Estimado Professor Jorge Stolfi,
Não creio que o problema esteja tão inexpugnável assim. O Relatório do CMind – Comitê Multidisciplinar Independente, do qual participas, é um documento de notória sobriedade e de profundo saber, e se bem propagado, conduzirá o meio acadêmico e as instituições nacionais, como já conseguiu com a OAB, a defenderem uma análise mais profunda dos riscos que esta urna eletrônica, volto a ressaltar, NORTE-AMERICANA, utilizada no Brasil, representa para à soberania nacional, pois, até uma linha de código inserida no sistema aberto do Linux, por um indivíduo ou uma instituição com interesses além de nossas fronteiras nacionais, pode conduzir as eleições no Brasil a uma verdadeira INVASÃO BRANCA, ou seja, à condução ao poder de indivíduos que se comportem como verdadeiros marionetes, que acabem de entregar o patrimônio nacional às multinacionais. Portanto, temos de propagar o Relatório do CMind aos quatro cantos da nação, por quaisquer meios que se mostrem viáveis e, ele, com a sua contundência, trará o resultado pelo qual tanto aguardamos, ou seja, UM SISTEMA ELEITORAL ELETRÔNICO REALMENTE CONFIÁVEL. http://www.brunazo.eng.br/voto-e/textos/RelatorioCMind.pdf POR UMA URNA ELETRÔNICA REALAMENTE SEGURA, subscrevo-me Atenciosamente, Leamartine Pinheiro de Souza 21 2558-9814 – [email protected] Rua Conde de Baependi 78, Ap 1310 Flamengo, Rio de Janeiro, RJ 22231-140 -----Mensagem original----- De: [email protected] [mailto:[email protected]] Em nome de Jorge Stolfi Enviada em: quarta-feira, 22 de setembro de 2010 19:14 Para: [email protected] Cc: 'Forum do Voto Seguro' Assunto: Re: RES: {VotoEletronico} [IC/Urna] Fraude eletronica a vista? > [ Paulo S M Carneiro:] Particularmente não tenho dúvidas que > há fraude no sistema eleitoral e, tanto PT quanto PSDB, sabem, > se beneficiam e se calam. [...] Na eleição de 2006, [...] Prezado Paulo, A eleição de 2006 pode ser lida de quatro maneiras --- houve fraude no primeiro turno, no segundo tueno, em ambos, ou em nenhum dos dois. Cada um vai dar suas probabilidades para cada teoria. (Probabilidade não é uma grandeza física, é uma medida de fé; e portanto inerentemente individual e emocional...) Mas uma coisa na qual, espero, todos concordamos é que a fraude eletrônica em massa é tecnicamente possível, e que a probabilidade de ela ocorrer no futuro é suficientemente alta para tornar esse modelo de urna inaceitável. O próprio fato de que pessoas discordam sobre o que aconteceu em 2006 demonstra o problema. Com essa urna, um resultado apertado sempre vai cheirar a fraude para o lado que perdeu. Em todas as eleições passadas houve candidatos inconformados, certos de que suas derrotas form ao resultado de fraude. Até agora, essas queixas foram esmagadas pelas negativas dogmáticas do TSE, respaldadas na ilusão popular de que a urna é segura. Mas essa ilusão não vai durar para sempre. Ns últimos cinco anos, todos os outros países do mundo, do primeiro ao terceiro, já perceberam a dimensão desse risco, e mudaram ou estão mudando para votação em papel ou em urnas digitais com comprovante material. O povo brasileiro só não percebeu ainda porque tanto o TSE quanto a mídia tem ativamente censurado qualquer notícia sobre votação eletrônica no exterior (depois mando um exemplo interessante disso), e sempre implicando que os críticos da urna (nós) são um pequeno bando de patetas paranóicos. A justiça eleitoral brasileira é infelizmente um enorme icebergue de ditadura boiando no mar revolto de nossa incipiente democracia. Basta lembrar seu hábito de qualificar alegações de fraude como "choradeira de maus perdedores". Não passa nem de longe na cabeça desses senhores que o objetivo de qualquer eleição é convencer *todo mundo* de que o lado perdedor é minoria --- *especialmente* os partidários desse lado. Num estado democrático, a justiça eleitoral existe para servir aos perdedores, e não para escarnecer deles. Se um sistema eleitoral não consegue convencer os candidatos derrotados de que as eleições foram limpas, então o sistema é um lixo. Na ideologia da nossa justiça eleitoral, infelizmente, a opinião dos outros não interessa: é suficiente que *o juiz* esteja convencido de que não houve fraude. Esse modo de pensar é totalmente característico de um Estado Autoritário, e totalmente incompativel com um Estado de Direito. Fazem