PessoALL:
Também esta lista é um bom fórum público para discutirmos a *educação
do futuro*, nem que seja do ponto de vista muito específico de
formadores e educadores com interesse em _Ensino de Lógica_.
Todo mundo já teve professores que são meros enganadores: não
compreendem minimamente o que estão se colocando na função de ensinar.
(Em algum momento, confesso, eu me regozijei com a invenção das LLMs,
pois ela torna muito mais fácil ---bem, ao menos para os
especialistas--- expor tais tipos de farsantes.)
Muitos dizem que com as LLMs tudo isto vai mudar: sempre poderemos
aprender mais fora da sala de aula, a partir de uma ferramenta capaz
de elaborar uma síntese linguística capaz de simular (muito bem) o
discurso de um especialista. Mais ainda, poderemos conversar
_diretamente_ com um "especialista instantâneo artificial", no nível
que desejarmos.
Sob esta perspectiva, entendo que um dos objetivos da educação atual,
em um "mundo inteligente", seria, em dois passos:
(1) Preparar os estudantes para fazer "perguntas inteligentes".
(2) Equipar os estudantes com conhecimento técnico, conceitual e
metodológico suficiente para estes serem capazes de avaliar (buscando
fontes, reconstruindo argumentos e procedimentos, indo atrás de
contra-exemplos e explicações alternativas) e compreender uma resposta
recebida, de modo a retornar de forma produtiva ao passo (1),
recursivamente, caso ainda haja interesse.
Resta-nos esclarecer, evidentemente, o que são "perguntas
inteligentes" (o que envolve identificar problemas relevantes,
formular perguntas cada vez melhores, decompor questões complexas), e
descobrir de que formas podemos manter o interesse dos estudantes
vivo.
Muito importante, em um mundo em que a _aparência de conhecimento_ se
tornou muito barata, os estudantes precisam ser capazes de *assumir
compromissos epistêmicos próprios*, ao invés de simplesmente
copiar-e-colar a resposta de uma LLM ("because the master said so").
Quem determina, afinal, o que merece ser perguntado, e o que conta
como boa evidência? Como lidar de forma honesta com dúvidas e erros?
E quem é o _responsável epistêmico (e moral)_ pelas *conclusões* dos
nossos argumentos?
O que pensam os colegas sobre estas coisas?
Saudações lógicas,
João Marcos
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LOGICA-L
Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de Lógica
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