Salve, concordo com o resumo feito pelo Renato a respeito dessa discussão, me
parece que essa discussão quanto a evolução natural dos gêneros musicais está
morta e acho que todos concordam que não podemos congelar nenhuma expressão
ARTÍSTICA qq que seja. Ao meu ver, a discussão teria que se ater ao caso Noel e
outros autores consagrados que têm uma obra já consolidada e que faz parte da
nossa cultura. Minha posição quanto a isso se resume no respeito que todos
devem ter ao se "usar" essas obras, tanto nas suas releituras, quanto na
preservação das versões originais. Existem muitos trabalhos feitos a partir
obras anteriores que são melhorias (vide Caetano), mas tb existem outras tantas
que não resultaram em algo que podemos dizer que houve alguma contribuição
artistica, esses soam apenas como uma cópia mal feita e/ou meramente comercial,
a esses trabalhos para mim só tem um destino, o lixo. Por isso eu quase sempre
disgosto de coisas como releitura, a mim soam como falta de criatividade ou
apenas preguiça, um caso citado por alguem como os Beatles inChoro, eu
particularmente não gostei muito, embora eu goste muito dos dois, acho um pouco
forçado, mesmo assim ainda acho justificável quanto ao argumento que para os
mais jovens que gostam de um (exemplo os Beatles) poderiam vir a conhecer
melhor o outro, e vice versa. Portanto releituras devem ser muito bem avaliadas
quanto ao seu resultado final, tanto qualitativamente (contribui com algo?),
quanto ao que ela se propõe (se é ou não meremente comercial).
Um abraço.
Caio Pontual
----- Original Message -----
From: Renato Ambrosio
To: Eugenio Raggi ; Leonardo Oliveira Freitas
Cc: Tribuna ; André Carvalho ; Caio Pontual ; vini correia ; Daniel Capu
Sent: Thursday, May 22, 2008 9:18 AM
Subject: Re: [S-C] FW: Obra de Noel
Bom dia a todos,
concordo com o que o Eugenio e o Leo escreveram aí embaixo. Não sei não se a
analogia entre a obra musical de Noel, ou de qualquer outro músico, e uma obra
arquitetônica se sustenta. A obra musical hoje é reproduzível ao infinito, uma
obra arquitetônica ainda não. Você pode salvar e manter a obra original de
Noel, ou de qualquer outro músico, em e por diferentes meios. As eventuais
releituras não vão modificá-la, alterá-la e nem destruí-la. Agora, se você
quiser construir uma cúpula em alumínio e vidro fumê encima de uma igreja
barroca de Mariana, pode ser que você comprometa a obra original
definitivamente.
Eu acho que seria mais procedente estabelecer uma analogia entre a música e a
língua. No começo do século XX, mais ou menos na mesma época em que se acusava
a agressão que o samba cometia contra o lundo e do maxixe, os que defendiam a
"pureza" da língua portuguesa estavam aterrorizados com a invasão do vernáculo
nacional pelo francês. Havia até listas de vocábulos franceses que ameaçavam o
nosso idioma e que deveriam ser evitados, segundo os puristas, que quase sempre
tratam a língua como se você uma propriedade particular deles. Hoje, se lermos
uma dessas listas veremos que 99% dessas ameaçadoras palavras francesas
simplesmente desapareceram. A língua, assim como acho que acontece um pouco
também com a música, sofre uma releitura a cada nova geração.
Quanto a avaliação que cada um faz dessas releituras, aí é outro assunto. Eu
também prefiro Noel nas versões com cavaquinho e violão, de preferência
cantadas pelo próprio ou por Araci de Almeida. Mas também gosto de releituras
da obra de Noel como o grupo Rumo fez nos anos oitenta no disco Rumo aos
antigos. Eu também torceria o nariz a priori ao ouvir que alguém gravou uma
música de Noel com uma ressoante uma guitarra distorcida, ou com uma batida de
funk. Mas também tenho muito claro que esta é uma reação minha, que é também
fruto de meus gostos e preconceitos. Não acho justo atribuir os nossos gostos,
opiniões e preconceitos aos outros. Sobretudo se esses outros estão mortos e
não podem mais replicar e exprimir as sua próprias opiniões. Ninguém pode saber
qual seria a opinião de Noel Rosa, aos oitenta anos, depois de ter vivido a
bossa nova, a jovem guarda, o tropicalismo, a respeito da guitarra elétrica e
do funk. Por isso acho que seria mais honesto e produtivo assumirmos as nossas
próprias opiniões e deixarmos Noel Rosa descansar em paz.
