Pois é. Então tamos di acordi. Existem muitos fluxos de "racismo", alguns passam pela roupa, outros pela sua "história de vida", outros pela geografia, e ainda alguns pela cor da pele.
Colorizar a elite ou a pobreza é repetir o racismo, mesmo. E falar em "elite" e "pobreza" também, porque supõe que rico é tudo igual, e que pobre é tudo igual. Sou mais o manifesto cluetrain, tamos além da sua compreensão! :) E quanto à estatística, na verdade eu odeio ela. hehehe Mas 50-100 pessoas já ultrapassa a experiência pessoal de qualquer um aqui, né não? Se bem que foda-se, nunca liguei pra precisão mesmo... :D Tava lembrando aqui. Minha namorada é zuada na rua por causa do black dela, e a irmã e a mãe e o irmão também. Quando ela fez chapinha pra experimentar um tratamento lá, há poucas semanas, teve cara cantando ela. Diga-se de passagem, o cabelo dela tava horrível de chapinha. Pra mim isso é racismo, porque o cabelo dela num é liso e quando ela usa um penteado que é bacana pra ele a galera zoa. Quando ela alisa, imitando o tipo de cabelo da branquinha-de-primeiro-mundo, a galera dá cantada. Social-cultural passa pelo corpo também, não é separado dele. Tá tudo junto, é a mesma coisa, racismo é um nome que deram pra discriminação que acabou virando bandeira, valor moral, porque já houve época onde o principal elemento da discriminação era a cor. Pode ser o mindinho, o olho, o tênis, a escola. Negócio é que agora cor num é mais elemento dominante, é mais espalhado, a discriminação é a la carte. Mas que a mãe dum antigo coleguinha meu falou um dia que "pensando bem, deve ser melhor nascer preto que gay, né?", ah, isso falou. Racismo-peça-pelo-número. Aqui em BH tem muita gente que escolhe pelo número 1, a cor, mesmo. Será que em SPcapital rola menos isso? Cidade cosmopolita, tolerância maior pras diferenças, essas coisas? cyrano. Em 26/05/06, Edney Souza<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
Achismo não, experiência. Já viu como pesquisa é feita? Entrevistam 50-100 pessoas e extrapolam os resultados pra milhões ;) Eu como descendente de negros lhe afirmo, sofri muito mais discriminação por não ter frequentado colégio X ou Y, por não usar tenis de marca, por não ter carro, etc.. Ou seja, discriminação de classe social. Mas reconheço que a maior parte da classe social C-D-E é negra, o problema original é que qdo assinaram a lei áurea não deram terra pra ninguém e neguinho (literalmente falando), teve que continuar trabalhando em troca de comida e tem gente trabalhando em troca de comida até hoje (literalmente). Meus 2 cents, a discriminação é social, e a maioria que está na camada de baixo é negra, porém não vamos esquecer que tem brancos lá tb e colorizar a elite ou a pobreza só aumenta o racismo. []´s Edney Souza - São Paulo - http://www.interney.net/ msn: [EMAIL PROTECTED] | icq: 4597042 | y!: edney_s | gtalk/aim/skype: interney > ----- Original Message ----- > From: "Cyrano ." <[EMAIL PROTECTED]> > To: "Lista do projeto MetaReciclagem" <[email protected]> > Sent: Friday, May 26, 2006 12:06 AM > Subject: [MetaReciclagem] Re: burguesia branquinha e sujinha > > > Moçada, ficar no acho-que-acho a respeito disso vai ficar difícil sair > do lugar, né? Se é pra falar de "racismo" assim, em termos gerais, > então temos que pensar em dados mais gerais. Estatísticas, por > exemplo. > > Tipo, andei lendo um livro que reúne uns artigos sobre cotas. Negro é, > em geral, o mais pobre entre os pobres. Tudo que é cruzamento de dados > que se faz, negro sai na pior. Salário em empresa, cargo importante, > vagas nas universidades, etc. Pobreza no Brasil tem cor e isso tem a > ver com racismo mesmo, rola discriminação. Óbvio que não é só