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Mas entonces ff, Sampa por ser cosmopolita rola
bem mais forte o racismo social, eu trabalhei com vários negros em posições de
gerencia/diretoria por aqui, racismo colorido existe, mas é menor em
Sampa.
[]´s
----- Original Message -----
Sent: Friday, May 26, 2006 11:57 AM
Subject: Re: [MetaReciclagem] Re:
burguesia branquinha e sujinha
duvido. sampa não é cosmopolita. é apartada. pobreza sempre
varrida pras bordas. não existe contato entre-classes por aqui.
por
isso que quando estoura violência aqui as coisas são mais sérias. não
existem laços pessoais entre os diferentes mundos.
f
On 5/26/06, Cyrano
. <[EMAIL PROTECTED]>
wrote:
Pois
é. Então tamos di acordi. Existem muitos fluxos de "racismo", alguns
passam pela roupa, outros pela sua "história de vida", outros pela
geografia, e ainda alguns pela cor da pele.
Colorizar a elite ou a
pobreza é repetir o racismo, mesmo. E falar em "elite" e "pobreza"
também, porque supõe que rico é tudo igual, e que pobre é tudo
igual.
Sou mais o manifesto cluetrain, tamos além da sua compreensão!
:)
E quanto à estatística, na verdade eu odeio ela. hehehe Mas 50-100
pessoas já ultrapassa a experiência pessoal de qualquer um aqui,
né não? Se bem que foda-se, nunca liguei pra precisão mesmo...
:D
Tava lembrando aqui. Minha namorada é zuada na rua por causa do
black dela, e a irmã e a mãe e o irmão também. Quando ela fez chapinha
pra experimentar um tratamento lá, há poucas semanas, teve cara
cantando ela. Diga-se de passagem, o cabelo dela tava horrível de
chapinha. Pra mim isso é racismo, porque o cabelo dela num é liso e
quando ela usa um penteado que é bacana pra ele a galera zoa. Quando ela
alisa, imitando o tipo de cabelo da branquinha-de-primeiro-mundo, a
galera dá cantada. Social-cultural passa pelo corpo também, não é
separado dele. Tá tudo junto, é a mesma coisa, racismo é um nome que
deram pra discriminação que acabou virando bandeira, valor moral, porque
já houve época onde o principal elemento da discriminação era a cor.
Pode ser o mindinho, o olho, o tênis, a escola. Negócio é que agora cor
num é mais elemento dominante, é mais espalhado, a discriminação é a
la carte.
Mas que a mãe dum antigo coleguinha meu falou um dia que
"pensando bem, deve ser melhor nascer preto que gay, né?", ah, isso
falou. Racismo-peça-pelo-número. Aqui em BH tem muita gente que escolhe
pelo número 1, a cor, mesmo.
Será que em SPcapital rola menos
isso? Cidade cosmopolita, tolerância maior pras diferenças, essas
coisas?
cyrano.
Em 26/05/06, Edney Souza<[EMAIL PROTECTED]>
escreveu: > Achismo não, experiência. Já viu como pesquisa é feita?
Entrevistam 50-100 > pessoas e extrapolam os resultados pra milhões ;)
> > Eu como descendente de negros lhe afirmo, sofri muito mais
discriminação por > não ter frequentado colégio X ou Y, por não usar
tenis de marca, por não ter > carro, etc.. Ou seja, discriminação de
classe social. > > Mas reconheço que a maior parte da classe
social C-D-E é negra, o problema > original é que qdo assinaram a lei
áurea não deram terra pra ninguém e > neguinho (literalmente falando),
teve que continuar trabalhando em troca de > comida e tem gente
trabalhando em troca de comida até hoje (literalmente). > > Meus
2 cents, a discriminação é social, e a maioria que está na camada de >
baixo é negra, porém não vamos esquecer que tem brancos lá tb e colorizar a
> elite ou a pobreza só aumenta o racismo. > >
[]´s > > Edney Souza - São Paulo - http://www.interney.net/ > msn: [EMAIL PROTECTED] | icq: 4597042 |
y!: edney_s | gtalk/aim/skype: > interney > > > -----
Original Message ----- > > From: "Cyrano ." < [EMAIL PROTECTED]> >
> To: "Lista do projeto MetaReciclagem" <[email protected]> > >
Sent: Friday, May 26, 2006 12:06 AM > > Subject: [MetaReciclagem]
Re: burguesia branquinha e sujinha > > > > > >
Moçada, ficar no acho-que-acho a respeito disso vai ficar difícil
sair > > do lugar, né? Se é pra falar de "racismo" assim, em termos
gerais, > > então temos que pensar em dados mais gerais.