Abraços a todos e bom dia.
Renato
----- Original Message -----
From: "Eugenio Raggi" <[EMAIL PROTECTED]>
To: "Leonardo Oliveira Freitas" <[EMAIL PROTECTED]>
Cc: "Tribuna" <[email protected]>; "André Carvalho" <[EMAIL
PROTECTED]>; "Caio Pontual" <[EMAIL PROTECTED]>; "vini correia" <[EMAIL
PROTECTED]>; "Daniel Capu" <[EMAIL PROTECTED]>
Sent: Wednesday, May 21, 2008 12:10 PM
Subject: Re: [S-C] FW: Obra de Noel
O pior de tudo...
É que tem gente que ainda acha que as rodas de samba surgiram como que
do nada; como se não fossem uma alternativa nova para a releitura de
alguns maxixes, sembas e lundus, ou mesmo juntar tudo isso num "algo
só" (depois reescrito historicamente como gênero -samba!) e fazer algo
que se colocava como demanda cultural.
Ecos de que "essa gente" "agredia" a essência do Lundu, do xaxado, do
semba, do xote, da modinha devem ter sido ouvidas aos montes....
Essa turma de "poluidores culturais", que inventou a simplicidade do
cavaquinho e ousou juntar percussões e harmonias elaboradas num mesmo
tipo de "movimento musical" deve mesmo ter sido taxada de....sei lá o
que....
Alguma dessas Madames Mag da vida deve ter dito que Mestre Patápio ou
mesmo o Callado deveriam, estar "se remexendo no caixão".
A história realmente sempre se repete....sempre como tragédia...
Abs,
Eugenio
Em 21/05/08, Leonardo Oliveira Freitas<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> Salve Salve
>
> Pessoal, tenho a releitura como algo extremamente produtivo. Principalmente
> quando se tem domínio e conhecimento daquilo que se faz. Estudar a fundo a
> obra de Noel e depois a fundo o Maracatu, e fazer arranjos misturando essas
> duas vertentes, por exemplo; seria algo extremamente rico, e sem duvida
> alguma, produtivo para a música brasileira. Tenho certeza que isso não
> atrapalha e nem distorce a obra original de Noel, que continuará sempre ai,
> apreciada por todos, inclusive pelos defensores das misturas e rearranjos.
> Acredito que ouvir uma ou outra versão vai do gosto de cada um, mas
> trabalhar para um aprofundamento da música brasileira é trabalho de todos os
> músicos, compromisso com nossa música sincera e com sua qualidade. Essas
> misturas atualmente vem acontecendo muito no Brasil, e músicos quase
> "inquestionaveis" defendem essa prática, como Caetano e Gilberto Gil,
> inclusive através da música eletrônica e da música internacional, como o
> jazz por exemplo. Acredito que este recurso vem sendo, obviamente, visto
> como mais um passo em nossa música.
>
> Abraços
>
> Leo
>
> > Date: Wed, 21 May 2008 09:15:04 -0300
> > From: [EMAIL PROTECTED]
> > To: [EMAIL PROTECTED]
> > Subject: Re: [S-C] FW: Obra de Noel
> > CC: [EMAIL PROTECTED]; [EMAIL PROTECTED];
> [email protected]; [EMAIL PROTECTED]
>
> >
> > Se (parte da) obra caiu em domínio público, é normal que o pessoal comece
> a
> > mexer nela. Regravem de todas as maneiras que quiserem, porque o samba de
> > Noel é intacto em sua essencia. Podem colocar uma bateria funk no "com que
> > roupa"... eu vou continuar ouvindo as versões com cavaquinho e violão.
