Adolfo Neto
Associate Professor - Federal University of Technology, Paraná
Web: *https://adolfont.github.io/ <https://adolfont.github.io/>*
Mestrado em Computação Aplicada: http://www.ppgca.ct.utfpr.edu.br


Em seg., 24 de ago. de 2026, 19:43, Márcio Palmares <
[email protected]> escreveu:

> Oi, Adolfo...
>
> Acho que você deve estar certo... Provavelmente a definição de papagaio
> estocástico é robusta, resiste à crítica.
>


Não é uma questão de resistir a críticas. É só uma definição.

>
> Tudo bem. Eu não estou brigando com nomes... Podemos manter "papagaio
> estocástico", desde que saibamos reconhecer que papagaios estocásticos,
> quando devidamente conduzidos por humanos, empurrados ou direcionados por
> humanos, ajudam a produzir conhecimento. Ajudam a obter conhecimento novo,
> inédito, relevante. E exibem "movimentos" que poderíamos chamar de
> criativos, engenhosos, inteligentes. Mesmo sendo papagaios estocásticos.
>

OK.


> Isso é inédito, pois quando você escreve e roda um programa comum, de
> certo modo todas as saídas do programa já são conhecidas por você. Escrevi
> um
>

Se um programa tem um grau de aleatoriedade, não.
Mas acho que nunca antes o não determinismo foi tão relevante quanto agora,
com LLMs.

programinha aqui que faz certos cálculos envolvendo certos objetos,
> cálculos que seriam tediosos. Todas as saídas são previsíveis... Não há
> novidades. Totalmente diferente é a situação em que você obtém algo
> genuinamente novo a partir do seu trabalho com uma máquina. Não importa que
> seja um papagaio estocástico. Importa que ela realiza um trabalho
> científico (empurrada por um humano) que é altamente relevante, ao menos
> tão relevante quanto a obtenção de uma tese de doutorado típica.
>

Exatamente. O que me chateia é quando a pessoa usa isso que você escreveu
pra dizer "não é mais um papagaio estocástico", como se a definição
impedisse que isso aconteça.


> Na contramão disso que eu estou dizendo, uma opinião contrária, está esse
> artigo aqui do Prof. Adonai:
>
>
> https://adonaisantanna.blogspot.com/2026/08/o-emprego-de-ia-em-matematica.html?m=1&fbclid=IwY2xjawT5pLNwZG9mBWV4dG4DYWVtAjExAGJyaWQRMTR4c1JsdnZ0cHNBVllOMU9zcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEe-o_s_S4dg2WPPou1LynezzCFkVpEg7jaLbmLBpawPA_u5OW6WGLVVw0_S-Q_aem_lxcy9UOBphX0-iMyWZxmGQ
>

Adonai tá ativo ainda? Nunca mais tinha ouvido nada dele.



> Eu discordo de algumas passagens, mas recomendo a leitura, porque é uma
> opinião que está formulada com bastante clareza.
>
> Algumas sentenças impactantes do artigo:
>
>
>    1. IAs não operam com semânticas. Nada que uma IA lê ou vê ou ouve tem
>    significado no sentido usual de semântica de linguagens naturais.
>
>
Verdade.


>    1. Não há criatividade em qualquer IA.
>
> Verdade


>    1. Quando uma IA está "pensando", ela está simplesmente realizando
>    operações entre vetores e matrizes. Tais operações
>
>
Verdade


>    1. recebem como entrada informações que já estão de algum modo
>    disponíveis em bancos de dados ou até mesmo na internet.
>
>
Verdade, o que não impede que a saída seja algo nunca visto.


>    1. IA é apenas uma calculadora com esteroides.
>
> Nenhuma analogia é perfeita.
Essa faz pouco sentido pra mim.



> Eu tenho a impressão de que as evidências empíricas questionam essas
> afirmações...
>

Dá pra conciliar quase tudo o que você escreveu com o que ele escreveu.


