O carnaval historicamente falando sempre teve esse lado elitista em
contra-ponto a "anarquia" popular.
Os cortejos carnavalescos  de rua do Rio nao comecaram  com escolas de
Samba, nem com cordoes, nem com blocos.
Comecaram  com o desfiles das chamadas grandes sociedades, onde as
dondocas desfilavam com modelitos vindos diretamente de Paris em cima de
grandes carruagens luxuosamente
ornamentadas.
Olhando por um lado isso teve ate um ponto positivo. Porque ate entao o que
prevalecia na epoca
era o entrudo, uma brincadeira onde se fazia guerra de pos, resto de comidas
 e liquidos com perfumes questionaveis. .

A formacao  dos cordoes, blocos e escolas de samba sao na verdade a versao
popular e muito mais muito mais animada desses cortejos burgueses.
Com o crescimento dessas manifestacoes populares, os corsos da elite foram
sendo sufocados nas ruas
Existiram ate tentativas de estabelecer horarios para cada tipo de grupo,
mas no final das contas o povo tomou conta da Rua. E as grandes sociedades
sucumbiram.

Por ironia do destino as Super  Escolas de Samba acabaram se transformando
numa especie de Grande Sociedade.
Mas ate ai tudo bem, a Sapucai do Nyermyer foi projetada pra ser  clube
prive num condominio fechado.

O povao mesmo quer brincar na rua  e de la ninguem tira.


fabio padilha(gangaz)

