Salve Salve

Pessoal, tenho a releitura como algo extremamente produtivo. Principalmente 
quando se tem domínio e conhecimento daquilo que se faz. Estudar a fundo a obra 
de Noel e depois a fundo o Maracatu, e fazer arranjos misturando essas duas 
vertentes, por exemplo; seria algo extremamente rico, e sem duvida alguma, 
produtivo para a música brasileira. Tenho certeza que isso não atrapalha e nem 
distorce a obra original de Noel, que continuará sempre ai, apreciada por 
todos, inclusive pelos defensores das misturas e rearranjos. Acredito que ouvir 
uma ou outra versão vai do gosto de cada um, mas trabalhar para um 
aprofundamento da música brasileira é trabalho de todos os músicos, compromisso 
com nossa música sincera e com sua qualidade. Essas misturas atualmente vem 
acontecendo muito no Brasil, e músicos quase "inquestionaveis" defendem essa 
prática, como Caetano e Gilberto Gil, inclusive através da música eletrônica e 
da música internacional, como o jazz por exemplo. Acredito que este recurso vem 
sendo, obviamente, visto como mais um passo em nossa música.

Abraços

Leo

> Date: Wed, 21 May 2008 09:15:04 -0300
> From: [EMAIL PROTECTED]
> To: [EMAIL PROTECTED]
> Subject: Re: [S-C] FW: Obra de Noel
> CC: [EMAIL PROTECTED]; [EMAIL PROTECTED]; [email protected]; [EMAIL 
> PROTECTED]
> 
> Se (parte da) obra caiu em domínio público, é normal que o pessoal comece a
> mexer nela. Regravem de todas as maneiras que quiserem, porque o samba de
> Noel é intacto em sua essencia. Podem colocar uma bateria funk no "com que
> roupa"... eu vou continuar ouvindo as versões com cavaquinho e violão.
> 
> O fato é que, no momento em que ressoar uma guitarra distorcida em algum
> samba do mestre, ele vai se remexer no caixão...
> 
> 
> Em 20/05/08, vini correia <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> >
> > salve salve
> > para ajudar na reflexão, vejam que interessante este trecho da entrevista
> > com o Nei Lopes feita pela Rede Brasil...
> > ajuda a entender também o pensamento do mestre
> > "o samba nào está no formol"
> >
> > abs
> >
> > <http://www.redebrasil.tv.br/salto/entrevistas/nei_lopes.htm>
> >
> > -------------------
> >
> >
> > *Salto – O senhor acredita que o samba ainda é visto de maneira
> > preconceituosa?*
> >
> > Nei Lopes – Absolutamente, completamente preconceituosa. O samba é sempre
> > associado, primeiro por suas origens negras, o samba é sempre associado à
> > escravidão, associado à pobreza, é associado à favelização, associado à
> > criminalidade, e essa é a grande estratégia que é usada pela indústria
> > cultural globalizante, no sentido de colocar o samba numa condição
> > subalterna sempre. E é também uma estratégia que compõe todo esse complexo
> > de dominação e de colonização cultural. Uma das estratégias também é taxar
> > o
> > samba como uma coisa imóvel, como uma coisa velha, como uma coisa que não
> > se
> > renova. Eu escrevi um livro, há uns dois anos, chamado Samba b – a – ba, o
> > samba que não se aprende na escola. Esse livro mereceu oito páginas de uma
> > revista elegante, uma revista finíssima que é editada em São Paulo,
> > editada,
> > inclusive com muito patrocínio do Governo. Então, é uma revista muito
> > bonita, de altíssimo nível, ela tem papel couchê, custa caríssimo nas
> > bancas... Essa revista se ocupou do meu livro, num artigo altamente
> > tendencioso, usou 8 páginas para falar do meu livro, acusando o livro de
> > coisas: que o livro era passadista, era reacionário. O título da chamada de
> > capa dessa crítica, veja bem, dizia assim: "Nei Lopes – O samba em formol".
