Atualizei meu CV Lattes esses dias e também me recusei a responder a pergunta. Em parte porque não sei a resposta, em parte pela inconveniência da mesma. Quem quiser saber minha "raça", que olhe minha foto e decida por si mesmo.

Abraços,

Alvaro Augusto


Em 12/04/2013 12:40, Itala M. L. D'Ottaviano escreveu:
Penso que é o que devemos fazer!
Solicitar a imediata retirada do item do formulário!

itala
Caros,

até entendo a posição do Teófilo.
Se você eh judeu, carcamano, oriental ou indígena, aquela pergunta é
cretina por todas as razões apresentadas.
Contudo se você é preto (ou negro, ou "afro-descendente"  como copiado dos
americanos), a pergunta pelo menos levanta a questão.

O problema aqui contudo é o seguinte: **para quê** o CV Lattes quer saber
isso??

Se parece com aquela pergunta idiota
dos cadastros médicos (e de varios outros) sobre "estado civil".

Eu apoiaria uma moção geral ao CNPq.
Assina quem quiser.

Abs

Walter

Em 12/04/2013 08:04, "Famadoria" <[email protected]> escreveu:
Nem conceito científico é. Aliás, sabem que se escolhermos aleatoriamente
dois brasileiros, a chance é de 99% que tenham um ancestral comum por volta
de 1600?
Somos todos da raça humana. E primos...

Sent from my iPhone

On 12/04/2013, at 07:55, Teófilo Reis <[email protected]> wrote:

Caro Marcelo e caros colegas,

Observe que os efeitos terríveis a que você se refere (e que também
fazem
parte da história da minha família) são consequência de um uso
perverso
do
conceito de raça. Ser contra o conceito de raça exclusivamente por esta
razão é como ser contra todo e qualquer uso de aviões por causa da
possibilidade de usá-los como armas de guerra.

Tentar barrar o uso do conceito não me parece uma alternativa adequada
nem
necessária. Eu me concentro na tentativa de barrar os usos perversos do
conceito e suas consequências. No caso do formulário do Lattes, entendo
que
é um bom uso do conceito, e por isso apoio totalmente a permanência da
questão.

Vou me juntar ao João Marcos no sentido de não prolongar esta
discussão,
por dois motivos: primeiro, por entender que este não é o fórum
adequado
para esta discussão; segundo, porque estou extremamente atarefado
tentando
barrar medidas como o Pimesp - não por discordar das cotas, mas por
discordar da forma como as estaduais paulistas tentam implementar o
programa de inclusão.

Se alguém, por qualquer motivo, quiser continuar a debater este tema
comigo, sinta-se à vontade para me contactar por meu email pessoal.

Abraços,


Em 11 de abril de 2013 22:08, Marcelo Finger <[email protected]>
escreveu:
Caro Teófilo.

Pois é exatamente contra o uso social do conceito de raça que eu estou
protestando.  Pois foi graças a este conceito social que parte de
minha família foi dizimada.  E nada de bom jamais adveio daí.

[]s

Marcelo


2013/4/11 Teófilo Reis <[email protected]>:
Caras e caros,

A escolha do "Não desejo declarar" não é unânime, pois não vejo
problema
algum em responder a este tipo de questão no Lattes, nem aos
recenseadores
do IBGE.


É importante atentar para a mensagem que aparece quando se coloca o
cursor
sobre o ponto de interrogação que está ao lado do campo que pede para
informar cor ou raça: "Informação solicitada para subsidiar a
adoção
de
ações de promoção da igualdade racial, previstas na lei n. 12.288,
de
20
de
junho de 2010." Obviamente o debate acerca da razoabilidade de tais
ações
afirmativas é um outro assunto, do qual não estamos nos ocupando aqui
(o
que me parece perfeitamente correto, uma vez que o tema foge ao escopo
desta lista).

Parece-me bastante evidente que o termo raça é usado como conceito
social,
e não como conceito biológico. Isto é ponto pacífico entre aqueles
mais
familiarizados com o debate de questões raciais. Quando se fala em
racismo,
por exemplo, todos entendem o significado do termo (com exceção do Ali
Kamel), mesmo sabendo que raças, como conceito biológico, não
existem. A
referência é a um conceito social. Este é o ponto fundamental, que
aparentemente é novidade para muita gente aqui.

Certamente é dominante o entendimento de que a solicitação de
informação
acerca de raça ou cor não fere a laicidade de nossa República. Basta
lembrar que o sistema de cotas raciais (cuja implementação faz uso
frequente de autodeclaração de cor ou raça) foi julgado
constitucional
pelo
STF.

Att.,


Em 11 de abril de 2013 18:59, Ana Cholodovskis
<[email protected]>escreveu:

Acho que a opção "Não desejo declarar" parece ser a escolha
unânime.
Recusei a declarar também, afinal, quais são os critérios para
definir a
"raça"?

Não somos todos homo sapiens ou existem subespécies que não
conheço?

