Prof. Décio, (Dória e outros físicos da lista)

Desce duas...mas escrevo para pedir um breve esclarecimento. Espaço absoluto, 
tal como pensado por Newton é o que habitualmente que intuitivamente se pensa 
em termos de espaço, aquilo que Kant trabalha como 'categoria a priori da 
consciência' junto com o tempo. Mas espaço relativista, a noção de espaço curvo 
tem uma visão intuitiva ou um exemplo possível em termos simples, ou apenas 
complexas e contraintuitivas fórmulas matemáticas?

Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
As explicações científicas são reais e completas, 
tal como as explicações da vida quotidiana e das religiões 
tradicionais. Diferem destas últimas unicamente por serem mais 
precisas e mais facilmente refutadas pela observação dos factos.


From: Decio Krause 
Sent: Wednesday, July 29, 2009 10:39 AM
To: Wagner de Campos Sanz 
Cc: Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA 
Subject: Re: [Logica-l] Tese metodológica e lógica como ciência


Wagner e Doria 
Quando falamos aqui em espaço e tempo, o Prof. Newton Costa sai à caça: *que* 
espaço e *que* tempo? Psico-fisiológicos? Absolutos? Relativistas? (São 
expressões que ele usa em geral, e aplica a quase todos os conceitos que 
utlizamos: indivíduo, partícula, modelos, lógica... achando que via de regra os 
filósofos não qualificam as coisas devidamente). Ele tem razão, mas acho que 
ele é pouco entendido. Os filófosos que conheço acham que, sim, qualificam o 
que dizem, mas não prestam atenção à matemática que estão usando, por exemplo. 
No entanto, concordo com muito do que vocês  dois estão falando, malgradas as 
diferenças (posso ser paraconsistente, porque não?), e Wagner está certo, me 
parece, que precisamos de uma *tese metodológica* para assumir que de fato 
vamos encontrar explicações, ou que se algo está no e-t, podemos explicar. A 
discussão está boa. 
PS. Tentei mandar a foto do Cupertino à qual o Doria se referiu antes mas ela 
não passou no crivo do moderador devido ao tamanho. Vou tentar de novo. Espero 
que ele deixe.
Quanto aos alucinógenos, cada um acha o santo-daime que deseja ou, como me 
disse um amigo lógico, *cai de boca no que melhor lhe apetece*. Eu por exemplo 
gosto de tomar cerveja.
Abraços (*pace*, moderador).
Décio





_____________________________
Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-970 Florianópolis, SC - Brasil
www.cfh.ufsc.br/~dkrause







Em 29/07/2009, às 10:03, Wagner de Campos Sanz escreveu:


  Caro Doria,

  Voce parece não captar meu ponto. De um certo modo falar de ciência tem 
  sido um chavão fácil na lista, o problema está na elaboração do próprio 
  conceito. Historicamente, alguns já pretenderam que Metafísica era 
  ciência, o que torna a conceituação do termo nada simples. Pelo menos, 
  você diz bem claramente: é físico (no espaço e no tempo), então é 
  passível de investigação científica. Mas a questão é: de onde vem sua 
  crença de que você pode explicar o (um) fenômeno em questão, seja por 
  meio de causação, seja por meio de qualquer outra lei ou teoria 
  "científica"? É isso que você não pode (ninguém pode) provar; provar que 
  achará a resposta. Por isso esse me parece ser aquele tipo de asserção 
  que chamaríamos ou de "tese metodológica" ou pelo menos de "tese 
  metafísica"! No segundo caso teríamos que admitir a existência de um 
  substrato último de natureza metafísica na própria ciência, não passível 
  propriamente de "investigação científica".
  Apesar disso, eu como você, assumo que tendo acontecido no espaço e no 
  tempo é passível de investigação "empírica" (empírica é uma palavra 
  muito mais adequada para o que você queria expressar). Tenho certeza que 
  você pensa serem a matemática e a lógica ciências e, no entanto, seus 
  objetos de estudo não são eventos espaço-temporais.

  WS

   Francisco Antonio Doria escreveu:

    Repito meu argumento: aconteceu no tempo e no espaço, é passível de 

    investigação científica. Nada de questão de fundamentos, onde é que 

    você viu isso?



    Outra coisa: o dia em que ciência der bola para falseamento de 

    experiências como critério de cientificidade, todo mundo fecha os 

    laboratórios e vai pra praia fazer coisa melhor. Já examinou um 

    protocolo experimental, de laboratório? Não se crava uma...



    2009/7/27 Wagner de Campos Sanz <[email protected] 

    <mailto:[email protected]>>



       Caros Frank e Dória,



       Um pouco atrasado, volto a discussão sobre Deus e os milagres.

       Mesmo sendo ateu, acho que o Frank defendeu de modo equilibrado sua

       posição.

       Parece-me haver um problema básico nos argumentos do Dória. Ele disse

       acreditar que tudo que ocorre ocorre por causas naturais ou que admite

       explicações naturais, mais precisamente: "tudo que acontece dentro do

       mundo é natural, ordinário". Porém, obviamente, essa não é uma

       asserção

       verificável; na melhor das hipóteses é uma tese metodológica. Mas,

       nesse

       caso, o problema resta no pé em que está.

       Se não for metodológica, deveria ser metafísica e retornamos ao

       problema

       do seu fundamento. Deus seria o fundamento último para a tese?



       PS: Em alguns outros mails já havia me deparado com outro problema. Eu

       particularmente não vejo significado algum dizer que Deus existe e

       Deus

       não existe. Se serviu pra fazer silenciar ao Carneiro Leão, então deve

       ter algum significado (da importância nem falo, pois isso deduz-se

       pelo

       efeito!). Qual seria?



       WS



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