Joao,

 sua análise é clara, distinta, correta e  elementar, como o problema merece.
Contudo,  imagine que o crime tenha sido cometido por ambos (a quatro
mãos) e  quando   cada  um tenha dito
"eu sou o culpado", se entenda  (como é  plausível numa confissão),
"sou  o único  culpado", isto é, "a culpa é  minha".

Nesse caso, ambos poderiam  ser  mentirosos, e nada se concluiria. A
certeza de Holmes garantiria que  isto
não foi o caso, isto é, que  o crime só foi  cometido por um e somente
um  deles.

É  claro que essa é uma bobagem sobre a qual não vale a  pena perder
tempo, mas eu sempre creio
que é  melhor explicitar  as  premissas que se puder,

abs

Walter


Em 10 de agosto de 2013 11:15, Joao Marcos <[email protected]> escreveu:
> O problema proposto por Luis Rosa e Mayra Moreira *não* depende de
> assumirmos premissas adicionais, *nem* de acreditarmos no que disse
> Holmes.
>
> (1) Formalização do problema.
> (a) Considere as seguintes sentenças:
>   dM = "Mori é Veritoso"
>   dA = "Art é Veritoso"
>   cM = "Mori é culpado"
>   cA = "Art é culpado"
> (b) Dados, onde <->, ~ e v representam a bi-implicação, a negação e a
> disjunção clássicas:
>   Mori diz que é culpado.
>       [b1] (dM <-> cM)
>   Art diz que é culpado.
>       [b2] (aM <-> cA)
>   Mori diz que pelo menos um dos dois não é culpado.
>       [b3] (dM <-> (~cM v ~cA))
>
> (2) Verificação semântica
> Há apenas uma valoração que satisfaz simultaneamente as premissas
> [b1], [b2] e [b3], valoração esta que satisfaz dM e cM, e falsifica dA
> e cA.  Assim, Mori é de fato o único assassino (e, obviamente, o único
> Veritoso da estória).
>
> * * *
>
> Seguem algumas variantes interessantes do problema acima, que não
> valem nenhum prêmio da revista Coquetel:
>
> (V1) O que Holmes poderia ter concluído se a segunda sentença de Mori
> tivesse sido, ao invés: "Se eu for culpado, então Art também é
> culpado"?
>
> (V2) O que Holmes poderia ter concluído se a segunda sentença de Mori
> tivesse sido: "Sou culpado se e somente se Art também for"?
>
> (V3) O que Holmes poderia ter concluído se a segunda sentença de Mori
> tivesse sido simplesmente: "Art é inocente"?
>
> (V4) O que Holmes poderia ter concluído se a segunda sentença de Mori
> tivesse sido: "Somos ambos culpados"?
>
> (V5) Que frase poderia ter sido dita por Mori para que Holmes
> concluísse que nenhum dos dois suspeitos é culpado?
>
> * * *
>
> Quem gosta de problemas do gênero, e quer entender melhor como
> resolvê-los usando Lógica Proposicional pode ler mais a respeito em:
>   http://www.dimap.ufrn.br/~jmarcos/courses/LAaC/Trad-LCP/Smullyan_Cap3-7.pdf
> e conferir as soluções formalizadas em:
>   
> http://www.dimap.ufrn.br/~jmarcos/courses/LAaC/Trad-LCP/Smullyan_Cap3-7_respostas.pdf
>
> * * *
>
> JM
>
>
> 2013/8/8 Walter Carnielli <[email protected]>:
>> Ola Andrea,
>>
>> sim, é elementar, mas tem-se que assumir uma premissa  (que não é
>> óbvia): a de  que o crime não foi  praticado a quatro mãos.
>> Se fosse,  Mori poderia estar dizendo uma falsidade. Contudo,  como
>> Holmes diz  : "Não precisam dizer mais coisa
>> alguma. O caso está resolvido", e acreditamos nisso, esta  premissa é
>> verdadeira, e  o resto segue como vc  mostra.
>>
