>> Outra duplinha divertida em que o inglês inverteu os significados das >> coisas é "explanation" vs "explication". :-D > > Há várias coisas assim, e também entre o português brasileiro e o europeu.
Não sei se cheguei a compartilhar contigo este dicionário, feito às horas do almoço? https://docs.google.com/spreadsheets/d/e/2PACX-1vQ4LWSPsHZLxJlU2Hb3tGGJto3BPQ5-9JGsvFuQIPTlJ6hLuJT3OurZzuRK6SvebI9qyX6g62p08mX5/pubhtml >> Quanto a >> soundness (of a formal system) = adequação (de um sistema formal) >> isto me parece simplesmente equivocado. "Soundness theorem" >> corresponde ao resultado que chamamos "teorema da correção"; na >> literatura, "adequação" frequentemente se refere à combinação de >> correção com completude. > > Isto deu a maior confusão na altura, e ainda hoje, mesmo em inglês, há > variantes entre os autores. “Completude” era usada na Universidade de Lisboa > para a equivalência entre semântica e sintaxe, e não apenas para uma das > direções. Não me parece que isto seja hoje comum, em inglês, mas há escritos > assim. A “soundness”, neste contexto, é atualmente denominada, pelo menos no > Brasil, “correção”, mas eu preferiria “solidez”, porque já usamos isso para > “sound argument”. Sim, _muitos_ textos usam "completude" para as duas direções... Outros tantos, talvez menos, usam "adequate" para "sound and complete". Vale notar, não obstante, que o "soundness theorem" pouco tem a ver com "sound argument". Este último é aquele que além de correto (sound, logo "válido") _também_ tem as premissas verdadeiras, certo? "Sólido" sounds good, para designar este tipo particular de argumento! > Não sei hoje como são as coisas em Portugal, mas na altura em Lisboa, pelo > menos entre o pessoal da filosofia, nunca se usava “sentença” para traduzir > “sentence”. Talvez os matemáticos o fizessem, não sei. Só tenho uma objeção > pedagógica ao uso de “sentenças” em filosofia e lógica, que é o aluno (pelo > menos no ensino de há uns anos, não sei como é hoje) perder a conexão com o > conceito simples que tem da gramática; subitamente, parece que estamos a > falar de uma coisa exótica, quando afinal é aquele velho conceito que ele > aprendeu no ensino primário (= ensino elementar). A gramática lusitana me surpreendeu (surpreendeu-me?) um dia pela sua distância da brasileira --- e não é só por desconhecer os termos "oxítona", "paroxítona" e "proparoxítona", ou por conter sugestões muito exóticas sobre usos de próclise, ênclise e mesóclise... :-D Penso, de todo modo, que no Brasil não se obsta ao uso da palavra "sentença" no estudo gramatical. Em Portugal também não se usa "oração", oh pá? https://pt.wikipedia.org/wiki/Ora%C3%A7%C3%A3o_(gram%C3%A1tica) Bem, talvez seja melhor assim. Já há demasiadas conexões entre Filosofia e Religião. ;-) >> Compreendo ainda que a palavra "evidência" não se encontre (ainda) >> dicionarizada na nossa língua, e que se traduza >> evidence = indícios >> A origem latina de "evidência" e seu uso cotidiano entre nós >> exatamente com o mesmo significado de "evidence", sem risco de >> confusão nos contextos certos, talvez bastem para que ela seja >> incorporada sem vergonha à nossa língua... Ou talvez isto seja de >> fato desnecessário, da mesma forma em que foi desnecessário >> incorporarmos o termo "deletar"? > > Tenho uma vaga memória de já ter visto num dicionário o termo “evidence” como > tradução do inglês “evidence” -- e isto é cada vez mais comum, em jornais, > publicações e na academia. Se não entrou já nos dicionários com esse > significado anglófono, acabará por entrar. Pessoalmente, não uso tal coisa, > até porque é em muitos contextos demasiado restrito. Os ingleses carecem de > um termo suficientemente amplo para falar de qualquer género de justificação > a favor de uma ideia, e usam “evidence” em contextos em que não querem dizer > apenas o que a palavra em inglês quer dizer, que é “provas ou justificações > empíricas”. Este é um caso danado porque nós temos um termo bom, com essa > amplitude: “prova”. Mas claro que no Brasil, em que se usa isto muito como > sinónimo de “proof”, no sentido matemático, isto provoca grandes > perplexidades. Sim, no Brasil persiste este mau hábito... Há que combatê-lo, como combatemos o tabagismo! >> Tanto "many-valued logic" quanto "multi-valued logic" são traduzidas >> na lista como "lógica polivalente", numa mistura comum de grego com >> latim. Eu ainda prefiro falar em "lógica multivalorada", e na >> prática, na minha área de investigação, preciso distinguir entre >> "n-valent" e "n-valued", e para tal uso "multivalente" e >> "multivalorada". > > Nunca usas "multivalente"? Parece-me jogar melhor com “lógica bivalente”. Aqui a coincidência trabalha a favor, pois a Lógica Clássica é ao mesmo tempo "bivalente" e "bivalorada"... Mas "bivalente" é frequentemente usado em Lógica, hoje em dia, também no caso não verofuncional! Acho assim avisado ---e não faço disto segredo de polichinelo--- reservar "multivalorado" para o caso verofuncional, e usar "multivalente" no caso mais geral. Abração, Joao Marcos -- http://sequiturquodlibet.googlepages.com/ -- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para [email protected]. Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAO6j_Ljnz6gDu69UkSm5YjPF-Ydi9bmZ9RMwnb%2BzWdsO_dukFg%40mail.gmail.com.