> Abraços,
>
> M.
>
>
> Em sex., 21 de ago. de 2026 às 08:05, Adolfo Neto <[email protected]>
> escreveu:
>
>> Correção:
>>
>> Eu queria entender onde, considerando a definição publicada de papagaios
>> estocásticos,
>> os resultados recentes de matemática obtidos por humanos com ajuda
>> significativa de IA
>> permitem dizer que os produtos usados para obter estes resultados não são
>> papagaios estocásticos.
>>
>> Poderia ser mais específico aqui?
>>
>> On Fri, Aug 21, 2026 at 7:49 AM Adolfo Neto <[email protected]> wrote:
>>
>>>
>>>
>>> On Thu, Aug 20, 2026 at 11:16 PM Márcio Palmares <
>>> [email protected]> wrote:
>>>
>>>> Eu caí na brincadeira, Adolfo!
>>>
>>>
>>> Desculpa, Márcio. O certo era eu ter avisado antes. My mistake.
>>>
>>>
>>>
>>>>
>>>> Estava até me perguntando sobre se além de computação teórica você
>>>> teria estudado física ou engenharia elétrica para estar tão bem informado
>>>> sobre o tema, hahaha...
>>>>
>>>
>>> Será que eu estava bem informado? Não tenho ideia, não li. Se você leu e
>>> entende dos assuntos, confio em você.
>>>
>>>
>>>
>>>>
>>>> Agora já não sei mais se minha ideia original era razoável e foi
>>>> corrompida pelo ChatGPT ou se eu realmente disse uma besteira, mas não
>>>> importa, era só um exemplo de tecnologia revolucionária que regrediu ou
>>>> entrou em declínio... Poderíamos escolher qualquer outro exemplo.
>>>>
>>>> É possível que a tecnologia atual dos LLMs regrida? Sim, certamente.
>>>> Por diversos motivos.
>>>>
>>>> Mas o problema de fundo aqui não é econômico, sociológico ou político...
>>>>
>>>> É mais epistêmico, mais filosófico: criamos um tipo de máquina que,
>>>> devidamente supervisionada ou empurrada por humanos, produz conhecimento
>>>> científico.
>>>>
>>>
>>> Sim.
>>>
>>>
>>>
>>>>
>>>> Mesmo que a tecnologia atual desmorone amanhã ou depois, ela será
>>>> reinventada ou remodelada ou imitada e em pouco tempo teremos outra coisa
>>>> similar...
>>>>
>>>
>>> Não tenho tanta certeza, mas prever o futuro não é o forte de ninguém.
>>> Eu tinha um livro do Bill Gates de muitos anos atrás em que ele previa
>>> várias coisas sobre o futuro. De vez em quando alguém lembra do que ele
>>> acertou, aí vem alguém e lembra de algo que ele errou.
>>>
>>>
>>>
>>>>
>>>> Agora, sobre ceticismo.
>>>>
>>>> Eu sou um admirador do Nicolelis. Teve um dia, durante a pandemia, que
>>>> ouvi um pronunciamento dele em que ele formulou um conjunto de medidas para
>>>> enfrentar a pandemia (uma delas incluía fechar o espaço aéreo brasileiro).
>>>> Ele tinha razão em tudo. E naquele momento ele falou como um estadista. Ele
>>>> só não tinha o poder em mãos para materializar aquela política, pequeno
>>>> detalhe. Mas ele se colocou diante da História e disse: este é o caminho a
>>>> ser seguido.
>>>>
>>>> Eu vejo que o Nicolelis, agora, continua certo em tudo o que ele diz
>>>> sobre o aspecto político, econômico, social, relativo à inteligência
>>>> artificial (NINA, segundo ele: Nem Inteligente, Nem Artificial.)
>>>>
>>>> Mas ele está errado do ponto de vista matemático, lógico, técnico:
>>>> essas criaturas não são meros papagaios estocásticos, não são meros
>>>>
>>>
>>> Eu queria entender onde na definição de papagaio estocástico é possível
>>> dizer que os resultados recentes de matemática obtidos por humanos com
>>> ajuda significativa de IA é possível dizer que os produtos usados para
>>> obter estes resultados não são papagaios estocásticos. Poderia ser mais
>>> específico aqui?
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>> regurgitadores de texto, não são meros previsores da próxima palavra.
>>>>
>>>>
>>> Não, de fato. São previsores de próximo token. E os usuários não lidam
>>> diretamente com os LLMs, mas sim com harnesses (sistemas não
>>> probabilísticos, em geral) que têm interface com o LLM.
>>> Isso ficou bem claro na discussão recente das marcas d'água da empresa
>>> que dá prejuízo menor hoje em dia (e que não está ligando tanto para
>>> matemática quanto a empresa de prejuízo maior).
>>>
>>>
>>>
>>>> E basta fazer uma experiência.
>>>>
>>>
>>> Não, não basta. Não quando há uma definição suficientemente clara num
>>> artigo. Não para este conceito de papagaio estocástico.
>>> Infelizmente muita gente inventou novos significados para o termo.
>>> Mas a própria Emily já explicou várias vezes que esta foi somente uma
>>> analogia que ela usou.
>>> Ela tem também a do polvo com o cabo, conhece?
>>>
>>>
>>>
>>>>
>>>> Assim é que resolvemos controvérsias, em última instância.
>>>>
>>>> Você tem que fazer o experimento.
>>>>
>>>> Lembrei de uma passagem do Richard Dawkins, acho que é do "Relojoeiro
>>>> Cego".
>>>>
>>>> Ele discute dois tipos de evidência empírica que aparecem às vezes
>>>> confrontando a ciência e qual seria a melhor maneira de reagir a elas.