>> Mas  você não  vai ganhar  o  livro, porque eu  já escrevi ao e-mail
>> indicado dando a  solução  24 horas  antes   :-)
>>
>> Abs
>>
>> Walter
>>
>> Em 7 de agosto de 2013 15:42, Andrea Loparic <[email protected]> escreveu:
>>> Mori diz: "Pelo menos um de nós não é o assassino" ; ergo: Mori ,
>>> que fala a verdade, é o assassino e Art, embora mentiroso, é inocente.
>>>
>>> Como se chega a essa conclusão?
>>> 1) Uma vez que cada um deles diz que é culpado,  como um deles sempre
>>>     mente, tem que haver um mentiroso não culpado;  assim, a sentença
>>>     pronunciada por Mori é verdadeira
>>> 2) Uma vez que cada um deles diz que é culpado, como um deles sempre
>>>     fala a verdade, tem que haver dizendo que é culpado que fala a verdade;
>>> 3) Como a sentença de Mori é verdadeira, é Mori quem fala a verdade e como
>>>     quem fala a verdade é o culpado, Mori é o único assassino.
>>>
>>> Elementar!
>>> Mandem o livro para
>>> Andrea M. A. de Campos Loparic
> [...]
>>>
>>>
>>> Em 6 de agosto de 2013 08:08, rodrigo cid 
>>> <[email protected]>escreveu:
>>>
>>>> <
>>>> http://1.bp.blogspot.com/-ykopHgN6nz8/UgBnV_I4FAI/AAAAAAAAAxw/l2WpAfeeePo/s1600/Marca+Coquetel_RGB.png
>>>> >
>>>> <
>>>> http://3.bp.blogspot.com/-C_4u_t-HlAg/TjCj-sHyV_I/AAAAAAAAAUk/rlbMuTKmrZQ/s150/%2521+coruja+logo+investigacao+filosofica.jpg
>>>> ><
>>>> http://3.bp.blogspot.com/-C_4u_t-HlAg/TjCj-sHyV_I/AAAAAAAAAUk/rlbMuTKmrZQ/s150/%2521+coruja+logo+investigacao+filosofica.jpg
>>>> >
>>>>
>>>> *Desafio Sherlock
>>>> Holmes<
>>>> http://investigacao-filosofica.blogspot.com.br/2013/08/desafio-sherlock-holmes-por-blog-if_6.html
>>>> >
>>>> *
>>>>
>>>> *
>>>> *
>>>> Prezados leitores do Blog Investigação Filosófica,
>>>>
>>>>
>>>> É com grande prazer que anunciamos a promoção conjunta do Blog IF e da
>>>> Coquetel. A editora está lançando uma coleção de livros do Sherlock Holmes
>>>> sobre dedução e raciocínio lógico e deseja premiar os nossos leitores mais
>>>> astutos. Propomos uma série de 3 desafios mentais. O primeiro que responder
>>>> a qualquer um dos desafios recebe um dos livros da coleção gratuitamente em
>>>> sua casa. O primeiro desafio foi sugerido por membros do blog e os outros
>>>> dois serão retirados dos livros *A arte de dedução de Sherlock Holmes*.
>>>>
>>>>
>>>> <
>>>> http://1.bp.blogspot.com/-bz5kZ07toA0/UgBlPiiYKsI/AAAAAAAAAxY/IDzhivcE8tw/s1600/APRENDA+A+PENSAR+COMO+SHERLOCK+livro+1a+capa.jpg
>>>> >
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>>>> http://2.bp.blogspot.com/-90Y6hrjmkoU/UgBlNjr_HFI/AAAAAAAAAxQ/EKLSe2_u1T0/s1600/A+ARTE+DA+DEDU%C3%87%C3%83O+DE+SHERLOCK+HOLMES+livro+volume+1.jpg
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>>>> http://1.bp.blogspot.com/-Bdod7JgHutM/UgBlR-Eto0I/AAAAAAAAAxg/0HjB3hP7tzg/s1600/A+ARTE+DA+DEDU%C3%87%C3%83O+DE+SHERLOCK+HOLMES+livro+volume+2.jpg
>>>> >
>>>>
>>>> *Enigma 1*
>>>>
>>>>
>>>> Há uma série de puzzles clássicos envolvendo um tipo de cenário propício
>>>> para raciocínios dedutivos. Em tal cenário, há dois tipos de personagens
>>>> cruciais para a formulação dos enigmas lógicos: um grupo de personagens que
>>>> *somente* fala verdades e um grupo de personagens que *somente *fala