> >
> > O fato é que, no momento em que ressoar uma guitarra distorcida em algum
> > samba do mestre, ele vai se remexer no caixão...
> >
> >
> > Em 20/05/08, vini correia <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> > >
> > > salve salve
> > > para ajudar na reflexão, vejam que interessante este trecho da
> entrevista
> > > com o Nei Lopes feita pela Rede Brasil...
> > > ajuda a entender também o pensamento do mestre
> > > "o samba nào está no formol"
> > >
> > > abs
> > >
> > >
> <http://www.redebrasil.tv.br/salto/entrevistas/nei_lopes.htm>
> > >
> > > -------------------
> > >
> > >
> > > *Salto – O senhor acredita que o samba ainda é visto de maneira
> > > preconceituosa?*
> > >
> > > Nei Lopes – Absolutamente, completamente preconceituosa. O samba é
> sempre
> > > associado, primeiro por suas origens negras, o samba é sempre associado
> à
> > > escravidão, associado à pobreza, é associado à favelização, associado à
> > > criminalidade, e essa é a grande estratégia que é usada pela indústria
> > > cultural globalizante, no sentido de colocar o samba numa condição
> > > subalterna sempre. E é também uma estratégia que compõe todo esse
> complexo
> > > de dominação e de colonização cultural. Uma das estratégias também é
> taxar
> > > o
> > > samba como uma coisa imóvel, como uma coisa velha, como uma coisa que
> não
> > > se
> > > renova. Eu escrevi um livro, há uns dois anos, chamado Samba b – a – ba,
> o
> > > samba que não se aprende na escola. Esse livro mereceu oito páginas de
> uma
> > > revista elegante, uma revista finíssima que é editada em São Paulo,
> > > editada,
> > > inclusive com muito patrocínio do Governo. Então, é uma revista muito
> > > bonita, de altíssimo nível, ela tem papel couchê, custa caríssimo nas
> > > bancas... Essa revista se ocupou do meu livro, num artigo altamente
> > > tendencioso, usou 8 páginas para falar do meu livro, acusando o livro de
> > > coisas: que o livro era passadista, era reacionário. O título da chamada
> de
> > > capa dessa crítica, veja bem, dizia assim: "Nei Lopes – O samba em
> formol".
> > > Eu absolutamente não advogo que o samba tenha que ficar "museificado",
> > > tenha
> > > que ficou imóvel, nada disso, eu sou uma das pessoas que mais propugnam
> > > pela
> > > visibilidade, pela diversidade, pela multiplicidade do samba. Agora
> mesmo,
> > > estamos aqui no estúdio, estou concluindo mais uma produção, mais um
> disco
> > > meu, um disco em que eu procuro evidenciar essa diversidade, por
> exemplo. É
> > > um disco de samba com algumas informações afro-cubanas, porque eu acho
> que
> > > os universos do samba são irmãos. São muito semelhantes, são duas coisas
> > > que
> > > se cruzam a todo momento, o que não acontece, por exemplo, com a música
> > > afro
> > > norte-americana, em relação à brasileira. Os negros americanos não
> usaram
> > > tambor, foram historicamente despossuídos do tambor pela colonização,
> pela
> > > evangelização dos protestantes. Enquanto que os negros da
> > > América-hispânica,
> > > da América portuguesa, como, nós, usaram sempre o tambor. Então, você
> pega
> > > a
> > > música de Cuba, a música de Porto Rico, a música da República
> Dominicana, a
> > > música do Haiti, até o próprio Prata, do Uruguai até a Argentina, há uma
> > > similitude entre essas músicas, porque elas têm origens comuns, a origem
> na
> > > grande civilização Banto, lá do Congo, Angola e adjacências, o que não
> > > ocorre com a música dos Estados Unidos. Então, você pega um samba e o
> > > associa com a música afro-hispânico, a música centro-americana, é