> > Eu absolutamente não advogo que o samba tenha que ficar "museificado",
> > tenha
> > que ficou imóvel, nada disso, eu sou uma das pessoas que mais propugnam
> > pela
> > visibilidade, pela diversidade, pela multiplicidade do samba. Agora mesmo,
> > estamos aqui no estúdio, estou concluindo mais uma produção, mais um disco
> > meu, um disco em que eu procuro evidenciar essa diversidade, por exemplo. É
> > um disco de samba com algumas informações afro-cubanas, porque eu acho que
> > os universos do samba são irmãos. São muito semelhantes, são duas coisas
> > que
> > se cruzam a todo momento, o que não acontece, por exemplo, com a música
> > afro
> > norte-americana, em relação à brasileira. Os negros americanos não usaram
> > tambor, foram historicamente despossuídos do tambor pela colonização, pela
> > evangelização dos protestantes. Enquanto que os negros da
> > América-hispânica,
> > da América portuguesa, como, nós, usaram sempre o tambor. Então, você pega
> > a
> > música de Cuba, a música de Porto Rico, a música da República Dominicana, a
> > música do Haiti, até o próprio Prata, do Uruguai até a Argentina, há uma
> > similitude entre essas músicas, porque elas têm origens comuns, a origem na
> > grande civilização Banto, lá do Congo, Angola e adjacências, o que não
> > ocorre com a música dos Estados Unidos. Então, você pega um samba e o
> > associa com a música afro-hispânico, a música centro-americana, é
> > absolutamente coerente, não é colonização, nem coisa nenhuma. Você está
> > promovendo o encontro entre parentes que foram, de uma certa forma,
> > dispersos pela escravidão e etc. e tal. Então, eu procuro no meu trabalho,
> > sempre que posso, chamar o samba para essas associações e exatamente por
> > isso. Para mostrar que o samba é plurifacetado, o samba é um gênero musical
> > altamente rico, não é velho, porque ele se renova a cada momento, desde o
> > primeiro samba, registrado como samba, que foi "Pelo telefone", a gente
> > observa que, a cada década, há uma renovação da expressão dessa pluralidade
> > do samba, que também está vivo até hoje por causa disso. E, às vezes, até é
> > meio difícil perceber essa diversidade, inclusive em sub-gêneros, que às
> > vezes são mostrados como gênero, como por exemplo, a Bossa Nova, é um
> > samba,
> > é uma forma de fazer samba. O choro como forma instrumental de se tocar o
> > samba, o chamado sambop, o samba jazz surgido aqui no Rio de Janeiro no
> > contexto da Bossa Nova, o samba de piano, baixo e bateria. Aí está um dos
> > poucos momentos em que a tradição norte-americana e a tradição brasileira
> > se
> > encontram. Mas se encontram por via do jazz primeiro, mas o jazz tocado com
> > um acento de samba e por aí vai. Então, o samba é essa diversidade,
> > inclusive essas formas mais modernas, supostamente mais modernas, que
> > emanam
> > da Bahia com muita sensualidade, com muita, o chamado samba-axé, ou samba
> > de
> > quebradeira, são tradições também bastante arcaicas do Recôncavo Bahiano,
> > das quais indústria cultural se apropriou. Então, o que eu procuro fazer
> > sempre, é mostrar essa diversidade, essa pluralidade e mostrar que o samba
> > está vivo aí, não está velho e não está no formol.
> >
> > *Salto – Por que o senhor acredita que o conceito de pluralidade cultural
> > ganha tanta importância no mundo hoje?*
> >
> > Nei Lopes – Eu acho que há uma dualidade de pensamento aí, eu acho que os
> > intelectuais, os intelectuais "do bem" (risos), procuram enfatizar a
> > questão
> > da pluralidade e procuram valorizar essa questão. Ao passo que outras
> > expressões intelectuais que não são tão "do bem" assim, que estão visando
> > muito mais o capital, são expressão de um capitalismo bastante perverso,
> > bastante massacrante, já não valorizam a pluralidade do jeito que a
> > intelectualidade do bem valoriza. Porque não interessa... o mundo hoje é
> > comandado por corporações, cada vez menos corporações. Digamos que hoje
> > você
> > tem conglomerados, uns 4 ou 5 conglomerados comandando a cultura no mundo
> > inteiro. Então, evidente, que quanto mais se concentra o poder nas mãos
> > desses conglomerados, menos a pluralidade interessa. Você tem, para dominar
> > o mercado, você tem que ter um mercado homogêneo. Então, essa homogeneidade
> > é contra todo tipo de pluralidade. Eu acho que quem valoriza a pluralidade
> > somos nós, eu, você (apontando para a equipe do Salto), os espectadores aí
> > que estão assistindo ao nosso programa, mas o grande, o Big Brother que
> > manda nessa história toda, eu acho que ele não gosta de pluralidade não.