>>>> falsidades. Na literatura de língua inglesa, chama-se personagens da
>>>> primeira categoria 'Knights' e personagens da segunda categoria 'Knaves'.
>>>> Aqui, chamaremos os primeiros de 'Veritosos' e os outros de 'Falseosos'.
>>>> Veritosos sempre falam a verdade, Falseosos sempre mentem. Ao lugar
>>>> habitado por estes tipos de sujeitos, e somente tais tipos de sujeitos,
>>>> chamaremos 'Ilha dos Extremos'. Aqui está um exemplo de puzzle neste
>>>> cenário:
>>>>
>>>>
>>>>
>>>> Você está na Ilha dos Extremos e encontra um habitante da ilha, mas não
>>>> sabe dizer se ele é um Veritoso ou um Falseoso. Que pergunta você pode
>>>> fazer a ele para descobrir em qual categoria ele se encontra?
>>>>
>>>>
>>>> Note que, se você perguntar a este habitante: "Você é Veritoso?", ele vai
>>>> responder afirmativamente, não importando a qual categoria ele pertence. Se
>>>> ele é Veritoso, ele sempre diz a verdade, e responde "Sim, sou Veritoso"
>>>> neste caso. Se ele é Falseoso, ele sempre mente, e igualmente responde
>>>> "Sim, sou Veritoso" neste caso. A solução consiste em fazer uma pergunta
>>>> sobre a qual você já sabe a resposta. Por exemplo, você pode perguntar: "É
>>>> verdade que estou lhe fazendo uma pergunta?". Se o sujeito responder "Sim"
>>>> ele é um Veritoso, se responder "Não" é um falseoso.
>>>>
>>>>
>>>> No que segue lhes apresentamos um caso em que Sherlock Holmes e John Watson
>>>> vão para a Ilha dos Extremos:
>>>>
>>>>
>>>> Sherlock Holmes e John Watson foram chamados para investigar um assassinato
>>>> > na Ilha dos Extremos: um lugar em que, para todo habitante, ou ele sempre
>>>> > fala algo verdadeiro, ou ele sempre diz algo falso. A missão de Holmes é
>>>> > descobrir se dois suspeitos que habitam a Ilha, Mori e Art, são ou não os
>>>> > assassinos, sendo que ambos afirmaram ter cometido o crime. Durante o
>>>> > interrogatório, Mori diz o seguinte: "Pelo menos um de nós não é o
>>>> > assassino". Holmes diz sem embargo: "Não precisam dizer mais coisa
>>>> alguma.
>>>> > O caso está resolvido." Watson pergunta a Holmes um pouco confuso: "Como
>>>> > descobriu tão rápido, Holmes?" Holmes responde: "Elementar, meu caro
>>>> > Watson...".
>>>> >
>>>>
>>>> E você, caro leitor, sabe como Holmes chegou a uma conclusão? O primeiro a
>>>> solucionar e explicar corretamente como Sherlock desvendou o enigma
>>>> receberá o primeiro volume de "Aprenda a pensar como Sherlock". Assim que
>>>> for pertinente, estaremos postando aqui a solução.
>>>>
>>>>
>>>> [Desafio criado por Luis Rosa e Mayra Moreira.]
>>>>
>>>>
>>>> Envie sua solução do enigma para [email protected]
>>>>
>>>>
>>>> Outras publicações da Coquetel: http://coquetel.uol.com.br/
>>>>
>>>> E seu facebook: https://www.facebook.com/revistascoquetel
> _______________________________________________
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Prof. Dr. Walter Carnielli
Director
Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE
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13083-859 Campinas -SP, Brazil
Phone: (+55) (19) 3521-6517
Fax: (+55) (19) 3289-3269
Institutional e-mail: [email protected]
Website: http://www.cle.unicamp.br/prof/carnielli
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