Acho que tem uma palavra pra isso: sofista (ou enganador) ou
professor. Muito legítimo.
Quoting Décio Krause <[EMAIL PROTECTED]>:
> Digamos que alguém resolva "fazer filosofia" somente para ganhar dinheiro
> (um mundo possível, claro), sem pretensão de "salvação" ou de paz
> espiritual. O que diram dessa pessoa? (pace, Arthur).
>
>
>
> 2008/9/19 <[EMAIL PROTECTED]>
>
>> Puxa, Rodrigo, até que enfim alguem interessado em entender o Prof. arthur.
>> Se nota quando a pessoa não é educada via Wikipedia!
>>
>> Renato.
>>
>> PS: no Brasil os acadêmicos deveriam imitar o eduardo Viveiros de
>> Castros e ter um mestre indígena...se não tem rastro de civilização em
>> Roma, imagina aqui "em todo território nacional"
>>
>>
>>
>> Quoting Rodrigo Oliveira <[EMAIL PROTECTED]>:
>>
>> >
>> >
>> >
>> > Entendo o que defende Arthur, creio. Pra você a filosofia está
>> > vinculada a um projeto de salvação, como o chama Schopenhauer, por
>> exemplo
>> > (alias, um exemplo claro de que a filosofia oriental não foi de todo
>> > esquecida). A filosofia busca uma salvação sem Deus, sem dogmas, uma
>> salvação
>> > através do pensamento crítico. Trata-se de buscar o conforto, mas não a
>> > qualquer custo. A filosofia de certo modo substitui as religiões como
>> doadora
>> > de sentido para a vida. Não é apenas questão de buscar conforto, esse
>> > conforto tem que passar pela crítica. Os grandes questionamentos da
>> filosofia
>> > surgem da constatação da finitude do homem: somos seres finitos e
>> > temos consciência disso ("Buda foi originalmente um filósofo que
>> > buscou uma solução para o problema da morte, doença e velhice").
>> > Grosso modo a questão central da filosofia é: qual o sentido da
>> > vida? Ou ainda: Como atingir a vida feliz? Não se trata de aderir a
>> > um credo e pronto, trata-se de alcançar a vida boa, exige esforço e
>> > empenho e a razão é o principal instrumento. Esse projeto perpassa a
>> > história da filosofia. Sócrates mesmo vai
>> > dizer que a filosofia nos prepara para a morte. A filosofia de
>> > Epicuro e dos estóicos retratam bem isso. Montaigne diz "filosofar é
>> > aprender a morrer". Uma das perguntas centrais da filosofia para
>> > Kant é "O que nos é permitido esperar?"
>> >
>> >
>> >
>> > Outro modo de colocar a questão: A metafísica
>> > englobava o individuo e dava sentido a vida para os gregos, o
>> > individuo só encontra seu sentido na polis, ela fornece a unidade,
>> > fora da polis há animais ou deuses. Na idade media o mundo era um
>> > palco para a
>> > salvação, Deus dava sentido e mantinha a unidade. O indivíduo
>> > encontra sentido ao relacionar-se com essa estrutura objetiva que o
>> > engloba. Nos séculos seguintes o
>> > individuo foi emergindo, ganhando importancia e o Estado é que passa
>> > a conferir esse sentido e mantem a unidade. O indivíduo, apenas,
>> > não encontra sentido, o sentido tem que ser coletivo. Hoje o
>> > individuo foi alem e nada parece se sobrepor a ele, nada nos
>> > engloba e nos une, nem metafísica, nem Deus e nem Estado. Eis
>> > porque sentimos falta de legitimidade, de
>> > algo que dê sentido a nossas vidas, de uma vida autêntica. Sempre
>> > houve uma estrutura objetiva que nos
>> > englobasse e nos fornecesse sentido, hoje nada parece cumpir essa função:
>> > caberia a filosofia essa tarefa? Muitos acreditam que sim. Muitos buscam
>> > respostas na filosofia oriental. Mas o grande astro aqui é o biocentrismo
>> e a
>> > consciência ambiental. Muitos consideram que a tarefa da filosofia
>> > hoje é encontrar uma alternativa capaz
>> > de unir a importancia do indivíduo e da liberdade com uma estrutura
>> > objetiva que dê sentido.
