Ótimo, Lelex!

Gostaria apenas de sugerir o seguinte acréscimo: MetaReciclagem consubstancia-se como uma comunidade ética e constitui-se como sociedade autônoma. Assim, formulando, crieio que entreteremos na mente tanto o aspecto afetivo e irracional (comunitário) quanto o passe instituinte dele para o racional, simbólico e deliberado (social).

Também acho que o pós-moderno é capitulação à plutocracia tecnnoburocrática atual.

Somos é contemporâneos, antes durante e depois da suposta modernidade e da suposta pós-modernidade, nosso tempo é o da sabedoria, não o da dissipação.

"The hours of folly are mesur'd by the clock, but of wisdom: no clock can measure" (William Blake, "Proverbs of Hell").

eiabel lelex escreveu:
retomo aqui, depois de tudo e todos que li, para dizer que metareciclagem é
uma sociedade, sim, uma sociedade autônoma e não anônima... o racíocínio é o
seguinte: as crises atingem a tudo e todos. A comprensão desses fenômenos (e
a ação social correspondente à sua negação) exige uma elaboração de uma
cultura alternativa em dois níveis:
- da técnica;
- das categorias, em bases concentuais divergentes do "instituído".
Para exemplificar, nas artes o pós-moderno está presente e em grande parte
resultante da sociedade pós-industrial, e fomenta, enqto estético, um novo
sentido, ou melhor, indicando a ausência de sentidos, afirmando o sentido do
vazio, o sentido do nada, a "ausencia de valores", a morte de qualquer
afirmação de razão. mesmo que se possa decodificar na arte pós-moderna (ou
neo-moderna) muito de percepção dos efeitos da bárbarie, e uma concepção de
que novas revoluções estéticas foram condicionadas pelo desencanto com a
modernidade, no fundo atesta-se um ceticismo bem comportado, conformado com
a "irreversibilidade" dos resultados da herança do iluminismo. bem da
verdade que o iluminismo fez a força da revolução burguesa, mas não é
aceitável dar sentido único ao ideal iluminista como ideal da sociedade
industrial nos moldes capitalistas. O niilismo face à pressuposição da
falencia do projeto da modernidade é no mais das vezes reação à massificação
dos bens culturais e coisificação dos homens robotizados. ocorre que tal
atitude peca tanto pela assunção da culpa pelo desencanto com a modernidade
atribuído à imanencia originaria nas bandeiras iluministas como pela
indelével marca do "pós-tudo" ou "pós-nada", via de regra neoconservadores,
que ao pregarem as "revoluções moleculares" próximos à palavra de ordem :
salve-se primeiro antes de salvar os outros.
entonces que considero metareciclagem uma sociedade autonoma, que está
sempre pondo em questão suas regras, uma comunidade autonoma... onde suas
lideranças são todoas pessoas, ou nenhuma... na real eu não tenho saco prá
ficar tirando inço do jardim, acho um saco, gosto de mato... tenho que
almoçar... bateu fome.

beso



2008/8/6 eiabel lelex <[EMAIL PROTECTED]>

explode suavemente perante nossos olhos as incertezas do pertencimento, as
raízes que se quebram ao mesmo tempo que ensaiam renascer. Enxergamos nossa
frágil condição de Ser e Estar com a perplexidade comum aos que se perdem no
redemoinho das gerações.  E o som de nossa tragédia a perscrutar o coração
inquieto...

acho importante destacar que metareciclagem é de domínio público,
respeitada sua autoria...

Uma sociedade autônoma - vale dizer: não alienada de si mesma- é aquela
onde suas regras estão permanentemente em questão; onde, em outras palavras,
a ordem está em questão. Sempre que garantirmos esta possibilidade, mesmo
diante dos mecanismos conhecidos de apropriação privada e excludente do
poder e das riquezas, saberemos que estes mesmos mecanismos estarão sob uma
oposição de direito.

Derrida, por exemplo, não pretende dizer que o direito é ilegítimo ou
ilegal. Ele problematiza a identificação entre o jurídico e a justiça ao
questionar os fundamentos da autoridade e as ficções através das quais o
direito se auto-legitima.

Desconstruir é aprender que lei e justiça não são sinônimos, que esta tem
sempre o caráter de promessa aberta. Não se realizará nunca, mas se você
perdê-la de vista enquanto horizonte, perdeu-se tudo, não há lei que
resolva. A desconstrução é a tentativa mais radical de pensar essas noções
tão complexas: perdão, hospitalidade, justiça.

Daí as várias fórmulas paradoxais de Derrida: só se perdoa o imperdoável;
só se decide o indecidível. Se uma decisão for absolutamente lógica,
racional e dedutível de regras pré-estabelecidas, bem, não houve decisão
nenhuma, só uma aplicação de princípios já dados, não é mesmo? A decisão
verdadeira só ocorre quando você se enfrenta com o inteiramente cabeludo,
com o indecidível.