>>>>
>>>> O primeiro tipo é aquele gênero de evidência meio bruta, dados
>>>> imediatos, que podem abalar certas convicções. O exemplo que ele dá aqui
>>>> seria a existência do Monstro do Lago Ness. Se alguém dissesse possuir uma
>>>> prova da existência do Monstro do Lado Ness, embora isso fosse contrariar
>>>> brutalmente nossas convicções sobre o mundo, Dawkins diz:
>>>>
>>>> --- Eu aceitaria como evidência conclusiva ver com meus próprios olhos.
>>>> Nada além disso.
>>>>
>>>> Ou seja, ele certamente sairia perturbado, mas bastaria ver para crer.
>>>>
>>>> Um segundo tipo de suposta evidências contrária às convicções da
>>>> ciência é aquele que causa o desmoronamento do empreendimento científico ou
>>>> de alguns de seus edifícios.
>>>>
>>>> Esse gênero de suposta evidências deve vir acompanhado de mais do que a
>>>> simples visão... Precisa ser recebido com mais ceticismo.
>>>>
>>>> Neutrinos se movendo mais rapidamente que a luz: desabamento de porções
>>>> grandes da física moderna. Recomendação? Ceticismo. (O que eram de fato?
>>>> Erros de medição.)
>>>>
>>>> Então, para uma máquina que produz conhecimentos, embora isto possa ser
>>>> muito perturbador, eu aceitaria a evidência dos meus próprios olhos: estar
>>>> diante da prova, testar, verificar. Isso bastaria para mim.
>>>>
>>>> Nada perde o sentido, nada desmorona neste novo cenário (nada no
>>>> edifício da ciência).
>>>>
>>>> Então, essa mensagem do Prof. Vinicius é profunda e é da mais alta
>>>> relevância porque é o registro desse momento histórico em que, confrontados
>>>> com algo aparentemente inacreditável, somos levados a crer nesse algo pela
>>>> evidência empírica, pela realização do experimento.
>>>>
>>>> E há inúmeros experimentos assim sendo realizados por matemáticos ao
>>>> redor do mundo...
>>>>
>>>> Eu acho, Adolfo, que tal como o Nicolelis, você está certo em toda a
>>>> sua análise política, econômica, sociológica... Mas não está querendo 
>>>> aceitar
>>>> a evidência empírica que está diante de você...
>>>>
>>>
>>> Que evidência eu não estou aceitando?
>>> Sobre as provas matemtáticas, eu não sou capaz de julgar.
>>> Sobre os programas que estão sendo gerados com ajuda de IA, eu sei que
>>> são úteis. Só acho que utilidade não é o suficiente
>>> https://tante.cc/2026/07/15/useful-is-not-sufficient/
>>>
>>> Às vezes acho que estamos falando de coisas bem diferentes e um encontro
>>> síncrono resolveria as dúvidas.
>>>
>>>>
>>>> Mas veja: pode ser que amanhã ou depois estejamos desempregados, mas
>>>> nenhum pedaço do edifício conceitual da ciência moderna vai desabar porque
>>>> a humanidade aprendeu a fabricar máquinas que produzem conhecimento. Pelo
>>>> contrário, eu vejo essas máquinas como um tributo à inteligência do homem.
>>>>
>>>> Talvez a universidade desmorone e caia sobre as nossas cabeças, espero
>>>> que não, mas nenhum fundamento do pensamento científico está ameaçado...
>>>>
>>>
>>> Não sei se acontecerá. mas sei que tem gente que quer isso, torce por
>>> isso. Vide caso Jason Arday. Chegaram a duvidar que ele correu 30 maratonas
>>> em 35 dias, algo que qualquer corredor chinfrim como eu já fui sabe que é
>>> perfeitamente possível.
>>>
>>>
>>>
>>>>
>>>> Abraços,
>>>>
>>>> M.
>>>>
>>>>
>>>>
>>>> Em quinta-feira, 20 de agosto de 2026, Adolfo Neto <
>>>> [email protected]> escreveu:
>>>>
>>>>> A mensagem acima foi uma brincadeira.
>>>>> Eu li a mensagem do Márcio até o começo do texto do ChatGPT (obrigado
>>>>> por avisar).
>>>>>
>>>>> Fiz um prompt rapidinho e o Gemini no Gmail gerou um baita (em
>>>>> quantidade de caracteres) e-mail.
>>>>>
>>>>> É isso (um produto gera um texto, outro gera outro texto) que quero
>>>>> pra Ciência? Não.
>>>>>
>>>>> É possível que os dois textos mencionados sejam bons ou razoáveis? Sim.
>>>>>
>>>>> Adolfo Neto
>>>>> Associate Professor - Federal University of Technology, Paraná
>>>>> Web: *https://adolfont.github.io/ <https://adolfont.github.io/>*
>>>>> Mestrado em Computação Aplicada: http://www.ppgca.ct.utfpr.edu.br
>>>>>
>>>>>
>>>>> Em qui., 20 de ago. de 2026 21:10, Adolfo Neto <[email protected]>
>>>>> escreveu:
>>>>>
>>>>>> Olá a todos,
>>>>>>
>>>>>> Aproveitando a interessante analogia trazida pelo Márcio sobre a
>>>>>> energia nuclear e os paralelos com o desenvolvimento da inteligência
>>>>>> artificial, vale a pena contextualizar como está esse cenário no Brasil,
>>>>>> especificamente com o complexo de Angra dos Reis.
>>>>>>
>>>>>> O uso da energia nuclear no Brasil para geração de eletricidade
>>>>>> concentra-se na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), no Rio 
>>>>>> de
>>>>>> Janeiro, e reflete bem os desafios de planejamento, custos e maturação
>>>>>> tecnológica de longo prazo:
>>>>>>
>>>>>>   - Angra 1: Foi a pioneira, conectada à rede no início da década de