>> >
>> > Junto com o projeto da salvação não religiosa, outro projeto que
>> > desde cedo acompanha a filosofia é o projeto de fundamentação do
>> > conhecimento. Existem várias ciências, mas estas ciências, por sua
>> > natureza axiomática, não fundamentam seus axiomas, cabe a filosofia
>> > faze-lo, nomeadamente à metafísica: ciência dos primeiros
>> > princípios, ciência das ciências e etc. Em suma um sistema capaz de
>> > unificar as ciências tendo como chão a filosofia.Que alguns se
>> > 'perdem' no
>> > caminho e ficam apenas com joguinhos intelectuais e quebra-cabeças
>> > creio que você quer dizer que eles ficam apenas nesse projeto que
>> > envolve questões epistemológicas e ontológicas, sobretudo. Com a
>> > virada linguística e a virada pragmática depois outros problemas
>> > surgiram. Note que muitos rejeitam conscientemente a questão da
>> > salvação ou consideram ela um aspecto secundário. Talvez a própria
>> > palavra salvação não agrade alguns, mas significo com ela o que você
>> > mesmo disse: "Uma boa filosofia deveria servir para todos os fins,
>> > para mobilizar todo o organismo humano em suas mais diversas facetas."
>> > Se for isso que você acredita, bom a filosofia ocidental não está
>> > tão mal quanto você diz. Você encontrará isso em praticamente todo
>> > grande filósofo
>> > ocidental (alguns desconsideram a questão da salvação e tem motivos
>> > para isso). Nietzsche diz de Kant que toda a Crítica da Razão Pura
>> > serve
>> > apenas para tirar ética e religião do campo de disputa da razão e
>> > protege-las. O edificio moral é o que Kant no fundo quer defender.
>> > Defender a ética e
>> > a possibilidade da salvação. (No livro Aurora, número 3 do
>> > prefácio). Salvando a religião do campo de disputa da razão ele
>> > mostra seu interesse na salvação.
>> > Descartes age de modo parecido, preocupa-se sobretudo com a questão
>> > da fundamentação, deixa a salvação para a religião. Os filósofos
>> > ateus de igual
>> > modo tem uma teoria da salvação.
>> >
>> > Eu não recomendaria pesquisas de universidade para um publico leigo. Elas
>> são
>> > por natureza literatura especializada, mas direta ou indiretamente se
>> referem
>> > sim a essa questão da filosofia como salvação. A filosofia tem uma
>> > tarefa a cumprir na questão do conhecimento e da
>> > ética, mas sim, essa questão da salvação sempre esteve presente.
>> > Reduzir a filosofia a pensamento crítico e autonomia ou a um
>> > pensamento
>> > rigoroso não é correto, isso é uma condição necessária para
>> > realiza-la, mas não
>> > suficiente. O cerne da filosofia é a finitude humana e a salvação
>> > não-religiosa.
>> >
>> >
>> >
>> > É algo assim Arthur? Eu não me interessaria tanto pela filosofia se ela
>> não
>> > tivesse esse lado, mas compreendo bem as razões para rechassar esse ponto
>> de
>> > vista. Ainda não estou certo se ela deve ser mantida hoje ou não.
>> > Heidegger e Popper por exemplo abandonaram a questão da
>> > fundamentação última. Outros abandonam a questão da salvação. Note
>> > contudo que os dois maiores filósofos do século passado são
>> > Heidegger e Wittgenstein, em Heidegger a questão da salvação se
>> > identifica com da vida autêntica que grosso modo consiste em fazer
>> > filosofia e em Wittgenstein, Paulo Margutti mostra bem a questão da
>> > salvação no Tractatus (Iniciação ao Silêncio, alias passou um
>> > semestre na India para entender melhor esse silêncio místico) e nas
>> > Investigações a salvação consiste grosso modo em não pensar
>> > metafísicamente, uma 'terapia filosófica'. Li um artigo que mostra
>> > algumas semelhanças entre a filosofia das Investigações e o Zen.
