Obrigado pela mensagem, Hermógenes!

> Relendo as mensagens anteriores, parece que há algumas camadas envolvidas no
> desafio proposto. A mais rasa delas, aquela que está formulada de maneira mais
> explícita, pede um desenvolvimento formal no qual A e B não fossem
> equivalentes. A alegação aqui, me parece, era que as objeções ao condicional
> clássico estavam apoiadas apenas em análises informais e apelos ao "bom
> senso", seja lá o que isso signifique.

Confesso que sequer cheguei a entender exatamente porque a questão
original da "vacuidade" se transformou de repente em uma discussão
sobre o condicional...  Embora eu tenha feito isso, seguindo a
proposta do próprio Daniel, eu não me sinto de modo algum _compelido_
a traduzir a sentença "Todo A é B" como uma sentença contendo uma
implicação particular (e Aristóteles também nunca cogitou fazer tal
tradução)...  Trata-se de uma sentença com um *quantificador
relativizado*, na realidade.  Por que não estamos discutindo a
"quantificação relevante", ao invés?

> Esta me parece uma boa réplica, pois há tradicionalmente escolhas difíceis
> relacionadas à formulação de sistemas relevantes. Talvez seja este o ponto que
> JM estava no fundo tentando salientar. Aqui há diversas abordagens. Anderson &
> Belnap escolheram abrir mão do chamado silogismo disjuntivo. Tennant chama a
> atenção como o sujeito que escolheu abrir mão da regra do corte (e manter o
> silogismo disjuntivo).

Eu conheci o Neil Tennant na África do Sul, há 22 anos, e estudei um
pouco de Core Logic na biblioteca da UNICAMP, em momentos de ócio.  Eu
gosto muito, hoje em dia, da ideia de jogar fora o corte para obter
uma lógica que se livra da formulação metalógica do princípio do
terceiro excluído.  Mas realmente não me apetece ler um paper inteiro
do Neil para tentar adivinhar que razão poderia ter tido o colega que
afirmou, sem apresentar uma justificativa formal, que certas duas
sentenças seriam folk-inequivalentes... :-(  O ônus da prova, neste
caso, não é meu!

> Enfim, me parece muito mais proveitoso aos meus alunos de filosofia o 
> aprendizado
> de aspectos informais da argumentação, tais como explorados no projeto Lógica
> Viva, por exemplo. Acho que vale a pena refletir para que ensinamos lógica de
> primeira ordem, completude, correção, e o restante da parafernália para alunos
> de graduação em filosofia. Não sei a quantas andam os cursos de graduação por
> aí, mas aqui na UFPB, Lógica I e II (isto é, lógica de predicados e seus
> metateoremas) são obrigatórias na filosofia, o que me parece completamente
> insano.

Quando estudei pela primeira vez Lógica na graduação em Filosofia, na
UFMG, há quase três décadas, eu sequer ouvi falar que existiam tais
coisas (correção, completude, ou mesmo "lógica de primeira ordem").
Foi um desfavor que me fizeram, não me ensinar _nada_ de "lógica de
verdade" (a propósito, também não me ensinaram nada sobre
*argumentação*, como qualquer um pode inferir aqui nesta lista, a
partir de cada mensagem que eu envio :).  Parece-me, neste sentido,
que o curso da UFPB está de parabéns!

(Isto _não_ é dizer que os estudantes de Filosofia ---e de outras
áreas--- não deveriam ser também convidados à *reflexão*, e fartamente
equipados com ferramentas para contribuir de maneira produtiva à
construção de *argumentações relevantes*!)

Joao Marcos

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