oi Joao Marcos, e todos, >O comparecimento ao workshop será franqueado aos demais participantes do LICS? sim. quem quiser pode assistir. so' pode falar (apresentar trabalho), mulher.
>Quais aspectos da experiência vocês esperam replicar? nao tenho uma visao muito clara, ainda. eu era inicialmente contra esse tipo de iniciativa, pois acho que tenho mais o que conversar sobre trabalho com machistas assumidos, que facam logica categorica do que com feministas assumidas que facam "partial differential equations", por exemplo. mesmo que eu goste infinitamente mais das feministas ... mas as coisas estao ficando cada vez piores, em vez de melhorarem, dai que ha alguns anos atras decidi que precisamos comprar essa briga. a sensacao de entrar num salao com 700 mulheres que fazem "technology and hard sciences" 'e muito boa sim! tem um buzz inesperado ver tantas faces que parecem com a sua. nossa workshop, 'e claro, nao vai ser nada nessa escala, mas varios grupos de Mulheres em X teem tido bons resultados e melhorado a vida de nossas colegas, dai que acho valido fazer esse experimento. Como acho que ja te contei pra mim ser invited speaker na conferencia "Infinite Possibilities" (http://www.ipcmath.org/) pra matematicas de cor (negras e latinas) foi super interessante. Muito obrigada pelas explicacoes e exemplos elucidativos, Hermógenes!! como acho que voce sabe, vindo de um homem, eles sao considerados mais serios! (e pois e' eu nem conhecia alguns..) >Tenho a impressão de que os homens (brancos) do LICS frequentemente sequer registram a presença dos outros homens (brancos) da plateia. Sim, tb acho. acho que e' esse o fenomeno q eles chamam de markedness. ser homem branco anglofono em logica 'e o normal, todo o resto 'e desviante de alguma forma. >Desta vez, contudo, achei que seria interessante ver alguma discussão pública séria e responsável sobre o assunto hmm, hmm. eu concordo que as outras discussoes publicas nao foram levadas a serio por todos. e da minha parte acho que as mulheres que fazem logica brasileiras sairam perdendo, de todas as que eu me lembro. mas como voce sabe, eu nao desisto. abracos logicos, Valeria 2016-12-05 4:04 GMT-08:00 Joao Marcos <[email protected]>: > Viva! Fico contente em ver que a minha mensagem causou alguma > reflexão. Espero ver mais, isso é importante! > > >>> SCIENTIFIC AND ORGANIZING COMMITTEE > >>> * Valeria de Paiva (Chair, Nuance Communications, USA) > >>> * Adriana Compagnoni (Stevens Institute of Technology, USA) > >>> * Amy Felty (University of Ottawa, Canada) > >>> * Anna Ingolfsdottir (Reykjavik University, Iceland) > >>> * Ursula Martin (University of Oxford, UK) > >>> * Brigitte Pientka (McGill University, Canada) > >>> * Alexandra Silva (University College London, UK) > >>> * Perdita Stevens (University of Edinburgh, UK) > >> > >> Esta é mais uma iniciativa válida, Valeria, com um comitê organizador > >> de primeira (e de Primeiro Mundo anglófono). > > > > Bem, se a razão de ser desse comentário diz respeito ao país de origem e > > à língua materna, posso acrescentar que reconheço apenas três nomes no > > comitê, nenhum deles de "Primeiro Mundo anglófono": Valéria de Paiva > > (brasileira), Alexandra Silva (portuguesa) e Adriana Compagnoni > > (argentina). > > Não entendi bem o aparte... Todas trabalham no Primeiro Mundo > anglófono, como está claro. Coincidência? Ou um ponto a mais a cujo > respeito valeria a pena refletir? > > Noto que não houve (até aqui) um exercício de reflexão sobre o > estresse causado pela apresentação de trabalhos em língua estrangeira. > Pessoalmente, acho que é uma fatalidade a gente ter se virar para > falar a "língua dos gringos" --- e não acho isto ruim. Mas sei que há > nesta lista quem ache importante se posicionar também contra o domínio > da língua inglesa. > > >>> replicating the experience that most men have at most LICS meetings, > >>> and lowering the stress of the occasion; we hope that this will be > >>> particularly attractive to early-career women. > >> > >> Quais aspectos da experiência vocês esperam replicar? Tenho a > >> impressão de que os homens (brancos) do LICS frequentemente sequer > >> registram a presença dos outros homens (brancos) da plateia... Mas > >> aqueles que são obrigados a falar uma língua diferente da sua com > >> alguma frequência sentem algum estresse neste tipo de ocasião. > > > > Ainda sob o pressuposto implícito de que a mensagem não pretende apenas > > tirar dúvidas com a Valéria (caso contrário não seria enviada para a > > lista), > > De fato, há vários anos costumo enviar links sobre o assunto > diretamente para Valéria, sabendo bem do importante ativismo dela na > área. Desta vez, contudo, achei que seria interessante ver alguma > discussão pública séria e responsável sobre o assunto --- exatamente > como esta aqui? > > > acrescento o