Oi Gerald, Meus comentários abaixo.
2013/8/23 Gerald Weber <[email protected]> > > >> Para se abrir uma empresa no Brasil, por exemplo, são exigidos vários >> documentos e procedimentos, o que toma muito tempo (e dinheiro). Esta >> burocracia, criada na maior das boas intenções, no final das contas não >> garante que as empresas vão agir dentro da lei, pelo contrário, e acaba-se >> gerando uma ineficiência econômica. >> >> Já em países desenvolvidos é fácil você abrir uma empresa. Em questão de >> dias você pode fazê-lo, mas estará em sérios problemas se sua empresa for >> pega cometendo uma irregularidade. Muito diferente do que em nosso país. >> > > Olha, desculpa, mas não vou embarcar nesta conversa de "em países > desenvolvidos" tudo é mais fácil. Trabalhei por muitos anos no exterior, > sei que não é assim. Algumas coisas são, outras não. > Eu não disse que tudo é mais fácil em países desenvolvidos. O que eu disse que há menos burocracia no exemplo que dei. > > >> A filosofia do OpenStreetMap segue a mesma linha anti-burocrática. >> Qualquer um pode editar, bastando uma conta de e-mail e a concordânciacom os >> Termos do Contribuidor ( >> Contributor Terms). Mas se um usuário for pego fazendo edições nocivas, >> poderá sofrer sanções e até ser banido do projeto. Veja a lista dos >> usuários nesta situação: >> >> http://www.openstreetmap.org/user_blocks >> > > Me desculpe, mas as sanções que o usuário sofre são ridículas. É bloqueado > até que leia a mensagem (em inglês). Uau, que medo. Veja o caso o Matheus > Eduardo. E se for bloqueado? É só abrir outra conta no dia seguinte. A > lista: só isto de contas bloqueadas? Tem 1.3 milhões de usuários no OSM!! > Eu monitoro todas as edições do Matheus Eduardo e de outros automaticamente pelo feed da página de usuários, e até agora não percebi novos problemas. O banimento do projeto me parece suficiente. Se o usuário abrir uma conta no dia seguinte, ele vai provavelmente ser pego novamente. Pode ser virar um jogo de gato e rato, mas uma hora um dos dois vai cansar, e eu acho que vai ser o infrator. Enfim, nenhum sistema é a prova de falhas. O OSM tem esse número que você falou de usuários registrados, mas no Brasil deve ter uns quatro mil colaboradores que editaram o mapa. Não é tanta gente assim pra monitorar. >> Não é nada difícil identificar padrões de vandalismo, uso de dados com >> copyright e outras edições nocivas. Quando um usuário manda uma cidade >> inteira para dentro do OpenStreetMap, é bastante fácil perceber. Talvez >> não se perceba no mesmo momento que o usuário fez, como foi o caso do >> Erick, mas sempre é possível voltar atrás nas edições. Todos os casos de >> edições nocivas que você citou podem ser revertidas sem nenhum problema ao >> serem identificadas. >> > > > Pode não ser nada difícil, mas também não é nada fácil. Se a gente > recebesse alertas de que dados nossos foram apagados já seria um grande > avanço. A gente poderia por exemplo estabelecer no perfil que sempre que > mais que X nós forem apagados ou alterados a gente recebesse um email. Sei > lá algo, do gênero. Isto é algo que tem que vir de dentro do sistema do > OSM, não pode ser um script maluco no whodidit ou coisas do gênero. > Uma ferramenta que é bastante fácil de usar é o OSM Mapper da ITO: http://www.itoworld.com/static/openstreetmap_tools/osm_mapper.html Basta selecionar a região que vc quer monitorar e ele gerará um feed e visualizações das edições. Aí já dá para pegar bastante coisa inconveniente. Recomendo muito esta ferramenta. > >> >> A gente reclama tanto sobre a cultura burocrática do nosso país, mas >> quando nos é oferecida a liberdade, parece que não sabemos o que fazer. Por >> isso precisamos ficar bastante atentos a possíveis desvios. Estou >> percebendo que está chegando bastante do Tracksource, e acho importante >> que trabalhemos para que estas pessoas assimilem a cultura do >> OpenStreetMap e ajudem a construir o melhor mapa do mundo. >> >> >> > Na verdade nosso pais não é burocrático, é desorganizado. A burocracia é > consequência inevitável desta desorganização. > > Agora no OSM a parte das licenças é burocrática e cheia de dedos. Não pode > isto, não pode aquilo. Se quiser fazer não-sei-o-que tem que conversar com > a comunidade X depois com a lista Y e depois com Z. Em algum lugar temos um > conflito de culturas, não temos? > > Tem hora que confesso que me dá uma pontinha de inveja do TrackSource. > Eles não estão nem aí, usam o Google e nem disfarçam, enfim fazem o que > querem. E sabe o que vai acontecer? Nada. Absolutamente nada. E nenhum > maluco entra na base deles de um dia para outro e sai mexendo nas coisas. > Não me entenda mal, eu sou contra copiar se a gente não tem autorização, > por isto sou Linux-only há 13 anos, e por isto decidi não participar do > Tracksource. Mas eles sim é que