casos isolados de sucesso nao significa que nao seja uma cidade
cheia de discriminacao. sampa tem discriminacao como varios
lugares do brasil e do mundo.

basta começar falar em cotas para negros você começar ver
as reações... isso porque nem levantamos com a força a bandeira
de reparacao.. ai eu quero ver.. quando exigir dinheiro... distribuicao
de terras devido com todo o trabalho escravo durante seculos...

apesar que eu defendo a expropriacao... roubo como distribuicao
de riqueza.

inte,
banto

Edney Souza escreveu:

Mas entonces ff, Sampa por ser cosmopolita rola bem mais forte o racismo social, eu trabalhei com vários negros em posições de gerencia/diretoria por aqui, racismo colorido existe, mas é menor em Sampa. []´s Edney Souza - São Paulo - http://www.interney.net/ msn: [EMAIL PROTECTED] <mailto:[EMAIL PROTECTED]> | icq: 4597042 | y!: edney_s | gtalk/aim/skype: interney

    ----- Original Message -----
    *From:* Felipe Fonseca <mailto:[EMAIL PROTECTED]>
    *To:* Lista do projeto MetaReciclagem <mailto:[email protected]>
    *Sent:* Friday, May 26, 2006 11:57 AM
    *Subject:* Re: [MetaReciclagem] Re: burguesia branquinha e sujinha

    duvido. sampa não é cosmopolita. é apartada.
    pobreza sempre varrida pras bordas. não existe
    contato entre-classes por aqui.

    por isso que quando estoura violência aqui as
    coisas são mais sérias. não existem laços pessoais
    entre os diferentes mundos.

    f

    On 5/26/06, *Cyrano .* <[EMAIL PROTECTED]
    <mailto:[EMAIL PROTECTED]>> wrote:

        Pois é. Então tamos di acordi. Existem muitos fluxos de "racismo",
        alguns passam pela roupa, outros pela sua "história de vida",
        outros
        pela geografia, e ainda alguns pela cor da pele.

        Colorizar a elite ou a pobreza é repetir o racismo, mesmo. E
        falar em
        "elite" e "pobreza" também, porque supõe que rico é tudo
        igual, e que
        pobre é tudo igual.

        Sou mais o manifesto cluetrain, tamos além da sua compreensão! :)

        E quanto à estatística, na verdade eu odeio ela. hehehe Mas
        50-100
        pessoas já ultrapassa a experiência pessoal de qualquer um
        aqui, né
        não? Se bem que foda-se, nunca liguei pra precisão mesmo... :D

        Tava lembrando aqui. Minha namorada é zuada na rua por causa
        do black
        dela, e a irmã e a mãe e o irmão também. Quando ela fez
        chapinha pra
        experimentar um tratamento lá, há poucas semanas, teve cara
        cantando
        ela. Diga-se de passagem, o cabelo dela tava horrível de
        chapinha. Pra
        mim isso é racismo, porque o cabelo dela num é liso e quando
        ela usa
        um penteado que é bacana pra ele a galera zoa. Quando ela alisa,
        imitando o tipo de cabelo da branquinha-de-primeiro-mundo, a
        galera dá
        cantada. Social-cultural passa pelo corpo também, não é
        separado dele.
        Tá tudo junto, é a mesma coisa, racismo é um nome que deram pra
        discriminação que acabou virando bandeira, valor moral, porque já
        houve época onde o principal elemento da discriminação era a
        cor. Pode
        ser o mindinho, o olho, o tênis, a escola. Negócio é que agora
        cor num
        é mais elemento dominante, é mais espalhado, a discriminação é
        a la
        carte.

        Mas que a mãe dum antigo coleguinha meu falou um dia que "pensando
        bem, deve ser melhor nascer preto que gay, né?", ah, isso falou.
        Racismo-peça-pelo-número. Aqui em BH tem muita gente que
        escolhe pelo
        número 1, a cor, mesmo.

        Será que em SPcapital rola menos isso? Cidade cosmopolita,
        tolerância
        maior pras diferenças, essas coisas?

        cyrano.

