Olá Desi,

Mas como criticar alguem por traduzir
anedoct por anedota, se os proprios dicionarios o fazem?

https://dictionary.cambridge.org/dictionary/english/anecdote
anecdote
noun [ C ] <https://dictionary.cambridge.org/help/codes.html>
UK
 /ˈæn.ɪk.dəʊt/ US
 /ˈæn.ɪk.do <http://xn--n-3fa.xn--k-91a.do>ʊt/

a short <https://dictionary.cambridge.org/dictionary/english/short>, often
funny <https://dictionary.cambridge.org/dictionary/english/funny> story
<https://dictionary.cambridge.org/dictionary/english/story>, especially
<https://dictionary.cambridge.org/dictionary/english/especially> about
something someone has

 https://www.merriam-webster.com/dictionary/anecdote
Definition of anecdote

: a usually short narrative
<https://www.merriam-webster.com/dictionary/narrative#h1> of an
interesting, amusing, or biographical incident
Nao seria  caso de "proibir" esses
dicionarios incompetentes como Webster e Cambridge de usar a lingua inglesa
na qual eles nao sao
 versados :-) ?

Seria uma proposta tao  interessante quanto abandonar a língua portuguesa
nas escolas e universidades.
Abraços,
Walter

PS.A tecnologia muitas vezes  ajuda a piorar. Este texto saiu  sem acentos
porque o bendito editor do Gmail resolveu assim.

Em seg, 31 de ago de 2020 08:33, Desiderio Murcho <
[email protected]> escreveu:

