Caro Doria,

Voce parece não captar meu ponto. De um certo modo falar de ciência tem 
sido um chavão fácil na lista, o problema está na elaboração do próprio 
conceito. Historicamente, alguns já pretenderam que Metafísica era 
ciência, o que torna a conceituação do termo nada simples. Pelo menos, 
você diz bem claramente: é físico (no espaço e no tempo), então é 
passível de investigação científica. Mas a questão é: de onde vem sua 
crença de que você pode explicar o (um) fenômeno em questão, seja por 
meio de causação, seja por meio de qualquer outra lei ou teoria 
"científica"? É isso que você não pode (ninguém pode) provar; provar que 
achará a resposta. Por isso esse me parece ser aquele tipo de asserção 
que chamaríamos ou de "tese metodológica" ou pelo menos de "tese 
metafísica"! No segundo caso teríamos que admitir a existência de um 
substrato último de natureza metafísica na própria ciência, não passível 
propriamente de "investigação científica".
Apesar disso, eu como você, assumo que tendo acontecido no espaço e no 
tempo é passível de investigação "empírica" (empírica é uma palavra 
muito mais adequada para o que você queria expressar). Tenho certeza que 
você pensa serem a matemática e a lógica ciências e, no entanto, seus 
objetos de estudo não são eventos espaço-temporais.

WS

  Francisco Antonio Doria escreveu:
> Repito meu argumento: aconteceu no tempo e no espaço, é passível de 
> investigação científica. Nada de questão de fundamentos, onde é que 
> você viu isso?
>
> Outra coisa: o dia em que ciência der bola para falseamento de 
> experiências como critério de cientificidade, todo mundo fecha os 
> laboratórios e vai pra praia fazer coisa melhor. Já examinou um 
> protocolo experimental, de laboratório? Não se crava uma...
>
> 2009/7/27 Wagner de Campos Sanz <[email protected] 
> <mailto:[email protected]>>
>
>     Caros Frank e Dória,
>
>     Um pouco atrasado, volto a discussão sobre Deus e os milagres.
>     Mesmo sendo ateu, acho que o Frank defendeu de modo equilibrado sua
>     posição.
>     Parece-me haver um problema básico nos argumentos do Dória. Ele disse
>     acreditar que tudo que ocorre ocorre por causas naturais ou que admite
>     explicações naturais, mais precisamente: "tudo que acontece dentro do
>     mundo é natural, ordinário". Porém, obviamente, essa não é uma
>     asserção
>     verificável; na melhor das hipóteses é uma tese metodológica. Mas,
>     nesse
>     caso, o problema resta no pé em que está.
>     Se não for metodológica, deveria ser metafísica e retornamos ao
>     problema
>     do seu fundamento. Deus seria o fundamento último para a tese?
>
>     PS: Em alguns outros mails já havia me deparado com outro problema. Eu
>     particularmente não vejo significado algum dizer que Deus existe e
>     Deus
>     não existe. Se serviu pra fazer silenciar ao Carneiro Leão, então deve
>     ter algum significado (da importância nem falo, pois isso deduz-se
>     pelo
>     efeito!). Qual seria?
>
>     WS
>
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