        Em 26/05/06, Edney Souza<[EMAIL PROTECTED]
        <mailto:[EMAIL PROTECTED]>> escreveu:
        > Achismo não, experiência. Já viu como pesquisa é feita?
        Entrevistam 50-100
        > pessoas e extrapolam os resultados pra milhões ;)
        >
        > Eu como descendente de negros lhe afirmo, sofri muito mais
        discriminação por
        > não ter frequentado colégio X ou Y, por não usar tenis de
        marca, por não ter
        > carro, etc.. Ou seja, discriminação de classe social.
        >
        > Mas reconheço que a maior parte da classe social C-D-E é
        negra, o problema
        > original é que qdo assinaram a lei áurea não deram terra pra
        ninguém e
        > neguinho (literalmente falando), teve que continuar
        trabalhando em troca de
        > comida e tem gente trabalhando em troca de comida até hoje
        (literalmente).
        >
        > Meus 2 cents, a discriminação é social, e a maioria que está
        na camada de
        > baixo é negra, porém não vamos esquecer que tem brancos lá
        tb e colorizar a
        > elite ou a pobreza só aumenta o racismo.
        >
        > []´s
        >
        > Edney Souza - São Paulo - http://www.interney.net/
        > msn: [EMAIL PROTECTED] <mailto:[EMAIL PROTECTED]> |
        icq: 4597042 | y!: edney_s | gtalk/aim/skype:
        > interney
        >
        > > ----- Original Message -----
        > > From: "Cyrano ." < [EMAIL PROTECTED]
        <mailto:[EMAIL PROTECTED]>>
        > > To: "Lista do projeto MetaReciclagem" <[email protected]
        <mailto:[email protected]>>
        > > Sent: Friday, May 26, 2006 12:06 AM
        > > Subject: [MetaReciclagem] Re: burguesia branquinha e sujinha
        > >
        > >
        > > Moçada, ficar no acho-que-acho a respeito disso vai ficar
        difícil sair
        > > do lugar, né? Se é pra falar de "racismo" assim, em termos
        gerais,
        > > então temos que pensar em dados mais gerais. Estatísticas,
        por
        > > exemplo.
        > >
        > > Tipo, andei lendo um livro que reúne uns artigos sobre
        cotas. Negro é,
        > > em geral, o mais pobre entre os pobres. Tudo que é
        cruzamento de dados
        > > que se faz, negro sai na pior. Salário em empresa, cargo
        importante,
        > > vagas nas universidades, etc. Pobreza no Brasil tem cor e
        isso tem a
        > > ver com racismo mesmo, rola discriminação. Óbvio que não é
        só negro
        > > que é discriminado, nem quem mais leva ferro no país todo.
        Nosso país
        > > são muitos, né. Mas tem regiões onde isso rola muito
        forte, e os
        > > movimentos que lutam contra isso têm discutido a
        importância dessa
        > > luta não só pelos negros, mas por qualquer minoria. De
        qualquer forma,
        > > se tem gente aqui que nunca sentiu, ou não se lembra de
        ter sido
        > > discriminado por causa de cor, que bom, por que minha
        experiência é
        > > diferente.
        > >
        > > Sou branco de classe média e lembro muito bem das
        pouquíssimas pessoas
        > > negras que sempre houve nos restaurantes, escolas e
        bairros que eu
        > > frequentei em bh. Quando eu era pentelho lembro muito bem
        de ter visto
        > > um carro chique e ter comentado com minha mãe a respeito
        do negro no
        > > volante, "deve ser motorista, mãe?", "que isso filho!"
        "uai, mãe, eu
        > > só vejo rico branco...". Devia ter uns 10 anos de idade.
        Num tava
        > > discriminando, tava percebendo o óbvio, coisas que deduzi da
        > > televisão, da minha escola, dos carros na rua... Mas já
        percebia que
        > > falar aquilo cruamente incomodava. Denunciar o racismo era
        > > politicamente incorreto, e ainda há muita resistência em
        relação a
        > > isso.
        > >
        > > A mãe da minha namorada trabalhou em grandes empresas,
        saiu de todas
        > > pq era discriminada. Ou descobria que todo mundo dava
        apelido pra ela
        > > nas costas, ou percebia tratamento diferente na cara
        mesmo, ou ficava
        > > cansada de esperar promoção enquanto os colegas iam
        subindo de cargo.
        > >
        > > E mais? Lembro que saiu na imprensa a fala dum sujeito da
        IstoÉ, acho
        > > que era um novo editor, dizendo que num queria "nem preto
        nem pobre"
        > > na revista, desse jeito, prum cara que escrevia pra
        revista. Aí o cara
        > > saiu contando. Tem também a do Falcão, do Rappa, que a
        galera de um
        > > Itaú chamou puliça e veio nego de helicóptero achando que
        ele tava
        > > tramando assalto ao banco.
        > >
        > > Bom, não importa se a classe média é branca ou não. A
        questão é que a
        > > maioria é, digamos, o
        > >
        homem-branco-de30anos-empregado-bemsucedido-heterosexual-etcetcetc...