Estatísticas, por > > exemplo. > > > > Tipo,
andei lendo um livro que reúne uns artigos sobre cotas. Negro é, >
> em geral, o mais pobre entre os pobres. Tudo que é cruzamento de
dados > > que se faz, negro sai na pior. Salário em empresa, cargo
importante, > > vagas nas universidades, etc. Pobreza no Brasil
tem cor e isso tem a > > ver com racismo mesmo, rola discriminação.
Óbvio que não é só negro > > que é discriminado, nem quem mais leva
ferro no país todo. Nosso país > > são muitos, né. Mas tem regiões
onde isso rola muito forte, e os > > movimentos que lutam contra
isso têm discutido a importância dessa > > luta não só pelos
negros, mas por qualquer minoria. De qualquer forma, > > se tem
gente aqui que nunca sentiu, ou não se lembra de ter sido > >
discriminado por causa de cor, que bom, por que minha experiência é >
> diferente. > > > > Sou branco de classe média e
lembro muito bem das pouquíssimas pessoas > > negras que sempre
houve nos restaurantes, escolas e bairros que eu > > frequentei em
bh. Quando eu era pentelho lembro muito bem de ter visto > > um
carro chique e ter comentado com minha mãe a respeito do negro no >
> volante, "deve ser motorista, mãe?", "que isso filho!" "uai, mãe,
eu > > só vejo rico branco...". Devia ter uns 10 anos de idade. Num
tava > > discriminando, tava percebendo o óbvio, coisas que deduzi
da > > televisão, da minha escola, dos carros na rua... Mas já
percebia que > > falar aquilo cruamente incomodava. Denunciar o
racismo era > > politicamente incorreto, e ainda há muita
resistência em relação a > > isso. > > > > A mãe
da minha namorada trabalhou em grandes empresas, saiu de todas > >
pq era discriminada. Ou descobria que todo mundo dava apelido pra
ela > > nas costas, ou percebia tratamento diferente na cara mesmo,
ou ficava > > cansada de esperar promoção enquanto os colegas iam
subindo de cargo. > > > > E mais? Lembro que saiu na
imprensa a fala dum sujeito da IstoÉ, acho > > que era um novo
editor, dizendo que num queria "nem preto nem pobre" > > na
revista, desse jeito, prum cara que escrevia pra revista. Aí o cara >
> saiu contando. Tem também a do Falcão, do Rappa, que a galera de
um > > Itaú chamou puliça e veio nego de helicóptero achando que
ele tava > > tramando assalto ao banco. > > > >
Bom, não importa se a classe média é branca ou não. A questão é que
a > > maioria é, digamos, o > >
homem-branco-de30anos-empregado-bemsucedido-heterosexual-etcetcetc...
> > Mesmo que numericamente não seja. Minha namorada fazia
chapinha no > > cabelo, que era o jeito dela virar branca pros
colegas pararem de > > encher o saco. Obviamente, ela nunca virou
branca por causa disso e > > portanto os colegas nunca pararam,
completamente, de encher o saco. > > Negro só aparece em tv e
revista de chapinha, e num vou nem falar de > > novela. Ou então é
uma versão do branco, um negro bonitão estilo big > > brother de
roupa modernete de estudante de comunicação. E nos anúncios > >
quem veste essa roupa é branco. Propaganda de chópim aqui em BH tem >
> uma concentração de brancos proporcional ao status econômico do
> > público-alvo. > > > > Então, pra concluir
alguma coisa, a classe média é branquinha porque > > sua referência
é sempre o branco, e o branco da tv e da coluna social > >
particularmente. Então há aí racismo, mesmo que não seja visto como >
> ridículo ou cõmico que um não-branco adote essa referência, afinal
de > > contas, isso é justamente *estimulado*. Todos podemos ser
brancos, a > > máquina de consumismo repete isso o tempo todo.
> > > > Tem a revista raça também, que é bacana demais.
Matéria de capa: 10 > > dicas para sua chapinha ficar impecável! Já
temos uma > > maioria-referência de identidade branca, então a
igualdade será quando > > houver também uma maioria-referência da
identidade negra... Negro é > > ouvir isso ou aquilo, usar cabelo
assim ou assado, roupas de tal ou > > tal estilo, e por aí vai.
Acho mesmo que isso rola demais em muito > > projeto e ong por aí.