>>>>>> 1980. Com tecnologia Westinghouse, teve um início conturbado (o que lhe
>>>>>> rendeu o apelido de "vagalume" na época), mas há anos opera com altos
>>>>>> índices de eficiência e fator de capacidade, sendo fundamental para a
>>>>>> estabilidade do sistema elétrico do Sudeste.
>>>>>>   - Angra 2: Fruto do acordo nuclear Brasil-Alemanha Ocidental
>>>>>> firmado nos anos 1970, entrou em operação comercial no ano 2000. Tem uma
>>>>>> potência significativamente maior que Angra 1 e consolidou a capacidade
>>>>>> técnica nacional na operação de reatores de água pressurizada (PWR).
>>>>>>   - Angra 3: É o grande símbolo das idas e vindas do programa nuclear
>>>>>> brasileiro. As obras foram iniciadas na década de 1980, paralisadas
>>>>>> diversas vezes por razões econômicas e políticas, e a usina segue
>>>>>> inconclusa. O debate atual gira em torno da viabilidade financeira de sua
>>>>>> conclusão frente aos custos de energia de outras fontes.
>>>>>>
>>>>>> Assim como o Márcio pontuou sobre os EUA, a energia nuclear no Brasil
>>>>>> não desapareceu e desempenha um papel estratégico de "energia de base" —
>>>>>> aquela que funciona continuamente, independente de fatores climáticos que
>>>>>> afetam as hidrelétricas, eólicas e solares. Contudo, a promessa de uma
>>>>>> matriz predominantemente nuclear nunca se concretizou, esbarrando no alto
>>>>>> custo de capital e nas complexidades regulatórias e de segurança.
>>>>>>
>>>>>> O paralelo com a IA é excelente: estamos diante de tecnologias de
>>>>>> altíssimo impacto e custo, cujo futuro real costuma se acomodar em um
>>>>>> patamar mais complexo e híbrido do que o otimismo (ou ceticismo) inicial
>>>>>> previa.
>>>>>>
>>>>>> Abraços,
>>>>>>
>>>>>>
>>>>>> Adolfo Neto
>>>>>> Associate Professor - Federal University of Technology, Paraná
>>>>>> Web: *https://adolfont.github.io/ <https://adolfont.github.io/>*
>>>>>> Mestrado em Computação Aplicada: http://www.ppgca.ct.utfpr.edu.br
>>>>>>
>>>>>>
>>>>>> Em qui., 20 de ago. de 2026 18:39, Márcio Palmares <
>>>>>> [email protected]> escreveu:
>>>>>>
>>>>>>> O ChatGPT não deixa nenhuma afirmação minha inteiramente de pé...
>>>>>>> Ele critica todas e acha pontos fracos em todas... Fico com vontade de
>>>>>>> dizer: "Cara, eu sou humano, não preciso estar 100% certo, não é assim 
>>>>>>> que
>>>>>>> a vida funciona!".
>>>>>>>
>>>>>>> Mas dessa vez eu disse uma besteira das grandes mesmo, e ele me
>>>>>>> sugeriu corrigir.
>>>>>>>
>>>>>>> Não existe essa coisa de que a "energia nuclear está meio
>>>>>>> abandonada". Em alguns países, talvez. Mas não é uma dinâmica geral.
>>>>>>>
>>>>>>> Analisando a produção de energia elétrica nos EUA, ele afirma o
>>>>>>> seguinte:
>>>>>>>
>>>>>>> "
>>>>>>>
>>>>>>> *Primeiro:* se considerarmos cada fonte isoladamente, a nuclear é
>>>>>>> praticamente a *segunda grande fonte dos EUA*, atrás apenas do gás
>>>>>>> natural. As renováveis só ultrapassam a nuclear quando reunimos várias
>>>>>>> tecnologias diferentes numa categoria única. Separadamente, em 2025, a
>>>>>>> eólica produziu cerca de *464 TWh*, a solar de grande escala *296
>>>>>>> TWh* e a hidrelétrica *247 TWh*. A nuclear produziu *785 TWh*.
>>>>>>>
>>>>>>> Ou seja:
>>>>>>> E nuclear > E eólica > E solar > E hidrelétrica.
>>>>>>>
>>>>>>> A nuclear americana, sozinha, produziu aproximadamente *70% mais
>>>>>>> eletricidade que toda a eólica americana* e mais de *três vezes* a
>>>>>>> hidrelétrica.
>>>>>>>
>>>>>>> *Segundo:* voltando à nossa comparação com Itaipu, a escala fica
>>>>>>> impressionante. Itaipu produziu cerca de *67 TWh em 2024*. O parque
>>>>>>> nuclear americano produziu *785 TWh em 2025*.
>>>>>>>
>>>>>>> Portanto,
>>>>>>> 785/67 ≈ 11,7.
>>>>>>>
>>>>>>> Ou seja, *as usinas nucleares dos EUA produzem, em conjunto, quase
>>>>>>> doze Itaipus de eletricidade*.
>>>>>>>
>>>>>>> Em termos diários:
>>>>>>> Itaipu ≈ 0,183 TWh/dia
>>>>>>>
>>>>>>> contra
>>>>>>> nuclear EUA ≈ 2,15 TWh/dia.
>>>>>>>
>>>>>>> Isso ajuda a colocar a questão histórica no lugar correto. *A
>>>>>>> energia nuclear não desapareceu nem se tornou uma curiosidade 
>>>>>>> tecnológica.*
>>>>>>> Nos EUA ela continua sendo um dos pilares da rede elétrica e produz
>>>>>>> aproximadamente tanta eletricidade quanto todo o carvão americano. A EIA
>>>>>>> inclusive descreve os EUA como possuidores da maior frota comercial de
>>>>>>> reatores nucleares do mundo.
>>>>>>>
>>>>>>> O que aconteceu é mais sutil: *a revolução nuclear não cumpriu as
>>>>>>> expectativas gigantescas dos anos 1950–70 de tornar-se rapidamente a 
>>>>>>> fonte
>>>>>>> dominante de eletricidade*. Isso é bem diferente de dizer que a
>>>>>>> tecnologia regrediu ou foi abandonada. Essa distinção talvez seja
>>>>>>> interessante para a analogia que você estava fazendo com IA.
