On 5/9/10, Leonardo <[email protected]> wrote:
> Em 9 de maio de 2010 00:53, Max Miorim <[email protected]> escreveu:
>> (...)
>>
>> Mas o que tem de especial nisto? Não tem nada, qualquer usuário de
>> qualquer distro pode escolher trabalhar assim. É assim que muitos de
>> nós trabalhamos com outras distros como SLES, RHEL, Debian e tantas
>> outras que *precisam* ser usadas num ambiente "enterprise".
>>(...)
>
> mas você não concorda que o ubuntu user dificilmente irá "escolher"
> trabalhar assim?

Por mais que eu deteste o ubuntu, eu só não concordo com essa premissa
de que os usuários ubuntu vão fugir do console. Se tu disser para
estes usuários - na grande maioria entusiastas - que é possível
instalar o Webmin num Slackware e configurar quase tudo de forma
fácil, eles vão usar o Webmin sempre e vai dar na mesma.

E apesar de ser um dos que mais criticam GUIs, eu também sou contra a
falsa afirmação de que o cara que configura as coisas no vim sabe mais
do que o que usa uma interface gráfica para tanto. Não existe
diferença entre usar um editor de textos para mudar o valor de uma
opção e usar uma interface gráfica qualquer para tanto - no fim das
contas tu faz a mesma coisa, a diferença é que o editor de textos
costuma ser mais flexivel, uma vez que a maioria das GUis é projetada
para o "arroz-com-feijão" básico.

> normalmente as distros "enterprise" dão uma ferramenta pronta que
> abstrai as ferramentas padrão de cada pacote/programa; é justamente
> esse o diferencial de quem opta por "aprender console" num red hat ou
> num slackware.

A questão das distros "enterprise" (assumindo que falamos de RHEL e
SLES) é mais por facilitar a administração. Quando tu tem mais de 1000
máquinas num datacenter fica meio complicado ter uma pessoa editando
confs ou fazendo scripts para editar e deployar estes confs em todos
os servidores e é exatamente este o propósito da maioria das
ferramentas de configuração destas.

Além disso, falando ainda de RHEL e SLES, boa parte das ferramentas
system-config-* e dos módulos do yast focam justamente em
particularidades das distros, principalmente arquivos no
/etc/sysconfig. Eu não vejo nada de ruim nisto para ser honesto, bem
como também não vejo nenhum problema em usar o dpkg-reconfigure no
Debian e derivados, a questão é que é apenas mais uma ferramenta e a
única coisa a discutir é o quão flexivel está ferramenta se torna para
cada caso.

>> Além disso, na minha opinião, o Slackware virou uma distro meio que
>> sem fundamento: os hobbistas usam Ubuntu e Madriva porque é mais
>> fácil, perfeccionistas usam Arch e/ou Gentoo por darem um potencial de
>> customização muito maior e os cabeças duras continuam usando o
>> Slackware. :)
>
> não acho isso, perfeccionistas controladores vão encontrar seu lar num
> slackware; o slackware é muito bom pra experimentar e mesmo reaplicar
> soluções que você já tentou, digamos, umas 3 versões atrás, e elas
> continuam funcionando.

Eu discordo e como indiquei no e-mail original, é uma questão de preferência. ;)

De certa forma, eu posso dizer que por muito tempo eu usei um monstro
baseado em Slackware e não Slackware propriamente dito: no começo eu
recompilava *todos* os pacotes para usar as minhas CFLAGS (o que é
muito mais facil de fazer num Gentoo), depois eu comecei a recompilar
estes pacotes para ter mais opções (que também é mais simples no
Gentoo e em distros que segmentam os pacotes como Debian e Arch) e
depois de um tempo eu comecei a incorporar os meus pacotes (ou de
terceiros) no Slackware64-current (e eu quebrei a compatibilidade de
muita coisa com isso :P).

Eu também já testei coisas bizarras como o emerde, um outro ports-like
que eu nem lembro mais o nome, sbopkg, slapt-get, swaret, sbopkg,
criei *vários* scripts para fazer coisas banais e no fim das contas eu
vi que tudo que eu fiz foi reinventar a roda.