Baita vacilo. > > > > Sair disso é pensar em sair mesmo
dos mecanismos do racismo e do > > preconceito, e não ficar, sem
querer, pondo outras coisas no lugar. > > > > Então,
também fica errado dizer literalmente classe média branquinha, > >
porque aí qualquer branco é visto como uma marionete do sistema de >
> discriminação, um racista por excelência. Vira um racismo "às >
> avessas", mas que de avesso num tem nada. É justamente o mesmo >
> racismo, o mesmo mecanismo se repetindo... E aí lembro de uma
galera > > de gente na faculdade, geralmente brancos, e de classe
média, que > > ficam xingando os branquinhos da classe média...
eu, em. :/ > > > > A discriminação é a repressão contra
tudo que foge da maioria: isso > > inclui seu cabelo, seu nariz, a
forma da sua cabeça, do seu corpo, a > > cor da sua pele, suas
roupas, seu jeito de falar, de andar, e por aí > > vai.
Discriminação não é por categoria, é uma máquina de avaliação > >
instantânea bem funcional e eficiente. Eu por exemplo acho ótimo isso,
> > porque entro em loja e roubo coisa sem ninguém desconfiar.
Também, > > "com essa cara"... ;) > > > > Bom
saber que tem gente aqui que nunca sentiu/sofreu discriminação por >
> cor, talvez isso signifique alguma coisa de bom, uma mudança
boa > > surgindo aí né. :) > > > > Rapaz, fazia
tempo que eu num verborrajia tanto nessa lista... :D > > >
> bejo. > > cyrano. > > > > Em 25/05/06,
Edney Souza<[EMAIL PROTECTED]>
escreveu: > >> Pô to quietinho aqui, mas não consegui me conter:
Todo ser humano tem > >> direito de achar a Angelina Jolie
gostosa, independente de raça, cor, > >> sexo e > >>
religão :) > >> > >> Eu vivia na periferia, da lista
ai além da Angelina só coincidiu o lance > >> de >
>> RPGista e eu era o único da região, acabei de achar um grupo
de > >> estereótipos > >> pra provar que eu não era
classe média até começar minha própria vida > >> profissional
:) > >> > >> Sempre vivi algo parecido com o liquid
no quando se fala de cor, na > >> familia > >> da
minha mãe sou o mais moreninho, na do meu pai estou no grupo dos mais
> >> branquinhos (a família do meu pai é uma das coisas mais
miscigenadas da > >> história do Brasil) :) E também insisto na
discriminação $ocial/cultural, > >> pois discriminação por cor
nunca sofri. > >> > >> []´s >
>> > >> Edney Souza - São Paulo - http://www.interney.net/ >
>> msn: [EMAIL PROTECTED]
| icq: 4597042 | y!: edney_s | gtalk/aim/skype: > >>
interney > >> > >> ----- Original Message
----- > >> From: "Charles Pilger" <
[EMAIL PROTECTED]> > >> To: "Lista do projeto
MetaReciclagem" <[email protected]> > >>
Sent: Thursday, May 25, 2006 10:00 PM > >> Subject: Re:
[MetaReciclagem] burguesia branquinha e sujinha > >> >
>> > >> On 5/25/06, liquid slave <[EMAIL PROTECTED]> wrote: >
>> > mas até onde eu me lembro nunca fui discriminado pela minha
cor, mas > >> > sempre tive muitos problemas com a minha
falta de cultura classe média > >> > saca ? > >>
> Eu não vou no shopping toda semana, não frequento cinemark, não fumo
> >> > maconha 20 horas por dia, não tiro racha no fim de
semana, não jogo > >> > magic, não sou RPGista, nunca fui à
disney, nunca fiz curso de inglês > >> > na > >>
> australia, não quero uma ferrari, não quero ir pra NY, nunca prestei
> >> > ITA, > >> > não acho a angelina jolie
gostosa não tenho e não quero ter um > >> >
pitbull... > >> > >> Gozado. Tirando a parte da
Angelina Jolie me vi direto aí :-) E isso > >> que eu sou
branquelo filho de funcionário aposentado do Banco do > >>
Brasil. Ou seja: mais classe média impossível. > >> >
>> []'s > >> Charles - [EMAIL PROTECTED] >
>> http://www.charles.pilger.com.br >
>> ICQ 306563363 MSN [EMAIL PROTECTED] > >>
"Antes, eu era meio quieto, calado, o conhecimento era meu, > >>
eu era um software proprietário. Agora, quero espalhar o que >
>> sei e mostrar que, da forma como eu evoluí, muitos outros >
>> podem crescer." - Cleber de Jesus
Santos
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