Pois, eu adorava brincar de policia e ladrão, arminha de espoleta era um dos
brinquedos preferido entre 10 de 9 crianças, isso mesmo, pois a decima o pai
não tinha grana prá comprar... meu amado Cauã, qdo bebê, não foi junto com
coleguinhas de berçario pro maternal porque a psicologa achava que eu
deveria incentivá-lo a ser mais egocentrico, ou seja, ele não perdia tempo
se pauleando com outros por conta de um brinquedo, qdo o colega mais
impositivo se avançava sobre o que ele tinha na mão, ele largava e procurava
outra coisa prá se divertir... daí a mulher achava que eu tinha que
desenvovler a agresividade nele, fazer com que ele disputasse no tapa o que
tinha em mãos...que ele tinha que atacar, morder, bater... claro que mandei
a cara catar coquinho.. Cauã passou pro maternal e nunca nenhum colega lhe
agrediu fisica e gratuitamente em disputa por alguma coisa, o dialogo sempre
foi sua maior e melhor arma...

então esse papinho de que é issoaquilo é causa da violencia... a violência
atual é como antes a manifestação mais explícita da miséria. A violência
atual é como antes uma forma de acumulação primitiva (ou seja, baseada na
expropriação). A violência atual é como antes uma funcionalização da
pobreza.

Mas contrário a antes, a violência atual é orgânica, é uma forma de
inclusão. Não se trata de um ato separatista de segregação ativa (desejo de
auto-exclusão em busca de autonomia). Nem se trata também de "novos
bárbaros" que invadem a sociedade organizada. Na verdade, já são partes
organizadas dessa sociedade que se desenvolve de forma desigual e combinada
sem mais a necessidade de utilizar-se da idéia de "ordem e progresso".

Por isso, quem é atacado não é a elite e seu discurso hegemônico voltado
para assegurar a manutenção da acumulação capitalista e a ideologia da
modernidade. Essas coisas estão garantidas. Afinal, a violência atual não é
revolucionária! A violência atual é a expressão do poder assegurado, reflexo
da propriedade e controle do processo de produção.  E assim, as forças do
atraso social reproduzem a miséria, reduzindo a violência sua forma de
apropriação material e expressão cultural. O resto é humilhação.

Em 29/09/07, Fernando Henrique <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> Em Sáb, 2007-09-29 às 20:18 -0300, mbraz escreveu:
>
> > nao! matar para comer nao e' uma forma de violencia, e' uma questao de
> > sobrevivencia. Assim como se um leao estiver faminto e te ver
> > perambulando perto dele nao sera' uma forma de violencia. E nao dara'
> > nem tempo de voce pensar sobre isso ... hehe.
> >
> > Torturar um boi na farra do boi e'. Pois chamamos de tradicao o fato
> > de, para nosso puro prazer - ou perversao - esfolar um boi vivo.
> >
> > se voce ficar sem comer e morrer de inanicao, ou por uma tradicao que
> > temos de acumular e nao distribuir, e' outra forma de violencia.
> >
> > seres humanos talvez sejam os unicos animais que sintam prazer em ver
> > outro de sua especie sofrer, ou morrer. Isto nao esta' nos genes,
> > precisamos entender que exercemos variadas formas de poder sobre
> > outros, que causamos danos pesados ao ambiente em que vivemos e que
> > compartilhamos com outras especies. Nao e' ecologismo barato, e'
> > tomada de consciencia das acoes e decisoes que tomamos em nome do
> > 'desenvolvimento'.
> >
> > mas, voltando pros games, ainda e' preciso pensar porque os jogos
> > mostram uma cultura de violencia na maioria dos casos. So' reflexo da
> > realidade em que vivemos?
>
>
> Pra mim, agressividade, fúria, entre outros ingredientes pra violência
> tão no gene, só botar dois pivetes de 2 anos um do lado do outro pra ver
> cabelo e pele na unha de um e marcas de mordida no outro.
>
> Eu tinha meio que um instinto assasino, mesmo antes de ter TV em casa,
> com um estilingue na mão ou um rifle de chumbo eu não parava de atirar
> até alguém sangrar (eu tinha 4 ou 5 anos).... Não me lembro de ter
> aprendido isso com alguém, se pá veio no pacote, com mais idade fui
> controlando isso, na época era viciante.
>
> Sobre os games, eles são violentos pq vende mais ou vendem mais pq são
> violentos ? Eu acho as duas coisas.
> --
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quem tem consciência para ter coragem
quem tem a força de saber que existe
e no centro da própria engrenagem
inventa a contra-mola que resiste
quem não vacila mesmo derrotado
quem já perdido nunca desespera
e envolto em tempestade decepado
entre os dentes segura a primavera.


«Os outros detestam em mim o que me distingue deles.»

"Se você não concordar,
não posso me desculpar..."
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