Ou seja: relativamente ao CNPq, cada um vai fazer o que lhe der na telha. 
Como querem que na ONU haja entendimento?


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Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause
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Em 11/04/2013, às 22:08, Marcelo Finger <[email protected]> escreveu:

> Caro Teófilo.
> 
> Pois é exatamente contra o uso social do conceito de raça que eu estou
> protestando.  Pois foi graças a este conceito social que parte de
> minha família foi dizimada.  E nada de bom jamais adveio daí.
> 
> []s
> 
> Marcelo
> 
> 
> 2013/4/11 Teófilo Reis <[email protected]>:
>> Caras e caros,
>> 
>> A escolha do "Não desejo declarar" não é unânime, pois não vejo problema
>> algum em responder a este tipo de questão no Lattes, nem aos recenseadores
>> do IBGE.
>> 
>> 
>> É importante atentar para a mensagem que aparece quando se coloca o cursor
>> sobre o ponto de interrogação que está ao lado do campo que pede para
>> informar cor ou raça: "Informação solicitada para subsidiar a adoção de
>> ações de promoção da igualdade racial, previstas na lei n. 12.288, de 20 de
>> junho de 2010." Obviamente o debate acerca da razoabilidade de tais ações
>> afirmativas é um outro assunto, do qual não estamos nos ocupando aqui (o
>> que me parece perfeitamente correto, uma vez que o tema foge ao escopo
>> desta lista).
>> 
>> Parece-me bastante evidente que o termo raça é usado como conceito social,
>> e não como conceito biológico. Isto é ponto pacífico entre aqueles mais
>> familiarizados com o debate de questões raciais. Quando se fala em racismo,
>> por exemplo, todos entendem o significado do termo (com exceção do Ali
>> Kamel), mesmo sabendo que raças, como conceito biológico, não existem. A
>> referência é a um conceito social. Este é o ponto fundamental, que
>> aparentemente é novidade para muita gente aqui.
>> 
>> Certamente é dominante o entendimento de que a solicitação de informação
>> acerca de raça ou cor não fere a laicidade de nossa República. Basta
>> lembrar que o sistema de cotas raciais (cuja implementação faz uso
>> frequente de autodeclaração de cor ou raça) foi julgado constitucional pelo
>> STF.
>> 
>> Att.,
>> 
>> 
>> Em 11 de abril de 2013 18:59, Ana Cholodovskis
>> <[email protected]>escreveu:
>> 
>>> Acho que a opção "Não desejo declarar" parece ser a escolha unânime.
>>> 
>>> Recusei a declarar também, afinal, quais são os critérios para definir a
>>> "raça"?
>>> 
>>> Não somos todos homo sapiens ou existem subespécies que não conheço?
>>> 
>>> 
>>> Em 11 de abril de 2013 18:18, Decio Krause <[email protected]>
>>> escreveu:
>>> 
>>>> Concordo plenamente em nos recusarmos a responder a essa barbaridade
>>> sobre
>>>> nossa "raça". Mas não haviam chegado à conclusão de que não há raças?
>>>> Afinal, todos descendemos do mesmo macaquito africano.....somos todos
>>>> afro-descendentes, mesmo os arianos, sejam lá o que sejam eles, ainda que
>>>> eles possam não gostar disso. Ridículo.
>>>> D
>>>> 
>>>> ________________________________
>>>> Décio Krause
>>>> Departamento de Filosofia
>>>> Universidade Federal de Santa Catarina
>>>> 88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil
>>>> deciokrause[at]gmail.com
>>>> www.cfh.ufsc.br/~dkrause
>>>> ________________________________
>>>> 
>>>> 
>>>> 
>>>> 
>>>> 
>>>> 
>>>> 
>>>> Em 11/04/2013, às 14:16, Marcelo Finger escreveu:
>>>> 
>>>>> Caros.
>>>>> 
>>>>> Eu tb me recusei a responder.  Mas creio que a inserção desta pergunta
>>>>> não é uma mera cópia dos Estados Unidos, não assim tão diretamente.
>>>>> 
>>>>> O fato é que existem grupos bem organizados que estão consistentemente
>>>>> pressionando para que haja coleta deste tipo de informação.  Eu vi
>>>>> esta pressão quando era acessor de informática da Pró-reitoria de Pós
>>>>> da USP (e ainda estou na mailing list deles).  O grupo em questão
>>>>> conseguiu se articular politicamente para que o representante dos
>>>>> alunos de pós de _toda_ a USP solicitasse a inserção desta coleta de
>>>>> dados (raciais e de renda familiar) no ato da matrícula que os alunos
>>>>> devem fazer todo semestre. O pró-reitor aceitou a solicitação (acho
>>>>> que ela foi votada ou acatada no conselho de pós, que não viu motivo
>>>>> para barrá-la, pois uma pergunta similar já é feita na inscrição pela
>>>>> FUVEST). A inserção deste formulário não tinha alta prioridade, mas
>>>>> ele foi eventualmente implementado, é de preenchimento voluntário, mas
>>>>> já deve estar lá, todo semestre para todo aluno de pós da USP.