        > > Mesmo que numericamente não seja. Minha namorada fazia
        chapinha no
        > > cabelo, que era o jeito dela virar branca pros colegas
        pararem de
        > > encher o saco. Obviamente, ela nunca virou branca por
        causa disso e
        > > portanto os colegas nunca pararam, completamente, de
        encher o saco.
        > > Negro só aparece em tv e revista de chapinha, e num vou
        nem falar de
        > > novela. Ou então é uma versão do branco, um negro bonitão
        estilo big
        > > brother de roupa modernete de estudante de comunicação. E
        nos anúncios
        > > quem veste essa roupa é branco. Propaganda de chópim aqui
        em BH tem
        > > uma concentração de brancos proporcional ao status
        econômico do
        > > público-alvo.
        > >
        > > Então, pra concluir alguma coisa, a classe média é
        branquinha porque
        > > sua referência é sempre o branco, e o branco da tv e da
        coluna social
        > > particularmente. Então há aí racismo, mesmo que não seja
        visto como
        > > ridículo ou cõmico que um não-branco adote essa
        referência, afinal de
        > > contas, isso é justamente *estimulado*. Todos podemos ser
        brancos, a
        > > máquina de consumismo repete isso o tempo todo.
        > >
        > > Tem a revista raça também, que é bacana demais. Matéria de
        capa: 10
        > > dicas para sua chapinha ficar impecável! Já temos uma
        > > maioria-referência de identidade branca, então a igualdade
        será quando
        > > houver também uma maioria-referência da identidade
        negra... Negro é
        > > ouvir isso ou aquilo, usar cabelo assim ou assado, roupas
        de tal ou
        > > tal estilo, e por aí vai. Acho mesmo que isso rola demais
        em muito
        > > projeto e ong por aí. Baita vacilo.
        > >
        > > Sair disso é pensar em sair mesmo dos mecanismos do
        racismo e do
        > > preconceito, e não ficar, sem querer, pondo outras coisas
        no lugar.
        > >
        > > Então, também fica errado dizer literalmente classe média
        branquinha,
        > > porque aí qualquer branco é visto como uma marionete do
        sistema de
        > > discriminação, um racista por excelência. Vira um racismo "às
        > > avessas", mas que de avesso num tem nada. É justamente o mesmo
        > > racismo, o mesmo mecanismo se repetindo... E aí lembro de
        uma galera
        > > de gente na faculdade, geralmente brancos, e de classe
        média, que
        > > ficam xingando os branquinhos da classe média... eu, em. :/
        > >
        > > A discriminação é a repressão contra tudo que foge da
        maioria: isso
        > > inclui seu cabelo, seu nariz, a forma da sua cabeça, do
        seu corpo, a
        > > cor da sua pele, suas roupas, seu jeito de falar, de
        andar, e por aí
        > > vai. Discriminação não é por categoria, é uma máquina de
        avaliação
        > > instantânea bem funcional e eficiente. Eu por exemplo acho
        ótimo isso,
        > > porque entro em loja e roubo coisa sem ninguém desconfiar.
        Também,
        > > "com essa cara"... ;)
        > >
        > > Bom saber que tem gente aqui que nunca sentiu/sofreu
        discriminação por
        > > cor, talvez isso signifique alguma coisa de bom, uma
        mudança boa
        > > surgindo aí né. :)
        > >
        > > Rapaz, fazia tempo que eu num verborrajia tanto nessa