>>>>>>> "
>>>>>>>
>>>>>>> É isso aí.
>>>>>>>
>>>>>>> M.
>>>>>>>
>>>>>>>
>>>>>>> Em qui., 20 de ago. de 2026 às 17:42, Márcio Palmares <
>>>>>>> [email protected]> escreveu:
>>>>>>>
>>>>>>>> Li os dois artigos, Bismarck!
>>>>>>>>
>>>>>>>> Obrigado por compartilhar! Acho que essa vereda filosófica aí é
>>>>>>>> promissora...
>>>>>>>>
>>>>>>>> Hoje assisti também esse vídeo aqui do Cloves, vale muito a pena,
>>>>>>>> pois é depoimento pessoal, sincero, certamente reflete o que se passa 
>>>>>>>> na
>>>>>>>> mente de muitos estudantes e mesmo de profissionais:
>>>>>>>>
>>>>>>>> https://youtu.be/JU3mecWIujc?si=C3zTcttAqePIn6iv
>>>>>>>>
>>>>>>>> Pena que não podemos ver como está progredindo a discussão na lista
>>>>>>>> dos professores do IME-USP! Em épocas de revolução tecnológica, deveria
>>>>>>>> haver uma regra: abrir as listas de e-mail e compartilhar todas as
>>>>>>>> reflexões! Haha... (Brincadeira.)
>>>>>>>>
>>>>>>>> O Adolfo mencionou o aspecto da sustentabilidade... Parece que não
>>>>>>>> há nada sustentável ou possivelmente duradouro no sistema atual: o
>>>>>>>> treinamento é caro, a infraestrutura é toda privada, não houve ainda
>>>>>>>> retorno em termos de ganho de produtividade para as empresas, a bolha 
>>>>>>>> da IA
>>>>>>>> tende a estourar em breve, etc. Talvez essa tecnologia regrida, desabe,
>>>>>>>> mais ou menos como aconteceu com a energia nuclear... Foi sem dúvida 
>>>>>>>> uma
>>>>>>>> revolução, mas não parece haver nenhuma forma segura de usá-la, então a
>>>>>>>> coisa foi meio que abandonada (dá pra fazer bombas, coisas que 
>>>>>>>> explodem,
>>>>>>>> fora isso a coisa é complicada)... Isso pode acontecer com o modelo 
>>>>>>>> atual,
>>>>>>>> uma regressão... Mas o problema propriamente epistêmico, filosófico, 
>>>>>>>> não
>>>>>>>> desaparece: em vez de máquinas que produzem coisas ou outras máquinas, 
>>>>>>>> os
>>>>>>>> seres humanos fabricaram, pela primeira vez, máquinas que produzem
>>>>>>>> conhecimento, não de forma totalmente autônoma, e sim num sistema 
>>>>>>>> híbrido
>>>>>>>> com humanos, mas às vezes ao humano foi necessário dizer apenas:
>>>>>>>>
>>>>>>>> "Fortalecer."
>>>>>>>>
>>>>>>>> (Essa expressão vai entrar para a História.)
>>>>>>>>
>>>>>>>> Outro aspecto da discussão que vale a pena considerar.
>>>>>>>>
>>>>>>>> Talvez exista um aspecto progressivo na situação atual, não tão
>>>>>>>> óbvio quanto a enxurrada de novos descobrimentos.
>>>>>>>>
>>>>>>>> Tem uma história num dos livros do Malba Tahan (eu folheei vários
>>>>>>>> tentando reencontrá-la, mas não achei) em que dois matemáticos 
>>>>>>>> resolvem um
>>>>>>>> típico problema de raciocínio lógico diante de um público de 
>>>>>>>> curiosos... O
>>>>>>>> primeiro matemático é misterioso, sacerdotal: ele tenta preservar seu
>>>>>>>> status de sábio, faz certos passos do raciocínio dedutivo parecerem 
>>>>>>>> passes
>>>>>>>> de mágica; ele impressiona o público, resolve o problema, sem contudo 
>>>>>>>> gerar
>>>>>>>> uma compreensão sobre a resolução; com isso, ele mantém sua posição
>>>>>>>> social. Intervém depois um segundo matemático, este mais iluminista,
>>>>>>>> democrático: não está preocupado com status, nada é misterioso na 
>>>>>>>> exposição
>>>>>>>> dele. Ele resolve o problema e o mistério desaparece.
>>>>>>>>
>>>>>>>> Este primeiro matemático, o misterioso, tem uma gênese social, uma
>>>>>>>> história. É um personagem milenar. Dos escribas aos 
>>>>>>>> astrólogos/astrônomos
>>>>>>>> que previam eclipses e eram empregados dos sacerdotes ou reis... Até 
>>>>>>>> aos
>>>>>>>> nossos dias, na figura daquele único professor que ministra aquela 
>>>>>>>> única
>>>>>>>> disciplina pela qual você terá que passar e, se sobreviver, terá 
>>>>>>>> completado
>>>>>>>> o rito de passagem e será reconhecido como membro da comunidade...
>>>>>>>>
>>>>>>>> Eu acho que essa figura misteriosa, esse detentor dos passaportes,
>>>>>>>> aquele professor ao qual todo mundo precisava de algum modo se submeter
>>>>>>>> para extrair algo de suas palavras e de sua escrita com a esperança de
>>>>>>>> talvez entender o mistério da disciplina específica... Este personagem 
>>>>>>>> está
>>>>>>>> morrendo. Está acabando. Ele agora é só um humano. Não é mais uma 
>>>>>>>> entidade
>>>>>>>> mítica.
>>>>>>>>
>>>>>>>> Nós tínhamos no curso de matemática da UFPR, no século passado, um
>>>>>>>> professor de Análise da velha guarda. Não vou mencionar o nome em 
>>>>>>>> respeito
>>>>>>>> à pessoa. Existia um folclore: "Para passar nas provas do Prof. K (de
>>>>>>>> Kafka), você tem que decorar exatamente o argumento que ele apresenta 
>>>>>>>> nas
>>>>>>>> listas de exercícios. Se trocar uma vírgula de lugar, ele anula a 
>>>>>>>> questão e
>>>>>>>> você reprova na disciplina." Formou-se então uma geração de pessoas 