> >
> > *Salto – O senhor acredita que a música popular brasileira retrata a
> > pluralidade cultural do país?*
> >
> > Nei Lopes – Olha, existem duas músicas populares brasileiras, dois
> > escaninhos de música popular brasileira. Existe a música popular brasileira
> > que é espontânea, de criação popular mesmo e essa você vai encontrar onde?
> > Nas produções independentes, nos centros mais afastados. E existe outra
> > música imposta por essa indústria de que nós estamos falando, cujos
> > porta-vozes são os meios de comunicação atrelados a essa indústria. A gente
> > teve, dias atrás, a entrega de um prêmio, que é supostamente o prêmio mais
> > importante da música popular brasileira, em que não houve nenhuma premiação
> > para o gênero samba, houve para o hip hop, para o universo pop, mas no
> > entanto, numa estratégia, aquela coisa do álibi, numa espécie de álibi, o
> > que os organizadores do prêmio fizeram? Pegaram o Jamelão, o nosso grande
> > José Bispo Clementino dos Santos, nosso grande mangueirense, botaram lá e
> > fizeram um grande final da premiação com Jamelão, mais a Escola de Samba da
> > mangueira. É sempre assim! Efetivamente o samba não tem nada a ver, não
> > participa do mercado, isso na visão deles, mas aí como álibi, para não
> > dizer
> > que são anti-samba, ou antinacionais, o que que fazem? Pegam alguém que
> > representa alguma coisa do samba e bota num "gran finale", num oba-oba e
> > etc
> > e tal. Quer dizer, então o que a gente vê é isso. Apesar disso tudo, existe
> > hoje uma produção musical independente muito forte, no Brasil inteiro.
> > Existe uma rede natural e espontânea de troca de informações, a internet
> > inclusive veio facilitar muito isso. Os artistas do samba estão trabalhando
> > e muito bem, eu inclusive, em todo país, sempre sendo prestigiado, sempre
> > sendo chamados, independente de qualquer coisa, Evidentemente que ninguém
> > do
> > samba, pelo menos o que eu conheça, à exceção de uns dois ou três, que
> > merecidamente está lá no pódio, à exceção de um ou dois que a indústria
> > cultural admitiu. Nenhum sambista está andando de BMW, tendo jatinhos, etc
> > e
> > tal... Mas, pelo menos, os que estão trabalhando estão conseguindo, como
> > trabalhadores, ter uma remuneração condizente dentro dos padrões nacionais.
> > Isso é importante, nós somos trabalhadores da música, não somos? Ninguém
> > nasceu para ser "superstar", ser "popstar". Então, a gente tendo a
> > remuneração condigna, tendo a possibilidade de cuidar direitinho da saúde,
> > tendo a possibilidade de aos 62 anos ter essa aparência bonita, modéstia à
> > parte, então tudo bem, está tudo certo, está tudo legal.
> >
> >
> > na íntegra: http://www.redebrasil.tv.br/salto/entrevistas/nei_lopes.htm
> >
> >
> >
> >
> >
> > 2008/5/20 Eugenio Raggi <[EMAIL PROTECTED]>:
> >
> > > Vini,
> > >
> > > Na prática, parafraseando o exemplo do purismo arquitetônico, é como
> > > se tivéssemos de manter locações sem instalações elétricas, um espaço
> > > tombado onde não se possa sequer estalar uma rede lógica, por que
> > > danificaria o aspecto original.
> > >
> > > Proibir releituras, misturas e outras utilizações daquilo que é um
> > > patrimônio do povo (e a ele legalmente pertence!!) é um ato insano,
> > > pretensioso e covarde.
> > >
> > > Perdoai-os, Nei Lopes, eles não entendem nada daquilo que você diz....
