Perdoe-me, mas a rivalidade já existe. O povo de Salvador tomando pancada da PM na pipoca e os turistas do sul maravilha se refestelando com o Abadá... E uma imagem Marques de Sapucaíapocalíptica... parece as arquibancadas do carnaval do Rio (para entenderem de vez que não se trata de bairrismo). Sou contra corda, Abadá, discriminação, divisão clara de classe social. Não é só ganhar dinheirinho honesto não, é ganhar muito dinheiro só que criando um "apartheid" do carnaval. E se achamos isto normal, introjetamos isto, tanto pior para nós. Estamos aceitando a idéia de um mundo onde quem pode pagar brinca, se diverti, ri e o resto, chama a força de segurança pública para dar porrada. Por que, gente, na boa, não é a corda e o abadá que afasta o povão de brincar nos blocos é o medo da repressão. O detalhe é que há uma diferença básica. Não estamos em espetáculos teatrais coreografados e julgados, como as escolas de samba. Estamos falando de blocos que desfilam espontaneamente. TUCANARAM A ESPONTANEIDADE! PRIVATIZARAM A ALEGRIA. Me desculpe, mas não consigo ver isto como organização. Aliás, muito mais gente também está começando a ver como segregação e preferindo pular carnaval de forma espontânea E DE GRAÇA! Carnaval é festa do povo, resistência cultural contra a Casa Grande, sempre foi assim. Transformar em espetáculo no qual os negros tocam para uma platéia branca, enquanto o povão fica do lado de fora tomando cacetete na cabeça e achar tudo lindo e maravilihoso.. Desculpem, vão querer me convencer daqui a pouco que a Luma de Oliveira é mais importante que a Tia Surica... E isto não vão conseguir fazer não. Viva a Pipoca, pipoca para todos no carnaval bahiano!
Abraços, Visite minha página pessoal: http://geocities.yahoo.com.br/cariocabeto --- Em dom, 1/3/09, Harley <[email protected]> escreveu: De: Harley <[email protected]> Assunto: RES: [S-C] O ABADÁ É A NOVA SENZALA Para: Cc: [email protected] Data: Domingo, 1 de Março de 2009, 16:11 Gabriel, explicou bem o que penso sobre 'as cordas'. Eu também sou extremamente a favor da valorização da cultura, principalmente a baiana, no carnaval. Para terem uma idéia do movimento econômico em torno do carnaval, hoje em dia, blocos afro, antes apenas com enfoque cultural, já se renderam ao comércio, atraindo turistas de todos os cantos do mundo para desfilarem (é o caso do cortejo afro e olodum que já vendem seus abadás pela internet e filhos de gandhy que estão começando a se encher de turistas também). Então é uma engrenagem que não tem como ser parada. Mas é preciso sim, permitir com que o povo também possa pular o carnaval em paz com os turistas que chegam. Dependendo da forma como esse assunto é abordado, daqui a pouco se cria uma rivalidade entre o povo local e os turistas que fará com que o carnaval de verdade acabe para os 2 lados (2 lados estes que não devem existir). A cidade de Salvador conseguiu organizar uma festa única como o Carnaval e isso faz com que turistas de todo o Brasil queiram estar lá. Para permitir isso, nasceram os camarotes, as cordas e a atuação extremamente rígida da polícia. Quanto ao dinheirinho honesto que é possível ganhar no carnaval, é isso mesmo. Quem está lá vê que tem muita gente batalhando para ganhar seu 'miúdo'. Enfim, é um assunto muito complexo, a polêmica é grande, mas na minha opinião, tem espaço para todos sim. Se você olha a multidão que fica nas ruas vendo os trios passando, na pipoca ou em outros trios com ou sem corda, não tem como negar que tem muita, mas muita gente se divertindo sim. É impossível organizar fazer uma festa para 200mil pessoas e todas saírem de lá satisfeitas... Um abraço, Harley Medeiros [email protected] Carnaval 2010 em Salvador - Eu vou de novo!! -----Mensagem original----- De: [email protected] [mailto:[email protected]] Em nome de Gabriel Gomes Enviada em: domingo, 1 de março de 2009 13:46 Para: Remo Pellegrini Cc: [email protected] Assunto: Re: [S-C] O ABADÁ É A NOVA SENZALA O fato de o cara não ter dinheiro pra comprar abadá não dá a ele o direito de roubar. O carnaval em Salvador é uma excelente oportunidade de fazer um dinheirinho honesto, e o que mais tem é gente batalhando pra conseguir o seu com dignidade. O cara rouba porque é vagabundo mesmo. Olha um exemplo bacana. Há uns dois anos eu estava com um amigo que organiza o bloco Gravata Doida (bloco sem cordas, com muito samba e bandinha de fanfarra) na pipoca do Campo Grande atrás do Alerta Geral e saiu um camarada de dentro da corda pra falar com a gente. Ele havia trabalhado como segurança do bloco no dia anterior e naquele dia estava lá curtindo o carnaval dele e veio nos cumprimentar. Quanto ao carnaval do interior de Minas tenho minhas ressalvas. O que vejo é a playboyzada que não conseguiu juntar grana pra ir em um carnaval mais famoso lotar as cidades (algumas históricas, e inclusive tombadas) e promover uma verdadeira baderna ao som mecânico de Axé e Funk, deixando pra trás um monte de lixo e destroços. Mais ou menos o que estava virando Olinda antes de proibirem os carros de entrarem com seus equipamentos de som, valorizando os blocos e a tradição local. E os governos locais não tomam nenhuma providência para coibir o vandalismo, já que ele é bem lucrativo. Voltando ao carnaval de Salvador, não vejo muita saída não. É questão de mercado, oferta e procura. O turista mais abastado não quer se divertir na informalidade, ele quer justamente essa exclusividade de poder pagar por uma coisa que poucos podem. Hoje em dia os camarotes têm shows particulares e uma estrutura cada vez mais diferenciada. Mas