>> >
>> > Escrevi correndo e grosso modo. Claro, deveriamos aprofundar mais em
>> > vários pontos, mas fica uma imagem, serve para nos orientarmos.
>> >
>> > Agora quanto ao Russel, nutro o mesmo respeito por ele, mas olha o
>> > que ele disse: "No seu octogésimo aniversário, Russell
>> > ofereceu um conselho típico
>> > de longevidade. Recomendou 'um hábito hilariante de controvérsias
>> > olímpicas', que nos mantivesse ocupados e que evitássemos todos os
>> > tipos de excessos -
>> > excepto fumar. ("Até à idade de quarenta e dois anos
>> > fui um abstémio. Mas, nos últimos sessenta anos tenho fumado
>> incessantemente,
>> > parando somente para comer e dormir")"
>> >
>> >
>> > Abraço
>> >
>> > Rodrigo
>> >
>> >
>> > From: [EMAIL PROTECTED]
>> > To: [email protected]
>> > Date: Wed, 17 Sep 2008 20:10:00 -0300
>> > Subject: [Logica-l] RES: falhas graves da "filosofia" acadêmica ocidental
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> > Caro Rodrigo, com
>> > respeito à reportagem citada da Revista ?Isto É?, vejo apenas uma
>> > sede cada vez maior do público por um conhecimento mais elevado, e daí
>> tal
>> > público supõe que o mesmo pode ser encontrado nas pesquisas de
>> ?filosofia?
>> > das universidades. As mesmas oferecem ao público no máximo diversos jogos
>> > intelectuais de quebra-cabeças, diversas formas de excitação
>> > intelectual, o que
>> > é capaz de aplacar a sede intelectual de muitos, mas não a sede daqueles
>> que
>> > possuem um discernimento para reconhecer que a busca da Verdade não
>> > consiste em
>> > montagens de quebra-cabeças e solução de enimas intelectuais, mas sim em
>> um
>> > comprometimento e engajamento de todo o organismo, de todo o corpo
>> físico,
>> > emoções, intelecto e intuição para focalizar o Sentido essencial de Tudo.
>> >
>> >
>> >
>> > a) Arthur
>> > Buchsbaum
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> > De:
>> > [EMAIL PROTECTED] [mailto:[EMAIL PROTECTED]
>> Em
>> > nome de Rodrigo Oliveira
>> >
>> > Enviada em: quarta-feira, 17 de setembro de 2008 17:43
>> >
>> > Para: [email protected]
>> >
>> > Assunto: [Logica-l] FW: falhas graves da "filosofia" acadêmica
>> > ocidental
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> > Arthur:
>> >
>> > Segue uma notícia que mostra que seu ponto de vista Arthur está, no
>> mínimo,
>> >
>> > desatualizado. A filosofia está na moda na verdade.
>> >
>> > A velha crítica sobre a filosofia acadêmica não procede, creio eu,
>> > são inúmeras
>> >
>> > as obras de divulgação e de aproximação com o público.
>> >
>> > Mesmo assim soa estranho afirmar que por não incluir a filosofia oriental
>> o
>> > público
>> >
>> > desgostou da filosofia. Não vejo qualquer relação.
>> >
>> >
>> >
>> > Filosofia em alta - Revista Isto É:
>> > http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2014/artigo91916-1.htm
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> > Comportamento
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> > Filosofia
>> > em ALTA
>> >
>> > Ela é disciplina obrigatória nas escolas, mania na tevê, nas empresas e
>> até
>> > nos livros para crianças
>> >
>> >
>> >
>> > RODRIGO CARDOSO
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> > CONTEÚDO
>> > Gabriela Campana, 17 anos, reúne-se com amigos para debater as idéias
>> de
>> > Nietzsche e Maquiavel
>> >
>> >
>> >
>> >
>> > Empresascontratam filósofos
>> > para palestras e consultorias, crianças de cincoanos travam o primeiro
>> > contato com o tema e, fora da sala de aula,adolescentes se reúnem para
>> > debater idéias de Nietzsche e Platão.Nascida na Grécia há mais de dois
>> mil
>> > anos, a filosofia encontraterreno cada vez mais fértil no Brasil ? até
>> > mesmo na tevê. No programaFantástico, da Rede Globo, o quadro ?Ser ou
>> > não ser? sobre filosofiaentrará em sua terceira temporada. ?A
>> > filosofia está em alta?, afirma afilósofa Viviane Mosé, apresentadora
>> > da atração. Ela, que carrega omérito de tornar didático um tema pouco
>> > palatável, conclui: ?O que estáem baixa é a forma acadêmica de
>> > pensar.?