> > > absolutamente coerente, não é colonização, nem coisa nenhuma. Você está
> > > promovendo o encontro entre parentes que foram, de uma certa forma,
> > > dispersos pela escravidão e etc. e tal. Então, eu procuro no meu
> trabalho,
> > > sempre que posso, chamar o samba para essas associações e exatamente por
> > > isso. Para mostrar que o samba é plurifacetado, o samba é um gênero
> musical
> > > altamente rico, não é velho, porque ele se renova a cada momento, desde
> o
> > > primeiro samba, registrado como samba, que foi "Pelo telefone", a gente
> > > observa que, a cada década, há uma renovação da expressão dessa
> pluralidade
> > > do samba, que também está vivo até hoje por causa disso. E, às vezes,
> até é
> > > meio difícil perceber essa diversidade, inclusive em sub-gêneros, que às
> > > vezes são mostrados como gênero, como por exemplo, a Bossa Nova, é um
> > > samba,
> > > é uma forma de fazer samba. O choro como forma instrumental de se tocar
> o
> > > samba, o chamado sambop, o samba jazz surgido aqui no Rio de Janeiro no
> > > contexto da Bossa Nova, o samba de piano, baixo e bateria. Aí está um
> dos
> > > poucos momentos em que a tradição norte-americana e a tradição
> brasileira
> > > se
> > > encontram. Mas se encontram por via do jazz primeiro, mas o jazz tocado
> com
> > > um acento de samba e por aí vai. Então, o samba é essa diversidade,
> > > inclusive essas formas mais modernas, supostamente mais modernas, que
> > > emanam
> > > da Bahia com muita sensualidade, com muita, o chamado samba-axé, ou
> samba
> > > de
> > > quebradeira, são tradições também bastante arcaicas do Recôncavo
> Bahiano,
> > > das quais indústria cultural se apropriou. Então, o que eu procuro fazer
> > > sempre, é mostrar essa diversidade, essa pluralidade e mostrar que o
> samba
> > > está vivo aí, não está velho e não está no formol.
> > >
> > > *Salto – Por que o senhor acredita que o conceito de pluralidade
> cultural
> > > ganha tanta importância no mundo hoje?*
> > >
> > > Nei Lopes – Eu acho que há uma dualidade de pensamento aí, eu acho que
> os
> > > intelectuais, os intelectuais "do bem" (risos), procuram enfatizar a
> > > questão
> > > da pluralidade e procuram valorizar essa questão. Ao passo que outras
> > > expressões intelectuais que não são tão "do bem" assim, que estão
> visando
> > > muito mais o capital, são expressão de um capitalismo bastante perverso,
> > > bastante massacrante, já não valorizam a pluralidade do jeito que a
> > > intelectualidade do bem valoriza. Porque não interessa... o mundo hoje é
> > > comandado por corporações, cada vez menos corporações. Digamos que hoje
> > > você
> > > tem conglomerados, uns 4 ou 5 conglomerados comandando a cultura no
> mundo
> > > inteiro. Então, evidente, que quanto mais se concentra o poder nas mãos
> > > desses conglomerados, menos a pluralidade interessa. Você tem, para
> dominar
> > > o mercado, você tem que ter um mercado homogêneo. Então, essa
> homogeneidade
> > > é contra todo tipo de pluralidade. Eu acho que quem valoriza a
> pluralidade
> > > somos nós, eu, você (apontando para a equipe do Salto), os espectadores
> aí
> > > que estão assistindo ao nosso programa, mas o grande, o Big Brother que
> > > manda nessa história toda, eu acho que ele não gosta de pluralidade não.
> > >
> > > *Salto – O senhor acredita que a música popular brasileira retrata a
> > > pluralidade cultural do país?*
> > >
> > > Nei Lopes – Olha, existem duas músicas populares brasileiras, dois
> > > escaninhos de música popular brasileira. Existe a música popular
> brasileira
> > > que é espontânea, de criação popular mesmo e essa você vai encontrar
> onde?
