ou - lógica estendida à engenharia...

2010/8/18 Walter Carnielli <[email protected]>

> Prezados:
>
> não  vai mesmo haver  modo de  decidir  'a priori'  quais sentenças
> seriam  confiáveis, e quais seriam  mal-comportadas.  Talvez   se
> possa  suspeitar das  *potencialmente* mal comportadas, por uma
> análise  Bayesiana, como os filtros  anti-spam. mas isso é engenharia,
> não Lógica.
>
> Lembro aqui uma das coisas mais interessantes que o  Saul Kripke
> disse, que na  minha opinião  só  rivaliza com a sua ideia de
> relacionar  mundos (mais ainda   que se referir a 'mundos
> possíveis'):
>
> "There is no mathematical substitute for philosophy". Nem mesmo ,
> completa ele,  para a filosofia  da Matemática. Ou da  Lógica.
>
> Abs,
>
> Walter
>
>  :
> >
> >   1. Re: formulas mal-comportadas (Joao Marcos)
> >   2. Re: formulas mal-comportadas (Decio Krause)
>
> > Olá, Julio:
> >
> > Esta é mais uma boa pergunta.  Tenho a impressão, contudo, de que não
> > tenho muito mais a acrescentar, em princípio, do que aquilo que já foi
> > dito pelo Décio: não é papel da Lógica fornecer critérios ou
> > justificativas para a verdade, a falsidade, a
> > indeterminação/indecidibilidade ou a inconsistência de uma
> > sentença(++).  Você mesmo tem falado em linguagens para *descrever* o
> > mundo de forma eficiente ou adequada, mas não para *regulá-lo*.
> > Ninguém tem dúvida assim na hora de dizer por exemplo que as
> > definições matemáticas devem se comportar bem, isto é, que a definição
> > de "função" por exemplo deve ser consistente.
> >
> > Na minha reconstrução particular da abordagem da "consistência
> > formal", eu entendo na realidade que a verdadeira motivação por trás
> > do design de linguagens suficientemente ricas a ponto de serem capazes
> > de expressar a consistência mesmo em um contexto paraconsistente se
> > baseia na proposta mais geral de que o raciocínio clássico deveria ser
> > de alguma forma recuperável sempre que possível.  Há outras formas de
> > proceder a esta recuperação, contudo --- e algumas não são vistas com
> > particular boa vontade no Brasil, embora sejam bastante interessantes.
> >  Este é o caso, por exemplo, da abordagem não-monotônica segundo a
> > qual as sentenças são consideradas consistentes por defeito, até prova
> > em contrário.
> >
> > Mas a questão, repito, é interessante: haverá alguma forma de decidir
> > "de forma prévia" quais sentenças são confiáveis, e quais são
> > potencialmente mal-comportadas?  Seria surpreendente se houvesse um
> > método geral com tal efeito, já que o problema da consistência em
> > casos práticos tem solução custosa, e em teoria frequentemente beira o
> > indecidível.  No caso não-monotônico, em particular, a dificuldade de
> > decisão fica mais clara, já que em geral não há nem mesmo um _critério
> > positivo_ para o meta-predicado "ser teorema" (no caso monotônico
> > clássico faltam apenas _critérios negativos_ para este meta-predicado,
> > já que os teoremas podem ao menos ser enumerados).
> >
> > Joao Marcos
> >
> > (++) Admito que a busca por tais "justificativas" talvez faça sentido,
> > contudo, da perspectiva do Dritte Reich do pensamento fregeano, no
> > qual a lógica serve para _descobrir_ verdades _intersubjetivas_.
> > Mas fora de um tal reino ideal dificilmente este seria o caso
> >
> >
> > 2010/8/14 julio cesar <[email protected]>:
> >> Olá, pessoal,
> >> estou com outra dúvida! Assumindo que certas lógicas paraconsistentes
> não
> >> querem rejeitar o princípio da não-contradição, mas apenas restringi-lo,
> há
> >> algum parâmetro prévio em tais lógicas para diferenciar quais tipos de
> >> formulas a não-contradição se aplica e quais não? Isto é, há alguma
> outra
> >> diferença entre fórmulas bem-comportadas e mal-comportadas sem ser as
> >> diferenças geradas pelo fato de que uma aceita a contradição e outra
> não?
> >> Em outras palavras, existe alguma outra justificativa lógica, interna ao
> >> sistema, para se aceitar as contradições de certas fórmulas sem ser o
> fato
> >> de que, se não aceitássemos tais contradições, o sistema explodiria?
> >> Abraços,
> >> Júlio
> >
> >
>
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> Walter Carnielli
> Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE
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