> > >
> > > Abs,
> > >
> > > Eugenio
> > >
> > >
> > >
> > >
> > >
> > > Em 20/05/08, vini correia<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> > >  > meus caros, este tema mais uma vez me chamou a atençao...
> > > >
> > > >  qual o problema fazer uma releitura de uma obra de dominio publico?
> > > >  qual o problema um artista mostrar sua impressao, sua interpretacao
> > > sobre
> > > >  uma obra original?
> > > >  qual o problema fazer um noel versão drum n bass eletronico??
> > > >  ou noel versão reggae-dub-cubano-trip-hop-sei-lá-o-que??
> > > >
> > > >  Isso não é desmerecer o seu trabalho, talento e importancia, muito
> > pelo
> > > >  contrário!
> > > >
> > > >  sinto muito, mas vou ter que por lenha nesta conversa de botequim...
> > > >
> > > >  faz um tempo que conheci um trabalho de uns musicos brasileiros
> > chamado
> > > >  beatles n choro . Trata-se de releituras instrumentais de algumas
> > > musicas
> > > >  dos beatles numa linguagem e estrutra de choro. Cara, ficou muito
> > > curioso
> > > >  e criativo este antropofagismo! E a meu ver isto não é nenhum
> > > desrespeito
> > > >  para com a obra original...é uma homenagem linda! Até recomendo!
> > > >
> > > >  é uma grande bobagem comparar releituras de clássicos da música
> > > brasileira
> > > >  como se fossem terriveis e ameaçadoras interferencias em obras
> > > >  arquitetonicas tombadas.... Ambos podem ser patrimonio histórico, mas
> > > uma
> > > >  coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. A música é abstrata, a
> > > obra
> > > >  arquitetonica é concreta (palpável). Ao contrario da arquitetura, com
> > a
> > > >  musica podemos explorar inumeras versoes e ainda conservar a sua obra
> > > >  original de forma intacta, na voz do autor e o escambau!! Olha que
> > legal
> > > >  esta diversidade, esta pluralidade!! Temos inumeras opcoes para
> > escolher
> > > >  quando e qual versao ouvir e gostar. Olha que bacana! Se vc só gosta
> > da
> > > >  versao original, escute a versao original e nao perca seu tempo com
> > > aquele
> > > >  discurso de que o mundo está perdido, vai de mal a pior, blablabla...
> > > >
> > > >  é preciso respeitar o gosto dos outros, gente!! Já vi pessoas ouvindo
> > > >  emocionadas a Beth cantando Feitiço da Vila e outras amarradonas
> > ouvindo
> > > a
> > > >  versao original de noel pelo vinil ou mp3. Qual é o problema? Deixem
> > > cada um
> > > >  ser feliz do seu jeito!! Vamos parar com esta coisa ranzinza,  e
> > > >  conspiratória .... Certas criticas negativas me soam como a história
> > da
> > > >  música do proprio noel:
> > > >
> > > >  "Quem é você que não sabe o que diz? Meu Deus do Céu, que palpite
> > > infeliz!"
> > > >
> > > >
> > > >  viva a diversidade!!
> > > >
> > > >  abs
> > > >  Vini Correia
> > > >
> > > >
> > > >
> > > >
> > > >
> > > >  2008/5/19 Caio Pontual <[EMAIL PROTECTED]>:
> > > >
> > > >
> > > >  > Bem, eu concordo com vc no que diz respeito a manutenção da obra
> > como
> > > ela
> > > >  > foi concebida, por respeito e pela manutenção (ou conservarão) da
> > > própria.
> > > >  > Porém não vejo problema quando se faz adaptações ou arranjos dessas
> > > mesmas
> > > >  > obras porem mantendo (ou respeitando) a melodia original, concordo
> > com
> > > vc
> > > >  > quando muitas vezes transforma-se uma música que era originalmente
> > um
> > > gênero
> > > >  > e transforma-se em outro ou quando o arranjo deturpa totalmente a
> > > melodia,
> > > >  > aí sim é condenável. Portanto é preciso bom censo e tb porque não,
> > bom
> > > >  > gosto.
> > > >  >
> > > >  > Um abraço.