> > > Nas produções independentes, nos centros mais afastados. E existe outra
> > > música imposta por essa indústria de que nós estamos falando, cujos
> > > porta-vozes são os meios de comunicação atrelados a essa indústria. A
> gente
> > > teve, dias atrás, a entrega de um prêmio, que é supostamente o prêmio
> mais
> > > importante da música popular brasileira, em que não houve nenhuma
> premiação
> > > para o gênero samba, houve para o hip hop, para o universo pop, mas no
> > > entanto, numa estratégia, aquela coisa do álibi, numa espécie de álibi,
> o
> > > que os organizadores do prêmio fizeram? Pegaram o Jamelão, o nosso
> grande
> > > José Bispo Clementino dos Santos, nosso grande mangueirense, botaram lá
> e
> > > fizeram um grande final da premiação com Jamelão, mais a Escola de Samba
> da
> > > mangueira. É sempre assim! Efetivamente o samba não tem nada a ver, não
> > > participa do mercado, isso na visão deles, mas aí como álibi, para não
> > > dizer
> > > que são anti-samba, ou antinacionais, o que que fazem? Pegam alguém que
> > > representa alguma coisa do samba e bota num "gran finale", num oba-oba e
> > > etc
> > > e tal. Quer dizer, então o que a gente vê é isso. Apesar disso tudo,
> existe
> > > hoje uma produção musical independente muito forte, no Brasil inteiro.
> > > Existe uma rede natural e espontânea de troca de informações, a internet
> > > inclusive veio facilitar muito isso. Os artistas do samba estão
> trabalhando
> > > e muito bem, eu inclusive, em todo país, sempre sendo prestigiado,
> sempre
> > > sendo chamados, independente de qualquer coisa, Evidentemente que
> ninguém
> > > do
> > > samba, pelo menos o que eu conheça, à exceção de uns dois ou três, que
> > > merecidamente está lá no pódio, à exceção de um ou dois que a indústria
> > > cultural admitiu. Nenhum sambista está andando de BMW, tendo jatinhos,
> etc
> > > e
> > > tal... Mas, pelo menos, os que estão trabalhando estão conseguindo, como
> > > trabalhadores, ter uma remuneração condizente dentro dos padrões
> nacionais.
> > > Isso é importante, nós somos trabalhadores da música, não somos? Ninguém
> > > nasceu para ser "superstar", ser "popstar". Então, a gente tendo a
> > > remuneração condigna, tendo a possibilidade de cuidar direitinho da
> saúde,
> > > tendo a possibilidade de aos 62 anos ter essa aparência bonita, modéstia
> à
> > > parte, então tudo bem, está tudo certo, está tudo legal.
> > >
> > >
> > > na íntegra:
> http://www.redebrasil.tv.br/salto/entrevistas/nei_lopes.htm
> > >
> > >
> > >
> > >
> > >
> > > 2008/5/20 Eugenio Raggi <[EMAIL PROTECTED]>:
> > >
> > > > Vini,
> > > >
> > > > Na prática, parafraseando o exemplo do purismo arquitetônico, é como
> > > > se tivéssemos de manter locações sem instalações elétricas, um espaço
> > > > tombado onde não se possa sequer estalar uma rede lógica, por que
> > > > danificaria o aspecto original.
> > > >
> > > > Proibir releituras, misturas e outras utilizações daquilo que é um
> > > > patrimônio do povo (e a ele legalmente pertence!!) é um ato insano,
> > > > pretensioso e covarde.
> > > >
> > > > Perdoai-os, Nei Lopes, eles não entendem nada daquilo que você diz....
> > > >
> > > > Abs,
> > > >
> > > > Eugenio
> > > >
> > > >
> > > >
> > > >
> > > >
> > > > Em 20/05/08, vini correia<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> > > > > meus caros, este tema mais uma vez me chamou a atençao...
> > > > >
> > > > > qual o problema fazer uma releitura de uma obra de dominio publico?
> > > > > qual o problema um artista mostrar sua impressao, sua interpretacao
> > > > sobre
> > > > > uma obra original?
> > > > > qual o problema fazer um noel versão drum n bass eletronico??
> > > > > ou noel versão
> reggae-dub-cubano-trip-hop-sei-lá-o-que??