Em 02/03/09, Roberto Ponciano <[email protected]> escreveu:
>
> Perdoe-me, mas a rivalidade já existe. O povo de Salvador tomando pancada
> da PM na pipoca e os turistas do sul maravilha se refestelando com o
> Abadá...
> E uma imagem Marques de Sapucaíapocalíptica... parece as arquibancadas do
> carnaval do Rio (para entenderem de vez que não se trata de bairrismo).
> Sou contra corda, Abadá, discriminação, divisão clara de classe social. Não
> é só ganhar dinheirinho honesto não, é ganhar muito dinheiro só que criando
> um "apartheid" do carnaval.
> E se achamos isto normal, introjetamos isto, tanto pior para nós.
> Estamos aceitando a idéia de um mundo onde quem pode pagar brinca, se
> diverti, ri e o resto, chama a força de segurança pública para dar porrada.
> Por que, gente, na boa, não é a corda e o abadá que afasta o povão de
> brincar nos blocos é o medo da repressão.
> O detalhe é que há uma diferença básica. Não estamos em espetáculos
> teatrais coreografados e julgados, como as escolas de samba. Estamos falando
> de blocos que desfilam espontaneamente.
> TUCANARAM A ESPONTANEIDADE! PRIVATIZARAM A ALEGRIA.
> Me desculpe, mas não consigo ver isto como organização.
> Aliás, muito mais gente também está começando a ver como segregação e
> preferindo pular carnaval de forma espontânea E DE GRAÇA!
> Carnaval é festa do povo, resistência cultural contra a Casa Grande, sempre
> foi assim.
> Transformar em espetáculo no qual os negros tocam para uma platéia branca,
> enquanto o povão fica do lado de fora tomando cacetete na cabeça e achar
> tudo lindo e maravilihoso.. Desculpem, vão querer me convencer daqui a pouco
> que a Luma de Oliveira é mais importante que a Tia Surica...
> E isto não vão conseguir fazer não.
> Viva a Pipoca, pipoca para todos no carnaval bahiano!
>
> Abraços, Visite minha página pessoal:
> http://geocities.yahoo.com.br/cariocabeto
>
> --- Em dom, 1/3/09, Harley <[email protected]> escreveu:
>
> De: Harley <[email protected]>
> Assunto: RES: [S-C] O ABADÁ É A NOVA SENZALA
> Para:
> Cc: [email protected]
> Data: Domingo, 1 de Março de 2009, 16:11
>
> Gabriel, explicou bem o que penso sobre 'as cordas'. Eu também sou
> extremamente a favor da valorização da cultura, principalmente a baiana, no
> carnaval. Para terem uma idéia do movimento econômico em torno do carnaval,
> hoje em dia, blocos afro, antes apenas com enfoque cultural, já se renderam
> ao comércio, atraindo turistas de todos os cantos do mundo para desfilarem
> (é o caso do cortejo afro e olodum que já vendem seus abadás pela internet
> e
> filhos de gandhy que estão começando a se encher de turistas também). Então
> é uma engrenagem que não tem como ser parada.
>
> Mas é preciso sim, permitir com que o povo também possa pular o carnaval em
> paz com os turistas que chegam. Dependendo da forma como esse assunto é
> abordado, daqui a pouco se cria uma rivalidade entre o povo local e os
> turistas que fará com que o carnaval de verdade acabe para os 2 lados (2
> lados estes que não devem existir). A cidade de Salvador conseguiu
> organizar
> uma festa única como o Carnaval e isso faz com que turistas de todo o
> Brasil
> queiram estar lá. Para permitir isso, nasceram os camarotes, as cordas e a
> atuação extremamente rígida da polícia.
>
> Quanto ao dinheirinho honesto que é possível ganhar no carnaval, é isso
> mesmo. Quem está lá vê que tem muita gente batalhando para ganhar seu
> 'miúdo'.
>
> Enfim, é um assunto muito complexo, a polêmica é grande, mas na minha
> opinião, tem espaço para todos sim. Se você olha a multidão que fica nas
> ruas vendo os trios passando, na pipoca ou em outros trios com ou sem
> corda,
> não tem como negar que tem muita, mas muita gente se divertindo sim. É
> impossível organizar fazer uma festa para 200mil pessoas e todas saírem de
> lá satisfeitas...
>
> Um abraço,
> Harley Medeiros
> [email protected]
> Carnaval 2010 em Salvador - Eu vou de novo!!
>
>
> -----Mensagem original-----
> De: [email protected]
> [mailto:[email protected]] Em nome de Gabriel Gomes
> Enviada em: domingo, 1 de março de 2009 13:46
> Para: Remo Pellegrini
> Cc: [email protected]
> Assunto: Re: [S-C] O ABADÁ É A NOVA SENZALA
>
> O fato de o cara não ter dinheiro pra comprar abadá não dá a ele o direito
> de roubar. O carnaval em Salvador é uma excelente oportunidade de fazer um
> dinheirinho honesto, e o que mais tem é gente batalhando pra conseguir o
> seu
> com dignidade. O cara rouba porque é vagabundo mesmo.
>
> Olha um exemplo bacana. Há uns dois anos eu estava com um amigo que
> organiza
> o bloco Gravata Doida (bloco sem cordas, com muito samba e bandinha de
> fanfarra) na pipoca do Campo Grande atrás do Alerta Geral e saiu um
> camarada
> de dentro da corda pra falar com a gente. Ele havia trabalhado como
> segurança do bloco no dia anterior e naquele dia estava lá curtindo o
> carnaval dele e veio nos cumprimentar.
>
> Quanto ao carnaval do interior de Minas tenho minhas ressalvas. O que vejo
> é
> a playboyzada que não conseguiu juntar grana pra ir em um carnaval mais
> famoso lotar as cidades (algumas históricas, e inclusive tombadas) e
> promover uma verdadeira baderna ao som mecânico de Axé e Funk, deixando pra
> trás um monte de lixo e destroços. Mais ou menos o que estava virando
> Olinda
> antes de proibirem os carros de entrarem com seus equipamentos de som,
> valorizando os blocos e a tradição local. E os governos locais não tomam
> nenhuma providência para coibir o vandalismo, já que ele é bem lucrativo.
>
