Olá Bouskela e colegas da lista,
eu esperava uma solucao um pouco mais "geometrica" que "analitica",
mas como ninguem se manifestou, vamos la'...

Vamos imaginar que a porta, com comprimento 1, "deslize" sobre os
eixos X e Y, de modo que ela comeca na posicao vertical (alinhada com
Y), ate' atingir a posicao horizontal, alinhada com o eixo X. Assim,
uma das suas extremidades "PY", apoiada em Y, comeca em y=1 e desliza
ate' y=0, enquanto a outra extremidade "PX", apoiada em X, comeca em
x=0 e desliza ate' x=1.

Suponhamos entao que, num determinado momento, PY esteja no ponto
A=(0,y), e que PX esteja no ponto B=(x,0).
Um instante depois, ela estara' com PY no ponto C=(0,y+dy) enquanto PX
estara' em D=(x+dx,0)
Chamemos de P a intersecao entre os dois segmentos, e seja "h" a sua
coordenada em Y (altura do triangulo PBD).

Assim, a area total sera' o somatorio das areas formadas pelos
sucessivos triangulos PBD, 'a medida em que x varia de 0 ate' 1.

Este me parece justamente o ponto interessante dessa abordagem, pois
se afasta da associacao quase automatica que fazemos entre "area
total" e "fatias verticais" sob uma curva. Aqui neste caso, as nossas
"fatias" sao triangulos, com base "dx" e altura "h".

Partindo para as contas...

A qualquer instante, as coordenadas variaveis de P_X e P_Y obedecem a
  x**2 + y**2 = 1
Diferenciando-se, obtemos
 -dy / dx = x / y

Aplicando lei dos senos aos triangulos APC e PBD, obtemos:
CP / sinA = -dy / sinP
PD / sinB =  dx / sinP

Dividindo-se uma equacao pela outra, e observando que sinB/sinC = y/x, vem:
CP/PD * y/x = -dy/dx = x/y
ou seja,
CP/PD = x**2 / y**2
Assim,
(CP + PD) / PD = (x**2 + y**2) / y**2
ou
PD = y**2

Mas , por semelhanca de triangulos, h/PD = y/1
Assim,
h = y**3 = (1-x**2) ** (3/2)

Dessa forma, a area total equivale 'a integral de (h*dx/2) em x=[0,1],
ou seja, integral de [ 1/2 * (1-x**2) ** (3/2) ] * dx , em x=[0,1].

Resolvendo-se a integral, obtemos
AREA VARRIDA =  3*Pi / 32 = 0.294524

[]'s
Rogerio Ponce


2008/9/17 Bouskela <[EMAIL PROTECTED]>:
> O PROBLEMA DA VARREDURA DA SALA – SOLUÇÃO DEFINITIVA
>
>
>
> Bem, já que esta questão foi o desafio da EAF – ITA (Escola Avançada de
> Física), no ano de 2006, resolvi me encher de paciência e resolvê-la sem
> aproximações e sem a ajuda (explícita) do MAPLE. Lá vai:
>
>
>
> ENUNCIADO:
>
>
>
> Considere uma sala quadrada de lado "L". Em um dos lados, existe uma porta
> do tamanho da parede, ou seja, "L". Portanto, uma das paredes é só a porta.
> Chame esse quadrado (sala) de ABCD, e seja o segmento AB a tal porta. Essa
> porta, ela se abre de um jeito particular: o ponto "A" da mesma segue em
> linha reta pelo segmento AB, enquanto que o ponto "B" segue, de forma também
> retilínea, pelo segmento BC. Portanto, quando a porta se abre totalmente,
> ela varre certa área de dentro da sala. Qual o valor dessa área?
>
>
>
> SOLUÇÃO:
>
>
>
> Considerações iniciais:
>
>
>
> 1)      Todas as distâncias são proporcionais a "L" e todas as áreas são
> proporcionais a L^2 ;
>
> 2)      Assim, vou assumir L=1 unidade de comprimento;
>
> 3)      Como, obviamente, o cálculo da área (a incógnita do problema) vai
> requerer uma integração, vou colocar o problema em eixos cartesianos "X" e
> "Y".
>
>
>
> Definição do quadrado em coordenadas cartesianas:
>
>
>
> D = O = (0, 0)  ;  A = (1, 0)  ;  B = (1, 1)  ;  C = (0, 1)
>
>
>
> A extremidade "F" da porta sai de "A" e vai até "B", percorrendo a reta  x=1
> ;
>
> A extremidade "E" da porta sai de "B" e vai até "C", percorrendo a reta  y=1
> .
>
>
>
> Evidentemente,  EF=1
>
>
>
> A área que a porta varre é delimitada pelas retas  x=1  e  y=1  e pela
> seguinte curva:
>
>
>
> Seja uma reta perpendicular à reta EF, passando por "O". Esta reta
> intercepta a reta EF no ponto "P". O lugar geométrico de "P" é a curva que
> delimita a varredura da porta.
>
>
>
> O problema se resume, então, em achar a equação desta curva...
>
>
>
> T = ângulo AOP
>
>
>
> Pontos singulares:
>
> Para  T=PI/4 , OP é mín.
>
> OP (T=PI/4) = sqrt(2) – 1/2 . Caso OP(mín.) fosse igual a 1 , a curva
> supracitada seria um círculo...
>
> OP (T=0) = OP (T=PI/2) = 1
>
>
>
> Seja  "a"  o deslocamento da porta ao longo do segmento AB (reta x=1).
>
> a = AF  ;  FB = 1 – a  ;  BE = sqrt(2a – a^2)
>
>
>
> Seja "Q" a projeção de "P" no eixo "X".
>
>
>
> É fácil ver que:  ângulo BFE = ângulo AOP = T  ;  cos(T) = 1 – a  (triângulo
> FBE)
>
> Os triângulos OQP e FBE são semelhantes.
>
>
>
> FB = cos (T) = 1 – a  ;  BE = sin(T) = sqrt(2a – a^2)
>
>
>
> Daí (fazendo algumas contas):  OP = sin(T) + sin(T)cos(T) – cos(T)
>
>
>
> E esta é a tão procurada equação da curva que delimita a área varrida pela
> porta!
>
> E, de fato, verifica-se que:  OP (T=PI/4) = sqrt(2) – 1/2  ;  OP (T=0) = OP
> (T=PI/2) = 1
>
>
>
> Uma área infinitesimal (dS), DENTRO da curva, i.e., voltada para "O", é
> definida por:
>
> dS =  (OP^2)/2 dT
>
> Logo:  S = integral [ (OP^2)/2 dT , T=0 ... PI/2 ]
>
> S = 9PI/32 – 1/6 = 0.7169
>
>
>
> Finalmente, a área de varredura da porta é:
>
>
>
> 1 – 0.7169 = 0.2831 = 28.31% da área do quadrado = 28.31% de L^2
>
>
>
> Sds.,
>
> AB
>
> [EMAIL PROTECTED]
> [EMAIL PROTECTED]
> ________________________________
> De: [EMAIL PROTECTED] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome
> de João Júnior
> Enviada em: terça-feira, 16 de setembro de 2008 21:04
> Para: [email protected]
> Assunto: Re: [obm-l] Varredura da sala...
> Essa questão foi o desafio da EAF - ITA (Escola Avançada de Física) no ano
> de 2006. Lembro-me da correria da galera  para resolvê-la na noite do dia em
> que a recebemos.

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Instruções para entrar na lista, sair da lista e usar a lista em
http://www.mat.puc-rio.br/~obmlistas/obm-l.html
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