me dissram outro dia que a gurizadinha de fé é como uma versão contemporanea
da geração mimeográfo...

mas, sabe, eu ando meio gata escaldada... tive uma experiencia m a r a v i l
h o s a , alucinante com a elaboração do estatuto descentro... mas depois
parece que a familia,a tradição e a propriedade falou mais alto, porque tudo
que foi conquistado na redação do estatuto, foi aceito e registrado pelos
orgãos competentes e oficiais, a coisa degringolou... reações contra a
redeção, defesas de que é melhor o copia e cola do modelo, quer dizer, é
tudo muito bom, tudo muito lindo, mas não prá fazer as institucionalidades
se modernizarem... na hora dos documentos, monte de gente acha prudente
manter a coisa do jeito que é... comecei a entristecer... decepcionar,
porque por mais que a gente se esfoce, na hora h  tudo prefer contrato de
serviço e não cooperação técnica... preferem relações de subordinação e não
de igualdade... é foda, ops, estrupo, porque foda com consentimento é muito
bom.

beso

lele

2008/8/8 Çtalker <[EMAIL PROTECTED]>

>  Ótimo, Lelex!
>
> Gostaria apenas de sugerir o seguinte acréscimo: MetaReciclagem
> consubstancia-se como uma comunidade ética  e constitui-se como sociedade
> autônoma. Assim, formulando, crieio que entreteremos na mente tanto o
> aspecto afetivo e irracional (comunitário) quanto o passe instituinte dele
> para o racional, simbólico e deliberado (social).
>
> Também acho que o pós-moderno é capitulação à plutocracia tecnnoburocrática
> atual.
>
> Somos é contemporâneos, antes durante e depois da suposta modernidade e da
> suposta pós-modernidade, nosso tempo é o da sabedoria, não o da dissipação.
>
>                 "The hours of folly are mesur'd by the clock, but of
> wisdom: no clock can measure" (William Blake, "Proverbs of Hell").
>
> eiabel lelex escreveu:
>
> retomo aqui, depois de tudo e todos que li, para dizer que metareciclagem é
> uma sociedade, sim, uma sociedade autônoma e não anônima... o racíocínio é o
> seguinte: as crises atingem a tudo e todos. A comprensão desses fenômenos (e
> a ação social correspondente à sua negação) exige uma elaboração de uma
> cultura alternativa em dois níveis:
> - da técnica;
> - das categorias, em bases concentuais divergentes do "instituído".
> Para exemplificar, nas artes o pós-moderno está presente e em grande parte
> resultante da sociedade pós-industrial, e fomenta, enqto estético, um novo
> sentido, ou melhor, indicando a ausência de sentidos, afirmando o sentido do
> vazio, o sentido do nada, a "ausencia de valores", a morte de qualquer
> afirmação de razão. mesmo que se possa decodificar na arte pós-moderna (ou
> neo-moderna) muito de percepção dos efeitos da bárbarie, e uma concepção de
> que novas revoluções estéticas foram condicionadas pelo desencanto com a
> modernidade, no fundo atesta-se um ceticismo bem comportado, conformado com
> a "irreversibilidade" dos resultados da herança do iluminismo. bem da
> verdade que o iluminismo fez a força da revolução burguesa, mas não é
> aceitável dar sentido único ao ideal iluminista como ideal da sociedade
> industrial nos moldes capitalistas. O niilismo face à pressuposição da
> falencia do projeto da modernidade é no mais das vezes reação à massificação
> dos bens culturais e coisificação dos homens robotizados. ocorre que tal
> atitude peca tanto pela assunção da culpa pelo desencanto com a modernidade
> atribuído à imanencia originaria nas bandeiras iluministas como pela
> indelével marca do "pós-tudo" ou "pós-nada", via de regra neoconservadores,
> que ao pregarem as "revoluções moleculares" próximos à palavra de ordem :
> salve-se primeiro antes de salvar os outros.
> entonces que considero metareciclagem uma sociedade autonoma, que está
> sempre pondo em questão suas regras, uma comunidade autonoma... onde suas
