Ok, vou resumir (mais ou menos) a coisa por aqui e depois formato mais bonitinho e jogo no Wikki. Estou com pouco tempo e há muito a se dizer, então não me cobrem um texto lá muito bem escrito...

Primeiro, à guisa de justificativa:
Tem um cara chamado Joseph Campbell (ele já morreu, mas tá bem vivo no que escreveu) que dizia que o mito é para um povo aquilo que o sonho é para uma pessoa. Mito é aquilo que você pensa e sente sobre o mundo que te cerca, a história que você constrói com fatos e crenças (e também, por que não, poesia?) para fazer o seu mundo fazer sentido. Houve um tempo em que as pessoas se reuniam à volta dos mitos que haviam sido criados entre elas mesmas, colaborativamente, e viviam suas vidas em contato direto com isso, cada acontecimento enriquecendo o corpo mítico que as agregava. Quando surgiram os primeiros governantes, foi com a força que os mitos investiam neles e com o conhecimento para moldar o pensamento mítico de seu povo que eles governaram. Isso nunca mudou. Até  hoje somos movidos, direcionados e nos localizamos em nosso mundo a partir de crenças, idéias, conhecimentos, tecnologias... cultura.... e tudo isso é o construto do pensamento mítico de um povo.

As crianças são mitologistas naturais. Estão a todo momento descobrindo o mundo e tentando elaborar um sentido para aquilo que descobrem. São também constantemente bombardeados com os construtos de sentido elaborados pelas pessoas à sua volta, sua família, as pessoas de seu convivio, a televisão... o que for. Ao mesmo tempo em que tentam arranjar sentido para seu mundo, elas recebem o tempo todo elaborações e idéias já prontas, muitas vezes contrárias àquelas que elaboraram, e quase sempre acabam por ser vencidas por elas. É neste momento que é massacrada a criatividade, a capacidade de elaboração de sentido próprio e uma parte da individualidade da criança. Somos ensinados a obedecer e acreditar no que nos dizem, e a acreditar que aquilo que vem de fora é sempre melhor e maior do que aquilo que sentimos a respeito de nosso mundo. Este é o início da dominação cultural e mítica que nos submete e nos impede de questionar realmente o nosso mundo.

O trabalho da Sucateca/Brincadeira de Fazer visa ser uma força contrária a esta mó (mó é uma roda de moer grãos, n. do d.) da imaginação, chamando seus participantes a ouvir e contar histórias de um modo despreocupado e livre, mas não sem importância. A iniciativa é dividida em 3 eixos que se articulam constantemente:

1 - Ouvir Histórias (brincadeira de colecionar histórias): todos os participantes, e não apenas os facilitadores, trazem histórias de fora do grupo e partilham ela com o grupo. Podem ser relatos de segunda mão sobre algo que aconteceu na vizinhança, fábulas, histórias vistas em filmes, histórias, lendas... a variedade é importante, assim como a ênfase em contar histórias que avivem a criatividade de todos que fazem parte da brincadeira.

2 - Tecer Histórias (brincadeira de fazer histórias): todos os participantes se juntam e contam histórias, criam histórias a partir de suas vivências ou simplesmente de sua imaginação, e são convidados a participar da criação de histórias um do outro. O papel dos facilitadores (que também criam histórias neste eixo do processo) é estimular a agregação dos universos sensíveis tecidos pelos participantes tendo o cuidado de não limitar ou agredir a criação, estimulando ao mesmo tempo a criatividade e a integração (e colaboração) entre os criativos.

3 - Transformar Coisas (brincadeira de fazer coisas): Estimulados pelas histórias que ouviram e contaram, os participantes são chamados a criar alguma coisa a partir dos materiais (sucata / rejeitos / coisas não mais úteis na visão da maioria das pessoas) que estão disponíveis. Podem ser desenhos, pinturas, brinquedos, adereços... qualquer coisa que venha como uma continuação da história contada, uma materialização da imaginação dos criativos.

Com estas atividades se busca não só mostrar aos participantes que a criatividade deles é importante (e poderosa) como também que eles tem poder criador verdadeiro. É um movimento de se libertar do que "vem de cima ou de fora" e se conectar com aquilo que você pode criar, revalorizando a sua criação low-tech e simples como elemento precioso e criador de identidade.