>>>>>>>> capazes
>>>>>>>> de decorar vírgula por vírgula os argumentos oferecidos pelo Prof. K. 
>>>>>>>> E se
>>>>>>>> você não decorasse, reprovaria. Este professor era cercado por uma aura
>>>>>>>> mística. Por uma autoridade clerical, sacerdotal, milenar...
>>>>>>>>
>>>>>>>> Esse personagem acabou. Qualquer pessoa pode agora tirar suas
>>>>>>>> dúvidas com uma máquina, não precisa mais se submeter 
>>>>>>>> (psicologicamente) ao
>>>>>>>> rito de passagem. Pode até estar de corpo presente no rito de 
>>>>>>>> passagem. Mas
>>>>>>>> há um caminho alternativo pelo qual ela pode aprender sem sair de lá
>>>>>>>> traumatizada...
>>>>>>>>
>>>>>>>> Talvez este seja um aspecto progressivo da transformação atual...
>>>>>>>> Os matemáticos serão vistos a partir de agora como seres humanos, não 
>>>>>>>> mais
>>>>>>>> como entidades meio sobrenaturais às quais os demais mortais 
>>>>>>>> precisariam se
>>>>>>>> submeter.
>>>>>>>>
>>>>>>>> Abraços,
>>>>>>>>
>>>>>>>> M.
>>>>>>>>
>>>>>>>>
>>>>>>>>
>>>>>>>>
>>>>>>>>
>>>>>>>>
>>>>>>>> Em qui., 20 de ago. de 2026 às 11:13, Bismarck Bório de Medeiros <
>>>>>>>> [email protected]> escreveu:
>>>>>>>>
>>>>>>>>> Bom dia a todos,
>>>>>>>>>
>>>>>>>>> Achei bem interessante as postagens que vem surgindo aqui acerca
>>>>>>>>> das LLM's, bem como muitas das referências usadas nas discussões. 
>>>>>>>>> Acabei
>>>>>>>>> escrevendo algumas impressões (um tanto enviesadas de um ponto de 
>>>>>>>>> vista
>>>>>>>>> mais historicista da ciência) sobre este movimento, com alguma base 
>>>>>>>>> no que
>>>>>>>>> vem sendo falado aqui e discutido em palestras (a do IMPA foi bem
>>>>>>>>> interessante) e ensaios (principalmente comentários de Terence Tao e
>>>>>>>>> ensaios do Timothy Gowers em seus sites, que achei muito produtivos), 
>>>>>>>>> tudo
>>>>>>>>> com hiperlinks no texto. Não são muito longos, procuro um contexto 
>>>>>>>>> sobre os
>>>>>>>>> avanços, uns pontos a serem observados na mudança na dinâmica e de 
>>>>>>>>> valores
>>>>>>>>> na comunidade devido a ferramenta, outros pontos filosóficos (o que 
>>>>>>>>> seria
>>>>>>>>> um exemplo e no que as LLMs são boas) e alguns paralelos históricos de
>>>>>>>>> fundo. Compartilho aqui com todos as duas partes do texto:
>>>>>>>>>
>>>>>>>>> Notas sobre o uso de LLM's na atividade matemática (parte 1)
>>>>>>>>> <https://diarylogician.substack.com/p/notas-filosoficas-acerca-do-uso-de>
>>>>>>>>> Notas sobre o uso de LLM's na atividade matemática (parte 2)
>>>>>>>>> <https://diarylogician.substack.com/p/notas-sobre-o-uso-de-llms-na-atividade>
>>>>>>>>>
>>>>>>>>> Abraços!
>>>>>>>>> Em quarta-feira, 19 de agosto de 2026 às 16:58:54 UTC-3, Marcelo
>>>>>>>>> Finger escreveu:
>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Talvez esta msg , veiculada nas listas do IME-USP, seja de
>>>>>>>>>> interesse aos membros desta lista, como informação para uma das 
>>>>>>>>>> discussões
>>>>>>>>>> que estão rolando na rede.
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Em particular, não  concordo  com a afirmação "".
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> []s
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Marcelo
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> ---------- Forwarded message ---------
>>>>>>>>>> From: Vinicius de Oliveira Rodrigues <[email protected]>
>>>>>>>>>> Date: Sun, Aug 16, 2026 at 11:25 PM
>>>>>>>>>> Subject: A IA nos deu a resposta de um problema de 73 anos, e
>>>>>>>>>> agora?
>>>>>>>>>> To: professores IME <[email protected]>
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Prezados colegas,
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Gostaria de compartilhar uma experiência recente de pesquisa que
>>>>>>>>>> me convenceu de que precisamos discutir, com maior urgência, o 
>>>>>>>>>> impacto da
>>>>>>>>>> inteligência artificial sobre a matemática, sobre a formação de 
>>>>>>>>>> nossos
>>>>>>>>>> alunos e sobre a própria organização da pesquisa matemática. Não me 
>>>>>>>>>> parece
>>>>>>>>>> mais adequado tratar esse assunto como algo que talvez venha a 
>>>>>>>>>> acontecer
>>>>>>>>>> nos próximos anos. Está acontecendo agora, e está acontecendo comigo.
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Na semana passada, eu e Juliane Trianon-Fraga, doutora em
>>>>>>>>>> Matemática por este Instituto, chegamos com o GPT-5.6 Sol à solução 
>>>>>>>>>> de um
>>>>>>>>>> problema clássico de topologia: o problema de Wallace, formulado na 
>>>>>>>>>> década
>>>>>>>>>> de 1950, que pergunta, em uma de suas formas, se existe um semigrupo
>>>>>>>>>> topológico Hausdorff enumeravelmente compacto, com cancelamento dos 
>>>>>>>>>> dois
>>>>>>>>>> lados, que não seja um grupo.
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> O problema permaneceu aberto por mais de 70 anos. Há uma
