A meu ver, uma teoria para ser considerada científica não precisa ser
refutável. As Ciências Sociais estão cheias de exemplos em que o falseacionismo
não pode ser aplicado, e nem por isso suas teorias deixam de ser científicas.
"A não-aplicação séria e sistemática do falseacionismo nas ciências sociais
deve-se, entre outros motivos, a certos obstáculos que dificultam sua aplicação
bem-sucedida nesse domínio. Três deles são comentados logo a seguir:
1. No campo social, há um número muito grande de “condições iniciais”, nem
todas elas passíveis de serem especificadas;
2. As leis não são bem estabelecidas e, na maioria das vezes, indicam mais
uma tendência do que propriamente uma lei geral;
3. Certas condições assumidas pela teoria, tais como gostos, expectativas
e grau de informação, não são facilmente avaliadas.
Tais aspectos inerentes ao fenômeno social dificultam a aplicação do
falseacionismo. Contudo, pelo menos em tese, os cientistas sociais mostram-se
sensíveis ao apelo de Popper de que suas teorias devem produzir implicações
refutáveis. Na prática concreta da ciência, eles demonstram dificuldade em
aplicar esse austero princípio metodológico. Não raras vezes, vemos esse
cientista ignorar a metodologia que em princípio ele próprio apregoa. Critérios
convencionalistas de simplicidade, elegância analítica, generalidade e economia
de instrumentos teóricos têm dominado, principalmente, a Economia. Critérios
confirmacionistas têm sido a tônica em outras ciências sociais. Mesmo quando
intenciona praticar o falseacionismo, ele (o falseacionismo) tem sido inócuo no
campo social.
De fato, o uso rigoroso do falseacionismo pode resultar na consideração que
quase toda a ciência social aceita é na verdade pseudo-ciência. O que não se
pode admitir."
Extraído de "Metodologia e Filosofia da Ciência", de Ricardo Feijó.
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De: Julio Fontana <[email protected]>
Para: [email protected]
Enviadas: Sábado, 30 de Janeiro de 2010 13:52:28
Assunto: [Logica-l] Popper
Defendi o critério de demarcação popperiano contra Doria. Em primeiro lugar
acho melhor falar em refutabilidade. Uma teoria para ser caracterizada de
"científica" deve ser refutável. Isso não quer dizer que essa status seja
atribuído a ela somente após ocorrida sua refutação. Isso pode nem mesmo
ocorrer e ela ser substituída por uma outra qualquer devido a outros motivos. O
que Popper aponta é que para uma teoria ser criticável, isto é, que possa ser
intersubjetiva, ela deve ser refutável. Deve dizer algo sobre a realidade, seja
ela observável ou não.
Aproveitando que John Horgan foi citado faz pouco tempo na lista aproveito para
apontar para um exemplo que ele mesmo deu. Ele disse que a cosmologia, essa de
Penrose, Hawking seria "ciência irônica", pós-empírica. Destarte, segundo seus
critérios, a cosmologia atual não seria ciência da mesma forma que a física
clássica. Para Popper não. A cosmologia atual seria ciência por partir de
audaciosas conjecturas e permitir refutações, ou seja, controle empírico.
Deve-se atentar para a distinção entre o contexto de descoberta e de
justificação. Sem essa distinção voltamos a examinar fontes. O próprio
Popper deixa a desejar nesse ponto, quando empreende sua cruzada contra a
indução. Teoria obtidas por método indutivo devem ser submetidas à crítica, ao
controle empírico, para assim, serem consideradas científicas.
Para por aqui, para deixar com que outros se manifestem e então posso trabalhar
em cima das respostas.
Julio Fontana
Bacharel em Filosofia pela PUC-Rio
Especialização em cultura clássica greco-latina.
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