A isso Oswald de Andrade chamou a contribuição milionária de todos os
erros.

besos

tem festança aqui em poa dia 29/08... meu cumplice se tornou desembargador
do tribunal do trabalho... a classe operária irá ao paraíso.

lelex

2008/8/6 Çtalker <[EMAIL PROTECTED]>

Compartilho completamente o diagnóstico do FF sobre a inocuidade de
estruturas sem dynamos (como se diz na semiótica) ou sem desejo (para a
psicanálise). O que se disse para o MetaRec, vale para a Indymedia, o EL, o
Estilingue, talvez o rizoma das rádios e tvs livres, boa parte das
rádioslivres (caso que conheço: a RadiolaUFMG).

Eu acho que namoro longo, ou casa, ou termina. Mas se não casa na hora que
há amor profundo (a parte as paixões), depois não adianta, vira mais um
compromisso ex-voluntário.

Na primeira vez que tentamos casar (institucionalizar) nossas iniciativas
primeiro, foi cedo demais. Apaixonados, mas muito adolescentemente apegados
a uma independencia que, como vimos logo depois (quando fomos empregados e
cooptados e, alguns, corrompidos) nunca havia existido. Agora, quem começou
com menos de duas dezenas de anos, agora está chegando as três (ou quatro,
como eu, que estou há 18 anos nesse boogie-woogie), tem contas a pagar,
filhos a criar, casamentos a preservar (ou a abandonar). Temos que respeitar
nossas novas realidades pessoais, ou seja, nosso amor pelas ações
autonomistas e inovadoras tem que ser sustentável em longo prazo.

Será que ao virarmos pessoas jurídicas, seremos obrigatoriamente iguais às
ONGs formadas nos anos 80 e 90, que a gente tanto malhava (com boas razões
mas nem tão bons afetos)? Elas próprias (as ONGs) absorveram inúmeras
inovações que o nosso ciberativismo inventou, assim como muitas as pessoas
nelas se empregam hoje.

Esgotamos o combustível das paixões de começo e o que era volátil, já se
sublimou. Temos amor bastante para continuar? Toleraremos abandonar nossos
projetos nos dizendo que "foi curto o verão"?


Felipe Fonseca escreveu:

 Ei metarex
Pois tô aqui, chegando ao Brasil mais lentamente que imaginava.
Tô passando por uma fase de readaptação orgânica ao clima, e
isso tem me mantido um pouco afastado da internet. Mas tenho
pensado bastante no sentido disso aqui. Digo, essa lista, esse
nome coletivo, uma certa herança confusa de seis anos chamando
diferentes coisas de MetaReciclagem. Essa identidade compartilhada
carrega um monte de valores implícitos e explícitos, e sob essa
identidade compartilhada um monte de coisas interessantes foram
realizadas. Pra quem não tá habituado a essas histórias, tô tentando
documentar no Mutirão: http://mutirao.metareciclagem.org/

Mas eu tenho me perguntado de maneira mais aprofundada sobre
a existência disso tudo. Acho que eu tenho uma certa nostalgia
por um tempo em que a MetaReciclagem reunia uma dúzia de
pessoas dispostas a fazer coisas juntas. Hoje a lista metarec tem
368 pessoas, e pouco ou nada se articula por aqui. Acho que as
listas em geral são uma coisa um pouco defasada, e até cheguei
a começar a reorganizar o site da MetaReciclagem pensando que
ele pode virar um ambiente de articulação, mobilização, agenciamento.
Mas no processo tenho me perguntado cada vez mais se faz sentido.
Se ainda tem alguém interessado em usar um sistema como esse.
Em chamar as coisas que faz de MetaReciclagem, e com isso
contar com o apoio de outras pessoas. Ou se ainda tem gente
interessada em apoiar os projetos de outrxs.

Acho que tem um ponto de limite, de agitação coletiva, que determina
a participação das pessoas: a partir dali, mais gente entra. Daí que
só faz sentido desenvolver uma estrutura que facilite essas coisas
se as pessoas forem usar.

A MetaReciclagem começou em sampa, com um grupo de pessoas
que queriam pegar doações de computadores pra fazer coisas em
projetos 'sociais'. De lá pra cá, cresceu e se transformou um monte.
Não vou repetir essa história mais uma vez. Mas sempre havia algum
ponto de sinergia, algum elemento que mantinha as pessoas próximas,
as idéias fluindo, as ações pipocando. Hoje eu sinto isso vazio. Os
únicos que tão fazendo alguma coisa e contando pra todo mundo
por aqui são o Régis, o Rafa, o Paulo e a Silvana. Eu gostaria que
esse tipo de coisa, que acontece também em outros lugares, fosse
compartilhada mais vezes. Mas isso não depende só de estrutura.

E aí pergunto: faz sentido eu pensar nisso? Faz sentido a gente
ter uma estrutura pra agenciar ações coletivas entre pelo menos
essas 368 pessoas que tão na lista e tantas outras que entram
a cada dia no site pelo google ou coisa parecida? Faz sentido
a gente pensar em uma estratégia de logística distribuída pra
aproveitar a exposição que a gente teve, e que até hoje continua
gerando contatos de pessoas e empresas que querem doar
seus equipamentos mas não sabem pra quem? Faz sentido
buscar um nexo, tentar encontrar pontos em comum e
possibilidades de ação conjunta? Será que ainda é possível
articular a idéia de 'comunidade' distribuída ou isso é coisa
de 2001?

Enfim,

saudades

efe



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--
"Se você não concordar, não posso me desculpar..."

pela sinistra "laotra", sempre!




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