> > > >  > Caio Pontual
> > > >  >
> > > >  > ----- Original Message ----- From: "Daniel Capu" <
> > > >  > [EMAIL PROTECTED]>
> > > >  > To: "Caio Pontual" <[EMAIL PROTECTED]>
> > > >  > Sent: Monday, May 19, 2008 9:38 AM
> > > >  > Subject: Re: [S-C] FW: Obra de Noel
> > > >  >
> > > >  >
> > > >  > Particularmente, Caio, em se tratando de Noel, sou contra qualquer
> > > >  > manifestação criativa com a sua obra. Isso, por que, partilho e vou
> > > mais
> > > >  > além da opinião do Nei. Além de ser uma obra atual, de temas  -
> > > letras,
> > > >  > melodias -  como você naturalmente conhece, a riqueza da obra é, e
> > > sempre
> > > >  > será, a sua preservação como fora concebida. Numa analogia de
> > sentido,
> > > >  > seria
> > > >  > como pegarmos uma obra arquitetônica tombada como patrimônio
> > histórico
> > > e
> > > >  > colocá-la à disposição de alguns arquitetos modernosos para
> > intervirem
> > > na
> > > >  > fachada, modificando-a. O propósito desse projeto é justamente esse.
> > > >  > Incentivar a intervenção melódica e de linguagem musical numa obra
> > > que, a
> > > >  > meu ver, não pede nem nunca vai pedir nada disso. O acesso a todos
> > > através
> > > >  > da net e a lei que permie torná-la domínio público entendo como algo
> > > >  > positivo. Só considero "bobagem", e em nada me atrairia, um projeto
> > em
> > > cima
> > > >  > dessa causa, que entendo não existir.
> > > >  >
> > > >  > Um abraço
> > > >  > Daniel Capu
> > > >  >
> > > >  >
> > > >  > On 5/18/08 12:45 PM, "Caio Pontual" <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> > > >  >
> > > >  > Não entendi bem sua crítica, é contra as misturas ou é o fato das
> > > músicas
> > > >  >> tornarem domínio público ?
> > > >  >> Um Abraço.
> > > >  >>  Caio Pontual
> > > >  >>
> > > >  >>
> > > >  >> ----- Original Message -----
> > > >  >> From: "Daniel Capu" <[EMAIL PROTECTED]>
> > > >  >> To: <[email protected]>
> > > >  >> Sent: Friday, May 16, 2008 11:19 AM
> > > >  >> Subject: [S-C] FW: Obra de Noel
> > > >  >>
> > > >  >>
> > > >  >>
> > > >  >>
> > > >  >> Caros amigos,
> > > >  >>
> > > >  >> Acabo de ler na Folha uma matéria sobre um projeto (nem me lembro
> > de
> > > >  >> quem?)
> > > >  >> para a obra de Noel que começa a cair em domínio público.
> > > >  >> O que mais me entristece não é o oportunismo firmado nessa onda de
> > > que
> > > >  >> agora
> > > >  >> a moda é misturar tudo. Pegar uma miscelânea de ritmos e culturas,
> > > bater
> > > >  >> tudo num liquidificador e servir pra um monte de gente beber e
> > fazer
> > > uma
> > > >  >> cara de quem come iguaria fina, que apesar do péssimo paladar,
> > > esbanja um
> > > >  >> sorriso de satisfação.
> > > >  >>
> > > >  >> Não pretendo aqui dissertar sobre um modelo de indústria de consumo
> > > >  >> cultural, e muito menos criticar quem goste desse ritmo frenético
> > de
> > > >  >> consumo
> > > >  >> a que somos diariamente sujeitados. Esse papo de que tudo agora tem
> > > que
> > > >  >> estar na internet, ao alcance de todo mundo. ³Peraí!!² Ainda leio
> > na
> > > >  >> reportagem que essa seria uma maneira de homenagear uma das
> > intenções
> > > de
> > > >  >> Noel, dizendo ser uma característica sua se dar com todo mundo. Tá
> > > bom! Se
> > > >  >> a
> > > >  >> lei permite, que façam!
> > > >  >>
> > > >  >> Como o Nei lopes disse, ³acho uma grande bobagem!²
> > > >  >>
> > > >  >> Daniel Capu
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