> lideranças são todoas pessoas, ou nenhuma... na real eu não tenho saco prá
> ficar tirando inço do jardim, acho um saco, gosto de mato... tenho que
> almoçar... bateu fome.
>
> beso
>
>
>
> 2008/8/6 eiabel lelex <[EMAIL PROTECTED]> <[EMAIL PROTECTED]>
>
>    explode suavemente perante nossos olhos as incertezas do pertencimento, as
> raízes que se quebram ao mesmo tempo que ensaiam renascer. Enxergamos nossa
> frágil condição de Ser e Estar com a perplexidade comum aos que se perdem no
> redemoinho das gerações.  E o som de nossa tragédia a perscrutar o coração
> inquieto...
>
> acho importante destacar que metareciclagem é de domínio público,
> respeitada sua autoria...
>
> Uma sociedade autônoma - vale dizer: não alienada de si mesma- é aquela
> onde suas regras estão permanentemente em questão; onde, em outras palavras,
> a ordem está em questão. Sempre que garantirmos esta possibilidade, mesmo
> diante dos mecanismos conhecidos de apropriação privada e excludente do
> poder e das riquezas, saberemos que estes mesmos mecanismos estarão sob uma
> oposição de direito.
>
> Derrida, por exemplo, não pretende dizer que o direito é ilegítimo ou
> ilegal. Ele problematiza a identificação entre o jurídico e a justiça ao
> questionar os fundamentos da autoridade e as ficções através das quais o
> direito se auto-legitima.
>
> Desconstruir é aprender que lei e justiça não são sinônimos, que esta tem
> sempre o caráter de promessa aberta. Não se realizará nunca, mas se você
> perdê-la de vista enquanto horizonte, perdeu-se tudo, não há lei que
> resolva. A desconstrução é a tentativa mais radical de pensar essas noções
> tão complexas: perdão, hospitalidade, justiça.
>
> Daí as várias fórmulas paradoxais de Derrida: só se perdoa o imperdoável;
> só se decide o indecidível. Se uma decisão for absolutamente lógica,
> racional e dedutível de regras pré-estabelecidas, bem, não houve decisão
> nenhuma, só uma aplicação de princípios já dados, não é mesmo? A decisão
> verdadeira só ocorre quando você se enfrenta com o inteiramente cabeludo,
> com o indecidível.
>
> A isso Oswald de Andrade chamou a contribuição milionária de todos os
> erros.
>
> besos
>
> tem festança aqui em poa dia 29/08... meu cumplice se tornou desembargador
> do tribunal do trabalho... a classe operária irá ao paraíso.
>
> lelex
>
> 2008/8/6 Çtalker <[EMAIL PROTECTED]> <[EMAIL PROTECTED]>
>
> Compartilho completamente o diagnóstico do FF sobre a inocuidade de
>
>
>  estruturas sem dynamos (como se diz na semiótica) ou sem desejo (para a
> psicanálise). O que se disse para o MetaRec, vale para a Indymedia, o EL, o
> Estilingue, talvez o rizoma das rádios e tvs livres, boa parte das
> rádioslivres (caso que conheço: a RadiolaUFMG).
>
> Eu acho que namoro longo, ou casa, ou termina. Mas se não casa na hora que
> há amor profundo (a parte as paixões), depois não adianta, vira mais um
> compromisso ex-voluntário.
>
> Na primeira vez que tentamos casar (institucionalizar) nossas iniciativas
> primeiro, foi cedo demais. Apaixonados, mas muito adolescentemente apegados
> a uma independencia que, como vimos logo depois (quando fomos empregados e
> cooptados e, alguns, corrompidos) nunca havia existido. Agora, quem começou
> com menos de duas dezenas de anos, agora está chegando as três (ou quatro,
> como eu, que estou há 18 anos nesse boogie-woogie), tem contas a pagar,
> filhos a criar, casamentos a preservar (ou a abandonar). Temos que respeitar
> nossas novas realidades pessoais, ou seja, nosso amor pelas ações
> autonomistas e inovadoras tem que ser sustentável em longo prazo.
>
> Será que ao virarmos pessoas jurídicas, seremos obrigatoriamente iguais às
> ONGs formadas nos anos 80 e 90, que a gente tanto malhava (com boas razões
> mas nem tão bons afetos)? Elas próprias (as ONGs) absorveram inúmeras