negro > que é discriminado, nem quem mais leva ferro no país todo. Nosso país > são muitos, né. Mas tem regiões onde isso rola muito forte, e os > movimentos que lutam contra isso têm discutido a importância dessa > luta não só pelos negros, mas por qualquer minoria. De qualquer forma, > se tem gente aqui que nunca sentiu, ou não se lembra de ter sido > discriminado por causa de cor, que bom, por que minha experiência é > diferente. > > Sou branco de classe média e lembro muito bem das pouquíssimas pessoas > negras que sempre houve nos restaurantes, escolas e bairros que eu > frequentei em bh. Quando eu era pentelho lembro muito bem de ter visto > um carro chique e ter comentado com minha mãe a respeito do negro no > volante, "deve ser motorista, mãe?", "que isso filho!" "uai, mãe, eu > só vejo rico branco...". Devia ter uns 10 anos de idade. Num tava > discriminando, tava percebendo o óbvio, coisas que deduzi da > televisão, da minha escola, dos carros na rua... Mas já percebia que > falar aquilo cruamente incomodava. Denunciar o racismo era > politicamente incorreto, e ainda há muita resistência em relação a > isso. > > A mãe da minha namorada trabalhou em grandes empresas, saiu de todas > pq era discriminada. Ou descobria que todo mundo dava apelido pra ela > nas costas, ou percebia tratamento diferente na cara mesmo, ou ficava > cansada de esperar promoção enquanto os colegas iam subindo de cargo. > > E mais? Lembro que saiu na imprensa a fala dum sujeito da IstoÉ, acho > que era um novo editor, dizendo que num queria "nem preto nem pobre" > na revista, desse jeito, prum cara que escrevia pra revista. Aí o cara > saiu contando. Tem também a do Falcão, do Rappa, que a galera de um > Itaú chamou puliça e veio nego de helicóptero achando que ele tava > tramando assalto ao banco. > > Bom, não importa se a classe média é branca ou não. A questão é que a > maioria é, digamos, o > homem-branco-de30anos-empregado-bemsucedido-heterosexual-etcetcetc... > Mesmo que numericamente não seja. Minha namorada fazia chapinha no > cabelo, que era o jeito dela virar branca pros colegas pararem de > encher o saco. Obviamente, ela nunca virou branca por causa disso e > portanto os colegas nunca pararam, completamente, de encher o saco. > Negro só aparece em tv e revista de chapinha, e num vou nem falar de > novela. Ou então é uma versão do branco, um negro bonitão estilo big > brother de roupa modernete de estudante de comunicação. E nos anúncios > quem veste essa roupa é branco. Propaganda de chópim aqui em BH tem > uma concentração de brancos proporcional ao status econômico do > público-alvo. > > Então, pra concluir alguma coisa, a classe média é branquinha porque > sua referência é sempre o branco, e o branco da tv e da coluna social > particularmente. Então há aí racismo, mesmo que não seja visto como > ridículo ou cõmico que um não-branco adote essa referência, afinal de > contas, isso é justamente *estimulado*. Todos podemos ser brancos, a > máquina de consumismo repete isso o tempo todo. > > Tem a revista raça também, que é bacana demais. Matéria de capa: 10 > dicas para sua chapinha ficar impecável! Já temos uma > maioria-referência de identidade branca, então a igualdade será quando > houver também uma maioria-referência da identidade negra... Negro é > ouvir isso ou aquilo, usar cabelo assim ou assado, roupas de tal ou > tal estilo, e por aí vai. Acho mesmo que isso rola demais em muito > projeto e ong por aí. Baita vacilo. > > Sair disso é pensar em sair mesmo dos mecanismos do racismo e do > preconceito, e não ficar, sem querer, pondo outras coisas no lugar. > > Então, também fica errado dizer literalmente classe média branquinha, > porque