seguinte: > > > > Talvez o estresse mencionado na mensagem de divulgação seja melhor > > compreendido, e talvez mesmo percebido como óbvio, por mulheres que > > atuam na área de lógica (para as quais, enfim, o evento é direcionado). > > Mas, fazendo um exercício de empatia, digo que, se eu entrasse numa sala > > de conferência que estivesse repleto exclusivamente de mulheres, > > certamente me sentiria inicialmente meio fora de lugar e talvez mesmo > > buscasse verificar se não teria entrado numa espécie de lavatório > feminino > > por engano. Porém, mulheres que atuam na área de lógica passam por > > situação similar rotineiramente. > > De minha parte, eu certamente não penso que entrei em um lavatório nas > ocasiões em que entro em salas nas quais as mulheres são maioria. > > > Ademais, muitas pessoas não conhecem o volume absurdo de assédio sofrido > > por mulheres em áreas dominadas por homens. > > É fato. Considero válida, em geral, toda iniciativa visando o > empoderamento de pesquisadores em situação de *desvantagem cultural*. > São louváveis em particular as iniciativas que procuram diversificar o > ambiente de homens (brancos) que predomina nos eventos de Lógica. > > > Recentemente, tenho > > escutado alguns relatos particularmente revoltantes. Acho que esse > > ambiente é ruim para ambos os sexos. Eu mesmo, por exemplo, evito > > aproximar colegas do sexo feminino para discutir assuntos acadêmicos em > > eventos por receio de que a aproximação seja tomada como pretexto com > > segundas intenções (um pressuposto bastante razoável por parte de > > qualquer mulher, dado o assédio). > > Isso é muito triste... > > Posso acrescentar de todo modo já ter testemunhado mais de uma vez > assédio em ambientes contendo pesquisadores do mesmo sexo (masculino). > > > Se o ambiente não fosse tão dominado > > por homens e não houvesse tanto assédio, creio que tanto homens quanto > > mulheres se sentiriam mais à vontade para discutir ciência. > > Como são estas coisas nas áreas em que as mulheres são maioria? > > > Para se conseguir evidência de como uma mulher por ser notada > > principalmente pela sua aparência a despeito de suas ideias e do > > conteúdo da discussão, não é necessário olhar para além dos arquivos da > > Lógica-L: > > > > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msg/logica-l/FWi > ErVApy-w/7y6ntFSxGAAJ > > Really disgusting, indeed. > > > Num ambiente como esse, é fácil compreender porque as mulheres possam se > > sentir mais a vontade num evento sem homens (ou no qual homens tenham > > participação reduzida). > > (A minha aluna que vai defender seu mestrado semana que vem, e também > a atual administradora desta lista, poderão certamente dar suas > impressões acerca do evento de Filosofia Matemática para o público > feminino, do qual participaram em Munique, há dois anos.) > > A minha primeira pergunta, contudo, segue aguardando resposta... No > caso específico do workshop do LICS, *como* se garantirá a > participação reduzida dos homens? Impedindo que eles entrem na sala? > > > Mais sobre o tema: > > > > http://www.gisellereis.com/2015/11/about-women-harassment/ > > > > https://beingawomaninphilosophy.wordpress.com/category/sexua > l-harassment/ > > > > Women in Philosophy: Why Should We Get More of Them, and How Do We Do It? > > https://cast.itunes.uni-muenchen.de/vod/clips/WmUquSI11O/quicktime.mp4 > > > > Being a woman in (mathematical) philosophy > > https://cast.itunes.uni-muenchen.de/vod/clips/4ug6ykgM2y/quicktime.mp4 > > Bons links. Sobre o tema em geral, também vale acrescentar: > http://womeninlogic.blogspot.de/ > > > "Eine Fakultät ist doch keine Badeanstalt!" > > David Hilbert, tentando convencer seus colegas a permtir que Emmy > > Noether lecionasse na Uni Göttingen > > Excelente e oportuna citação! > > Abraços, > Joao Marcos > > -- > Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" > dos Grupos do Google. > Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie > um e-mail para [email protected]. > Para postar neste grupo, envie um e-mail para [email protected]. > Visite este grupo em https://groups.google.com/a/di > map.ufrn.br/group/logica-l/. > Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/a/di > map.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAO6j_LgJmBUiyMCEpRdcC5MP6vmcxP > XR0xCY5b%3Dv8aistBkOjw%40mail.gmail.com. > -- Valeria de Paiva http://research.nuance.com/author/valeria-de-paiva/ http://www.cs.bham.ac.uk/~vdp/ http://valeriadepaiva.org/ -- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para [email protected]. Para postar neste grupo, envie um e-mail para [email protected]. Visite este grupo em https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/. Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAESt%3DXsrTwWHzXz51HHvnMFotZgZdiskdZtSvVupcy%3DBeEC%2BEA%40mail.gmail.com.
