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Apenas para registro, Portinho: Dentro dos pr�ximos meses deve ser publicada pela Editora
Renovar, do Rio de Janeiro, minha disserta��o de mestrado que ataca essa linha jurisprudencial. O uso dos silogismos nesse campo (I- h�
um “direito” � sa�de, II- fulano est� doente, III- logo “vire-se o Estado”) �
inteiramente equivocado. Apenas
como exemplo, transcrevo abaixo algumas cita��es que uso no meu trabalho: H�
hoje um mito que pa�ses pr�speros como os Estados Unidos n�o precisam se
preocupar com o problema da sele��o de pacientes, j� que h� recursos
suficientes para todos. H� at�
quem acredite que essa sufici�ncia se estende mundo afora. Esse mito � menos que meia
verdade. A verdade nele contida �
que h� recursos financeiros para eliminar muitas das escassezes de hoje. Ser�o esses recursos tornados
dispon�veis para satisfazer as necessidades m�dicas de todos? Infelizmente, isto n�o � prov�vel,
mesmo nos Estados Unidos. Outros
recursos n�o financeiros, como �rg�os para transplante, s�o escassos em rela��o
�s necessidades. Novas escassezes,
ademais, s�o inerentes ao progresso da tecnologia. Em outras palavras, crit�rios de sele��o de pacientes s�o
desesperadoramente necess�rios hoje em todos os lugares e continuar�o a s�-los
no futuro. (KILNER,
John F. Who Lives? Who Dies?: Ethical Criteria in Patient Selection. New Haven: Yale University Press, 1990,
p. 3 - tradu��o livre) Em
segundo lugar, pode a liberdade m�dica sobreviver em um ambiente de limite
or�ament�rio? Os m�dicos defendem
zelosamente a liberdade m�dica, o direito de prescrever o que pensa ser o
melhor para cada caso. Essa
liberdade inclui o direito de cada m�dico prescrever rem�dios, de cada
especialista aceitar ou rejeitar pacientes, prescrever exames, de realizar ou
prescrever procedimentos cir�rgicos que pensa possam ser ben�ficos. Como pode uma liberdade como essa ser
preservada quando o n�mero de leitos e de salas de cirurgia � restrito, a capacidade de realizar
exames � limitada pelo ac�mulo, resultado da diminui��o nas compras de
equipamentos, e o or�amento para rem�dios tem que competir com outras grandes
prioridades em gastos hospitalares? (AARON,
Henry J & SCHWARTZ, William B.
The Painful Prescription: Rationing
Hospital Care.
Washington: The Brookings Institution, 1984, p. 10 -
tradu��o livre). A
despeito da for�a intr�nseca da palavra, as necessidades s�o de dif�cil defini��o. As pessoas n�o t�m apenas necessidades,
elas t�m id�ias sobre suas necessidades; elas t�m prioridades, elas t�m n�veis
de necessidades. Essas prioridades
e n�veis devem-se n�o apenas � natureza humana, mas tamb�m a fatores hist�ricos
e culturais. Como os recursos s�o
sempre escassos, escolhas dif�ceis t�m que ser tomadas. Penso que tais escolhas somente podem
ser pol�ticas. Elas est�o
sujeitas a alguma elucida��o filos�fica, mas a id�ia de necessidade e o
compromisso com o bem comum n�o levam a uma determina��o clara de prioridades
ou escalonamento. As
necessidades n�o s�o apenas de dif�cil defini��o, elas s�o tamb�m
expansivas. Na frase do fil�sofo
contempor�neo Charles Fried, as necessidades s�o vorazes, elas devoram os
recursos. Mas seria errado dizer
que a necessidade n�o pode ser um princ�pio distributivo. �, na verdade, um princ�pio sujeito a
limita��o pol�tica. Tais limites
podem ser arbitr�rios, fixados por alguma coaliz�o de interesses tempor�ria ou
por maiorias eleitorais. Considere-se
o caso da seguran�a pessoal numa cidade norte-americana moderna. � poss�vel prover seguran�a absoluta,
eliminando todas as fontes de viol�ncia salvo as dom�sticas, se pus�ssemos um
posto de luz a cada dez jardas [aprox. 10 metros] e um policial a cada trinta [cerca
de 30 metros], por toda
a cidade. Todavia, isso seria
muito caro e ent�o optamos por algo menos. Quanto menos s� pode ser decidido politicamente, e s� pode ser decidido politicamente: � para isso que
servem os arranjos pol�ticos na democracia. Qualquer esfor�o filos�fico para estipular em detalhes os
direitos ou titula��es dos indiv�duos restringiria radicalmente o escopo do das
tomadas de decis�es na democracia. (WALZER,
Michael. Spheres of Justice. Basic Books, 1983, p. 66. O trecho em it�lico est� em observa��o
ao p� da p�gina 67 - tradu��o livre). A
quest�o � complexa e n�o comporta solu��es simplistas. Se vc. ou algu�m tiver interesse no
debate, podemos faz�-lo. Quero
apenas deixar o registro da complexidade da quest�o e da falsidade da afirma��o
“boazinha”, “afirmadora dos direitos sociais”, que, pelo que tenho visto, serve
para atender a classe m�dia com tratamentos caros, as vezes no exterior, a
despeito de qualquer considera��o sobre os reflexos gerais. Gustavo Amaral -----Mensagem
original----- Infelizmente
ainda se encontra teses contr�rias ao precedente abaixo transcrito,
especialmente por parte de alguns administradores. Resta-me apenas aplaudir
esta linha decis�ria que prevalece em nossos tribunais. MEDICAMENTO. FORNECIMENTO. DOENTE CARENTE. |
- [IBAP] saude Luiz Claudio Portinho
- Re: RES: [IBAP] saude Gustavo Amaral
- Re: RES: [IBAP] saude cidmaia
- RES: RES: [IBAP] saude Gustavo Amaral
- Re: RES: RES: [IBAP] ... cidmaia
- Re: RES: RES: [I... Guilherme Jose Purvin de Figueiredo
- RES: RES: RE... Gustavo Amaral
- [IBAP] ainda... Gustavo Amaral
- [IBAP] F... Gustavo Amaral
- Re: [IBA... Solange
- RES: RES: RES: [... Gustavo Amaral
- Re: [IBAP] saude Luiz Claudio Portinho
