Defendi o critério de demarcação popperiano contra Doria. Em primeiro lugar
acho melhor falar em refutabilidade. Uma teoria para ser caracterizada de
"científica" deve ser refutável. Isso não quer dizer que essa status seja
atribuído a ela somente após ocorrida sua refutação. Isso pode nem mesmo
ocorrer e ela ser substituída por uma outra qualquer devido a outros motivos. O
que Popper aponta é que para uma teoria ser criticável, isto é, que possa ser
intersubjetiva, ela deve ser refutável. Deve dizer algo sobre a realidade, seja
ela observável ou não.
Aproveitando que John Horgan foi citado faz pouco tempo na lista aproveito para
apontar para um exemplo que ele mesmo deu. Ele disse que a cosmologia, essa de
Penrose, Hawking seria "ciência irônica", pós-empírica. Destarte, segundo seus
critérios, a cosmologia atual não seria ciência da mesma forma que a física
clássica. Para Popper não. A cosmologia atual seria ciência por partir de
audaciosas conjecturas e permitir refutações, ou seja, controle empírico.
Deve-se atentar para a distinção entre o contexto de descoberta e de
justificação. Sem essa distinção voltamos a examinar fontes. O próprio
Popper deixa a desejar nesse ponto, quando empreende sua cruzada contra a
indução. Teoria obtidas por método indutivo devem ser submetidas à crítica, ao
controle empírico, para assim, serem consideradas científicas.
Para por aqui, para deixar com que outros se manifestem e então posso trabalhar
em cima das respostas.
Julio Fontana
Bacharel em Filosofia pela PUC-Rio
Especialização em cultura clássica greco-latina.
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