>>>>>>>>>> literatura extensa em torno dele, com soluções sob hipóteses 
>>>>>>>>>> adicionais de
>>>>>>>>>> teoria dos conjuntos e muitos resultados parciais. Nós mesmos já 
>>>>>>>>>> havíamos
>>>>>>>>>> trabalhado anteriormente com problemas e construções relacionadas em 
>>>>>>>>>> nossos
>>>>>>>>>> doutorados e também posteriormente.
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Fornecemos ao GPT-5.6 Sol, por meio do ChatGPT Work, links no
>>>>>>>>>> arXiv para dois artigos recentes sobre um problema relacionado — a
>>>>>>>>>> existência de uma topologia de grupo enumeravelmente compacta sem
>>>>>>>>>> sequências convergentes não triviais no grupo abeliano livre de
>>>>>>>>>> cardinalidade c. Esse problema tinha ao menos 35 anos. Apesar de ter 
>>>>>>>>>> fortes
>>>>>>>>>> ligações com o Wallace, nunca mencionei ao ChatGPT o problema de 
>>>>>>>>>> Wallace,
>>>>>>>>>> naquela ou em nenhuma interação anterior. Enfim, fornecemos os links 
>>>>>>>>>> para
>>>>>>>>>> os dois artigos e pedimos que ele melhorasse as técnicas que 
>>>>>>>>>> constavam ali
>>>>>>>>>> e resolvesse definitivamente esse outro problema. O modelo respondeu 
>>>>>>>>>> duas
>>>>>>>>>> horas depois dizendo que não havia conseguido, pois as técnicas 
>>>>>>>>>> precisariam
>>>>>>>>>> ser fortalecidas, sem esclarecer muito o que ele quis dizer com 
>>>>>>>>>> isso. Dei
>>>>>>>>>> uma instrução simples mandando-o fortalecer, sem dar nenhuma 
>>>>>>>>>> instrução
>>>>>>>>>> sobre o que ou como.
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Cerca de 40 minutos depois, o modelo devolveu um resultado
>>>>>>>>>> substancialmente mais forte: todo grupo abeliano livre de torção de
>>>>>>>>>> cardinalidade continuum admite, em ZFC, uma topologia de grupo 
>>>>>>>>>> Hausdorff
>>>>>>>>>> enumeravelmente compacta sem sequências convergentes não triviais. 
>>>>>>>>>> Isso
>>>>>>>>>> resolve de uma só vez diversas questões abertas da área. E, sem eu
>>>>>>>>>> solicitar nada em nenhum momento, ele adicionou que "como corolário 
>>>>>>>>>> da
>>>>>>>>>> construção, construiu um semigrupo de Wallace em ZFC".
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Eu e Juliane já tínhamos experiência nesse problema, e,
>>>>>>>>>> espantados, revisamos cuidadosamente os argumentos. Estamos 
>>>>>>>>>> convencidos da
>>>>>>>>>> correção do argumento e fomos capazes de simplificá-lo 
>>>>>>>>>> substancialmente em
>>>>>>>>>> alguns pontos (com e sem ajuda de IA, nesse processo). Mesmo assim, 
>>>>>>>>>> cético
>>>>>>>>>> com o resultado, solicitei ao próprio modelo que produzisse uma
>>>>>>>>>> formalização em Lean 4 da demonstração, de forma incondicional. Após 
>>>>>>>>>> duas
>>>>>>>>>> horas, ele me entregou essa formalização. Checamos se os resultados 
>>>>>>>>>> estavam
>>>>>>>>>> corretamente formulados na formalização, e submetemos o código a 
>>>>>>>>>> diversas
>>>>>>>>>> auditorias, inclusive dos enunciados efetivamente provados e dos 
>>>>>>>>>> axiomas
>>>>>>>>>> utilizados.
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Sem IA, esse resultado seria um acontecimento extremamente
>>>>>>>>>> relevante e reconhecido na área, trazendo bastante prestígio a quem o
>>>>>>>>>> obtivesse. Porém, nesse caso, a esmagadora maioria do trabalho foi
>>>>>>>>>> realizada pelo modelo em um intervalo de tempo absurdamente curto, a 
>>>>>>>>>> partir
>>>>>>>>>> de instruções humanas muito pouco estruturadas. Por isso, gostaria 
>>>>>>>>>> que
>>>>>>>>>> todos refletissem sobre o impacto sério que essa ferramenta *já está 
>>>>>>>>>> tendo*
>>>>>>>>>> na comunidade. Não estou escrevendo isto para afirmar que “a 
>>>>>>>>>> matemática
>>>>>>>>>> acabou”, nem que matemáticos deixaram de ter trabalho. Discordo 
>>>>>>>>>> disso —
>>>>>>>>>> tenho ideias sobre que direção podemos seguir, e gostaria de ouvir a 
>>>>>>>>>> dos
>>>>>>>>>> colegas e conversar mais a respeito com a comunidade. Mas acho 
>>>>>>>>>> difícil
>>>>>>>>>> olhar para o que aconteceu e concluir que podemos continuar formando
>>>>>>>>>> matemáticos* exatamente* como fazíamos até agora, sobretudo na
>>>>>>>>>> pós-graduação. Isso levanta questões que considero urgentes para o 
>>>>>>>>>> IME:
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> * O que deve significar hoje uma tese de doutorado/dissertação de
>>>>>>>>>> mestrado? E um projeto de tese/dissertação?
>>>>>>>>>> * Como preparar nossos alunos para essa nova realidade?
>>>>>>>>>> * Quais as melhores formas de conduzir pesquisa nesse contexto em
>>>>>>>>>> que a IA reduz trabalhos de anos em dias?
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> É importante também ter em mente que a IA não para de avançar... 
>>>>>>>>>> alguns
>>>>>>>>>> alunos já têm me procurado espontaneamente, bastante preocupados com 
