Caros Redistas: 

Varios dos pontos em discussao referem-se aa construcao de 
uma Ontologia Mateematica adequada aos nossos propositos. 
Discuto varios destes ponto na 
Secco 3,  Mathematical Ontology,  do artigo: 

Constructive Verification, Empirical Induction, 
and Falibilist Deduction: A Threefold Contrast. 
 
disponivel no link 
 
http://www.mdpi.com/2078-2489/2/4/635  


Varios pontos a discutir: 
   
1) A nocao de Objeto Concreto 
presupoe uma epistemologia fortemente realista 
ou um processo ingenuo de reificacao, isto eh, 
ou os tais Objetos Concretos nos sao dados a priori 
nO Mundo Real, ou eu ingenuamente acho que sei muito bem 
quais sao os ditos cujos Objetos Concretos. 
  
2) O Sentido Cotidiano de conjunto pode ate nao ser o 
mesmo que (um dado) Sentido Matemático, mas isto nao quer 
dizer que seja possivel fazer (uma) matematica (util) que 
nao reflita os conceitos de alguma ontologia cientifica. 
 
Imre Lakatos discute o assunto en detalhe em um livrinho 
de leitura deliciosa: Proofs and Refutations: The Logic of 
Mathematical Discovery (que eu aho que foi traduzido no Brasil). 
 
Na verdade, Lakatos esta apenas buscando respostas a uma 
pergunta fundamental formulada por seu professor, Arpad Szabo: 
   
Como (diabos) foi que Matematica se tornou uma ciencia dedutiva?! 
   
