yago,
a mudança é sintomática.
eu vejo que o ensino, ou melhor dizendo, as estruturas educacionais no brasil servem de forma elitizada e acabam por não servir ao princípio básico de permitir a uma ampla maioria da sociedade a dominar alguns conceitos, algumas ferramentas do pensamento e ferramentas do fazer.
o que venho propondo é que a dimensão metareciclagem da tecnologia pode ser expandida para a construção de laboratórios simples, baratos, móveis de tecnologia de base. o que seria isso? seria um suporte técnico para realizar coisas como:
1. instalações elétricas;
2. encanamento e hidráulica;
3. marcenaria;
4. alvenaria;
5. por aí vai...
a idéia é construir um laboratório de metareciclagem que atenda a essas demandas a um custo de R$4.000 a R$5.000 e que possa entrar nas mais variadas comunidades que tiverem o interesse e que possam ser amplamente financiadas por prefeituras, governos, ongs e etc... esses laboratórios podem funcionar com infra muito reduzida, seriam como ofcinas de artesãos que focam na resolução de problemas básicos da comunidade onde se encontram. os participantes dessas oficinas estariam fazendo formação profissional na sequência e teriam a oportunidade de criar empreendimentos que prestassem serviços nessas áreas... enfim, é uma dimensão mais básica, talvez mais revolucionária de implementar uma educação local, dentro das situações reais do contexto técnico/social.
a idéia é trabalhar isso de forma experimental em osasco.
estamos na pegada... nos rastros do experimento.
abs,
dalton
On 10/13/06, yago quiñones <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
ficamos aguardando entao Dalton, eu estava o ano passado la na submidialogia, e a pergunta que me surgia era essa, como articular a intervençao sofisticada nas linguagens digitais (nos tres sentidos que voce especificou) com mudanças nos padroes de outros contextos, digamos, se nao mais reais, pelo menos com urgenças mais `pressantes`, como aqueles ligados a pobreça extrema. os quais, porem , sao em parte resultado da mesma exclusao e monpolio presente na logica dos patrones das tecnologias.
Dalton Martins <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:http://blogs.metareciclagem.org/dmartins/ _______________________________________________uma vez, a apresentação do submidialogia do ano passado, eu estudei um texto que achei bastante bacana que dizia que há 3 níveis de apropriação tecnológica:1. quando usamos uma tecnologia;2. quando interferimos no aspecto estético dessa tecnologia;3. quando interferimos nos mecanismos de funcionamento e de finalidade dessa tecnologia...metareciclagem, em minha visão, tenta se prestar as essas 3 dimensões, sendo que elas vão crescendo em complexidade e proximidade com a tecnologia, até o ponto em que sou capaz de dar novo significado a um dado sistema.isso não vale só para computadores, vale para qualquer tecnologia que pensarmos.minha onda agora é como metareciclar antes dos computadores, nas comunidades onde nem energia elétrica tem... falo mais disso daqui a pouco...abs,dalton
On 10/13/06, yago quiñones <[EMAIL PROTECTED] > wrote:extremamente interessante o artigo, acho que é fundamental a reflexao sobre a inclusao digital. a reapropriaçao de que tanto se fala so é possivel atraves de uma serie de conhecimentos bastante sofisticados, e que estao relacionados com certas condicoes privilegiadas (socio-economicas). assim que nao é importante so viabilizar o accesso ás teconologias, pois estas so meios, e assim como podem ser usadas para veicular conteudos criativos e criticos podem tambem (e de fato sao) ser instrumentos de conformismo.
por isto a dimensao tecnologica, visto que esta ligada a uma serie de capacidades bastante especificas y tecnicas, podia ficar em um segundo plano (no ambito dum projeto gerla de inclusao digital) para privilegiar uma dimensao mais `cultural` ou de conteudos. atençao, falei so em segundo plano, nao que nao seja importante.