>> >
>> > A crítica deViviane é para o projeto de lei,
>> > recém-sancionado pelo governo federal,que obriga as escolas do
>> > País a incluir
>> > filosofia e sociologia nocurrículo do ensino médio. ?Da maneira como o
>> > ensino é fragmentado, afilosofia vai ser mais uma decoreba sobre quem é
>> > Sócrates e quandonasceu Platão?, teme ela. Mas há boas iniciativas,
>> > como a do Centro deFilosofia Educação para o Pensar ? Filosofia com
>> > Crianças, Jovens eAdolescentes, que ensina o tema para alunos a partir
>> de
>> > cinco anos.Constituída de educadores e filósofos, o centro tem
>> > parcerias com
>> > 300escolas do País. O método de ensino faz o aluno discutir
>> > filosofia emtodas
>> > as disciplinas, e não apenas em uma matéria. ?Prestamosassessoria
>> > pedagógica para professores e produzimos o materialdidático, que é
>> adaptado
>> > ao nível cognitivo do aluno?, explica JoséCarlos Freire, assessor
>> > pedagógico do centro. Filósofo e professor daPontifícia
>> > Universidade Católica
>> > (PUC) de São Paulo, Mário SérgioCortella também foca nos filósofos
>> mirins.
>> > Ele lançará este ano O que épergunta, seu primeiro livro sobre
>> > filosofia para
>> > crianças. O interessedo mercado editorial pelo tema é crescente.
>> >
>> > ?Pormuito tempo, a tecnologia fez o mundo focar
>> > no ?como? em detrimento dos?porquês? e, enfadadas,
>> > hoje as pessoas procuram reflexões?, explicaCortella. No
>> > ano passado, ele deu 30 palestras sobre filosofia e ética para gestores
>> do
>> > Banco Bradesco.?Ficou chique
>> > consumir filosofia?, diz o acadêmico, que discursa aindaaos
>> > funcionários da metalúrgica Gerdau sobre a diversidade humana. NoRio, a
>> > filósofa Viviane segue o mesmo caminho. ?Ajudo o executivo a lero que
>> > acontece no mundo contemporâneo e a agir no presente?, afirma.
>> >
>> > Entreseus clientes estão a Petrobras, a Vale, O
>> > Boticário e o Banco deDesenvolvimento do Espírito Santo, que a
>> > contratou para
>> > falar sobreética e comprometimento aos funcionários. Um dos maiores
>> centros
>> > decursos livres na área de humanidade, a Casa do Saber também
>> > percebe omaior
>> > interesse pelo tema. Criada em São Paulo, hoje atua também no
>> > Riode Janeiro e
>> > expandiu o número de cursos de filosofia de nove, em 2004,para os
>> > atuais 175.
>> >
>> > Componente curricular excluído daescola pela
>> > ditadura em 1968, a filosofia seguiu existindo em
>> > colégiosparticulares, como
>> > o Santo Américo, em São Paulo, que desde 1975 ensinaa disciplina. Aluna
>> do
>> > terceiro ano do ensino médio, Gabriela Campana,17 anos, reúne-se
>> > com amigos,
>> > durante as férias, para debater as idéiasde Nietzsche e Maquiavel.
>> > E filosofa
>> > ao falar do valor do conhecimento:?Para estabelecer princípios e formar
>> > uma maneira própria de agir épreciso saber como outras pessoas pensavam
>> o
>> > mundo e tentavammelhorá-lo.?
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> > http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2014/artigo91916-1.htm
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> Tel.: +(48)3331-9248
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