aí qualquer branco é visto como uma marionete do sistema de > discriminação, um racista por excelência. Vira um racismo "às > avessas", mas que de avesso num tem nada. É justamente o mesmo > racismo, o mesmo mecanismo se repetindo... E aí lembro de uma galera > de gente na faculdade, geralmente brancos, e de classe média, que > ficam xingando os branquinhos da classe média... eu, em. :/ > > A discriminação é a repressão contra tudo que foge da maioria: isso > inclui seu cabelo, seu nariz, a forma da sua cabeça, do seu corpo, a > cor da sua pele, suas roupas, seu jeito de falar, de andar, e por aí > vai. Discriminação não é por categoria, é uma máquina de avaliação > instantânea bem funcional e eficiente. Eu por exemplo acho ótimo isso, > porque entro em loja e roubo coisa sem ninguém desconfiar. Também, > "com essa cara"... ;) > > Bom saber que tem gente aqui que nunca sentiu/sofreu discriminação por > cor, talvez isso signifique alguma coisa de bom, uma mudança boa > surgindo aí né. :) > > Rapaz, fazia tempo que eu num verborrajia tanto nessa lista... :D > > bejo. > cyrano. > > Em 25/05/06, Edney Souza<[EMAIL PROTECTED]> escreveu: >> Pô to quietinho aqui, mas não consegui me conter: Todo ser humano tem >> direito de achar a Angelina Jolie gostosa, independente de raça, cor, >> sexo e >> religão :) >> >> Eu vivia na periferia, da lista ai além da Angelina só coincidiu o lance >> de >> RPGista e eu era o único da região, acabei de achar um grupo de >> estereótipos >> pra provar que eu não era classe média até começar minha própria vida >> profissional :) >> >> Sempre vivi algo parecido com o liquid no quando se fala de cor, na >> familia >> da minha mãe sou o mais moreninho, na do meu pai estou no grupo dos mais >> branquinhos (a família do meu pai é uma das coisas mais miscigenadas da >> história do Brasil) :) E também insisto na discriminação $ocial/cultural, >> pois discriminação por cor nunca sofri. >> >> []´s >> >> Edney Souza - São Paulo - http://www.interney.net/ >> msn: [EMAIL PROTECTED] | icq: 4597042 | y!: edney_s | gtalk/aim/skype: >> interney >> >> ----- Original Message ----- >> From: "Charles Pilger" <[EMAIL PROTECTED]> >> To: "Lista do projeto MetaReciclagem" <[email protected]> >> Sent: Thursday, May 25, 2006 10:00 PM >> Subject: Re: [MetaReciclagem] burguesia branquinha e sujinha >> >> >> On 5/25/06, liquid slave <[EMAIL PROTECTED]> wrote: >> > mas até onde eu me lembro nunca fui discriminado pela minha cor, mas >> > sempre tive muitos problemas com a minha falta de cultura classe média >> > saca ? >> > Eu não vou no shopping toda semana, não frequento cinemark, não fumo >> > maconha 20 horas por dia, não tiro racha no fim de semana, não jogo >> > magic, não sou RPGista, nunca fui à disney, nunca fiz curso de inglês >> > na >> > australia, não quero uma ferrari, não quero ir pra NY, nunca prestei >> > ITA, >> > não acho a angelina jolie gostosa não tenho e não quero ter um >> > pitbull... >> >> Gozado. Tirando a parte da Angelina Jolie me vi direto aí :-) E isso >> que eu sou branquelo filho de funcionário aposentado do Banco do >> Brasil. Ou seja: mais classe média impossível. >> >> []'s >> Charles - [EMAIL PROTECTED] >> http://www.charles.pilger.com.br >> ICQ 306563363 MSN [EMAIL PROTECTED] >> "Antes, eu era meio quieto, calado, o conhecimento era meu, >> eu era um software proprietário. Agora, quero espalhar o que >> sei e mostrar que, da forma como eu evoluí, muitos outros >> podem crescer." - Cleber de Jesus Santos _______________________________________________ Metarec mailing list [email protected] http://www.colab.info/cgi-bin/mailman/listinfo/metarec
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