como *Isabelle*, por exemplo) faz uso
> exatamente desta estratégia.)
>
> Joao Marcos
>
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*Luis Rosa                            *
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