Olá Daniel,

Se há dois indivíduos e apenas um papel, não podemos dizer que um indivíduo
*é* um papel na estrutura. Se fossem, não poderiam ser dois. Podemos dizer,
claro, que eles desempenham o mesmo papel, que esse papel exige outro, etc,
mas não podemos usar a fórmula indivíduo = papel desempenhado. Falta dizer
o que os indivíduos são para o estruturalista.

A mesma coisa acontece na estrutura da ordem dos racionais Q, ou dos
inteiros Z ou dos reais R. Há uma infinidade de indivíduos e apenas um
papel. Não podemos dizer que os indivíduos *são* papeis nessas estruturas,
porque só há um papel e muitos indivíduos. Os indivíduos não podem *ser* a
mesma coisa e, ao mesmo tempo, distintos entre si.

Abraço
Rodrigo







On Wed, Feb 20, 2019 at 2:15 PM 'Daniel Durante' via LOGICA-L <
[email protected]> wrote:

> Caros Rodrigo e João,
>
> Obrigado pelas respostas. Obrigado pela demonstração, Rodrigo!
>
> Sobre o argumento contra o estruturalismo:
>
> > Considere a estrutura com dois indivíduos a e b e a relação binária
> {(a,b) , (b,a)}. Os indivíduos a e b desempenham o mesmo papel (de estar na
> relação com o outro). Como poderíamos dizer que a e b são meros papeis
> desempenhados se parece que só há um papel desempenhado nessa estrutura? É
> desse modo que entendo o problema, e considero um bom argumento contra o
> slogan estruturalista.
>
> Eu acho um ponto interessante, Rodrigo, mas não uma refutação do
> estruturalismo. O estruturalista poderia argumentar que, apesar de ser
> verdade que há 2 indivíduos e apenas 1 papel nesta estrutura, este papel
> único EXIGE um outro indivíduo. O papel único desta estrutura é estar em
> relação com algo distinto de si próprio. Então este papel é único, mas para
> ser cumprido (realizado, efetuado,...) por um certo indivíduo, este papel
> demanda outro indivíduo. E esta demanda pode ser entendida como a marca da
> prioridade da estrutura sobre os indivíduos. Acho que o estruturalista não
> elimina os indivíduos, mas apenas os submetem aos papéis que eles ocupam
> nas estruturas matemáticas. Os indivíduos (o número 7, por exemplo) não
> teriam independência ontológica. A realidade dos indivíduos seria dada
> exclusivamente pelos papéis que eles ocupam. Para o estruturalista o número
> 7 não é uma coisa, mas um papel específico dado por sua posição em uma
> progressão.
>
> Abraços,
> Daniel.
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> Departamento de Filosofia - (UFRN)
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