Historiadores acreditam que Seg 10 Dez 2001 09:28 foi a data na qual Cl�udio
"Sampaio (Patola)" escreveu o seguinte:
> Compilar os fontes? Voc� est� querendo que o computador do usu�rio
> final tenha obrigatoriamente um compilador e bibliotecas de
> desenvolvimento? Ent�o quem n�o tiver isso n�o vai poder instalar?
Humm, � uma boa argumenta��o. Eu falei um pouco sem raciocinar meio ofuscado
pela id�ia de possuir o mesm�ssimo download para o usu�rio de distros t�o
diferentes como TechLinux, SuSE, Slackware ou Debian. O maior entrave �
populariza��o de programas para o Linux � o fato de que o desenvolvedor
muitas vezes precompila e empacota apenas para a sua distro. Ele normalmente
disponibiliza os fontes e um bin�rio qualquer (por exemplo, RPM para RedHat
7.x). Com isso, quem tem SuSE (ou Slack ou Debian...) "se ferra" porque tem
que compilar o tro�o a partir dos fontes ou ent�o esperar que alguma alma
caridosa gere o RPM ou o DEB.
Eu sofro sobremaneira para encontrar pacotes para o meu SuSE. Por conta
disso, praticamente TUDO o que eu preciso e que n�o est� nos CDs do SuSE eu
tenho que compilar pq os RPM para RedHat sempre dispon�veis nunca funcionam.
Um exemplo recente disso foi o Screem. Tive que compil�-lo para conseguir
instalar. E mesmo assim n�o funcionou :P
> TGZ n�o tem depend�ncias, DEB e RPM t�m. Como ele vai gerenciar isso
> com robustez? Estenda o racioc�nio para todos os outros recursos de cada
> tipo de pacote.
Certo. A solu��o que eu pensei � bem maluca, mesmo. Ser� extremamente pesada
porque � como ter quatro ou cinco instaladores em um. Eu apenas quis lan�ar o
problema, a "solu��o" que dei foi s� um emaranhado de id�ias para
exemplificar o problema.
> Voc� est� louco.
Eu SOU louco HEHEHE.
> Um sistema instalador destes n�o � robusto. Al�m de ser inseguro e no caso
> do GNU/Linux.
Quando pensei nisso, eu estava imaginando SEMPRE E T�O SOMENTE o usu�rio
dom�stico sem muito conhecimento. O "empurrador de mouse" padr�o.
Esse tipo de usu�rio N�O T� NEM A� pra seguran�a e acha que esse papo de
robustez ou estabilidade � frescura.
N�o que eu concorde com ele, bem entendido. Mas, trabalhando com os downloads
de Linux aqui na Info eu senti o drama: as pessoas QUEREM usar o Linux, mas
instalar coisas nele � muito dif�cil. Eu recebo emails todos os dias me
perguntando ou sobre como instalar a baga�a ou me pedindo um endere�o onde
tenha "um .EXE para Linux". Pra essas pessoas, regular o tempo de aquecimento
do microondas � extremamente complicado, imagine dizer que para instalar um
programa eles t�m que abrir um terminal e digitar:
rpm -hiv bobagem_legal_que_eu_baixei.i386.rpm
Nem me fale em apt-get: ele resolve as depend�ncias, mas que adianta? O
usu�rio vai ter que criar um reposit�rio APT s� para intalar aquele
arquivinho, o que acaba sendo muito mais complicado do que fazer
rpm -hiv bobagem_legal_que_eu_baixei.i386.rpm
Isso porque eu n�o falei em depend�ncias ainda.
> Veja bem, � interessante que o 'end-luser' nos d� par�metros tais como
> facilidade de uso e aplicativos populares ... mas este usu�rio N�O
> ENTENDE de computador e ...
EXATAMENTE!!!!!!!!!!!! BINGO!!!!!
Este usu�rio N�O ENTENDE DE COMPUTADOR. Pode at� ser que o que ele queira
seja tecnicamente incorreto. Mas � o que ele quer e � o que tanto Windows
como Macintosh oferecem.
O grande trunfo dessas duas plataformas no tocante � facilidade de instala��o
e oferta de aplicativos N�O � por estabilidade ou seguran�a. Nisso todos
concordam. N�o existe mecanismo ou traquitana inventada pelo homem mais
ineficiente e mal formada do que o Windows. Se o Windows fosse uma pessoa,
teria v�rios tipos de cancer, malforma��o �rg�os, alguns deles doados de
outras pessoas e transplantados de maneira porca. Mas seria um sujeito de
fina estampa, externamente. E as pessoas gostar�o dele s� por isso.