>>>>>>>>>> essas
>>>>>>>>>> questões. Acredito ter boas ideias sobre como orientar alunos a 
>>>>>>>>>> partir de
>>>>>>>>>> agora, mas entendo que sobretudo o esperado de um mestrado/doutorado 
>>>>>>>>>> será
>>>>>>>>>> decidido pela comunidade, e, por isso, gostaria, com este
>>>>>>>>>> e-mail, de fomentar essa discussão.
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Abaixo, seguem os links do preprint com a solução dos problemas
>>>>>>>>>> que expus nesse e-mail.
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Repositório do GitHub com .tex e os arquivos do Lean: The
>>>>>>>>>> Wallace problem and countably compact group topologies on 
>>>>>>>>>> torsion-free
>>>>>>>>>> Abelian groups in ZFC
>>>>>>>>>> <https://vo-rodrigues.github.io/wallace-problem-zfc-paper/wallace-preprint.pdf>
>>>>>>>>>> Link direto para o PDF: The Wallace problem and countably
>>>>>>>>>> compact group topologies on torsion-free Abelian groups in ZFC
>>>>>>>>>> <https://vo-rodrigues.github.io/wallace-problem-zfc-paper/wallace-preprint.pdf>
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Obs.: os em-dash desse e-mail não foram gerados por IA.
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Abraços,
>>>>>>>>>> Vinicius
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Vinicius de Oliveira Rodrigues
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Professor Doutor
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Departamento de Matemática
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Tel: (11) 2648.6580
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Universidade de São Paulo
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Rua do Matão, 1010 - CEP 05508-090 - São Paulo, SP
>>>>>>>>>> <https://www.google.com/maps/search/Rua+do+Mat%C3%A3o,+1010+-+CEP+05508-090+-+S%C3%A3o+Paulo,+SP?entry=gmail&source=g>
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> www.ime.usp.br
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> --
>>>>>>>>>> Para cancelar a inscrição neste grupo, envie um e-mail para
>>>>>>>>>> [email protected]
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> --
>>>>>>>>>> Marcelo Finger
>>>>>>>>>>  Departament of Computer Science, IME-USP
>>>>>>>>>>  http://www.ime.usp.br/~mfinger
>>>>>>>>>>  ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1391-1175
>>>>>>>>>>  ResearcherID: A-4670-2009
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Universidade de São Paulo
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> Rua do Matão, 1010 - CEP 05508-090 - São Paulo, SP
>>>>>>>>>> <https://www.google.com/maps/search/Rua+do+Mat%C3%A3o,+1010+-+CEP+05508-090+-+S%C3%A3o+Paulo,+SP?entry=gmail&source=g>
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>> --
>>>>>>>>> LOGICA-L
>>>>>>>>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área
>>>>>>>>> de Lógica <[email protected]>
>>>>>>>>> ---
>>>>>>>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo
>>>>>>>>> "LOGICA-L" dos Grupos do Google.
>>>>>>>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails
>>>>>>>>> dele, envie um e-mail para [email protected].
>>>>>>>>> Para ver esta conversa, acesse
>>>>>>>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/f0bba187-5df9-4241-ac05-53381ae9503fn%40dimap.ufrn.br
>>>>>>>>> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/f0bba187-5df9-4241-ac05-53381ae9503fn%40dimap.ufrn.br?utm_medium=email&utm_source=footer>
>>>>>>>>> .
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>>>>>>> LOGICA-L
>>>>>>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de
>>>>>>> Lógica <[email protected]>
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>>>>>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L"
>>>>>>> dos Grupos do Google.
>>>>>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele,
>>>>>>> envie um e-mail para [email protected].
>>>>>>> Para ver esta conversa, acesse
>>>>>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAA_hCxWVqmhvrd5NcGT8g_Onzkpi7NAw4d1%3DKofAnRF84KZwRg%40mail.gmail.com
>>>>>>> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAA_hCxWVqmhvrd5NcGT8g_Onzkpi7NAw4d1%3DKofAnRF84KZwRg%40mail.gmail.com?utm_medium=email&utm_source=footer>
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>>> --
>>> Adolfo Neto
>>> Associate Professor - Federal University of Technology, Paraná
>>> Web: *https://adolfont.github.io/ <https://adolfont.github.io/>*
>>> Mestrado em Computação Aplicada: http://www.ppgca.ct.utfpr.edu.br
>>>
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>> Adolfo Neto
>> Associate Professor - Federal University of Technology, Paraná
>> Web: *https://adolfont.github.io/ <https://adolfont.github.io/>*
>> Mestrado em Computação Aplicada: http://www.ppgca.ct.utfpr.edu.br
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