A urna não entra nos objetivos do "choque de transparência" do Ministro
Brito...

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http://www.conjur.com.br/2009-mai-04/presidente-tse-choque-transparencia-eleitoral

À luz do dia
Carlos Britto quer choque de transparência eleitoralPor Márcio
Chaer<http://www.conjur.com.br/2009-mai-04/presidente-tse-choque-transparencia-eleitoral#autores>

Quando o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Carlos Ayres
Britto, deixar o cargo, em maio do ano que vem, deixará para seu sucessor a
tarefa de implementar as regras mais avançadas que o Brasil já viu para a
escolha do presidente da República, governadores, senadores e deputados.

Ministro do Supremo Tribunal Federal desde 2003, Britto tem um estilo
peculiar de subjugar as questões mais técnicas à sua trena humanista. Não é
à toa que o ministro reúne todas as suas energias para uma preocupação em
especial: impedir que o interesse público seja substituído pelo dinheiro na
hora de escolher os administradores públicos e os legisladores do país.

“Minha meta é garantir o máximo de transparência possível”, afirma Britto.
Ele evita antecipar detalhes da Resolução, em fase de discussão, que ele
prevê pronta dentro de 18 dias. “O que posso dizer é que estamos pisando em
ovos, porque é preciso muita segurança para que cada inovação tenha todo o
respaldo técnico e legal para que se sustente.”

Mas ele não sonega a linha de raciocínio, com um mantra que repete para
todas as plateias: “Quem faz doação eleitoral por baixo dos panos, cobra por
baixo dos panos. É uma obrigação nossa garantir que as doações sejam feitas
à luz do dia e que, em vez de poucos doadores oferecendo grandes quantias,
tenhamos muitos doadores de pequenas quantias”.

A *Folha de S.Paulo* desse domingo anunciou que o projeto de Resolução prevê
regras para barrar a doação oculta, obrigando os partidos a manterem conta
bancária exclusiva para repasse a candidatos — o que permitirá relacionar
empresa ao político beneficiado. O repórter Rubens Valente informa que,
doando aos diretórios partidários, as empresas se livram de vincular seus
nomes aos candidatos. Só em 2008, mais de R$ 250 milhões transitaram por
essa via.

Só a Camargo Corrêa, no ano passado, injetou R$ 24 milhões nas eleições
municipais de São Paulo. Na concepção de Britto, essa avenida escura será
iluminada. Os partidos poderão ter que informar o que recebem e de quem
recebem na internet, mensal ou trimestralmente.

Nas discussões do TSE trabalha-se com o ideal de um novo núcleo de auditoria
e controle das contas partidárias. Algo que permita ir além do controle
formal da contabilidade para avaliar a legitimidade das contas e recibos
apresentados. Afinal, de pouco adianta as contas estarem corretas se os
recibos não são legítimos.

Na última sessão do TSE do ano passado, o colegiado já aprovou Resolução que
implica a informação ao eleitor de quem é o suplente do senador e os
candidatos a vice nas chapas de governadores e presidente, com suas
respectivas fotos estampadas na urna eletrônica. Antes, por proposta do
próprio ministro Carlos Britto, já se havia determinado a inclusão do nome e
foto dos candidatos a vice na eleição municipal. Passos certos em direção à
transparência.

Ainda este ano o Tribunal deve reformatar o formulário eletrônico do pedido
de registro de candidatura. Os postulantes deverão declarar detalhadamente
seus bens e os fatos relevantes de sua vida pregressa. Além de averiguar a
evolução patrimonial, o tribunal quer saber sobre o passivo de processos
judiciais. Ainda que a informação não sirva para brecar a candidatura, será
útil para a avaliação do eleitor.

O ministro Carlos Britto tem insistido em que o Judiciário não pode depender
da reformulação legislativa para promover as mudanças necessárias. Ele
entende que os princípios constitucionais da moralidade e da impessoalidade
são auto-aplicáveis. “Vamos projetar um olhar mais contemporâneo, mais
arejado para aperfeiçoar nossos costumes”, propõe ele.

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