uns dez anos que acompanho, pricipalmente das aquibancadas, a luta dos paladinos do voto seguro por um sistema eleitoral realmente democrático e confiável. Pelo que presenciei, tenho certeza de que o TSE nunca vai admitir que a urna seja algo menos do que maravilhosa e infalível. Pelo contrário, a cada eleição seu dogmatismo vai se cristalizando, e seus escrúpulos vão cada vez mais sendo atropelados pelo seu instinto de auto-preservação. A maneira como eles esconderam do público e do congresso os defeitos das urnas observados em 2006 e 2008 beira o crime de falsidade ideológica. Por exemplo, há dez anos que se sabe que o uso de uma mesma máquina para registro do eleitor e contagem dos votos é uma falha inaceitável de projeto, pois cria o risco de violação do sigilo eleitoral pelo governo e portanto de coação dos eleitores. (Sem falar que isso impõe a limitação de uma cabine por mesa, e portanto filas de horas em vez de minutos.) Dez anos atrás o TSE poderia ter corrigido esse erro sem muito problema. Hoje ele não pode mais: porque, se o fizer, o povo vai naturalmente perguntar, "mas se isso é um defeito, porque voces não o corrigiram antes?". E o mesmo acontece com a materialização do voto: para o TSE, aceitar essa mudança significaria admitir que durante 14 anos eles mentiram sobre a segurança da urna. Impensável. Eu só vejo duas maneiras do TSE ser forçado a trocar essa porcaria de urna. Uma é acontecer um resultado inesperado (legítimo ou por fraude, não importa) em alguma eleição importante; e que o lado perdedor, inconformado e incapaz de verificar a lisura da eleição, acredite que tenha havido fraude e bote tudo para quebrar, acabando com o TSE na marra. A outra é que aconteça uma pane realmente óbvia e ridícula em todas as urnas do país. Algo como a urna exibir fotos pornográficas em vez dos candidatos, ou o Tiririca ganhar a eleição para presidente por um trilhão de votos --- negativos. Algo que mostre, de maneira impossível de ocultar, a fragilidade da urna e a insensatez de se confiar em um sistema de votação totalmente digital. Naturalmente estou rezando para que o segundo cenário aconteça antes do primeiro. Confio que Deus --- se Ele existe, é Brasileiro, e ainda não se mudou para Miami --- não vai escolher a outra opção. Tenho essa confiança porque já tive um vislumbre da graça divina no final de 2008. Nessa época a administração da UNICAMP resolveu --- ignorando meus protestos veementes no Conselho Universitário --- adotar a eleição eletrônica para membros do dito cujo e, posteriormente, para reitor. Usando um sistema que, além de inteiramente digital, transmitia os votos de todas as unidades pela a internet, para totalização no centro de processamento de dados da universidade. Pois bem, não é que esse sistema maravilhoso, exaustivamente testado e garantido pelos nossos luminares em voto eletrônico, travou vergonhosamente no dia da eleição? Depois de um dia de esforços para ressuscitar o sistema, a votação teve que ser cancelada, e foi refeita vinte dias depois --- em papel. Como posso explicar esse milagre, senão pelo dedo de Jeová? No nível nacional, Alá o Misericordioso já deu duas advertências aos luminares do TSE: 13% de logs bichados em 2006, e 20% de urnas travadas em 2008. Por duas vezes Ele brandiu-lhes a espada na cara, mas; generoso, limitou-se a aparar-lhes as barbas. Porém, esses infiéis contumazes ignoraram os avisos, e escolheram persistir nos seus erros. Espero que Zeus finalmente perca a paciência, e solte sobre eles o raio que os parta. Sinceramente, --stolfi -- Jorge Stolfi Full Professor/Professor Titular Instituto de Computação/Institute of Computing UNICAMP -- __________________________________________________ O texto acima e' de inteira e exclusiva responsabilidade de seu autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao representa necessariamente o ponto de vista do Forum do Voto-E O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos sistemas de assinatura digital e infraestrutura de chaves publicas. __________________________________________________ Pagina, Jornal e Forum do Voto Eletronico http://www.votoseguro.org __________________________________________________ Você recebeu esta mensagem porque está inscrito no Grupo "VotoEletronico" em Grupos do Google. 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