Julio, Penso que o conceito de over-belief não resolve todos os problemas da filosofia da religião; nem mesmo resolve o conflito entre leitura literal/alegórica de textos sagrados. Isto pois, um fundamentalista religioso pode crer que perseguir infiéis (ou descrentes) seja uma condição necessária para melhorar a vida da humanidade. Vemos isto claramente nos discursos recentes contra o casamento igualitário, como se isso fosse um ataque à "família" e aos "valores humanos".
Creio que, do ponto de vista epistemológico, um dos principais problemas da religião é a ideia de que a fé é um fundamento epistemológico legítimo. E isto é problemático porque a fé funciona como uma espécie de "operador trivial"' ou seja, dela pode-se derivar absolutamente qualquer coisa. Abraços, Diogo Dias Em 05/05/2013, às 15:37, Julio Stern <[email protected]> escreveu: > Eduardo: > > A primeira referencia que me ocorre eh o classico > > W.James (1902). The Varieties of Religious Experience. > > William James usa o conceito de "over-belief" (sobre-crenca?) > como um conceito no qual se cre (tem fe?) mesmo SEM evidencia > cientifica ou empirica (suficiente), em funcao das consequencias > que dela se pode derivar. > > Uma sobre-crenca eh valida (empiricamente nem verdadeira nem falsa) > se dela se derivam crencas consequentes que tornam nossa vida melhor. > > Pronto, estao resolvidos os problemas > de filosofia da religiao :-) > > Na minha visao, esta tematica esta intimamente relacionada a da > validade de leituras Literais versus leituras Alegoricas de > textos sagrados. > Posturas fundamentalistas aceitam uma leitura realista e literal, > e rejeitam quaisquer outras leituras que sejam incompativeis. > > A primeira vista, uma postura fundamentalista (ou uma > fundamentacao pseudo-cientifica) pode parecer (ou ser) > uma poderosa ferramenta de marketing. > A longo prazo, todavia, estes fundamentos eventualmente > colidirao desastrosamente com a realidade, ameacando os > ganhos rapidamente adquiridos com o marketing falacioso. > > Acho que quem tem genuino amor a suas sobre-crencas, > ficaria melhor aceitando-as como tal. > > Deixo aqui uma pergunta correlata para os entendidos > em Logica Meinongiana e similares: > > (1) Anjos e Serafins > tem o mesmo status de > (2) Pegasus e Unicornios? > ou de > (3) quadrados-redondos? > ou ainda de > (4) ondas-particula? > Sim?, nao?, por que? > > A metafisica (explicacoes causais) utilizada em conjuncao > com cada classe de objetos acima exemplificados, bem como > as consequencias derivadas destas explicacaoes causais, > tem algo a ver com o status ontologico dos mesmos objetos? > Como exatamente? > > ---Julio Stern > > > ---------------------------------------- >> Date: Sun, 5 May 2013 13:59:48 -0300 >> From: [email protected] >> To: [email protected] >> Subject: [Logica-l] Consequências epistêmicas >> >> Oi Julio (e todos), >> >> gostei muito do termo "consequências epistêmicas" que você >> usou neste trecho aqui: >> >>> Creio que nada mais ha a ser dito do Formalismo Logico. >>> The Laws of Form eh uma trivialidade do ponto de vista Logico-Formal. >>> Ja as consequencia epistemicas que o autor desenvolve a partir desta >>> trivialidade, para levar os incutos a beber das aguas pantanosas da >>> pseudo-ciencia, eh uma outra conversa... >> >> (Obs: criei um thread novo - o trecho anterior é desta mensagem: >> http://www.dimap.ufrn.br/pipermail/logica-l/2013-May/019013.html ) >> >> Fiz uma procura rápida no Google, e por enquanto os links mais >> interessantes que eu encontrei foram: >> >> http://certaindoubts.com/?p=354#comm >> http://certaindoubts.com/?p=354#comment-1981 >> http://philpapers.org/s/Philip%20Percival >> http://people.ku.edu/~ddorsey/cluelessness.pdf >> >> O trecho abaixo é do "comment-1981": >> >> "(...) certainly there are cases in which one can gain many true >> beliefs by purposely believing one falsehood. So if epistemic >> rationality is a matter of producing the epistemically best >> consequences, and consequences are epistemically ranked by the >> extent to which they fulfill the collective truth goal, then in >> these cases it is epistemically rational to purposely believe the >> falsehood. By believing that falsehood, one gains other true beliefs >> that more than make up for the loss." >> >> Quem tiver mais referências bacanas sobre estas idéias, por >> favor mande... esse tipo de discussão que está reaparecendo >> agora é recorrente, acho que seria bom termos ferramentas pra >> levantar o nível da discussão - porque praticamente todo mundo >> da lista "acredita" em alguma coisa "não-científica"; _como_, >> _por quê_ e _pra quê_? >> >> [[]], >> Eduardo Ochs >> [email protected] >> http://angg.twu.net/ >> _______________________________________________ >> Logica-l mailing list >> [email protected] >> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >> > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