> Voltando ao carnaval de Salvador, não vejo muita saída não. É questão de
> mercado, oferta e procura. O turista mais abastado não quer se divertir na
> informalidade, ele quer justamente essa exclusividade de poder pagar por
> uma
> coisa que poucos podem. Hoje em dia os camarotes têm shows particulares e
> uma estrutura cada vez mais diferenciada. Mas existem os blocos mais
> baratos
> também. Tem bloco que custa 100 reais os três dias dividido em 12 vezes.
> Assim como tem carro mais caro e carro mais barato. E não adianta
> choramingar pra comprar uma ferrari a preço de carro "popular".
>
> O que não pode acontecer é se deixar de valorizar o carnaval mais
> tradicional, os blocos afro, a guitarra baiana, o samba de roda
> tradicional.
> A luta que deve existir é pra que essas culturas tenham seu espaço. De que
> adianta abolirem as cordas se só tocar Axé no carnaval inteiro? Outro
> problema é que já vi bloco grande atropelar, literalmente, um trio sem
> corda
> que estava na frente. Uma total falta de respeito com quem está se
> divertindo e com quem está fazendo seu trabalho, mesmo que seja em um bloco
> menor. A briga de Carlinhos Brown é mais ou menos por aí.
>
> Nos últimos anos que se tem visto são os camarotes invadindo a área que
> antes era destinada aos foliões, espremendo cada vez mais a pipoca contra a
> corda. Nesse caso sim, você tira o direito de quem quer brincar o carnaval
> na rua. Mas a corda é necessária para o modelo atual do carnaval baiano. E
> não adianta querer mudar o sistema de folia mais rentável que existe no
> país. O que deve haver é um cuidado para que a ganância dos empresários de
> bloco tenha um limite que garanta ao povo seu espaço na avenida. Isso é
> papel do Governo do Estado e do Município, seja fiscalizando, patrocinando
> os blocos tradicionais, melhorando o policiamento e infraestrutura.
>
>
> Aquele abraço,
> Gabriel Gomes
>
>
> 2009/3/1 Remo Pellegrini <[email protected]>
>
> > é, ouvi dizer que tem muito bandido atrás do chiclete mesmo. formigas
> > atrás do açúcar, né? afinal, quem pode comprar abadá?
> >
> > o carnaval de rua do Rio tem aumentado; o de Pernambuco sempre esteve
> > lá e o das cidades históricas de Minas também tem recebido mais
> > turistas. sem cordas
> >
> > acho que a discussão não é se o turismo de Salvador vai perder
> > arrecadação
> > - e a sua economia nem é mais só fundada no turismo - e sim, se haverá
> > jeito das classes altas também se divertirem um pouco na informalidade
> > (tadinhos), mesmo que, para isso, precisem de um bando de trogloditas
> > espremendo o povão da pipoca
> >
> > um abraço
> > Remo
> >   ----- Original Message -----
> >  From: Harley
> >  To: [email protected]
> >  Sent: Sunday, March 01, 2009 11:44 AM
> >  Subject: RES: [S-C] O ABADÁ É A NOVA SENZALA
> >
> >
> >  Nessa discussão eu tenho que entrar ... Não sou dono da verdade mas
> > não vejo  o Carnaval de Salvador dessa forma (citado pelo Roberto).
> >
> >  Em Salvador ainda existem muitos blocos sem corda, e são
> > principalmente  blocos puxados pelos artistas e bandas que fazem muito
> > sucesso com o público  local. É visível que o povo todo se diverte
> > (negros, brancos e inclusive  turistas estrangeiros ou não). Agora,
> > não dá para todo mundo ir atrás do  Chiclete com Banana...
> >
> >  Gente, se vocês vissem como é a pipoca dos blocos do Chiclete com
> > Banana,  vocês entenderiam do que eu falo. A quantidade de pivetes e
> > bandidos que  seguem o bloco pela pipoca é impressionante. O Carnaval
> > (com cordas ou
> > não)
> >  é uma grande festa. Não há como ter festa sem segurança. Sem
> > segurança os  turistas fogem. Sem turistas o dinheiro não entra em
> Salvador.
> >
> >  É inquestionável o retorno econômico que o evento Carnaval leva para
> > a  cidade de Salvador. Investimentos e visibilidade nunca vistos em
> > qualquer  outra época ou festa do ano. A quantidade de negócios que
> > são fechados,  investimentos de grandes empresas etc. Se não forem as
> > cordas e os camarotes  para fornecer um pouco de segurança aos
> > turistas que lotam a cidade  (trazendo muito dinheiro, dólares e
> > euros), Salvador tende a perder demais.
> >  Todos os comerciantes e prestadores de serviços fazem a festa nessa
> > época  (taxis, restaurantes, hotéis, pousadas e até os moradores do
> > interior que  vão pra cidade vender qualquer coisa e dormir na rua
> durante
> o carnaval).
> > E
> >  a prefeitura também arrecada uma enormidade...
> >
> >  Eu vejo alguns baianos criticando as cordas e tal, mas se o 'carnaval
>
> > das  cordas' acabar, a própria cidade tende a se empobrecer mais.
> > Admiro muito  Carlinhos Brown mas quando ele pede carnaval sem cordas,
> > ele não pensa nas  pessoas que dependem do dinheiro dos turistas nessa
> > época. É claro que o  sonho de todos é que a situação seja favorável
>
> > durante todo o ano, mas pelo  menos a época do Carnaval é uma época de
> > prosperidade geral. Muitos pagam  suas dívidas do ano todo só com o
> > trabalho do carnaval (só eu ouvi isso de
> > 2
> >  taxistas esse ano, imagina o restante da população que trabalha nessa
> > época).
> >
> >  É isso, gente. Acho que o Carnaval de Salvador é um Carnaval onde
> > todos se  divertem. Quem está lá pulando atrás do trio, segurando a
> > corda, curtindo na  pipoca ou nos trios sem corda, cada um se diverte
> > à sua maneira. Quanto à  isso não há diferença nem segregação!
> >
> >  Abraço,
> >  Harley Medeiros
> >  [email protected]
> >  -----Mensagem original-----
> >
> >
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