> > > > >
> > > > > Isso não é desmerecer o seu trabalho, talento e importancia, muito
> > > pelo
> > > > > contrário!
> > > > >
> > > > > sinto muito, mas vou ter que por lenha nesta conversa de botequim...
> > > > >
> > > > > faz um tempo que conheci um trabalho de uns musicos brasileiros
> > > chamado
> > > > > beatles n choro . Trata-se de releituras instrumentais de algumas
> > > > musicas
> > > > > dos beatles numa linguagem e estrutra de choro. Cara, ficou muito
> > > > curioso
> > > > > e criativo este antropofagismo! E a meu ver isto não é nenhum
> > > > desrespeito
> > > > > para com a obra original...é uma homenagem linda! Até recomendo!
> > > > >
> > > > > é uma grande bobagem comparar releituras de clássicos da música
> > > > brasileira
> > > > > como se fossem terriveis e ameaçadoras interferencias em obras
> > > > > arquitetonicas tombadas.... Ambos podem ser patrimonio histórico,
> mas
> > > > uma
> > > > > coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. A música é abstrata, a
> > > > obra
> > > > > arquitetonica é concreta (palpável). Ao contrario da arquitetura,
> com
> > > a
> > > > > musica podemos explorar inumeras versoes e ainda conservar a sua
> obra
> > > > > original de forma intacta, na voz do autor e o escambau!! Olha que
> > > legal
> > > > > esta diversidade, esta pluralidade!! Temos inumeras opcoes para
> > > escolher
> > > > > quando e qual versao ouvir e gostar. Olha que bacana! Se vc só gosta
> > > da
> > > > > versao original, escute a versao original e nao perca seu tempo com
> > > > aquele
> > > > > discurso de que o mundo está perdido, vai de mal a pior,
> blablabla...
> > > > >
> > > > > é preciso respeitar o gosto dos outros, gente!! Já vi pessoas
> ouvindo
> > > > > emocionadas a Beth cantando Feitiço da Vila e outras amarradonas
> > > ouvindo
> > > > a
> > > > > versao original de noel pelo vinil ou mp3. Qual é o problema? Deixem
> > > > cada um
> > > > > ser feliz do seu jeito!! Vamos parar com esta coisa ranzinza, e
> > > > > conspiratória .... Certas criticas negativas me soam como a história
> > > da
> > > > > música do proprio noel:
> > > > >
> > > > > "Quem é você que não sabe o que diz? Meu Deus do Céu, que palpite
> > > > infeliz!"
> > > > >
> > > > >
> > > > > viva a diversidade!!
> > > > >
> > > > > abs
> > > > > Vini Correia
> > > > >
> > > > >
> > > > >
> > > > >
> > > > >
> > > > > 2008/5/19 Caio Pontual <[EMAIL PROTECTED]>:
> > > > >
> > > > >
> > > > > > Bem, eu concordo com vc no que diz respeito a manutenção da obra
> > > como
> > > > ela
> > > > > > foi concebida, por respeito e pela manutenção (ou conservarão) da
> > > > própria.
> > > > > > Porém não vejo problema quando se faz adaptações ou arranjos
> dessas
> > > > mesmas
> > > > > > obras porem mantendo (ou respeitando) a melodia original, concordo
> > > com
> > > > vc
> > > > > > quando muitas vezes transforma-se uma música que era originalmente
> > > um
> > > > gênero
> > > > > > e transforma-se em outro ou quando o arranjo deturpa totalmente a
> > > > melodia,
> > > > > > aí sim é condenável. Portanto é preciso bom censo e tb porque não,
> > > bom
> > > > > > gosto.
> > > > > >
> > > > > > Um abraço.