> inovações que o nosso ciberativismo inventou, assim como muitas as pessoas
> nelas se empregam hoje.
>
> Esgotamos o combustível das paixões de começo e o que era volátil, já se
> sublimou. Temos amor bastante para continuar? Toleraremos abandonar nossos
> projetos nos dizendo que "foi curto o verão"?
>
>
> Felipe Fonseca escreveu:
>
>  Ei metarex
>
>
>  Pois tô aqui, chegando ao Brasil mais lentamente que imaginava.
> Tô passando por uma fase de readaptação orgânica ao clima, e
> isso tem me mantido um pouco afastado da internet. Mas tenho
> pensado bastante no sentido disso aqui. Digo, essa lista, esse
> nome coletivo, uma certa herança confusa de seis anos chamando
> diferentes coisas de MetaReciclagem. Essa identidade compartilhada
> carrega um monte de valores implícitos e explícitos, e sob essa
> identidade compartilhada um monte de coisas interessantes foram
> realizadas. Pra quem não tá habituado a essas histórias, tô tentando
> documentar no Mutirão: http://mutirao.metareciclagem.org/
>
> Mas eu tenho me perguntado de maneira mais aprofundada sobre
> a existência disso tudo. Acho que eu tenho uma certa nostalgia
> por um tempo em que a MetaReciclagem reunia uma dúzia de
> pessoas dispostas a fazer coisas juntas. Hoje a lista metarec tem
> 368 pessoas, e pouco ou nada se articula por aqui. Acho que as
> listas em geral são uma coisa um pouco defasada, e até cheguei
> a começar a reorganizar o site da MetaReciclagem pensando que
> ele pode virar um ambiente de articulação, mobilização, agenciamento.
> Mas no processo tenho me perguntado cada vez mais se faz sentido.
> Se ainda tem alguém interessado em usar um sistema como esse.
> Em chamar as coisas que faz de MetaReciclagem, e com isso
> contar com o apoio de outras pessoas. Ou se ainda tem gente
> interessada em apoiar os projetos de outrxs.
>
> Acho que tem um ponto de limite, de agitação coletiva, que determina
> a participação das pessoas: a partir dali, mais gente entra. Daí que
> só faz sentido desenvolver uma estrutura que facilite essas coisas
> se as pessoas forem usar.
>
> A MetaReciclagem começou em sampa, com um grupo de pessoas
> que queriam pegar doações de computadores pra fazer coisas em
> projetos 'sociais'. De lá pra cá, cresceu e se transformou um monte.
> Não vou repetir essa história mais uma vez. Mas sempre havia algum
> ponto de sinergia, algum elemento que mantinha as pessoas próximas,
> as idéias fluindo, as ações pipocando. Hoje eu sinto isso vazio. Os
> únicos que tão fazendo alguma coisa e contando pra todo mundo
> por aqui são o Régis, o Rafa, o Paulo e a Silvana. Eu gostaria que
> esse tipo de coisa, que acontece também em outros lugares, fosse
> compartilhada mais vezes. Mas isso não depende só de estrutura.
>
> E aí pergunto: faz sentido eu pensar nisso? Faz sentido a gente
> ter uma estrutura pra agenciar ações coletivas entre pelo menos
> essas 368 pessoas que tão na lista e tantas outras que entram
> a cada dia no site pelo google ou coisa parecida? Faz sentido
> a gente pensar em uma estratégia de logística distribuída pra
> aproveitar a exposição que a gente teve, e que até hoje continua
> gerando contatos de pessoas e empresas que querem doar
> seus equipamentos mas não sabem pra quem? Faz sentido
> buscar um nexo, tentar encontrar pontos em comum e
> possibilidades de ação conjunta? Será que ainda é possível
> articular a idéia de 'comunidade' distribuída ou isso é coisa
> de 2001?
>
> Enfim,
>
> saudades
>
> efe
>
>
>
>
>
>  _______________________________________________
> Lista de discussão da MetaReciclagem
> Envie mensagens para [EMAIL PROTECTED]://lista.metareciclagem.org
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>        --
> "Se você não concordar, não posso me desculpar..."
>
> pela sinistra "laotra", sempre!
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