O grande trunfo das duas plataformas � o P A D R � O. Voc� n�o precisa se
preocupar em como est� organizado o /etc ou se em tal distro vc usa a glibc
2.0 ou 2.2. Por isso � f�cil instalar aquele programinha que vc baixou no
download. O padr�o tamb�m permite que haja apenas um .EXE para Windows ou um
.HQX para Mac.
No Linux, ao contr�rio, vc tem um RPM pra RedHat, um RPM pra Conectiva, um
RPM pra Mandrake, um RPM pra SuSE, pra Debian vc tem o DEB, pra Slack o TGZ,
pra Stampede o SLP... E nao � s� executar o aqruivo que ele sai instalando.
Mesmo que d� pra vc clicar no RPM de dentro do Konqueror, ele vai abrir o
GnoRPM (ou o KPackage) e vc vai ter que aprender a operar esse cara, e vai
ter que resolver as depend�ncias (sempre elas!!!) pro neg�cio funcionar. Meu,
pode ser at� melhor tecnicamente, mas isso assusta o nosso amigo empurrador
de mouse.
Eu gosto da boa e velha linha de comando. Mas cada vez que abro um terminal
aqui na Info pra fazer alguma coisa sou zoado pelo resto do dia. Isso porque
s�o todos jornalistas especializados, imagine se fossem motoristas de t�xi ou
secret�rias de posto de gasolina...
> o que ele QUER � justamente o tecnicamente INCORRETO.
Voc� est� falando como t�cnico. N�o h� suporte t�cnico na
casa_da_dona_soraya_que_tem_um_pc_pra_escrever_receita.
> Eu acho que devemos nos esfor�ar para deixar o sistema f�cil, mas sem
> sacrificar partes vitais como o sistema de pacotes do GNU/Linux; tanto
> DEB quanto RPM s�o muito bons, e deveriam ser usados na plenitude de
> seus recursos.
Eu concordo plenamente com isso. Acredito at� que n�o � necess�rio seguir os
paradigmas do Windows ou do Macintosh. Muitos deles s�o lixo e acostumam mal
(i.e deseducam) os usu�rios.
Mas, no n�vel em que estamos hoje, o usu�rio que s� sabe ligar a tv e trocar
o canal vai passar bem longe do Linux.
Muitos aqui acham que esse tipo de usu�rio n�o serve para usar o Linux. Eu
discordo. EMHO todos tem o direito de se beneficiar com esse sistema, e ele
precisa atender �s necessidades desses novos usu�rios.
> D� pra fazer um equil�brio de facilidade e flexibilidade sem estragar o
> sistema - e em minha opini�o, a solu��o que voc� prop�e est� bem longe
> deste equil�brio!
Sim, est� mesmo! Quando a propus, n�o pensei em estabilizade e robustez,
apenas em facilidade. Eu atirei a id�ia crua na lista mais para gerar a
discuss�o mesmo do que para encontrar algu�m que a fa�a. Eu estava
apresentando o problema, e criei uma pseudo-solu��o estapaf�rdia s� para
exemplific�-lo.
Desde que eu comecei a mexer com Linux (em 1998) minhas duas bandeiras sempre
foram a padroniza��o do sistema (leia-se LSB) e a aproxima��o entre o pinguim
e o usu�rio leigo - �, aquele tapado e burro, mesmo. S� recentemente (acho
que quando estava na Revista do Linux) � que a ficha caiu e eu percebi que as
duas coisas s�o interdependentes. Maior facilidade para usu�rios leigos e
maior oferta de aplicativos para Linux dependem estreitamente da
PADRONIZA��O. Acho que vou lutar por isso (reclamar disso?) at� o fim dos
dias. O dia em que o mesmo pacote (seja RPM, DEB, TGZ ou um improv�vel "Gnu
Software Manager") puder ser instalado em QUALQUER distribui��o, e que isso
seja feito de uma maneira que o usu�rio leigo ache simples, a� eu vou
procurar outra coisa da qual reclamar.
Enquanto comunidade, temos que decidir: ou caminhamos para atender �s
necessidades desse novo usu�rio, a quem pejorativamente chamamos de "luser",
ou realmente continuamos a defender os dogmas de sempre e mantemos o Linux
apenas nas universidades e servidores de empresas.
> Pois que tal isso: "ser popular sem sacrificar a t�cnica"?
Isso � MUUUITO dif�cil. Bem, acho que todo mundo aqui sabe disso.
--
Henrique Cesar Ulbrich
Linux User #157134
Infolab
Revista Info Exame
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Oscar Wilde
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