Isso é legal na primeira vez, tu aprende muito com o processo, mas
como os caras da Linux Journal falaram no podcast deste mes, depois de
um tempo a tendencia é que isso se torne chato, eu não quero perder
meu tempo rodando o ldd e recompilando um mesmo programa 4 ou 5 vezes
até ficar como eu quero, eu quero só usar o programa e neste
departamento ainda temos muito que avançar. ;)


> é verdade que ultimamente o /testing tem ficado vazio, e que certas
> coisas que não quebravam passaram a quebrar, mas isso é evolução do
> software básico, não tem muito o que fazer à respeito.

Isso se dá por dois motivos: o primeiro é a tendência (retardada por
sinal) do pessoal do freedesktop/xorg em usar essas aberrações como
HAL, PolicyKit, ConsoleKit e etc. que sequer tem alguém que responda
por elas (é um desenvolvedor e pelo que sei não é tão fácil assim
achar o cara...). O segundo motivo é que os DE de peso - KDE e GNOME -
tem cada vez mais usando bibliotecas e mais bibliotecas que conflitam
umas com as outras e isso aumenta consideravelmente o tempo de teste.


> experimente montar você mesmo um pacote para arch, ou ainda montar
> corretamente um .ebuild do gentoo, e todo aquele sistema de slots que
> ele tem, aí o perfeccionista irá reencontrar suas decisões, :)

Eu já fiz, e não difere muito de um SlackBuild para ser honesto. Os
pacotes RPM precisam de um .spec, que também é quase a mesma coisa e
os mais complicados são os DEB, mas eu não tenho dificuldade em nenhum
formato.

Aqui entra denovo a questão dos "cabeças duras". Muita gente tem má
experiência com um sistema de resolução de dependencias ou gerenciador
de pacotes em particular e passa o resto da vida condenando os mesmos.

Eu já tive muitas brigas e "elogiei" muito a mãe dos caras que fizeram
o yast, yum e up2date mas ao invés de me trancar numa bolha eu corri
atrás e aprendi a usar eles de forma que não seja uma experiência tão
ruim.


> num slackware por outro lado até a parte do .SlackBuild é opcional,
> quem aqui já não empacotou o programa na horinha final, dando um
> simples make install DESTDIR=$(pwd)/meu-pacote ? sai uma desgraça, sem
> descrição e tudo mais, mas é muito rápido pra testar, e posso instalar
> e desinstalar normalmente pelo pkgtool.

Praticamente todas as distros tem isso, é só tu instalar o
checkinstall e usar o checkinstall ao invés do make install.

Além disso, isso expõe a diferença de nível que nós estamos falando:
quando preciso testar um pacote eu faço num user-mode-linux (as vezes
uma VM qualquer) ou num chroot com o mínimo rodando. Montar o chroot
ou o UML é meio chatingo mas pra usar é só extrair um tar ou montar
uma imagem, eu não sei porque todos os sabidos usuários de Slackware
não fazem isso e arriscam jogar lixo num sistema funcional. ;)


>> E ai eu entro no terceiro problema: com o passar do tempo, as distros
>> incorporam funcionalidades e melhoram processos, o que tem de novo no
>> Slackware desde a primeira vez que eu usei? A versão dos sofwares e
>> uma ou outra mudança menor como trocar o formato de compactação dos
>> pacotes de Gzip para LZMA.
>
> isto não é problema, é uma feature pouco conhecida em outras
> distribuições chamada estabilidade, ;)

Assim tu ofende não só o Patrick e o pessoal por tráz do Slackware mas
a todo usuário da distro, é como se tu dissesse que somos
incompetentes incapazes de adicinoar funcionalidade e manter
estabilidade...

Existe uma diferença gritante entre mudar as coisas por mudar e ouvir
dos usuários sugestões para melhorar a distro mantendo as suas
características.

A questão é que as mudanças não são ruins, são de fato saudáveis e o
medo de fazê-las é mais uma das coisas que mantém a distro parada.

Olha quanto tempo levou até termos um port oficial x86_64, para uam
distro que se diz de vanguarda, nós deveriamos incentivar cada vez
mais a experimentação e implementação de novas soluções e não se
esconder atrás da bandeira de que "é estável porque não foi mexido".

-- 
GUS-BR - Grupo de Usuários de Slackware Brasil
http://www.slackwarebrasil.org/
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