Kiki Mori <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:ó, achei o que eu queria dizer lá na outra msg.On 10/9/06, Kiki Mori wrote:
Fizeram, André Lemos e Leonardo Figueiredo Costa, uma análise dos
projetos de inclusão digital na cidade de Salvador, na Bahia. Usaram o
seguinte parâmetro de "modelos de inclusão digital" (retirado de um
quadro do artigo):
a) Espontânea: Formas de acesso e uso das TICs em que os cidadãos
estão imersos com a entrada da sociedade na era da informação, tendo
ou não formação para tal uso. A simples vivência em metrópoles coloca
o indivíduo em meio a novos processos e produtos em que ele terá que
desenvolver capacidades de uso das TICs. Como exemplo podemos citar:
uso de caixas eletrônicos de bancos, cartões de crédito com chips,
smart cards, telefones celulares, etc.
b) Induzida: Projetos induzidos de inclusão às tecnologias e às redes
de computadores executados por empresas privadas, instituições
governamentais e/ou não governamentais.
b.1) Três categorias de Inclusão Digital Induzida:
Técnica destreza no manuseio do computador, dos principais softwares
e do acesso à Internet. Estímulo do capital técnico.
Cognitiva – autonomia e independência no uso complexo das TICs. Visão
crítica dos meios, estímulo dos capitais cultural, social e
intelectual. Prática social transformadora e consciente. Capacidade de
compreender os desafios da sociedade contemporânea.
Econômica capacidade financeira em adquirir e manter computadores e
custeio para acesso à rede e softwares básicos. Reforço dos quatro
capitais (técnico, social, cultural, intelectual).
"Mostramos como a perspectiva tecnocrática tem sido o foco principal
dos projetos de
inclusão digital em Salvador. Os projetos têm definições específicas
de 'inclusão digital',
ficando a sua maioria, na prática, colocando ênfase apenas na dimensão
técnica. Eles
proporcionam o aprendizado no uso de hardwares e softwares e buscam
dar condições de
acesso à internet, com o manuseio dos programas básicos de navegação.
Muitos projetos,
quase a metade, implementam softwares livres como plataforma de
operação. Fica evidente, nos projetos em Salvador, que o conceito de
inclusão é pensado apenas na dimensão tecnológica, não colocando em
valor os capitais intelectual, social e cultural.
Os processos de Inteligência Coletiva (Lévy, 1999) ficam prejudicados pelo não
desenvolvimento dos quatro capitais. Essa dimensão tecnocrática pede
por uma ação mais ampla. Não há, também, acompanhamento sistemático
dos egressos, não permitindo ligar de forma causal a inclusão com
empregabilidade. Entendemos que a inclusão digital seja impensável sem
o capital técnico. Ele é condição sine qua non de destreza para com as
TICs, mas é, também, incapaz de verdadeiramente incluir sozinho.
Incluir digital e socialmente deve ser uma ação que ofereça ao
indivíduo condições mínimas de autonomia e de habilidade cognitiva
para compreender e agir na sociedade informacional contemporânea.
Incluir é ter capacidade de livre apropriação dos meios. Tratase de
criar condições para o desenvolvimento de um pensamento crítico,
autônomo e criativo em relação às novas tecnologias de comunicação e
informação."
Fonte: André Lemos e Leonardo Figueiredo Costa. Um modelo de inclusão
digital: o caso da cidade de Salvador. In Eptic Online. Revista de
Economía Política de las Tecnologías de la Información y Comunicación,
www.eptic.com.br, Vol. VIII, n. 6, Sep. – Dic. 2005. Disponível em:
http://www.eptic.com.br/revista20.htm
pra bagunçar aê :)
bj
Kiki
> pixel
>
> tem teoria sobre apropriação tecnológica, se não me engano do andré
> lemos (ou por ele remixada), que bagunça essas fases aí e considera
> umas outras coisas menos "atividades a serem feitas" e mais no sentido
> de "graus" ou "níveis" de apropriação. vou tentar achar pra botar aqui
> direitinho.
>
> bjs
> kiki
>
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