>>>>> 
>>>>> O grupo em questão batalha fortemente pela implementação das cotas no
>>>>> USP e outro assuntos raciais, mas também por outras causas encampadas
>>>>> pelo PCO, PSTU e outros grupos afins.  Eu sei disso pois, como disse,
>>>>> permaneço na mailing list deles. A linguagem de palavras de ordem é a
>>>>> mesma.
>>>>> 
>>>>> Eu, tanto quanto o Julio, tenho pavor a este tipo de questionário. Mas
>>>>> as questões de raça estão sendo enfileiradas em diversas discussões,
>>>>> quer a gente goste ou não.  Não dá pra fingir que não está acontecendo
>>>>> nada.
>>>>> 
>>>>> []s
>>>>> 
>>>>> Marcelo
>>>>> 
>>>>> 
>>>>> 
>>>>> 
>>>>> 
>>>>> 
>>>>> 
>>>>> 
>>>>> 2013/4/11 Walter Carnielli <[email protected]>:
>>>>>> Caro Júlio,
>>>>>> 
>>>>>> solidarizo-me  totalmente  com você-- isso é um absurdo, e me recuso
>>>>>> a responder.  O próprio  Cesar Lattes era judeu sefardita (sefaradim),
>>>>>> mas  nunca   que escrever isso num CV, imagino. O meu   também é, e
>>>>>> por razoes  análogas  às  do Júlio teria que
>>>>>> responder como  "nao-ariano"  (e sem certificacao da Gestapo!).
>>>>>> 
>>>>>> Uma estupidez copiada dos  americanos:  ou  o CNPq  não sabe  o  que
>>>>>> fazer  com isso,  ou usarão
>>>>>> da  pior  maneira.
>>>>>> 
>>>>>> Lembro-que quando morava nos EUA que  minha a ex-esposa,que é  morena
>>>>>> e  branca, teve que responder a   isso num  hospital. Também armei a
>>>>>> pior encrenca e não  respondemos.  A  funcionária  informou  ela mesma
>>>>>> a classificaria como
>>>>>> "non-arian" e  não  sei mais quê.
>>>>>> 
>>>>>> Eu fui até  à gerencia e exigi que  apagassem  Não sei o que  fizeram
>>>>>> depois, mas  ficaram surpresos...
>>>>>> 
>>>>>> Colegas, recusemo-nos a declarar mais  esta  estupidez do CV Lattes!
>>>>>> Desobediência  civil é a  única
>>>>>> arma contra  para essas  aberrações!
>>>>>> 
>>>>>> Abs
>>>>>> 
>>>>>> Walter
>>>>>> 
>>>>>> Em 11 de abril de 2013 11:08, Julio Stern <[email protected]>
>>>> escreveu:
>>>>>>> Caros Redistas:
>>>>>>> 
>>>>>>> Minha opiniao sobre a nova modinha recem introduzida (com
>>>>>>> uma desculpa pseudo-legalista), a saber, da obrigatoriedade
>>>>>>> de uma (auto?)-Declaracao de Cor o/ou Raca:
>>>>>>> 
>>>>>>> Minha filha nasceu nos USA, quando eu fazia o Doutorado.
>>>>>>> No hospital me exigiram o preenchimento de um formulario
>>>>>>> de classificacaco racial.  Armei a maior confusao, ate ser
>>>>>>> dispensado dequela anomalia abjeta.
>>>>>>> 
>>>>>>> No Lattes, se nao houvesse a opcao - Me Recuso a Declarar,
>>>>>>> eu teria preenchido - Pardo.
>>>>>>> Afinal, eu sou um Pardo Certificado
>>>>>>> Tenho o passaporte de meu tio-avo, da Alemanha Nazista,
>>>>>>> classificando-o como Nao-Ariano e, convenhamos, nao ha
>>>>>>> orgao certificador mais acreditado para questoes deste tipo
>>>>>>> do que a Gestapo...
>>>>>>> 
>>>>>>> O caminho para o inferno esta pavimentado de boas intencoes.
>>>>>>> Nao importam as (sempre falaciosas) supostas vatagens transientes
>>>>>>> que se possa enxergar para manobrar a vontade,  ou as infindaveis
>>>>>>> variantes do argumento  --  Os Fins Justificam of Meios.
>>>>>>> Classificacoes raciais, e quaisquer politicas nelas baseadas,
>>>>>>> sao um veneno para sociedade,  e tambem para a alma.
>>>>>>> 
>>>>>>> --- Julio Stern
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>>>>>> Prof. Dr. Walter Carnielli
>>>>>> Director
>>>>>> Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE
>>>>>> State University of Campinas –UNICAMP
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