        lista... :D
        > >
        > > bejo.
        > > cyrano.
        > >
        > > Em 25/05/06, Edney Souza<[EMAIL PROTECTED]
        <mailto:[EMAIL PROTECTED]>> escreveu:
        > >> Pô to quietinho aqui, mas não consegui me conter: Todo
        ser humano tem
        > >> direito de achar a Angelina Jolie gostosa, independente
        de raça, cor,
        > >> sexo e
        > >> religão :)
        > >>
        > >> Eu vivia na periferia, da lista ai além da Angelina só
        coincidiu o lance
        > >> de
        > >> RPGista e eu era o único da região, acabei de achar um
        grupo de
        > >> estereótipos
        > >> pra provar que eu não era classe média até começar minha
        própria vida
        > >> profissional :)
        > >>
        > >> Sempre vivi algo parecido com o liquid no quando se fala
        de cor, na
        > >> familia
        > >> da minha mãe sou o mais moreninho, na do meu pai estou no
        grupo dos mais
        > >> branquinhos (a família do meu pai é uma das coisas mais
        miscigenadas da
        > >> história do Brasil) :) E também insisto na discriminação
        $ocial/cultural,
        > >> pois discriminação por cor nunca sofri.
        > >>
        > >> []´s
        > >>
        > >> Edney Souza - São Paulo - http://www.interney.net/
        > >> msn: [EMAIL PROTECTED] <mailto:[EMAIL PROTECTED]> |
        icq: 4597042 | y!: edney_s | gtalk/aim/skype:
        > >> interney
        > >>
        > >> ----- Original Message -----
        > >> From: "Charles Pilger" < [EMAIL PROTECTED]
        <mailto:[EMAIL PROTECTED]>>
        > >> To: "Lista do projeto MetaReciclagem" <[email protected]
        <mailto:[email protected]>>
        > >> Sent: Thursday, May 25, 2006 10:00 PM
        > >> Subject: Re: [MetaReciclagem] burguesia branquinha e sujinha
        > >>
        > >>
        > >> On 5/25/06, liquid slave <[EMAIL PROTECTED]
        <mailto:[EMAIL PROTECTED]>> wrote:
        > >> > mas até onde eu me lembro nunca fui discriminado pela
        minha cor, mas
        > >> > sempre tive muitos problemas com a minha falta de
        cultura classe média
        > >> > saca ?
        > >> > Eu não vou no shopping toda semana, não frequento
        cinemark, não fumo
        > >> > maconha 20 horas por dia, não tiro racha no fim de
        semana, não jogo
        > >> > magic, não sou RPGista, nunca fui à disney, nunca fiz
        curso de inglês
        > >> > na
        > >> > australia, não quero uma ferrari, não quero ir pra NY,
        nunca prestei
        > >> > ITA,
        > >> > não acho a angelina jolie gostosa não tenho e não quero
        ter um
        > >> > pitbull...
        > >>
        > >> Gozado. Tirando a parte da Angelina Jolie me vi direto aí
        :-) E isso
        > >> que eu sou branquelo filho de funcionário aposentado do
        Banco do
        > >> Brasil. Ou seja: mais classe média impossível.
        > >>
        > >> []'s
        > >> Charles - [EMAIL PROTECTED]
        <mailto:[EMAIL PROTECTED]>
        > >> http://www.charles.pilger.com.br
        > >> ICQ 306563363 MSN [EMAIL PROTECTED]
        <mailto:[EMAIL PROTECTED]>
        > >> "Antes, eu era meio quieto, calado, o conhecimento era meu,
        > >> eu era um software proprietário. Agora, quero espalhar o que
        > >> sei e mostrar que, da forma como eu evoluí, muitos outros
        > >> podem crescer." - Cleber de Jesus Santos

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