> > > > > > Caio Pontual
> > > > > >
> > > > > > ----- Original Message ----- From: "Daniel Capu" <
> > > > > > [EMAIL PROTECTED]>
> > > > > > To: "Caio Pontual" <[EMAIL PROTECTED]>
> > > > > > Sent: Monday, May 19, 2008 9:38 AM
> > > > > > Subject: Re: [S-C] FW: Obra de Noel
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > > Particularmente, Caio, em se tratando de Noel, sou contra qualquer
> > > > > > manifestação criativa com a sua obra. Isso, por que, partilho e
> vou
> > > > mais
> > > > > > além da opinião do Nei. Além de ser uma obra atual, de temas -
> > > > letras,
> > > > > > melodias - como você naturalmente conhece, a riqueza da obra é, e
> > > > sempre
> > > > > > será, a sua preservação como fora concebida. Numa analogia de
> > > sentido,
> > > > > > seria
> > > > > > como pegarmos uma obra arquitetônica tombada como patrimônio
> > > histórico
> > > > e
> > > > > > colocá-la à disposição de alguns arquitetos modernosos para
> > > intervirem
> > > > na
> > > > > > fachada, modificando-a. O propósito desse projeto é justamente
> esse.
> > > > > > Incentivar a intervenção melódica e de linguagem musical numa obra
> > > > que, a
> > > > > > meu ver, não pede nem nunca vai pedir nada disso. O acesso a todos
> > > > através
> > > > > > da net e a lei que permie torná-la domínio público entendo como
> algo
> > > > > > positivo. Só considero "bobagem", e em nada me atrairia, um
> projeto
> > > em
> > > > cima
> > > > > > dessa causa, que entendo não existir.
> > > > > >
> > > > > > Um abraço
> > > > > > Daniel Capu
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > > On 5/18/08 12:45 PM, "Caio Pontual" <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> > > > > >
> > > > > > Não entendi bem sua crítica, é contra as misturas ou é o fato das
> > > > músicas
> > > > > >> tornarem domínio público ?
> > > > > >> Um Abraço.
> > > > > >> Caio Pontual
> > > > > >>
> > > > > >>
> > > > > >> ----- Original Message -----
> > > > > >> From: "Daniel Capu" <[EMAIL PROTECTED]>
> > > > > >> To: <[email protected]>
> > > > > >> Sent: Friday, May 16, 2008 11:19 AM
> > > > > >> Subject: [S-C] FW: Obra de Noel
> > > > > >>
> > > > > >>
> > > > > >>
> > > > > >>
> > > > > >> Caros amigos,
> > > > > >>
> > > > > >> Acabo de ler na Folha uma matéria sobre um projeto (nem me lembro
> > > de
> > > > > >> quem?)
> > > > > >> para a obra de Noel que começa a cair em domínio público.
> > > > > >> O que mais me entristece não é o oportunismo firmado nessa onda
> de
> > > > que
> > > > > >> agora
> > > > > >> a moda é misturar tudo. Pegar uma miscelânea de ritmos e
> culturas,
> > > > bater
> > > > > >> tudo num liquidificador e servir pra um monte de gente beber e
> > > fazer
> > > > uma
> > > > > >> cara de quem come iguaria fina, que apesar do péssimo paladar,
> > > > esbanja um
> > > > > >> sorriso de satisfação.
> > > > > >>
> > > > > >> Não pretendo aqui dissertar sobre um modelo de indústria de
> consumo
> > > > > >> cultural, e muito menos criticar quem goste desse ritmo frenético
> > > de
> > > > > >> consumo
> > > > > >> a que somos diariamente sujeitados. Esse papo de que tudo agora
> tem
> > > > que
> > > > > >> estar na internet, ao alcance de todo mundo. ³Peraí!!² Ainda leio
> > > na
> > > > > >> reportagem que essa seria uma maneira de homenagear uma das
> > > intenções
> > > > de
> > > > > >> Noel, dizendo ser uma característica sua se dar com todo mundo.
> Tá
> > > > bom! Se
> > > > > >> a
> > > > > >> lei permite, que façam!
> > > > > >>
> > > > > >> Como o Nei lopes disse, ³acho uma grande bobagem!²
> > > > > >>
> > > > > >> Daniel Capu
> > > > > >> BH
> > > > > >>
> > > > > >> _______________________________________________
> > > > > >> Para CANCELAR sua assinatura:
> > > > > >> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
> > > > > >> Para ASSINAR esta lista:
> > > > > >> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
> > > > > >> Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA:
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