Dentro das oficinas os participantes tem a oportunidade de expressar simbólicamente suas experiências de viver e conectar estes elementos simbólicos com aqueles produzidos por outros participantes. Dentro desta dinâmica de criação de histórias (que é a essência da mitogênese = criação de mitos) estimula o tipo poderoso de imaginação realizadora que nos é roubado pelo ambiente ácido e empobrecido de nosso convívio urbano atual.

Bem... isso tá longe de ser um texto definitivo (e qual é o texto que é definitivo) mas já dá alguma idéia a respeito do que alguns de nós estão pensando quando falamos da Brincadeira de Fazer.


Aceito, claro, todo o tipo de sugestão, crítica ou colocação, e chamos todos vocês a participarem da conversa. Aos interessados convido também a se juntarem a nós no grupo de discussão que foi criado para discutir a sucateca (eu passo o endereço mais pra frente).


Abraços do Duende.

p.s. eu disse que a explicação  não era simples.... vou jogar o texto desse jeito lá no Wikki e depois eu dou mais uma mexida nele.

On 9/1/05, Felipe Fonseca <[EMAIL PROTECTED] > wrote:
Então explica em mais de um email e no wiki....

http://xango.metareciclagem.org/wiki/index.php/MetaMitos

gf

Em 01/09/05, Daniel Duende Carvalho<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> Eu achei a oportunidade que foi criada por vocês MUITO INTERESSANTE.
>
>  Estamos começando umas conversas por aqui a respeito de uma reconstrução da
> capacidade mitogenética infantil (de construção de mitos / resignificação de
> objetos e situaçoes) através da reciclagem de rejeitos (lixo/sucata). Nosso
> projeto visa fazer oficinas de ressensibilização + oficinas de criação
> emergente e colaborativa de histórias + atividades com sucata
> contextualizadas pelas histórias (alguém me xinga se eu usar a palavra
> metamitos?). Não é algo que se possa explicar direito assim, em um email, e
> ainda estamos começando a pirar e elaborar a coisa, mas acho que em algum
> ponto nossas conversas e as conversas de vocês podem se encontrar.
>
>  Eu e DPadua ficamos muito interessados em juntas vcs no papo.
>
>  Abraços do Duende.
>
>
>
>
> On 9/1/05, Felipe Fonseca < [EMAIL PROTECTED]> wrote:
> >
> > eu também. acabou que não pude ir ontem,
> > mas tô bastante interessado!
> >
> > f
> >
> > Em 01/09/05, [EMAIL PROTECTED]<[EMAIL PROTECTED] > escreveu:
> > > Seguinte, pessoas...
> > >
> > > Estivemos ontem, eu e marcbraz na escola Lumiar onde rolou um
> > > bate-papo inicial com Carol e Marcelo (que trabalha com informática na
> > > escola) sobre as possibilidades de link entre nossas idéias. O papo
> > > rolou onde também é o local onde as crianças da Lumiar têm acesso às
> > > máq. computadoras, a Sala Verde, o que já nos fez sentir e vivenciar
> > > um pouco a relação que estas tem com as TICs. Foram observações
> > > positivas e reflexivas. Vimos um pouco do que andamos discutindo aki,
> > > como questionamentos do aproveitamento do computador no desnvolvimento
> > > geral do ser etc.
> > > Por fim, a Carol deixou clara a idéia de iniciar uma parceria,
> > > inicialmente com algo mais pontual, com o Guina, que o Dalton lhe
> > > apresentou no primeiro contato dela conosco e, para mais adiante, a
> > > possibilidade de um projeto trimestral, onde devemos, a partir de
> > > agora e com prazo até outubro, escrever estas idéias, + estrutura,
> > > dentro do padrão de "Projeto de Mestres" que a Lumiar tem em seu
> > > sítio. Eu e MarcBraz já nos disponibilizamos a iniciar esta idéia e,
> > > contamos com outros interessados da lista. Assim que checar o modelo
> > > de projeto, envio novidades aki. Carol tb vai nos ajudar com
> > > diretrizes. Agora, dormir + um poukinho pq foi um dia e tanto. Ah,
> > > aproveitamos, os dois intermunicipais (elly:sanAndres e
> > > marcbraz:Osasco) para visitar a expo "Cinético Digital". Boa. Quem
> > > puder, até 11/09.
> > >
> > > Bjins,
> > >
> > > Elly Guevara!
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> > > http://elly.zip.net
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