Abraco a todos, 
---Julio Stern 



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> Date: Sun, 27 Jan 2013 01:15:48 -0200
> From: [email protected]
> To: [email protected]; [email protected]
> Subject: Re: [Logica-l] a resposta do Zerrmelo Fraenkel
>
> Muito obrigado, Rodrigo. Permita-me citá-lo, na sua reflexão genial que
> chega ao ponto que eu queria:
>
> "Com relação aos "conjuntos de objetos concretos", acredito que o
> entendimento standard na filosofia analítica é que conjuntos podem conter
> objetos concretos. Talvez o exemplo mais marcante seja o das proposições
> russellianas: para Russell objetos concretos e propriedades sobre esses
> objetos são constituintes de proposições. Outro exemplo: para David Lewis,
> mundos possíveis são objetos concretos. Conjuntos de mundos possíveis
> seriam então, segundo David Lewis, outro exemplo de conjunto de objetos
> concretos. (Uma concepção standard de proposições na filosofia analítica,
> diferente da teoria de Russel, é a que diz que proposições são conjuntos de
> mundos possíveis.) Ainda outro exemplo: Godel no artigo What is Cantor's
> continuum problem? Logo na primeira página, sobre a definição de número
> cardinal: "...we certainly want it to have the property that the number of
> objects belonging to some class does not change if, leaving the objects the
> same, one changes in any way their properties or mutual relations (e.g.,
> their colors or their distribution in space)." Claro que apenas objetos
> concretos podem ter cor ou distribuição espacial."
>
> Isto vai ao ponto que disse eu em mais de uma mensagem: [1] a construção da
> matemática admite mais de uma interpretação e [2] lógica e matemática não
> são a mesma coisa, ainda que tenham muito a ver uma com a outra. Talvez nem
> toda interpretação da construção da matemática coincida com a interpretação
> de um matemático, ou nem toda tenha interesse como diz o João Marcos. Mas,
> as várias interpretações estão aí. E certamente os lógicos não enxergam as
> noções matemáticas exatamente como os matemáticos, não só porque as
> interpretam de modo diferente, mas porque têm interesses diferentes. E você
> primorosamente traz à tona a observação de que a filosofia analítica tem
> uma visão diferente do que sejam conjuntos, que é a visão que interessa
> mais aos lógicos. Ora, quando eu digo que a lógica tem e pressupõe um
> ambiente cultural-filosófico próprio, que remonta a uma tradição pelo menos
> desde Aristóteles, a filosofia analítica faz parte justamente disso.
>
> Fico uma vez mais agradecido pelas suas contribuições e considero-me mais
> que contemplado pela última.
>
> Em 26 de janeiro de 2013 23:39, Rodrigo Freire <[email protected]>escreveu:
>
> > O João Marcos está correto aqui:
> >
> > O "sentido cotidiano" de *conjunto* não é o "sentido matemático", e o
> >> primeiro tem tanta relevância para o segundo quanto o sentido
> >> cotidiano de *continuidade* tem relevância para o sentido matemático
> >> da mesma noção. Não saber separar os dois é ser incapaz de fazer
> >> qualquer tipo de Análise Matemática minimamente interessante.
> >>
> >
> >
> > Conjuntos (permitindo objetos concretos na relação ancestral de
> > pertencimento ou não) são objetos organizados em uma hierarquia de um modo
> > específico que *não* é compatível com o uso na linguagem corrente da
> > expressão "coleção". Conjuntos não são coleções. Vou reproduzir aqui dois
> > argumentos que acredito são suficientes para ver isso:
> >
> > A1- Considere a coleção de bibliotecas da universidade federal fictícia do
> > mato grosso do norte (UFFMGN). Uma biblioteca é uma coleção de livros, uma
> > coleção de bibliotecas é uma coleção de coleções de livros. Suponha que o
> > professor de lógica da UFFMGN pergunta para o bibliotecário da mesma
> > universidade se a coleção de bibliotecas contém o livro de lógica de
> > Hilbert-Ackermann. É coerente com o uso cotidiano da palavra coleção ouvir
> > a seguinte resposta: "Sim, as duas edições do Hilbert-Ackermann estão na
> > coleção de bibliotecas da UFFMGN."
> > O problema é que o Hilbert-Ackermann "está na coleção", segundo o uso
> > cotidiano de coleção, mas não pertence à coleção porque o Hilbert-Ackermann
> > não é uma biblioteca.
> > O argumento não tem nada a ver com bibliotecas e pode trivialmente ser
> > reformulado em termos de outras coleções de coleções. O uso cotidiano de
> > "coleção" não respeita a organização hierárquica dos conjuntos.
> >
> >
> > A2- Se conjuntos são coleções no sentido cotidiano, então o conjunto vazio
> > é uma coleção. Isso faz de mim um colecionador de armas de fogo. Contudo,
> > como não tenho nenhuma arma de fogo eu não sou um colecionador de armas de
> > fogo segundo o uso cotidiano do termo: eu não preciso fazer nenhum registro
> > na polícia federal ou nas forças armadas, não faz sentido ir ao encontro
> > brasileiro de colecionadores de armas, se tal coisa existir, etc.
> >
> >
> > Olhei rapidamente o arquivo de materiais online que o Mario colocou aqui.
> > Comparando a oferta de materiais de Lógica com a de outra área em que
> > também atuo (Geometria), fica claro que a situação da Lógica é bem
> > precária. Contudo, tenho dúvidas se vale a pena investir em construir uma
> > literatura em português para o assunto.
> >
> > Com relação aos "conjuntos de objetos concretos", acredito que o
> > entendimento standard na filosofia analítica é que conjuntos podem conter
> > objetos concretos. Talvez o exemplo mais marcante seja o das proposições
> > russellianas: para Russell objetos concretos e propriedades sobre esses
> > objetos são constituintes de proposições. Outro exemplo: para David Lewis,
> > mundos possíveis são objetos concretos. Conjuntos de mundos possíveis
> > seriam então, segundo David Lewis, outro exemplo de conjunto de objetos
> > concretos. (Uma concepção standard de proposições na filosofia analítica,
> > diferente da teoria de Russel, é a que diz que proposições são conjuntos de
> > mundos possíveis.) Ainda outro exemplo: Godel no artigo What is Cantor's
> > continuum problem? Logo na primeira página, sobre a definição de número
> > cardinal: "...we certainly want it to have the property that the number of
> > objects belonging to some class does not change if, leaving the objects the
> > same, one changes in any way their properties or mutual relations (e.g.,
> > their colors or their distribution in space)." Claro que apenas objetos
> > concretos podem ter cor ou distribuição espacial.
> >
> >
> > É verdade que mesmo o básico em Lógica (e em todas as outras áreas) não é
> > tema sem controvérsia. Livros adoram começar com alguma afirmação
> > categórica sobre o que é a lógica: ciência do raciocínio, estudo das leis
> > do pensamento, estudo de relações formais entre portadores de valor de
> > verdade, estudo da argumentação válida, etc. Seria muito melhor começar
> > discutindo essas e outras possibilidades, bem como as várias traduções
> > possíveis da palavra logos. Mas para isso precisa ter competência em
> > análise conceitual. Os estudantes também parecem apreciar essas afirmações
> > categóricas, mesmo que delas não entendam nada. Eles parecem precisar dessa
> > "paz de espírito" para seguir em frente, já que essas discussões iniciais
> > "não vão render resultados".Esse espírito nada investigativo parece ser
> > dominante em todas as áreas. Ninguém começa um livro de matemática
> > arriscando dizer o que é a matemática. Não sei quando foi a última vez que
> > vi algum livro de geometria tentando começar com algo do tipo: "geometria é
> > o estudo de formas espaciais". Não é que essas coisas tenham sido
> > resolvidas, ao contrário. As pessoas passaram a ignorá-las, talvez por
> > acreditarem que isso não renda papers que vão valorizar seus currículos...
> >
> > Podemos nos perguntar pelos motivos dessa postura anti-investigativa. Vejo
> > que, atualmente, os cursos de pós-graduação em matemática são feitos em um
> > ritmo muito acelerado, porque tanto o professor quanto os alunos querem
> > chegar rápido em algum resultado lá na frente. Não importa se ninguém
> > entendeu nada desde o básico, incluindo o professor. Acredito que a idéia
> > que esses cursos transmitem é que pesquisa em matemática é sempre sobre
> > alguma coisa longe e estranha. Quando alguém é perguntado sobre o "básico"
> > a resposta pronta é "isso está feito", mesmo quando ninguém sabe onde ou
> > como, ou até mesmo quando não está feito... Talvez seja por isso que os
> > matemáticos tem pouco apreço pelos fundamentos: eles acreditam que "está
> > feito", mesmo sem saber o que significaria "estar feito" nesse caso.
> >
> > Abraço
> > Rodrigo
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