existem os blocos mais baratos também. Tem bloco que custa 100 reais os três dias dividido em 12 vezes. Assim como tem carro mais caro e carro mais barato. E não adianta choramingar pra comprar uma ferrari a preço de carro "popular". O que não pode acontecer é se deixar de valorizar o carnaval mais tradicional, os blocos afro, a guitarra baiana, o samba de roda tradicional. A luta que deve existir é pra que essas culturas tenham seu espaço. De que adianta abolirem as cordas se só tocar Axé no carnaval inteiro? Outro problema é que já vi bloco grande atropelar, literalmente, um trio sem corda que estava na frente. Uma total falta de respeito com quem está se divertindo e com quem está fazendo seu trabalho, mesmo que seja em um bloco menor. A briga de Carlinhos Brown é mais ou menos por aí. Nos últimos anos que se tem visto são os camarotes invadindo a área que antes era destinada aos foliões, espremendo cada vez mais a pipoca contra a corda. Nesse caso sim, você tira o direito de quem quer brincar o carnaval na rua. Mas a corda é necessária para o modelo atual do carnaval baiano. E não adianta querer mudar o sistema de folia mais rentável que existe no país. O que deve haver é um cuidado para que a ganância dos empresários de bloco tenha um limite que garanta ao povo seu espaço na avenida. Isso é papel do Governo do Estado e do Município, seja fiscalizando, patrocinando os blocos tradicionais, melhorando o policiamento e infraestrutura. Aquele abraço, Gabriel Gomes 2009/3/1 Remo Pellegrini <[email protected]> > é, ouvi dizer que tem muito bandido atrás do chiclete mesmo. formigas > atrás do açúcar, né? afinal, quem pode comprar abadá? > > o carnaval de rua do Rio tem aumentado; o de Pernambuco sempre esteve > lá e o das cidades históricas de Minas também tem recebido mais > turistas. sem cordas > > acho que a discussão não é se o turismo de Salvador vai perder > arrecadação > - e a sua economia nem é mais só fundada no turismo - e sim, se haverá > jeito das classes altas também se divertirem um pouco na informalidade > (tadinhos), mesmo que, para isso, precisem de um bando de trogloditas > espremendo o povão da pipoca > > um abraço > Remo > ----- Original Message ----- > From: Harley > To: [email protected] > Sent: Sunday, March 01, 2009 11:44 AM > Subject: RES: [S-C] O ABADÁ É A NOVA SENZALA > > > Nessa discussão eu tenho que entrar ... Não sou dono da verdade mas > não vejo o Carnaval de Salvador dessa forma (citado pelo Roberto). > > Em Salvador ainda existem muitos blocos sem corda, e são > principalmente blocos puxados pelos artistas e bandas que fazem muito > sucesso com o público local. É visível que o povo todo se diverte > (negros, brancos e inclusive turistas estrangeiros ou não). Agora, > não dá para todo mundo ir atrás do Chiclete com Banana... > > Gente, se vocês vissem como é a pipoca dos blocos do Chiclete com > Banana, vocês entenderiam do que eu falo. A quantidade de pivetes e > bandidos que seguem o bloco pela pipoca é impressionante. O Carnaval > (com cordas ou > não) > é uma grande festa. Não há como ter festa sem segurança. Sem > segurança os turistas fogem. Sem turistas o dinheiro não entra em Salvador. > > É inquestionável o retorno econômico que o evento Carnaval leva para > a cidade de Salvador. Investimentos e visibilidade nunca vistos em > qualquer outra época ou festa do ano. A quantidade de negócios que > são fechados, investimentos de grandes empresas etc. Se não forem as > cordas e os camarotes para fornecer um pouco de segurança aos > turistas que lotam a cidade (trazendo muito dinheiro, dólares e > euros), Salvador tende a perder demais. > Todos os comerciantes e prestadores de serviços fazem a festa nessa > época (taxis, restaurantes, hotéis, pousadas e até os moradores do > interior que vão pra cidade vender qualquer coisa e dormir na rua durante o carnaval). > E > a prefeitura também arrecada uma enormidade... > > Eu vejo alguns baianos criticando as cordas e tal, mas se o 'carnaval > das cordas' acabar, a própria cidade tende a se empobrecer mais. > Admiro muito Carlinhos Brown mas quando ele pede carnaval sem cordas, > ele não pensa nas pessoas que dependem do dinheiro dos turistas nessa > época. É claro que o sonho de todos é que a situação seja favorável > durante todo o ano, mas pelo menos a época do Carnaval é uma época de > prosperidade geral. Muitos pagam suas dívidas do ano todo só com o > trabalho do carnaval (só eu ouvi isso de > 2 > taxistas esse ano, imagina o restante da população que trabalha nessa > época). > > É isso, gente. Acho que o Carnaval de Salvador é um Carnaval onde > todos se divertem. Quem está lá pulando atrás do trio, segurando a > corda, curtindo na pipoca ou nos trios sem corda, cada um se diverte > à sua maneira. Quanto à isso não há diferença nem segregação! > > Abraço, > Harley Medeiros > [email protected] > -----Mensagem original----- > > > ---Registre seu domínio .com ou .net por apenas R$15,00/ano e GANHE > hospedagem, blog e e-mail grátis!LocaWeb - Soluções Completas em > Serviços de Internet (www.locaweb.com.br) > _______________________________________________ > Para CANCELAR sua assinatura: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela > Para ASSINAR esta lista: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina > Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta > _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta Veja quais são os assuntos do momento no Yahoo! +Buscados http://br.maisbuscados.yahoo.com _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