Em 11 de abril de 2013 18:18, Decio Krause <[email protected]>
escreveu:

Concordo plenamente em nos recusarmos a responder a essa barbaridade
sobre
nossa "raça". Mas não haviam chegado à conclusão de que não há
raças?
Afinal, todos descendemos do mesmo macaquito africano.....somos
todos
afro-descendentes, mesmo os arianos, sejam lá o que sejam eles,
ainda
que
eles possam não gostar disso. Ridículo.
D

________________________________
Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil
deciokrause[at]gmail.com
www.cfh.ufsc.br/~dkrause
________________________________







Em 11/04/2013, Ã s 14:16, Marcelo Finger escreveu:

Caros.

Eu tb me recusei a responder.  Mas creio que a inserção desta
pergunta
não é uma mera cópia dos Estados Unidos, não assim tão
diretamente.
O fato é que existem grupos bem organizados que estão
consistentemente
pressionando para que haja coleta deste tipo de informação.  Eu vi
esta pressão quando era acessor de informática da Pró-reitoria de
Pós
da USP (e ainda estou na mailing list deles).  O grupo em questão
conseguiu se articular politicamente para que o representante dos
alunos de pós de _toda_ a USP solicitasse a inserção desta coleta
de
dados (raciais e de renda familiar) no ato da matrícula que os
alunos
devem fazer todo semestre. O pró-reitor aceitou a solicitação
(acho
que ela foi votada ou acatada no conselho de pós, que não viu
motivo
para barrá-la, pois uma pergunta similar já é feita na inscrição
pela
FUVEST). A inserção deste formulário não tinha alta prioridade,
mas
ele foi eventualmente implementado, é de preenchimento voluntário,
mas
já deve estar lá, todo semestre para todo aluno de pós da USP.

O grupo em questão batalha fortemente pela implementação das cotas
no
USP e outro assuntos raciais, mas também por outras causas
encampadas
pelo PCO, PSTU e outros grupos afins.  Eu sei disso pois, como
disse,
permaneço na mailing list deles. A linguagem de palavras de ordem é
a
mesma.

Eu, tanto quanto o Julio, tenho pavor a este tipo de questionário.
Mas
as questões de raça estão sendo enfileiradas em diversas
discussões,
quer a gente goste ou não.  Não dá pra fingir que não está
acontecendo
nada.

[]s

Marcelo








2013/4/11 Walter Carnielli <[email protected]>:
Caro Júlio,

solidarizo-me  totalmente  com você-- isso é um absurdo, e me
recuso
a responder.  O próprio  Cesar Lattes era judeu sefardita
(sefaradim),
mas  nunca   que escrever isso num CV, imagino. O meu   também é,
e
por razoes  análogas  às  do Júlio teria que
responder como  "nao-ariano"  (e sem certificacao da Gestapo!).

Uma estupidez copiada dos  americanos:  ou  o CNPq  não sabe  o
que
fazer  com isso,  ou usarão
da  pior  maneira.

Lembro-que quando morava nos EUA que  minha a ex-esposa,que é
morena
e  branca, teve que responder a   isso num  hospital. Também armei
a
pior encrenca e não  respondemos.  A  funcionária  informou  ela
mesma
a classificaria como
"non-arian" e  não  sei mais quê.

Eu fui até  à gerencia e exigi que  apagassem  Não sei o que
fizeram
depois, mas  ficaram surpresos...

Colegas, recusemo-nos a declarar mais  esta  estupidez do CV
Lattes!
Desobediência  civil é a  única
arma contra  para essas  aberrações!

Abs

Walter

Em 11 de abril de 2013 11:08, Julio Stern <[email protected]>
escreveu:
Caros Redistas:

Minha opiniao sobre a nova modinha recem introduzida (com
uma desculpa pseudo-legalista), a saber, da obrigatoriedade
de uma (auto?)-Declaracao de Cor o/ou Raca:

Minha filha nasceu nos USA, quando eu fazia o Doutorado.
No hospital me exigiram o preenchimento de um formulario
de classificacaco racial.  Armei a maior confusao, ate ser
dispensado dequela anomalia abjeta.

No Lattes, se nao houvesse a opcao - Me Recuso a Declarar,
eu teria preenchido - Pardo.
Afinal, eu sou um Pardo Certificado
Tenho o passaporte de meu tio-avo, da Alemanha Nazista,
classificando-o como Nao-Ariano e, convenhamos, nao ha
orgao certificador mais acreditado para questoes deste tipo
do que a Gestapo...

O caminho para o inferno esta pavimentado de boas intencoes.
Nao importam as (sempre falaciosas) supostas vatagens transientes
que se possa enxergar para manobrar a vontade,  ou as infindaveis
variantes do argumento  --  Os Fins Justificam of Meios.
Classificacoes raciais, e quaisquer politicas nelas baseadas,
sao um veneno para sociedade,  e tambem para a alma.

--- Julio Stern
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