não tem qualquer burocracia, e olha que são > um projeto brasileiro. E do ponto de vista de mapa o deles dá de 10 a 0 no > nosso OSM/Brasil. > Até onde sei, no Tracksource você tem que cumprir requisitos para pode editar uma área, ser autorizado pelo DM, etc. Me parece bastante burocrático. O mapa deles pode ser bom, mas a sua aplicação é bastante limitada pela questão da licença e do copyright. Se um dia o Google resolver fazer um pente-fino no mapa deles, não sei se sobra muita coisa. > > Da minha parte não estou propondo burocracia nenhuma. Apenas estou > apontando que há duas componentes mutuamente exclusivas. De um lado querer > um purismo absoluto com a origem dos dados (não pode nem olhar de longe pro > Google), e do outro aceitar 1 milhão de usuários anônimos fazendo o que bem > entendem com da base. Isto não tem como funcionar. > Eu entendo que você não está propondo burocracia, Gerald. Só não gostaria mais ouvir a palavra Google nesta lista de discussão. :) A gente pode até ser mais flexível com dados do governo, que deveriam ser de domínio público por padrão, mas qualquer coisa do Google está fora de questão. E esse é o maior risco de cópia, porque é extremamente fácil de fazer, e o Google ainda é mais completo na maioria cidades. Você é uma pessoa que faz edições da sua localidade, envia tracks de GPS, é preocupado. Mas existem usuários que só querem saber de mapear da cadeira e vão copiar na primeira chance. Não podemos passar a imagem de que vamos ser condizentes com isso. > No meu entender o maior problema que afeta o OSM hoje é a confiabilidade > dos dados. Não vejo como obter esta confiabilidade com uma base de usuários > anônimos-de-poderes-ilimitados. Sempre que eu viajo eu levo uma cópia do > mapa do Brasil no Osmand. Toda vez encontro partes que eu mesmo mapeei > mexidas e alteradas, muitas vezes erradas. Daí entro em contato com o > usuário que alterou e raras vezes recebo alguma resposta. > > Olha isto cansa. Cansa e desanima. Eu gostaria que o OSM desse tanta > importância à proteção dos dados já existentes, de usuários identificados, > honestos e tecnicamente capazes como dá importância a preservar a > identidade de usuários anônimos e se importar com firulas inatigíveis de > licenças. > > O que eu penso que precisa acontecer seria o seguinte: > > 1) O usuário cadastra, e ao menos teria de fornecer um nome real e um > endereço de correspondência. Isto não é burocracia, é o mínimo do mínimo do > mínimo de controle. Eu também não teria nada contra um sistema de endosso > como tem no Arxiv, é simples e eficaz. > > 2) O usuário é automaticamente cadastrado numa das listas de discussão > (não entendo porque já não é assim), boa parte dos problemas são de > usuários que não se comunicam com a gente. > > 3) O usuário começa com poderes limitados para editar. Por exemplo não > pode apagar dados por algum tempo, não pode submeter um changelog com um > conjunto grande de dados (para evitar importações problemáticas) enfim > coisas do gênero. Isto seria até para a proteção do próprio usuário novato > (e bem intecionado) que se sentiria mais seguro para fazer edições sabendo > que não vai causar estragos por desconhecimento. > > 4) Estabelecer uma lista de tags source, e obrigar a escolher uma delas. > Ou seja, deveria ser *impossível* salvar qualquer dado sem source. Se > nenhuma das opções pré-existentes atende, abre-se a discussão e registra-se > novas opções de origem de dados. Imagine o seguinte: chega o usuário novo e > pega uma coisa do Google e tenta colocar na base, aí ele é obrigado a > escolher uma source pré-definida e não aparece "Google", no mínimo vai > desconfiar, não vai? Quantos usuários já colocaram dados do Google na > melhor das intenções, até colocam source=Google? > > Ou seja, ou é isto, ou então se aceita que a base de dados do OSM será uma > eterna colcha de retalhos de dados que vieram sabe-se lá de onde, e > aceita-se que os dados do OSM não são confiáveis já que em qualquer momento > alguém pode vir e apagar uma relação crucial ou apagar ou introduzir dados > falsos. > > É uma questão que o OSM vai ter que tratar se quiser sobreviver e não cair > na irrelevância. A wikipedia custou mas teve de fazer isto e não vejo como > nós podemos continuar sendo cegos para o problema. > > Concordo plenamente que temos que melhorar a qualidade dos dados. As suas sugestões são boas, mas aí eu acho que teria que ser discutido na lista geral do OSM. Localmente, acho que o caminho é desenvolver mais ferramentas de melhoria de qualidade, como aquela que calculava conexões. Faz tempo que não publico, mas posso voltar a fazer se quiserem. Aqui na lista está cheio de programador, seria bom se existissem mais script, sites, apps que ajudem a melhorar o mapa no Brasil. Abraço, Vitor
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