> Olá, Prolo
>
> Só quero deixar claro que nunca traduzi “sentence” por oração. O que
> também nunca fiz, mas se faz muito, é traduzir “sentence” por “sentença”, e
> “phrase” por “frase”. Quer-me parecer que se faz este tipo de traduções só
> porque as palavras numa e noutra língua são parecidas. Idem para “proof” e
> “prova”, em vez de “demonstração”, ou “internalism” por “internalismo” (a
> palavra portuguesa vem de onde, “internal”?).
>
> Recentemente, vi “anecdote” traduzido por “anedota”, o que realmente é uma
> anedota.
>
> Quando se traduz é preciso ter atenção não apenas aos significados
> registados num bom dicionário, mas aos significados mais salientes ou
> primários. Se um termo X, numa língua, tem o significado Y primário, ou
> mais comum, é um erro traduzi-lo por X' noutra língua, que até também
> também o significado Y', nessa língua, mas brutalmente arredado do seu
> significado principal, mais corrente ou primário. Mas é claro que estas
> coisas são dinâmicas, porque o significado das palavras é dinâmico e
> depende do uso que as pessoas fazem. O termo “evidências” está a tornar-se
> sinónimo de “evidence”, à força de as pessoas a usarem assim. Mas há trinta
> anos não era usada assim e “evidências” queria só dizer o que salta aos
> olhos, o que é óbvio, e não o que desempenha o papel de prova empírica.
>
> Do meu ponto de vista, a língua portuguesa deveria ser abandonada nas
> escolas e universidades, e dever-se-ia passar a usar só o inglês.
> Evitar-se-ia talvez assim que um académico se veja na situação trágica de
> nem saber escrever português corretamente, nem inglês com elegância e
> abrangência, por oposição ao inglês meramente técnico.
>
> On Monday, 31 August 2020 at 03:24:34 UTC-3 prolo wrote:
>
>> Olá.
>>
>> oração = clause: subordinate clause, relative clause = oração
>> subordinada, oração relativa.
>> Uma sentence=frase contém uma ou mais orações de forma estruturada.
>> Traduzir sentence como oração provoca uma confusão absolutamente
>> desnecessária [na minha opinião].
>>
>> Abraço,
>>
>> Prolo
>>
>>
>> On Sun, Aug 30, 2020 at 9:34 PM Joao Marcos <[email protected]> wrote:
>>
>>> >> Outra duplinha divertida em que o inglês inverteu os significados das
>>> >> coisas é "explanation" vs "explication". :-D
>>> >
>>> > Há várias coisas assim, e também entre o português brasileiro e o
>>> europeu.
>>>
>>> Não sei se cheguei a compartilhar contigo este dicionário, feito às
>>> horas do almoço?
>>>
>>> https://docs.google.com/spreadsheets/d/e/2PACX-1vQ4LWSPsHZLxJlU2Hb3tGGJto3BPQ5-9JGsvFuQIPTlJ6hLuJT3OurZzuRK6SvebI9qyX6g62p08mX5/pubhtml
>>>
>>> >> Quanto a
>>> >> soundness (of a formal system) = adequação (de um sistema formal)
>>> >> isto me parece simplesmente equivocado. "Soundness theorem"
>>> >> corresponde ao resultado que chamamos "teorema da correção"; na
>>> >> literatura, "adequação" frequentemente se refere à combinação de
>>> >> correção com completude.
>>> >
>>> > Isto deu a maior confusão na altura, e ainda hoje, mesmo em inglês, há
>>> variantes entre os autores. “Completude” era usada na Universidade de
>>> Lisboa para a equivalência entre semântica e sintaxe, e não apenas para uma
>>> das direções. Não me parece que isto seja hoje comum, em inglês, mas há
>>> escritos assim. A “soundness”, neste contexto, é atualmente denominada,
>>> pelo menos no Brasil, “correção”, mas eu preferiria “solidez”, porque já
>>> usamos isso para “sound argument”.
>>>
>>> Sim, _muitos_ textos usam "completude" para as duas direções...
>>> Outros tantos, talvez menos, usam "adequate" para "sound and
>>> complete".  Vale notar, não obstante, que o "soundness theorem" pouco
>>> tem a ver com "sound argument".  Este último é aquele que além de
>>> correto (sound, logo "válido") _também_ tem as premissas verdadeiras,
>>> certo?  "Sólido" sounds good, para designar este tipo particular de
>>> argumento!
>>>
>>> > Não sei hoje como são as coisas em Portugal, mas na altura em Lisboa,
>>> pelo menos entre o pessoal da filosofia, nunca se usava “sentença” para
>>> traduzir “sentence”. Talvez os matemáticos o fizessem, não sei. Só tenho
>>> uma objeção pedagógica ao uso de “sentenças” em filosofia e lógica, que é o
>>> aluno (pelo menos no ensino de há uns anos, não sei como é hoje) perder a
>>> conexão com o conceito simples que tem da gramática; subitamente, parece
>>> que estamos a falar de uma coisa exótica, quando afinal é aquele velho
>>> conceito que ele aprendeu no ensino primário (= ensino elementar).
>>>
>>> A gramática lusitana me surpreendeu (surpreendeu-me?) um dia pela sua
>>> distância da brasileira --- e não é só por desconhecer os termos
>>> "oxítona", "paroxítona" e "proparoxítona", ou por conter sugestões
>>> muito exóticas sobre usos de próclise, ênclise e mesóclise... :-D
>>> Penso, de todo modo, que no Brasil não se obsta ao uso da palavra
>>> "sentença" no estudo gramatical.
>>>
>>> Em Portugal também não se usa "oração", oh pá?
>>> https://pt.wikipedia.org/wiki/Ora%C3%A7%C3%A3o_(gram%C3%A1tica)
>>> Bem, talvez seja melhor assim.  Já há demasiadas conexões entre
>>> Filosofia e Religião. ;-)
>>>
>>> >> Compreendo ainda que a palavra "evidência" não se encontre (ainda)
>>> >> dicionarizada na nossa língua, e que se traduza
>>> >> evidence = indícios
>>> >> A origem latina de "evidência" e seu uso cotidiano entre nós
>>> >> exatamente com o mesmo significado de "evidence", sem risco de
>>> >> confusão nos contextos certos, talvez bastem para que ela seja
>>> >> incorporada sem vergonha à nossa língua... Ou talvez isto seja de
>>> >> fato desnecessário, da mesma forma em que foi desnecessário
>>> >> incorporarmos o termo "deletar"?
>>> >
>>> > Tenho uma vaga memória de já ter visto num dicionário o termo
>>> “evidence” como tradução do inglês “evidence” -- e isto é cada vez mais
>>> comum, em jornais, publicações e na academia. Se não entrou já nos
>>> dicionários com esse significado anglófono, acabará por entrar.
>>> Pessoalmente, não uso tal coisa, até porque é em muitos contextos demasiado
>>> restrito. Os ingleses carecem de um termo suficientemente amplo para falar
>>> de qualquer género de justificação a favor de uma ideia, e usam “evidence”
>>> em contextos em que não querem dizer apenas o que a palavra em inglês quer
>>> dizer, que é “provas ou justificações empíricas”. Este é um caso danado
>>> porque nós temos um termo bom, com essa amplitude: “prova”. Mas claro que
>>> no Brasil, em que se usa isto muito como sinónimo de “proof”, no sentido
>>> matemático, isto provoca grandes perplexidades.
>>>
>>> Sim, no Brasil persiste este mau hábito...  Há que combatê-lo, como
>>> combatemos o tabagismo!
>>>
>>> >> Tanto "many-valued logic" quanto "multi-valued logic" são traduzidas
>>> >> na lista como "lógica polivalente", numa mistura comum de grego com
>>> >> latim. Eu ainda prefiro falar em "lógica multivalorada", e na
>>> >> prática, na minha área de investigação, preciso distinguir entre
>>> >> "n-valent" e "n-valued", e para tal uso "multivalente" e
>>> >> "multivalorada".
>>> >
>>> > Nunca usas "multivalente"? Parece-me jogar melhor com “lógica
>>> bivalente”.
>>>
>>> Aqui a coincidência trabalha a favor, pois a Lógica Clássica é ao
>>> mesmo tempo "bivalente" e "bivalorada"...  Mas "bivalente" é
>>> frequentemente usado em Lógica, hoje em dia, também no caso não
>>> verofuncional!  Acho assim avisado ---e não faço disto segredo de
>>> polichinelo--- reservar "multivalorado" para o caso verofuncional, e
>>> usar "multivalente" no caso mais geral.
>>>
>>> Abração, Joao Marcos
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